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IPPB - APOSTILA - CURSO MEDIUNIDADE e ESPIRITUALIDADE

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CURSO MEDIUNIDADE e ESPIRITUALIDADE
por Maísa Intelisano

CONTEÚDO

Considerações iniciais

A. INTRODUÇÃO
1. Energias e bioenergias
a) Definição
b) Tipos e fontes de energias
c) Energias, pensamentos e sentimentos
d) Energias e alimentação
e) Limpeza e harmonização energética
2. Duplo etérico
a) Definição, funções e nomenclatura
b) Características
c) Cordão de prata
d) Duplo etérico e mediunidade
3. Chacras ou centros de força
a) Histórico, definição e características
b) Funções físicas e psicofísicas
c) Os sete chacras principais
d) Os chacras menores ou secundários
e) Divergências de sistemas
f) Chacras, espiritualidade e mediunidade
4. Psicossoma, Corpo Astral ou Perispírito
a) Definição e nomenclatura
b) Características
c) Funções
d) Psicossoma como identidade espiritual
e) Psicossoma e mediunidade
5. Corpo Mental
6. Projeção da consciência ou viagem astral
a) Definição
b) Tipos básicos
c) Principais sintomas projetivos
d) Projeção e espiritualidade
e) Projeção e desdobramento
f) Projeção e mediunidade
7. Aura, pensene ou psicosfera
a) Definição
b) Características
c) A aura e as cores
d) Leitura e interpretação da aura
e) Aura e mediunidade
f) Transformações da aura
g) Aura e efeito Kirlian
8. Ectoplasma
a) Definição
b) Características
c) Ectoplasma, mediunidade e assistência
9. Afinidade energética (ou vibratória)
a) Energias afins
b) Eenergias antagônicas
c) Aafinidade energética e mediunidade
d) Mmudando o padrão energético
10. Sensibilidade energética
a) Definição
b) Ssensibilidade energética e afinidade energética
c) A sensibilidade energética nos médiuns
d) A sensibilidade energética como alavanca para o fenômeno mediúnico
11. Trabalhando as próprias energias
a) Benefícios
b) Ttipos de práticas
c) Práticas energéticas e mediunidade
d) Práticas energéticas como facilitadoras do fenômeno mediúnico
e) Práticas energéticas e espiritualidade
f) Terapias complementares e mediunidade
12. Sintomas bioenergéticos
a) Definição e classificação
b) Ssintomas bioenergéticos e mediunidade
c) Sintomas bioenergéticos como dispositivos de alerta, segurança e defesa
13. Holopensene e egrégora
a) Definição e características
b) Sintonia espiritual com encarnados
c) Sintonia espiritual com desencarnados
d) Sintonia espiritual no grupo mediúnico
e) Os grupos mediúnicos e sua egrégora
f) Sintonia espiritual no dia a dia
14. Formas-pensamento
a) Definição e características
b) Classificação
c) Formas pensamento e mediunidade
15. Larvas astrais
a) Definição e características
b) Causas e consequências
c) Como eliminar
d) Como prevenir
16. Bloqueios energéticos
a) Definição e características
b) Causas e consequências
c) Como eliminar
d) Como prevenir
17. Parasitas ovóides

B. ESTUDANDO A MEDIUNIDADE
1. Definição
2. Histórico
3. Mediunidade e mediunismo
4. Mediunidade e animismo
a) Definição de animismo
b) Animismo e mistificação
c) Animismo não é defeito mediúnico
d) Animismo como coadjuvante no fenômeno mediúnico
e) Mediunidade consciente, semiconsciente e inconsciente
f) Animismo como conscientização para o estudo e a prática constantes
g) Capacidades anímicas erroneamente classificadas como mediunidades
5. Sintomas de mediunidade
6. Mecanismos da mediunidade
a) Acoplamento áurico
b) Circuito mediúnico
c) Médiuns de sustentação
d) “Iscas” ou “cabides” mediúnicos
e) Aparelhos extrafísicos
7. Tipos de mediunidade
a) Quanto à natureza
b) Quanto aos efeitos
8. Mediunidade e espiritualidade
a) O melhor médium é o médium espiritualizado
b) “Melhor ser espiritualizado que ser médium”
c) “A melhor técnica é o amor”
9. Mediunidade e vida física
a) Alimentação
b) Saúde
c) Higiene física e mental
d) Medicamentos
e) Sexo
f) Vida social, profissional e familiar
10. Mediunidade no dia a dia
a) Mediunidade como capacidade permanente, não ocasional
b) Mediunidade no sono e na vigília
10. Práticas bioenergéticas como práticas anímico-mediúnicas
a) Passes, reiki, cura prânica, johrei, bênção, benzimento e benzedura
b) Técnica Pasteur de passes padronizados – Edgard Armond
c) Irradiações, preces, vibrações, mentalizações, visualizações e passes a distância
d) Projeções luminosas, visualização colorida ou cromoterapia fluídica
e) Sopro ou insuflação
f) Água fluidificada

C. DESENVOLVENDO A MEDIUNIDADE
1. Percebendo o duplo, a aura e os chacras
2. Trabalhando a aura e os chacras
3. Identificando e modificando energias
4. Usando o pensamento e os sentimentos
5. Manipulando energias
6. Método das cinco fases – Edgard Armond
a) Primeira fase – percepção de fluidos
b) Segunda fase – aproximação
c) Terceira – fase – contato
d) Quarta fase – envolvimento
e) Quinta fase – manifestação

D. EXERCENDO A MEDIUNIDADE
1. Harmonização inicial, limpeza e encerramento
a) Preparação
b) Limpeza
c) Encerramento
2. Acoplando com espíritos elevados
3. Conversando com espíritos elevados
4. Acoplando com espíritos perturbados
5. Conversando com espíritos perturbados
6. Cura espiritual ou energética
7. Assistência a distância
8. Analisando e interpretando mensagens mediúnicas escritas e faladas

E. MEDIUNIDADE NA PRÁTICA
1. Estudo
a) Necessidade e importância de estudo contínuo
b) Amor ao estudo, sem apego ao que é estudado
c) A leitura como um dos principais meio de estudo
d) Cursos complementares
e) Estudo e universalismo
f) Aplicação prática do estudo
2. Mediunidade e compromissos
a) Compromisso espiritual
b) Compromisso mediúnico
c) Compromisso com a instituição e o grupo mediúnico
d) Compromisso com amparadores
e) Compromisso com necessitados encarnados e desencarnados
f) Compromisso consigo mesmo
g) Compromisso com o estudo e o auto-aperfeiçoamento
h) Parceria espiritual e parceria mediúnica
i) Espírito de equipe e equipe de espíritos
3. Disciplina
a) Disciplina exterior e disciplina interior
b) Disciplina versus obediência
c) Disciplina versus mal-humor
d) Disciplina espiritual e disciplina mediúnica
e) Preparo prévio para o trabalho mediúnico
f) Sintonia antes e depois do trabalho mediúnico
4. Ética
a) Preconceitos
b) Julgamentos
c) O médium dá o exemplo
d) Discrição
e) Compaixão sem paixão
5. Autocontrole mediúnico
a) Passividade mediúnica versus disponibilidade mediúnica
b) O médium comanda o fenômeno

D. INFLUENCIAÇÃO ESPIRITUAL
1. Espíritos simpáticos
a) Espíritos são pessoas desencarnadas e pessoas são espíritos encarnados
b) Amparadores, mentores, protetores, guias, amigos, guardiões, etc.
2. Assédios e ataques espirituais
a) Físicos e espirituais
b) Intrafísicos e extrafísicos
3. Defesa espiritual ou energética
4. Obsessão
a) Causas e origens
b) Graus ou níveis
c) Tipos
d) Auto-obsessão
e) Prevenção e tratamento
f) Obsessão e mediunidade
5. Desobsessão
a) Métodos
b) Eficácia
c) Cuidados
d) Extensões
6. Vampirismo energético
a) Definição
b) Exemplos

G. LENDAS ou FATOS?
1. Patuás, amuletos e talismãs
2. Magia, bruxaria e despachos
3. Exus, pombas giras e afins
4. Aparelhos parasitas
5. Fluidoterapia: evidências científicas
6. Evidências científicas sobre a eficácia do passe
7. Umbral




Considerações Iniciais



Embora seja um trabalho de intensa pesquisa e prática, este não é um trabalho científico. É muito mais um trabalho de compilação e organização de vários conceitos, vivências, hipóteses e fatos, estudados ou trazidos não só por mim, mas também por vários outros autores, pesquisadores, estudiosos da área espiritual e mediúnica.
O projeto que deu origem a este material é, por isto e de muitas maneiras, um trabalho inédito.
Inédito pela proposta que não é, como na maioria dos casos, de formar médiuns, mas de esclarecer pessoas sobre a mediunidade em si mesma e sobre a mediunidade de cada um.
Inédito pelo ambiente em que foi conduzido: universalista, livre de preconceitos, dogmas, fanatismos, radicalismos e ranços de qualquer tipo, e distante das sessões em terreiros, centros, tendas e mesas que tanto se popularizaram no Brasil.
Inédito pelo conteúdo amplo, diversificado e abrangente, que se permitiu buscar referências nas mais diferentes correntes, doutrinas, técnicas e filosofias, inclusive as mais tradicionais, tentando ser o mais completo e livre possível, sem deixar de estar comprometido com a responsabilidade, o discernimento e o esclarecimento do maior número possível de pessoas.
Inédito por vários conceitos nele contemplados, que ainda não constam da literatura considerada oficial sobre o assunto, mas, nem por isso, menos válidos, uma vez que são vivenciados por muitos médiuns, em diversos lugares e situações.
Inédito pela abordagem bem humorada, leve e despojada com que foi tratado, desmitificando médiuns e desmistificando a mediunidade.
Inédito pela linguagem simples, popular e didática com que os temas foram tratados, permitindo que todas as pessoas pudessem compreendê-los sem rodeios, sem receios e sem meias palavras.
Inédito pela pessoa que o idealizou, montou e concretizou, sendo eu mesma médium há tanto tempo e poucas vezes tendo visto os próprios médiuns falarem e esclarecerem sobre mediunidade.
Inédito para mim que, mesmo estando em contato com a mediunidade há mais de 25 anos e envolvida com cursos mediúnicos há alguns anos, nunca tive a oportunidade de tratar do assunto de forma tão aberta e abrangente, para um público tão eclético.
É justamente por seu caráter inusitado que este trabalho não tem, como nunca teve, a pretensão de ser definitivo ou de fechar questão em qualquer dos temas e conceitos que explora. Muito pelo contrário, é por saber-se inusitado que, acima de tudo, pretende ser apenas mais uma contribuição que mereça ser modificada, aperfeiçoada, complementada, enriquecida, criticada, analisada e posta à prova por aqueles que realmente se interessam pelo assunto, estudando e observando os médiuns e os fenômenos mediúnicos.
Se alcançarmos este merecimento da análise séria e da crítica construtiva e responsável, já nos daremos por felizes, pois teremos, com certeza, cumprido o papel original a que nos propusemos: promover o conhecimento da mediunidade por meio de diálogo franco, aberto e universalista.



Maísa Intelisano
Outubro de 2004

A. Introdução


1. ENERGIAS e BIOENERGIAS

a) Definição
A palavra ‘energia’ vem do grego ENÉRGEIA e significa atividade ou movimento. O prefixo ‘bio’ também vem do grego BIOS e significa vida. Assim, energia é movimento ou atividade, e bioenergia é o movimento ou atividade da vida ou de tudo o que é vivo; ou o movimento/atividade que caracteriza tudo o que tem vida.
Hoje a Física já reconhece que tudo no universo é energia, em variados graus de condensação. Assim, até a matéria mais grosseira de que é feito o nosso corpo físico é energia e, portanto, é movimento.
Se tudo no universo é energia e energia é movimento, tudo possui uma vibração característica, uma pulsação, uma freqüência própria, de acordo com a velocidade com que o seu movimento próprio se repete num determinado espaço de tempo.

b) Tipos e fontes de energias

Com base no que diz Wagner Borges em seu site em www.ippb.org.br, temos:
- energia cósmica ou imanente - é o principio vital que interpenetra e nutre a todas as coisas do universo interdimensional. É, aparentemente, onipresente e impessoal, permeando praticamente todos os planos de manifestação.
- energia consciencial ou pessoal - é a energia cósmica que a consciência (espírito) absorve e emprega em todas as suas manifestações. Essa energia consciencial é chamada, em geral, de energia anímica ou magnetismo pessoal. Ao ser metabolizada pela consciência, a energia cósmica deixa de ser impessoal e assume as características pessoais da criatura.
As energias que os seres vivos absorvem e metabolizam são oriundas de fontes variadas, tais como o Sol, o espaço infinito, o próprio planeta, a água, os outros astros do universo, e outras fontes básicas como:
- ar atmosférico, através do aparelho respiratório e da pele;
- alimentação com sólidos e líquidos, através do aparelho digestório;
- absorção de energia pelos chacras;
- sono, através da descoincidência dos veículos de manifestação da consciência;
- projeção da consciência, através da absorção energética no plano astral.

Os ocultistas orientais dividiram essas energias em três grupos principais distintos:
1. Fohat (eletricidade): energia conversível em calor, luz, som, movimento, etc.;
2. Prana (vitalidade): energia integrante que coordena as moléculas e células físicas e as reúne num organismo definido. O prana, por sua vez, divide-se em cinco tipos:
- Prana - concentra-se no cérebro e move-se para baixo governando a respiração. Está ligado à inteligência, à sensibilidade, às funções motoras principais. Penetra no corpo sutil pelo chacra da coroa ou coronário, situado no alto da cabeça, e pela inspiração do ar passando pelas narinas. É o principal tipo de energia cósmica.
- Vyana - concentra-se no coração. Age no corpo inteiro governando o sistema circulatório, as articulações e os músculos. É captado do ar inspirado nos pulmões e da energia dos alimentos.
- Samana - concentra-se no intestino delgado, governa o aparelho digestivo e é captado principalmente pela energia vital doa alimentos vivos (sementes, frutas, etc.).
- Udhana - concentra-se na região da garganta e governa a fala, o teor da voz, a força vital, a força de vontade, o esforço, a memória e a exalação do ar. É captado sobretudo da energia que advém do chacra da garganta.
- Apana - concentra-se no baixo ventre, governa a evacuação e a micção, a potência sexual, o fluxo menstrual e o processo de parto. É captado pelo chacra localizado na base da coluna, básico, e pelo dos órgãos genitais (chacra sexual ou genésico).
3. Kundalini (fogo serpentino): energia primária, violenta, estruturadora das formas. É oriunda do centro do planeta, também captada pelo chacra básico.

c) Energias, pensamentos e sentimentos

Uma vez que, depois de absorvida, a energia cósmica se transforma em energia consciencial ou pessoal, assumindo as características vibratórias pessoais da criatura que a absorveu, natural que falemos da relação entre energias, pensamentos e sentimentos.
Pensamentos e sentimentos são atividades pessoais dinâmicas e contínuas de cada consciência. Todos as criaturas pensam e sentem 24 horas por dia, acordadas ou adormecidas. E são os seus pensamentos e sentimentos que as identificam espiritual e energeticamente no universo.
Por serem atividades muito dinâmicas, pensamentos e sentimentos agem facilmente nas energias ambientes e de outras criaturas, atuando diretamente sobre elas, interferindo em suas características, intensificando-as ou anulando-as, ao mesmo tempo em que sofrem a ação de todas elas.
Natural, portanto, que pensamentos e sentimentos sejam captadores, transformadores e emissores ou irradiadores de energias, de consciência para consciência, entre consciência e ambiente, da consciência para si mesma, etc.
Vejamos o que diz Ricardo Di Bernardi, médico homeopata, espírita, presidente da Associação Médica Espírita de Santa Catarina, em sua coluna no site A Jornada (www.ajornada.hpg.ig.com.br):
“Nós, médicos homeopatas e espíritas, procuramos esclarecer que a origem das doenças costuma estar numa causa ou fator de origem espiritual. Ou seja, quem adoece inicialmente é a alma do indivíduo. Seus sentimentos e pensamentos fragilizam-no, permitindo que adoeça.
“Adoecemos, quase sempre, pelo desequilíbrio psíquico, o qual provoca uma alteração energética (fluídica), que irá repercutir depois no corpo físico.”
Daí a importância do conselho de Jesus quando disse “orai e vigiai”. Não se trata de algo místico, misterioso ou religioso, mas de regra básica de bem estar físico, espiritual e energético, pois quando vigiamos nossos pensamentos, alinhando-os cosmoeticamente, e mantemos nossos sentimentos em “oração”, ou seja, voltados para o amor incondicional e irrestrito que, em essência, é o próprio Deus ou o que quer que entendamos como o ser supremo do universo, não há como não estarmos em sintonia com o bem maior, o bem universal, o bem de tudo e de todos, inclusive o nosso próprio.

d) Energias e alimentação
Assim como as pessoas, os alimentos também têm energias e características próprias. Há os mais densos e os mais leves, os mais excitantes e os mais calmantes, os mais e os menos gordurosos, os de mais difícil digestão, os mais ricos em vitaminas, em proteínas, em água, etc.
Cada uma dessas características físicas tem o seu correspondente energético, ou seja, de acordo com as características materiais de um determinado alimento é possível determinar algumas de suas características bioenergéticas. E essas características devem ser sempre consideradas pela pessoa em sua alimentação, de acordo com suas próprias características, necessidades e atividades, físicas ou espirituais.
No entanto, não há receita, não há regra, não há certo e errado, não há melhor ou pior, pois as qualidades morais/espirituais/energéticas de uma consciência só são determinadas por seus pensamentos e sentimentos, não por sua alimentação, muito embora os alimentos possam INTERFERIR em suas energias.
Assim, RECOMENDA-SE, SUGERE-SE, que o consumo excessivo de determinados alimentos seja EVITADO por médiuns e pessoas com atividades espirituais e energéticas regulares, especialmente nos dias de trabalho. Com base nas características materiais, fica fácil determinar quais são alguns destes alimentos:
- carnes, principalmente as vermelhas, por serem de mais difícil digestão, sobrecarregando o sistema digestório, além de, muitas vezes, estarem carregadas das energias de medo e angústia porque passou o animal no momento do abate. Os animais de carne vermelha, em geral, são mamíferos e têm já uma consciência primitiva mais individualizada que lhes permite imprimir em seu corpo físico as energias dessas emoções mais densas. Já os animais de carne branca têm um nível de consciência mais primitivo e mais grupal, e não conseguem ter essa percepção de si mesmos e do momento do abate.
Sobre o efeito da carne vermelha para o médium, vejamos também o que diz o Dr. Ricardo Di Bernardi em sua coluna:
“Os amigos espirituais nos falam que é bom evitar carne vermelha nos dias de sessão mediúnica. Dizem eles que a carne dos mamíferos possui energia vital de densidade muito semelhante à nossa, o que leva a uma aderência maior desta energia ("fluido vital”) ao nosso campo de energia vital.
“Vamos emitir uma hipótese como exercício de raciocínio, e não como “verdade doutrinária”.
“Lembramos que o mamífero foi morto precocemente, portanto cheio de vida, ou seja, de energia vital em seus tecidos para uma encarnação de muitos anos ainda. Sua carne, portanto, encontrava-se plena de energia vital ("fluido vital"). Parte deste fluido vital permanece nos matadouros e costuma ser vampirizada pelos espíritos enfermos e desequilibrados que tenham o corpo astral (perispírito) muito denso. Outra parte desta energia vital, não sendo vampirizada, e não retornando à massa de energia do universo, como ocorre nas mortes naturais, fica impregnada na carne.
“Ao ingerirmos a carne (nos referimos, em especial, aos mamíferos), há uma decomposição ou fragmentação de seus subcomponentes (aminoácidos, etc.), os quais serão absorvidos pelo nosso sangue. A energia vital é também absorvida, encaminhando-se para o nosso corpo vital (denominação de Kardec), ou corpo etérico, que é o campo de energia fixadora do perispírito ao corpo biológico. Este corpo vital (corpo etérico), ao absorver esta energia vital do mamífero, torna-se mais denso, mais "oleoso", dificultando o trânsito das energias do corpo biológico para o corpo espiritual (perispírito).
“Esta dificuldade acarretaria:
- maior dificuldade no desdobramento mediúnico
- maior dificuldade na captação de energias espirituais
- maior dificuldade na doação de energias pelo passe
- maior dificuldade em receber o passe
- e, com o passar dos anos, crescente dificuldade nos sentidos mencionados

Conclusão: Os mentores espirituais pedem para não se comer carne vermelha nos dias de sessão por uma razão científica (ciência deles), e não por qualquer motivo piegas.

Quando disse Jesus: "atirai vossas redes ao mar ", poderíamos entender, também, ser melhor nos alimentarmos de peixes. Brincando, diríamos: Claro, o peixinho é limitado (burrinho), nem pineal desenvolvida tem, quase como um sincício espiritual ou alma-grupo. Não existe uma individualidade bem constituída em peixes, como existe em mamíferos. Portanto, o fluido vital dos peixes não tem a mesma característica dos animais superiores. Seria quase como nos vegetais, onde um conjunto de mudas de grama é formado por centenas de princípio espirituais que se fundem em um gramado sem individualidade (alma-grupo, uma denominação esotérica, mas o raciocínio é o mesmo dos espíritas). A individualidade, conforme Jorge Andréa e outros autores encarnados e desencarnados, só se atinge nos lacertídeos, e os peixes, pela pineal quase inexistente, ainda não têm esta organização”.
- café, alguns chás e chocolate, por serem excitantes e estimulantes reconhecidos;
- bebidas alcoólicas em geral, por intoxicarem o sangue e o sistema nervoso, interferindo na lucidez, nos reflexos, na memória, na sensibilidade e na capacidade de raciocínio; além de impregnarem o duplo etérico e provocarem um relaxamento artificial de suas energias em relação ao corpo físico.
- açúcar e frutas secas como nozes, castanhas, amêndoas, etc., por serem altamente energéticos, quentes e/ou oleosos.
Estas são apenas SUGESTÕES básicas e cada um deve adaptá-las às suas próprias necessidades e características, acrescentando ou retirando itens desta lista, sempre que julgar conveniente.
Além destes alimentos, citaríamos também as drogas, em geral, inclusive o fumo, de qualquer tipo, e os medicamentos que atuam diretamente sobre o sistema nervoso, como que interferem na qualidade de nossas energias vitais e, consequentemente, na qualidade do nosso trabalho espiritual.

e) Limpeza e harmonização energética
Limpeza energética é toda e qualquer prática que melhore a qualidade das energias de alguém, eliminando e transformando energias pesadas e prejudiciais, e não precisa, nem deveria, ser promovida de fora para dentro ou por terceiros.
Qualquer criatura está habilitada, pela própria natureza, a fazer sua própria limpeza energética, harmonizando-se e mantendo-se equilibrada. Qualquer um é capaz de captar, transformar e emitir energias, bastando para isso disparar pensamentos e sentimentos adequados, por meio da VONTADE.
Quando se fala em “força de vontade”, tem-se a idéia de algo puramente filosófico, ou apenas de força de expressão. No entanto, a vontade é, de fato, uma força que, quando acionada por nós, pode muito, especialmente quando associada a pensamentos e sentimentos elevados.
Um pensamento alimentado pela vontade pode “mover montanhas” de dificuldades, dores, perseguições, traumas, etc. E é por meio dessa força natural, com que todos estamos equipados, que se pode realizar uma limpeza energética contínua, evitando que influências negativas do ambiente e de outras criaturas possam penetrar nosso campo energético e interferir em nosso bem estar.
Além da capacidade natural que todos temos de realizar nossa própria limpeza e harmonização energética, dispomos ainda de alguns métodos que podem ajudar nesse processo, facilitando o fluxo das energias e favorecendo a sua harmonização. Esses métodos são conhecidas por vários nomes como prece, passe, bênção, johrei, benzimento, reiki, cura prânica, homeopatia, acupuntura, yoga, etc. e muitos deles usam, principalmente, as mãos como instrumentos.
Isso se explica pelo chamado “poder das pontas” descrito em Física e também aplicável nos meios espiritualistas. Antes de ser irradiada, é nas mãos que a energia se concentra, direcionada, principalmente, pela vontade que, por sua vez, é disparada pelos pensamentos e pelos sentimentos.

2. DUPLO ETÉRICO

a) Definição, funções e nomenclatura
Segundo Wagner Borges, em seu livro Viagem Espiritual II, duplo etérico “é um campo energético bastante densificado, através do qual o psicossoma se une ao corpo físico. É uma zona intermediária, pela qual passam as correntes energéticas que mantêm o corpo humano vivo. Sem essa zona intermediária, a consciência não poderia utilizar as células de seu cérebro físico, pois as emanações emocionais, oriundas do seu psicossoma, não teriam acesso à matéria física.”
Já segundo Ricardo Di Bernardi, em sua coluna, “duplo etérico é um invólucro energético, vibratório, luminoso, vaporoso e provisório que coexiste, estruturalmente, com o corpo físico e o circunvolve. Está ligado à doação ou exteriorização de energias, pois no duplo etérico é que se situam os chakras ou centros de força. O duplo etérico tem importante papel nas terapias energéticas e é muito confundido com o perispírito ou corpo astral. É o veículo e a reserva da nossa energia vital, absorve o fluido vital e o distribui pelo corpo humano, além de transformá-lo em fluidos sutis enviando-os ao corpo astral (perispírito). É também o principal responsável pela elaboração do ectoplasma nos processos de irradiação, passes magnéticos e similares, em que há projeção de energia vital do corpo etérico em direção ao paciente. Magos, médiuns, paranormais, feiticeiros, etc, usam (conscientemente ou não), a projeção de seu corpo etérico com finalidade terapêutica ou criminosa.”
O duplo é uma camada energética, que varia entre 1 e 5 cm de espessura, mais sutil que o corpo físico e mais densa que o perispírito, composta de fluido vital, uma modificação do fluido cósmico universal (energia cósmica), a qual tem a função de servir de "combustível vibracional" para o corpo físico e elemento de ligação entre o perispírito (ou psicossoma) e o corpo físico durante a encarnação, já que esses dois corpos têm densidades energéticas e padrões vibratórios bastante diferentes.
Para se ter uma idéia (bem grosseira), vamos imaginar um aparelho de ultra-som. Para que haja a perfeita integração entre as ondas que o aparelho emite (muito sutis) e o corpo físico do paciente (muito denso em relação às ondas), o médico usa um gel de contato, garantindo que não haverá falhas na transmissão das ondas, que as mesmas chegarão inteiras ao corpo do paciente e serão captadas de volta com perfeição pelo aparelho. Bem, o duplo etérico seria o gel de contato entre o perispírito (muito sutil) e o corpo físico (muito denso em relação ao perispírito), funcionando como uma zona de contato perfeito entre os dois, garantindo perfeita transmissão de energias.
Muita gente considera o duplo como um corpo, outros preferem dizer que é apenas a camada energética que emana do corpo físico, e por aí vai. Pessoalmente, pelo que tenho estudado e visto, não considero o duplo etérico um corpo propriamente, mas apenas um elo energético (em FORMATO vaporoso-energético de corpo humano), entre o corpo físico e o perispírito durante a encarnação, funcionando também como uma "bateria", de onde o corpo físico tira as energias mais sutis para o seu funcionamento e onde estão também os chacras ou centros de força de que tanto se fala.
É isso também o que diz Dr. Di Bernardi quando afirma que “o duplo etérico traz, em si, a programação do tempo de vida física do indivíduo e possui um “quantum” de energia vital. O corpo etérico não atua como veículo separado, individual, para a manifestação da consciência, nem está apto a captar informações, por não ter paracérebro (ao contrário do corpo astral = perispírito).”
De acordo com a linha de pensamento, o duplo etérico pode também receber vários outros nomes como corpo vital, corpo bioplasmático, duplo energético, corpo etérico, corpo energético, holochacra, duplo vital, etc.

b) Características
Em seu livro Viagem Espiritual II, Wagner Borges diz que “o duplo etérico é observado pelos clarividentes como uma distinta massa de neblina cinza-violeta, debilmente luminosa, que interpenetra a parte densa do corpo físico e se estende um pouco mais além deste.
“Segundo o parapsicólogo brasileiro Hernani G. Andrade, o duplo etérico parece ser mais uma matriz energética do que propriamente um corpo. É um campo de força vital que permeia cada parte do corpo físico. Ele é o pano de fundo, a verdadeira substância de base para a matéria física. É constituído de uma trama, ou rede, de nádis de energia, os quais, em suas dezenas de milhares, são entrelaçados e formam, em certas localizações, vários pontos focais, dos quais os mais importantes receberam dos hindus o nome de "chacras". “
Já Barbara Ann Brennan, em seu livro Mãos de Luz, diz que “o corpo etérico (a palavra vem de éter, estado intermediário entre a energia e a matéria), se compõe de minúsculas linhas de energia, “qual teia fulgurante de luz”, parecidas com as linhas numa tela de televisão. Tem a mesma estrutura do corpo físico e inclui todas as partes anatômicas e todos os órgãos.
“O corpo etérico consiste numa estrutura definida de linhas de força, ou matriz de energia, sobre a qual se modela e firma a matéria física dos tecidos do corpo.
“A estrutura do corpo etérico, semelhante a uma teia, está em constante movimento. Para a visão clarividente, faíscas de luz branco-azulada se movem ao longo das linhas de energia por todo o denso corpo físico. O corpo etérico se estende de um quarto de polegada (6,34 mm) a duas polegadas (50,78 mm) além do corpo físico e pulsa num ritmo de cerca de 15 a 20 ciclos por minuto.
“A cor do corpo etérico varia do azul-claro ao cinzento. O azul-claro foi ligado a uma forma mais fina que o cinzento. Ou seja, uma pessoa mais sensível, com um corpo sensível, tenderá a ter uma primeira camada azulada, ao passo que um tipo robusto, mais atlético, tenderá a ter um corpo etérico mais acinzentado.”

c) Cordão de prata
Também chamado de cordão astral, cordão fluídico, fio de prata, teia de prata, cordão luminoso, cordão vital, cordão energético, cabo astral, laço aeriforme, etc., o cordão de prata é uma extensão do duplo etérico, formando um conduto energético que liga o conjunto composto de corpo físico e duplo etérico ao psicossoma, quando este está projetado, e espelha o grau de desenvolvimento do espírito,
Há muitas versões sobre onde o cordão de prata estaria ligado ao corpo físico e ao perispírito. No entanto, como diz Ricardo Di Bernardi, “na realidade, a ligação é com todo o organismo, de todas as células físicas com todas as células do corpo astral (perispírito). Estes mini-cordões se unem em cordões maiores, regionais, que se unem em um cordão ainda maior. Visto de longe, parece sair do peito ou de outra região, mas é ilusão, pois se você unir trilhões de cordões, que formam outros maiores, até formar um único quando o corpo astral estiver desdobrado (projetado), terá a impressão de que sai de um ponto só. “
Sua cor pode variar do prateado brilhante para o cinza chumbo, passando por graus intermediários. Assim como a densidade que varia proporcionalmente ao desenvolvimento do espírito, ou seja, de acordo com o seu grau de amor, sabedoria e elevação.
Sendo de natureza energética, não pode ser cortado, embaraçado, torcido, enroscado, confundido, trocado, amarrado, arrebentado, etc., como temem alguns, e só será rompido quando o corpo físico, deixando de funcionar, ou seja, deixando de ter vitalidade, ejetar o psicossoma definitivamente, no processo que chamamos, inadequadamente, de morte. Ou seja, não é o rompimento do cordão astral que causa a morte física, mas a morte física que causa o rompimento do cordão astral.

d) Duplo etérico e mediunidade
Nos médiuns, o duplo etérico apresenta ainda uma condição especial: soltura ou predisposição à descoincidência espontânea e a relativa liberdade em relação aos outros corpos. É como se o duplo dos médiuns não estivesse bem aderido ou preso ao seu corpo físico, soltando-se facilmente e, com isso, provocando uma série de sensações, que podem ser agradáveis ou não.
Essa soltura, em geral, é natural e planejada antes do reencarne do médium, para facilitar o seu trabalho de comunicação com o plano espiritual. Ou seja, o duplo dos médiuns é propositadamente deixado meio solto, para facilitar o transe mediúnico, que ocorre justamente quando há uma “folga” entre o duplo etérico e o corpo físico do médium. É nesta “folga”, nesta “brecha”, que o espírito comunicante intervém, dando a sua comunicação, no fenômeno popular e erroneamente chamado de incorporação, já que, na verdade, o espírito comunicante não entra nem se apossa do corpo do médium.
Entre as sensações mais comuns, provocadas pela soltura espontânea do duplo etérico, vamos encontrar:
- tontura
- enjôo
- arrepios e/ou choques ao longo do corpo
- sensação de estufamento (ballonement)
- sensação de caminhar no ar
- alterações visuais (que não têm causa física conhecida)

3. CHACRAS ou CENTROS de FORÇA

a) Histórico, definição e características
A palavra CHAKRA vem do sânscrito e significa roda.
Chacras são centros de força, em forma de vórtices ou redemoinhos, situados no duplo etérico. Foram estudados e descritos inicialmente pelos hindus há muitos séculos e, desde então, vêm sendo adotados e adaptados pelas mais diversas correntes filosófico-religiosas.
Edgard Armond, no livro Passes e Radiações, diz que “no perispírito, o sistema nervoso liga-se através dos plexos e gânglios, a uma série de centros de força, denominados chacras na literatura oriental...
“Os plexos, ..., estão situados no corpo físico; são conjuntos e aglomerados de nervos e gânglios do sistema vago-simpático que regula a vida vegetativa do corpo humano.
“Os centros de força, ao contrário, são estações de força espiritual ou fluídica no perispírito (no corpo etéreo); formam um campo eletro-magnético utilizado pelo espírito e funcionam em plena ligação com os plexos do corpo material.
Segundo Hiroshi Motoyama, em seu livro Teoria dos Chakras, “nos estágios preliminares do despertar, os chakras são habitualmente percebidos como círculos de luz, ou auras localizadas, de várias cores.”
E Barbara Ann Brennan, no livro já citado, diz que “quando os chakras funcionam normalmente, cada qual está “aberto” e gira na direção dos ponteiros do relógio, a fim de metabolizar as energias necessárias do campo universal. Um giro no sentido dos ponteiros do relógio tira energia do Campo de Energia Universal (CEU), para o chakra, de maneira muito semelhante à da regra da mão direita no eletromagnetismo... Assim, classificamos o chakra de “aberto” às energias que entram. ... Quando um chakra gira num movimento contrário ao dos ponteiros do relógio, a corrente flui para fora do corpo e, desse modo, interfere no metabolismo. ... Nessas condições, classificamos o chakra de “fechado”.”

b) Funções físicas e psicofísicas
A principal função dos chacras é absorver energias do ambiente para o corpo físico e o campo energético do ser encarnado. Eles servem também como ligação entre o psicossoma (perispírito) e o corpo físico.
Edgard Armond, no livro citado acima, diz que os chacras “são acumuladores e distribuidores de força espiritual, situados no corpo etéreo, pelos quais transitam os fluidos energéticos de uns para outros dos envoltórios exteriores do espírito encarnado”.
E Motoyama, no livro já citado, diz que “além de centro de controle em cada dimensão, o chakra funciona como centro de intercâmbio entre as dimensões física e astral, e entre as dimensões astral e causal. Através dos chakras, o prana sutil no corpo astral pode ser transformado, por exemplo, em energia para a dimensão física, fornecendo, assim, ao corpo físico, essencial energia de vida.
“Acredita-se ainda que a energia física pode ser transformada em energia astral por meio da atividade dos chakras, e que a energia física pode ser convertida em energia psicológica (ojas), dentro da dimensão física.
“Portanto, o chakra é considerado como um intermediário de transferência e conversão de energia entre duas dimensões vizinhas do ser, tanto como um centro proporciona a conversão de energia entre um corpo e sua mente correspondente.
“Quando os chakras são despertos e ativados, o homem não apenas se torna ciente das esferas superiores da existência, mas também adquire o poder de entrar nessas esferas, e então, em contrapartida, fortalece e dá vida às dimensões inferiores.”

c) Os sete chacras principais
A tradição hindu descreve sete chacras principais com as seguintes características e funções:
- Chacra fundamental ou básico – localizado na base da coluna, entre as pernas, sobre o períneo, está ligado às glândulas supra-renais e se relaciona aos instintos. Controla também as funções vegetativas do corpo humano e é responsável pela captação de kundalini, a energia magnética da Terra. Sua cor principal é o vermelho e os clarividentes o descrevem com 4 pétalas.
- Chacra genésico ou sexual – localizado no baixo ventre, está ligado às gônadas (ovários, na mulher; testículos, no homem), sendo responsável pelo aparelho genito-urinário, pelas funções sexuais e reprodutivas, estando também intimamente ligado ao chacra básico, especialmente na gravidez, para formação do novo corpo do reencarnante. Sua cor principal é o laranja e os clarividentes o descrevem com seis pétalas. É considerado o chacra da alegria.
- Chacra gástrico ou umbilical – localizado cerca de 1 cm acima do umbigo, está ligado ao pâncreas e é responsável pelas funções do sistema digestório. Sua cor principal é o amarelo e os clarividentes lhe atribuem dez pétalas. É considerado o chacra das emoções e, por isso mesmo, bastante visado por entidades desequilibradas e também nos trabalhos de desobsessão.
- Chacra cardíaco – localizado no centro do peito, está ligado à glândula timo, sendo responsável pelo sistema cárdio-respiratório. Tem doze pétalas e sua cor principal é o verde. É o chacra dos sentimentos.
- Chacra laríngeo – localizado sobre a garganta, está ligado às glândulas tireóides e para-tireóides, sendo responsável pelo metabolismo, pela boca, os dentes, a garganta e as vias aéreas superiores. Tem o azul celeste como cor principal e apresenta 16 pétalas. Está relacionado à comunicação e à expressão e tem grande atuação na mediunidade de psicofonia e na clariaudiência.
- Chacra da testa ou frontal – localizado no centro da testa, um pouco acima das sombrancelhas, está ligado à glândula hipófise ou pituitária, e é responsável pelos olhos e nariz, além de comandar todos os outros chacras. Sua cor principal é o azul índigo e é descrito tendo 96 pétalas. Está relacionado às atividades mentais, como raciocínio, memória, lucidez e intelecto, atuando diretamente na clarividência e na intuição.
- Chacra da coroa ou coronário – localizado no alto da cabeça, está ligado à glândula pineal e controla a irrigação energética do cérebro e de todo o sistema nervoso. Sua cor principal é o violeta e apresenta mais de 900 pétalas, sendo, por isso mesmo, chamado de o lótus das mil pétalas pelos hindus. É o chacra de ligação com o mundo superior e com o cosmos, captando as energias sutis necessárias para o bom funcionamento do organismo. Atua diretamente na telepatia e em todas as mediunidades.

d) Os chacras menores ou secundários
Além dos sete chacras principais, temos vários chacras secundários espalhados pelo corpo, dos quais destacamos os seguintes:
- nuca e ombros
- olhos, nariz, ouvidos e têmporas
- mãos, pulsos, cotovelos e axilas
- pés, tornozelos, joelhos e nádegas
- mamilos e órgãos sexuais
- estômago, fígado e baço
- céu da boca, ponta da língua, etc.
A bem da verdade, cada poro poderia ser considerado um microchacra, de modo que todo o nosso corpo está coberto por minúsculos pontos de captação e distribuição de energias.

e) Divergências de sistemas
Dentre os chacras secundários, um ganhou status de chacra principal quando o Reverendo Charles Leadbeater, ao estudar o sistema hindu, por motivos pessoais, considerou inadequado e perigoso citar ou trabalhar o chacra sexual, substituindo-o pelo do baço, que passou a chamar de esplênico (do inglês SPLEN, que significa baço).
O baço tem um chacra próprio, cuja função é captar fluido vital, mas não é um dos principais, já que não está ligado a nenhuma glândula endócrina, como todos os sete do sistema hindu.
Por conta dessa substituição, vamos encontrar muitas divergências na descrição e nomenclatura dos chacras principais, entre os diversos pesquisadores que os estudaram. No entanto, parece ser mais lógico tomar como referência o sistema hindu, mais antigo e coerente. Além disso, o estudo mais aprofundado nos leva a perceber diversas correlações para os sete chacras principais do sistema hindu, as quais não aparecem para os chacras secundários, inclusive o esplênico.
Até hoje, uma das melhores sínteses e adaptações de sistemas no Ocidente parece ter sido a de Edgard Armond, quando incluiu o estudo dos chacras na FEESP, na década de 40, conforme está em seus livros Psiquismo e Cromoterapia e Passes e Radiações. Armond estabeleceu um sistema de oito chacras principais, considerando tanto o sexual (ou genésico), que Leadbeater havia suprimido, quanto o esplênico, que Leadbeater havia promovido à categoria de principal, no lugar do sexual.
Dessa forma, todos os chacras mais conhecidos passaram a ser considerados em seu devido lugar e função.

f) Chacras, espiritualidade e mediunidade
O estudo, o conhecimento e o trabalho com os chacras se reveste de importância especial para todos os médiuns que desejam aperfeiçoar sua prática mediúnica ou energética, por ser possível perceber, identificar, captar, transformar, emitir, irradiar e equilibrar energias apenas pela sua movimentação, aliada à elevação de sentimentos e pensamentos.
Além disso, os chacras podem também facilitar, melhorar e intensificar, com segurança, o intercâmbio com o mundo espiritual, além de servir de “radares” energéticos naturais, capazes de captar variações de energia em diversas situações.
Mesmo os chacras secundários têm um papel especial na prática mediúnica, já que em vários deles se fazem as ligações para o transe mediúnico, como os chacras dos ombros e da nuca, e outros atuam diretamente na transmissão dos passes, como os chacras das mãos.

4. PSICOSSOMA, CORPO ASTRAL ou PERISPÍRITO

a) Definição e nomenclatura
O Dr. Di Bernardi diz que “quando as entidades espirituais se nos tornam visíveis, seja pela simples vidência mediúnica, seja pelo fenômeno da materialização ectoplasmática, observamos que elas possuem um corpo semelhante ao nosso corpo físico. Aliás, os espíritos nos dizem que nós é que possuímos um corpo semelhante ao deles.
“No fenômeno da materialização, tão estudado pelo famoso físico inglês Willian Crookes e pelo prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, Charles Richet, os Espíritos tornam-se visíveis e palpáveis a todos os presentes à sessão de estudos, e são percebidos e tocados em seus corpos espirituais.
“Embora a essência espiritual não tenha forma, pois é o princípio inteligente, os Espíritos possuem um corpo espiritual anatomicamente definido e com uma fisiologia própria da dimensão extrafísica.
“O corpo dos Espíritos é também matéria, um tipo especial de matéria derivada do fluido cósmico universal.”
Wagner Borges, no livro já citado, diz que “o psicossoma pode ser definido como a contraparte extrafísica do corpo físico, ao qual se assemelha e com o qual coincide minuciosamente, parte por parte. É uma réplica exata do corpo físico em toda a sua estrutura.”
Zalmino Zimmermann, em seu livro Perispírito, explica “perispírito (do gr. PERI, em torno, e do latim SPIRITUS, alma, espírito), é o envoltório sutil e perene da alma, que possibilita sua interação com os meios espiritual e físico.
“A palavra foi empregada pela primeira vez por Allan Kardec, no item 93 de O Livro dos Espíritos. Mais tarde, os Espíritos Instrutores, endossando a designação, passaram a empregá-la regularmente. Tal denominação baseia-se na forma com que se apresenta este complexo fluídico, envolvendo a alma.
“Outras denominações conhecidas referem-se mais à sua natureza e funções. Assim, André Luiz, por Francisco Cândido Xavier, chama-o de psicossoma e, também, corpo espiritual – lembrando, aliás, a designação de Paulo, em sua primeira epístola aos Coríntios (15:44). Hoje os autores dão aos três termos – perispírito, corpo espiritual e psicossoma – o mesmo sentido.
“Embora os estudos sobre o perispírito tenham sido sistematizados só a partir de Kardec, tem sido ele percebido desde épocas imemoriais, recebendo as mais diversas denominações no curso do tempo”.
O psicossoma, perispírito, corpo astral, duplo astral, corpo fluídico, corpo espiritual, corpo sidéreo, aerossoma, mediador plástico, etc., é, portanto, o corpo com que nos manifestamos no plano espiritual ou astral, seja projetados durante o sono, seja libertos após a morte física.
É também composto de uma variação do fluido cósmico universal, mas numa versão mais light, ou seja, numa constituição mais sutil, de densidade bem menor que a do corpo físico e menor também que a do duplo etérico.
Segundo o Espiritismo, é o perispírito que funciona como molde para a formação de cada novo corpo físico e é nele também que ficam gravadas todas as nossas experiências encarnatórias e também aquelas vividas entre uma encarnação e outra, como se fosse uma fita cassete ou um CD-R (compact disc regravável). Vê-se aqui, portanto, que o Espiritismo incorpora o duplo etérico ao perispírito, tratando tudo como uma única estrutura, quando, na verdade, são dois envoltórios diferentes do espírito.
É com o perispírito que os encarnados se projetam durante o sono, com o cordão de prata, gerado no duplo etérico, fazendo a "ponte" entre os dois corpos nesse desprendimento parcial e temporário.
Outras correntes informam que o perispírito tem ainda os seus próprios centros de força, em correlação com os do duplo etérico, mas com funções mais sutis. É o que diz Edgard Armond, no livro Psiquismo e Cromoterapia:
Os centros de força (chacras) são núcleos de força psíquica e mental acumulados de existências anteriores. Quantos aos centros de força do corpo etéreo, estes se dissolvem com a morte do corpo físico; no entanto, os do perispírito são permanentes, acompanhando o espírito em sua trajetória evolutiva até limites ignorados, mas enquanto necessitar manifestar em esferas de vibração fenomênica.”
Quando o corpo físico morre, o perispírito se desprende e, com ele, desprende-se também a consciência que animava aquele corpo. Já o duplo etérico permanece com o corpo físico e se desintegra lentamente, num período que pode variar de algumas horas a vários anos após o desencarne.

b) Características
No livro Evolução em Dois Mundos, André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos traz uma excelente descrição do psicossoma, dizendo que se trata de uma “formação sutil, urdida em recursos dinâmicos, extremamente porosa e plástica, em cuja tessitura as células, noutra faixa vibratória, diante do sistema de permuta visceralmente renovado, distribuem-se mais ou menos à feição das partículas colóides, com a respectiva carga elétrica, comportando-se no espaço segundo a sua condição específica, e apresentando estados morfológicos conforme o campo mental a que se ajusta.”
Zalmino Zimmermann, no mesmo livro acima citado diz que “é lícito conceber-se que o perispírito – ao menos para os Espíritos ligados à crosta terrestre – possa ser o resultado da aglutinação da energia cósmica matriz (“fluido cósmico”), adequada à natureza de nosso planeta, sobre um campo originado da própria extensão energética da alma (força espiritual), comportando-se, depois dessa agregação, como uma estrutura de categoria eletromagnética (de ordem física) e formando o envoltório conhecido como o “corpo da alma”, necessário, insubstituível e perene, já de textura definida como material – embora tão sutil, que os Espíritos da Codificação usaram o termo semimaterial para qualificá-la.”
E mais adiante, em nota de rodapé, acrescenta que “o campo perispirítico como um todo é, na verdade, o resultante de vários campos estruturadores, correspondentes, cada qual, a um determinado órgão. Sua integração conjunta responde pelo estado fisiológico geral.”

c) Funções
Segundo Zalmino Zimmermann, as funções do psicossoma podem ser divididas em quatro tipos:
- instrumental – ou seja, o psicossoma serve de instrumento ao espírito no seu intercâmbio com os mundos espiritual e físico.
- individualizadora – serve também para individualizar e identificar o espírito, tornando-o único e exclusivo.
- organizadora – é responsável ainda pela organização do corpo físico no processo de reencarnação, servindo de modelo (aqui Zalmino incorpora o duplo etérico à estrutura do perispírito, exatamente como fez Kardec na Codificação).
- sustentadora – funciona como captador e distribuidor de energia cósmica e vital, alimentando o corpo físico durante o período de encarnação.

d) Psicossoma como identidade espiritual
Vejamos algumas informações trazidas pelo Dr. Di Bernardi:
“O corpo espiritual apresenta-se moldável conforme as emoções mentais do Espírito. Cada Espírito apresenta seu perispírito com aspecto correspondente ao seu estado psíquico. A maior elevação intelecto-moral vai determinar, como conseqüência, uma sutilização do próprio corpo espiritual.
“Em contrapartida, os Espíritos cujas vibrações mentais são inferiores determinam, inconscientemente, que seu corpo espiritual se apresente mais denso, opaco e obscurecido, não tendo a irradiação luminosa dos primeiros.
“Quanto mais primitiva for a entidade espiritual, mais escuros e opacos os tons das cores com que se apresenta. À medida que galga degraus mais elevados na escada do progresso, passa a emitir uma luminosidade. Pela postura mental adotada, decorrente de situações momentâneas, as vibrações se aceleram ou desaceleram, determinando modificações na estrutura do corpo espiritual, e todo o conjunto se altera.”
Trazendo em si todas as memórias e experiências do espírito, mais as suas energias características, o perispírito ou psicossoma pode, portanto, ser também comparado a uma identidade espiritual, tanto para encarnados como para desencarnados, pois além de individualizar o espírito, expõe suas características pessoais, morais, intelectuais, etc., exibindo também suas intenções, desejos, pensamentos, sentimentos, necessidades, etc., sob a forma de luz, vibração, cor, textura, densidade, etc.

e) Psicossoma e mediunidade
Dadas as suas características de arquivo e registro de memórias e experiências, mais as de “porta-voz” energético do espírito, o psicossoma representa excelente recurso para que os médiuns possam perceber e identificar melhor as entidades que se aproximam, podendo também, com mais treino, perceber seus pensamentos, sentimentos e intenções, facilitando o processo de comunicação.
Além disso, o psicossoma é, na maioria das vezes, o elo de ligação entre médium e comunicante, por ser ele o que ambos têm em comum, mesmo estando em planos de manifestação diferentes.

5. CORPO MENTAL
Segundo Wagner Borges, no livro Viagem Espiritual II, “corpo mental é o veículo de manifestação pelo qual a consciência se manifesta usando os atributos da inteligência (intelecto, intuição, memória, imaginação), etc., mente, corpo do pensamento.”
“... é o veículo através do qual a consciência se manifesta no plano mental. Em relação à nossa concepção material, este corpo é algo bastante diferente, pois está sujeito a leis diversas das que estamos acostumados e sobre as quais pouco ou nada conhecemos. Considerando a partir de uma análise tridimensional, o corpo mental não é, de modo algum, um corpo, nem subjetiva nem objetivamente, já que ele não está submetido à ação do tempo, do espaço e da forma. É um conglomerado de energias sutis , apresentando-se como uma neblina ovalada de cor branca, dourada ou azul.
“Assim como o psicossoma interpenetra o corpo físico durante a vigília física, o corpo mental “interpenetra” o psicossoma.
“Da mesma forma que o psicossoma é considerado como o corpo dos desejos e das emoções, o corpo mental é considerado o corpo do intelecto e do sentimento elevado. “
É, portanto, no corpo mental que se encontra registrada a vida mental e intelectual do espírito. De textura muito mais sutil que o psicossoma, é de difícil visualização, mesmo para clarividentes com algum desenvolvimento.
O cordão que liga o psicossoma ao corpo mental, por analogia, é chamado de cordão de ouro.

6. PROJEÇÃO da CONSCIÊNCIA ou VIAGEM ASTRAL

a) Definição
Projeção astral, viagem astral, experiência fora do corpo (EFC) ou projeção da consciência é a capacidade que todo ser humano encarnado tem de projetar sua consciência, seu espírito, para fora do corpo físico, ou seja, de sair do corpo físico, enquanto este dorme, com o psicossoma, para atividades no plano astral.
Não oferece qualquer perigo físico, espiritual ou psicológico, e acontece com todas as pessoas encarnadas, todas as noites, embora a maioria não se lembre ou não tenha consciência do fenômeno.

b) Tipos básicos
As projeções podem ser:
- involuntárias ou voluntárias
- conscientes, semiconscientes ou inconscientes
- assistidas ou não assistidas
- espontâneas ou provocadas

c) Principais Sintomas projetivos
Os sintomas mais comuns de projeção astral são:
- sensação de estufamento, chamado ballonement
- paralisia física, chamada catalepsia projetiva
- sensação de cair ou escorregar de repente durante o cochilo inicial ou final do sono
- sensação de intensa corrente elétrica percorrendo o corpo, chamado estado vibracional (EV)
- estalos ou apitos dentro da cabeça, chamados ruídos intracranianos

d) Projeção e espiritualidade
Quando bem estudada e praticada de forma séria, a projeção da consciência é um dos fenômenos que melhor atesta a existência de vida após a morte, espíritos, etc. Permitindo que a consciência encarnada “passeie” pelo mundo espiritual, ou mundo dos desencarnados, a projeção propicia meios para que se estude e observe a vida espiritual in loco, além de permitir o intercâmbio entre as duas dimensões, sem a necessidade de um médium propriamente dito.

e) Projeção e desdobramento
Uma das grandes discussões em relação à projeção astral é o uso do termo desdobramento para designar o mesmo fenômeno.
Alguns consideram o termo inadequado, já que não há desdobramento da consciência, ou seja, a consciência não se divide, mas permanece íntegra no psicossoma, ficando o corpo físico apenas vegetando, adormecido.
Outros, no entanto, referem-se a um desdobramento de corpos, uma vez que o corpo físico se separa do corpo espiritual durante o fenômeno.
Outros ainda admitem o desdobramento da consciência, em condições muito especiais, de modo que o corpo físico permanece realizando tarefas normais, enquanto o espírito se afasta com o psicossoma, para outras atividades. Neste caso, o corpo físico não adormece de fato, mas funciona como um robô, comandado à distância por uma pequena parte da consciência, sediada no psicossoma.
Usado para designar o desprendimento do espírito do médium de seu corpo físico, o termo desdobramento é muito comum entre os espíritas, muito embora seja usado para designar fenômeno ligeiramente diferente.
Para os espíritas, o desdobramento é o fenômeno que ocorre durante o trabalho ou reunião mediúnica, em que o espírito do médium, de fora de seu corpo físico, pode ver e interagir com o mundo espiritual e até mesmo se ausentar do local onde este está, em busca de informações importantes para o trabalho que realiza.
Também aqui há alguma divergência, já que este fenômeno pode não ser necessariamente um desdobramento ou projeção astral propriamente ditos, mas uma clarividência especial, a distância, que permite ao médium enxergar coisas diretamente com o perispírito, sem usar o corpo físico ou qualquer de suas capacidades psíquicas, ou usando recursos energéticos fornecidos pelos amparadores e espíritos que auxiliam no trabalho.
Para arrematar, vejamos o que diz Ricardo Di Bernardi sobre o assunto:
“Para os mais puristas, não é meu caso, dir-se-ia: desprendimento ou desdobramento. Há quem considere desdobramento como menos intenso ou menos expressivo do que desprendimento. André Luiz veio nos trazer, com outros autores espirituais, a informação de outros corpos: corpo etérico, astral e mental. Como este conhecimento ainda não era da época de Kardec, não havia a denominação astral. Como espírita convicto, militante, estudioso, presidente da Associação Médica Espírita de SC, não tenho preconceitos e uso, com naturalidade, todos os termos mencionados, pois são corretos e válidos.”

f) Projeção e mediunidade
Sendo um fenômeno que permite ao ser encarnado conhecer, observar e estudar o mundo espiritual pessoalmente, a projeção astral representa um excelente recurso para que os médiuns busquem informações, façam cursos, encontrem instrutores desencarnados, sejam treinados, aprendam técnicas, estudem fenômenos e conheçam métodos e processos de trabalho, etc., no mundo espiritual, recebendo instruções e informações que lhes permitam aperfeiçoar sua mediunidade aqui no plano físico.
Além disso, quando projetados, nossa visão se amplia e nossa sensibilidade aumenta, de modo que podemos entender melhor fatos e situações que, no mundo material, fogem à nossa compreensão. De posse desse conhecimento, encontramos soluções e alternativas para problemas que, na vigília, nos parecem insolúveis ou incompreensíveis.
A projeção consciente, ou desdobramento, praticado por espíritas, é também um recurso a mais para os trabalhos de desobsessão, cura e assistência, pois permite que os médiuns tragam informações do plano espiritual para o plano físico, facilitando a atuação do grupo na orientação da entidade e do assistido.

7. AURA, PENSENE ou PSICOSFERA

a) Definição
A palavra AURA vem do latim e significa sopro de ar. Aura é o halo luminoso, multicolorido, que envolve e interpenetra o corpo físico, refletindo, energeticamente, o mundo íntimo da consciência encarnada, seus pensamentos, sentimentos e experiências.
O termo PENSENE foi criado para a Conscienciologia por Waldo Vieira, pela junção das sílabas iniciais das palavras pensamento, sentimento e energia (pen + sen + e = PENSENE), e é usado para designar o campo energético, formado, ao redor da consciência encarnada, pelos seus pensamentos, sentimentos e energias características.
O termo PSICOSFERA foi criado por André Luiz para designar o halo energético de que se revestem todos os seres vivos, onde se refletem os seus pensamentos e desejos.
Como vemos, portanto, AURA, PENSENE e PSICOSFERA são sinônimos e podem ser definidos como o campo resultante de emanações de natureza eletromagnética, que envolve todo ser humano, encarnado ou desencarnado, refletindo, não só a sua realidade evolutiva e seu padrão psíquico, como também sua situação física e emocional do momento, espelhando seus pensamentos, sentimentos, desejos, idéias, opiniões, etc.

b) Características
Vejamos o que diz o próprio André Luiz, em seu livro Evolução em Dois Mundos, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier:
“AURA HUMANA – Considerando-se toda célula em ação por unidade viva, qual motor microscópico, em conexão com a usina mental, é claramente compreensível que todas as agregações celulares emitam radiações e que essas radiações se articulem, através de sinergias funcionais, a se constituírem de recursos que podemos nomear por “tecidos de força”, em torno dos corpos que as exteriorizam.
“Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais complexos, se revestem de um “halo energético” que lhes corresponde à natureza.
“No homem, contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido corpo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas, duplicata mais ou menos radiante da criatura.
“Nas reentrâncias e ligações sutis dessa túnica eletromagnética de que o homem se entraja, circula o pensamento, colorindo-a com as vibrações e imagens de que se constitui, aí exibindo, em primeira mão, as solicitações e os quadros que improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetos e das metas que demanda.
“Aí temos, nessa conjugação de forças físico-químicas e mentais, a aura humana, peculiar a cada indivíduo, interpenetrando-o, ao mesmo tempo que parece emergir dele, à maneira de campo ovóide, não obstante a feição irregular em que se configura, valendo por espelho sensível em que todos os estados da alma se estampam com sinais característicos e em que todas as idéias se evidenciam, plasmando telas vivas, quando perduram em vigor e semelhança, como no cinematógrafo comum.
“Fotosfera psíquica, entretecida em elementos dinâmicos, atende à cromática variada, segundo a onda mental que emitimos, retratando-nos todos os pensamentos em cores e imagens que nos respondem aos objetivos e escolhas, enobrecedoras ou deprimentes.”
Já Barbara Ann Brennan, em seu livro Mãos de Luz, diz:
“O Campo da Energia Humana é a manifestação da energia universal intimamente envolvida na vida humana. Pode ser descrito como um corpo luminoso que cerca o corpo físico e o penetra, emite sua radiação característica própria e é habitualmente denominado “aura”. A aura é a parte do CEU (Campo de Energia Universal) associada a objetos. A aura humana, ou Campo da Energia Humana (CEH) é a parte do CEU associada ao corpo humano. Estribados em suas observações, os pesquisadores criaram modelos teóricos que dividem a aura em diversas camadas. Essas camadas, às vezes chamadas corpos, se interpenetram e cercam umas às outras em camadas sucessivas. Cada corpo se compõe de substâncias mais finas e de “vibrações” mais altas à medida que se afasta do corpo físico.”
Vejamos também o que diz Wagner Borges no portal do IPPB (www.ippb.org.br):
“Aura (do latim: AURA, sopro de ar): É o campo energético que apresenta-se em torno do corpo denso. Aparece à percepção parapsíquica do clarividente como um campo luminoso mesclado por várias cores. Essas cores refletem a qualidade dos pensamentos e sentimentos manifestados pela consciência. Apresenta várias camadas vibratórias correspondentes aos diversos corpos (veículos de manifestação da consciência) por onde a consciência manifesta-se nos vários planos.
“Para facilitar, vamos dividi-la em três freqüências básicas:
- a aura do corpo físico, também denominada duplo etérico. Essa aura reflete apenas as condições do corpo físico no momento e suas predisposições energéticas. Contudo, é bom lembrar que o soma (do grego SOMA, que significa corpo), é afetado diretamente pelo clima psíquico dos corpos sutis.
- a aura do corpo extrafísico, também chamada de alma. É a aura do corpo espiritual e reflete as condições psíquicas e parapsíquicas da consciência. Reflete diretamente as emoções do ser humano.
- a aura do corpo mental, também chamada de aura mental ou aura dos pensamentos. É a aura que reflete diretamente o clima interno de nossos pensamentos e idéias. O corpo mental (Teosofia) também é denominado mentalssoma. Nessa aura é possível perceber as formas-pensamento e suas cores.”

c) A aura e as cores
Como vimos acima, a aura apresenta cores que variam muito em tom, luminosidade, intensidade e brilho, de acordo com o estado mental, emocional, psicológico, espiritual e físico do indivíduo. Ela funciona, portanto, como um verdadeiro cartão de visitas energético, por meio do qual o clarividente experiente pode traçar um perfil bastante preciso do indivíduo, desde que saiba interpretar corretamente o que vê.
Em cada cor, cada movimento, cada brilho, cada textura, cada forma encontrada na aura de alguém, está também um pouco de sua personalidade, de sua história – presente e passada -, de seus anseios e crenças, de suas qualidades, sem que, para isso, seja necessária qualquer interferência direta do espírito, já que esta emanação independe de sua vontade e acontece de forma espontânea.

d) Leitura e interpretação da aura
Sobre isso, vejamos o que diz Ted Andrews, em seu livro Como Ver e Interpretar a Aura:
“A energia de uma aura é refletida sob a forma de luzes e cores. A cor, sua nitidez e localização indicam muito sobre o bem-estar físico, emocional, mental e espiritual da pessoa.
“As cores mais próximas do corpo físico costumam refletir condições e energias físicas. Também indicam as energias mais atuais, presentes e ativas em sua vida.
“As cores mais afastadas refletem energias emocionais, mentais e espirituais que podem estar afetando essas cores físicas. Indicam também as energias com que a pessoa estará lidando dentro em breve.
“Quanto mais claras e suaves (tons pastel) forem as cores, melhor. Cores embaçadas e espessas podem indicar desequilíbrios, excesso de atividade, e outros problemas na área relacionada a cada cor.
“Cores escuras, mas brilhantes, podem indicar um elevado nível energético. Não é um fator necessariamente negativo.
“Normalmente, cada aura tem mais de uma cor. Cada cor reflete aspectos diferentes.
“As auras mudam com freqüência. As cores mais próximas do corpo (a uma distância de 30 a 50 cm) podem mudar diversas vezes em um único dia. Toda emoção forte, toda atividade física ou mental forte, pode provocar flutuações na cor e na luminosidade da aura. Nossas auras também mudam com o tempo.
“A cor pode ser construtiva ou destrutiva. Ela pode estimular ou deprimir, repelir ou atrair. Seu caráter pode até ser masculino ou feminino. Ela pode se mostrar positiva ou negativa, e, quando vista na aura, pode oferecer uma chave para a personalidade, humor, maturidade e saúde do indivíduo. Ela reflete aspectos físicos e espirituais.
“É preciso muita prática para interpretar os tons de cores vistos na aura. Cada cor tem suas características gerais, mas cada tom dessa cor muda a interpretação. A localização da cor, sua intensidade e até a forma que assume no campo devem ser levados em consideração.”

As Cores do Arco-íris por Ted Andrews em seu livro Como Ver e Interpretar a Aura

- Vermelho – é a cor mais forte, da força criativa ígnea e básica. É a energia que dá vida. É quente. Pode indicar paixão, mente e vontade fortes. É uma cor dinâmica, que pode refletir raiva, amor, ódio e mudanças inesperadas. Pode indicar um novo nascimento e transmutação. É uma cor que afeta o sistema circulatório do corpo, o sistema reprodutivo (energia sexual) e o despertar de habilidades e talentos latentes. Vermelho em excesso ou com aparência opaca, enlameada, pode refletir estímulo excessivo, inflamação ou desequilíbrio. Pode indicar nervosismo, destempero, agressividade, impulsividade ou excitação.
- Laranja – é a cor do calor, da criatividade e das emoções. Indica coragem, alegria e sociabilidade. É uma cor que pode espelhar a abertura para uma nova consciência – especialmente domínios sutis da vida, como o plano astral. Dependendo do tom, pode indicar também desequilíbrio e agitação emocionais. Alguns tons “sujos” do laranja podem refletir orgulho e gosto pela extravagância, preocupação e vaidade.
- Amarelo – é uma das primeiras cores que vemos na aura, pois é mais facilmente identificada. O amarelo pálido em torno dos cabelos pode indicar otimismo. Amarelo é a cor da atividade mental e do brilho do sol nascente. Pode indicar novas oportunidades de aprendizado, leveza, sabedoria e intelecto. Aproximação com os tons pastel costuma denotar entusiasmo por alguma atividade nova, especialmente na faixa do espectro que vai do amarelo pálido ao branco. Amarelo é a cor que representa o poder das idéias, o despertar de dons psíquicos e da sensitividade. Os tons “sujos” ou escuros do amarelo podem refletir excessos mentais e analíticos. Pode sugerir que a pessoa tem sido demasiadamente crítica ou dogmática, ou que tem recebido pouco reconhecimento.
- Verde – é a cor da sensibilidade e da compaixão crescentes. Reflete crescimento, empatia e calma. Pode indicar que a pessoa é confiável e que tem mente aberta. O espectro que vai do verde mais brilhante ao azul indica talento para a cura. É a cor da abundância, da força e da amizade. Os tons opacos ou escuros do verde podem indicar incertezas, desespero. Os tons opacos também refletem ciúmes e possessividade. Podem indicar hesitação e pouca confiabilidade.
- Azul – juntamente com o amarelo, é uma das cores mais fáceis de se enxergar na aura. É a cor da calma e da tranqüilidade. Reflete devoção, verdade e seriedade. Pode indicar a capacidade para a clariaudiência e para o desenvolvimento da telepatia. Os tons mais claros do azul refletem uma imaginação ativa e boa intuição. Os tons mais escuros podem indicar solidão e, em certos níveis, refletem a busca do Divino. Os tons mais escuros indicam também honestidade e boa capacidade de julgamento. Também sugerem que a pessoa encontrou ou está prestes a encontrar seu trabalho mais adequado.
- Violeta e púrpura – violeta é a cor da transmutação. É a cor da mescla entre coração e mente, entre físico e espiritual. Sugere independência e intuição, bem como uma atividade onírica importante e dinâmica. Pode indicar a pessoa que está engajada numa busca. Os tons do púrpura costumam refletir senso prático e visão global. Os tons mais pálidos e claros do violeta e do púrpura podem refletir humildade e espiritualidade. Os tons avermelhados do púrpura podem indicar grande paixão ou força de vontade. Podem refletir ainda a necessidade de maiores esforços pessoais. Os tons sombrios e opacos podem denotar a necessidade de superar algo. Podem ainda indicar pensamentos eróticos intensos. A tendência a ser dominador, a estar carente de empatia e se sentindo incompreendido também são refletidas pelos tons opacos.

Outras Cores da Aura por Ted Andrews em seu livro Como Ver e Interpretar a Aura

- Rosa – é a cor da compaixão, do amor e da pureza. Pode indicar alegria e satisfação, além de um forte espírito de companheirismo. Visto na aura, o rosa pode indicar um indivíduo calado e modesto, bem como o amor pela arte e pela beleza. Dependendo do tom, pode refletir imaturidade, especialmente se o tom for opaco. Pode indicar sinceridade – ou sua falta. Pode ainda refletir uma ocasião em que a pessoa está diante de um novo amor ou de uma nova visão de vida.
- Dourado – é a cor que reflete uma energia espiritual dinâmica e a aquisição de nosso próprio poder. Indica energias elevadas como a devoção e a recuperação da harmonia. Sugere grande entusiasmo e inspiração, uma época de revitalização. Os tons “sujos” do dourado podem sugerir que a pessoa está passando pelo processo do despertar para a inspiração superior e que ainda não a pôs em prática na vida. Reflete um processo alquímico ainda em andamento, ou seja, a pessoa está procurando transformar o chumbo de sua vida em ouro.
- Branco – antes de observarmos as verdadeiras cores da aura, o branco é a cor que vemos. Geralmente, surge como uma sombra diáfana. O branco abrange todas as cores, e quando aparece intensamente na aura, está mesclado a outras cores. É assim que você descobre se o que está vendo é uma cor com significado ou se está captando mal a aura. Quando o branco representa de fato uma cor da aura, indica verdade e pureza. Sugere que a energia do indivíduo está se limpando e se purificando. Costuma indicar que sua criatividade está aumentando.
- Cinza – é a cor da iniciação. Indica que a pessoa está prestes a descobrir talentos inatos. Tons de cinza que pendem para o prateado refletem o despertar das energias femininas. São as energias e talentos da iluminação, intuição e imaginação criativa. Os tons mais escuros do cinza podem indicar desequilíbrios físicos, especialmente quando vistos perto de certas áreas do corpo. Podem indicar também a necessidade de não deixar nenhuma tarefa. A abundância de cinza na aura mostra que a pessoa é reservada, do tipo ‘lobo solitário’.
- Marrom – é um tom comum no campo da aura. Apesar de muitas pessoas considerarem-no um reflexo da falta de energia ou de desequilíbrios, nem sempre é este o caso. Marrom é a cor da terra. Quando surge na aura, especialmente acima da cabeça ou em torno dos pés, pode indicar um novo crescimento. Reflete o estabelecimento de novas raízes e o desejo de realização. É uma cor que pode sugerir senso de organização e de ação. Por outro lado, se surge sobre o rosto ou toca a cabeça, o marrom pode indicar a falta de discernimento e sua necessidade. Se visto na região dos chakras pode indicar que esses centros precisam de limpeza. Nesses casos, reflete um entupimento em suas energias. Geralmente, é difícil interpretar o marrom, pois ele pode refletir problemas físicos.
- Preto – esta é uma das cores mais controvertidas do espectro da aura. Já encontrei quem dissesse que, se o preto aparece na aura, indica a morte ou algum desastre terrível. No entanto, pude confirmar que isso não é verdade. O preto é uma cor de proteção. É a cor que pode isolar o indivíduo de energias externas. Quando surge na aura, pode indicar que a pessoa está se protegendo. Pode sugerir ainda que a pessoa tem segredos. Não há nada de errado com isso, desde que não se leve a extremos. O preto também pode indicar que a pessoa está prestes a ter de compreender o significado dos fardos e sacrifícios que fazemos na vida. Também pode sugerir desequilíbrios. Os desequilíbrios físicos costumam surgir como áreas negras ou escuras na aura que cerca o corpo físico. A localização dá pistas sobre a parte do corpo afetada. Na periferia da aura, o preto pode indicar buracos no campo. Tenho visto este fenômeno na aura de crianças que foram vítimas de abusos e de pessoas que foram ou são consumidoras vorazes de certas substâncias (álcool, drogas, fumo, etc.)
- Lampejos prateados – outro aspecto que tenho observado deve ser mencionado. Muitas vezes encontro na aura algo como luzes suaves e reluzentes. São brilhantes e prateadas. Elas podem indicar muitas coisas. Esses lampejos, como os chamo, quase sempre sugerem grande criatividade e fertilidade. Quando surgem dentro do campo de uma pessoa indicam que ela deve começar a perceber que está ficando mais criativa. Surgem com mais frequência em mulheres, mas não se restringem a elas. Quando os vejo perto de uma mulher cuja aura estou interpretando, pergunto-lhe se está grávida. As grávidas e as mulheres que deram à luz nos últimos seis a nove meses sempre apresentam essa cor na aura, embora nem todas as mulheres que têm estes lampejos estejam grávidas.”

Pela experiência, além do que nos diz Ted Andrews, podemos acrescentar ainda os seguintes comentários sobre a presença das cores na aura humana:
- Vermelho - quando brilhante, lembrando o rubi, é a cor da atividade, da ação e da capacidade de realização, do movimento, dos instintos equilibrados. Quando embaçada, pode representar desejo de vingança, fanatismo ou tendência à violência.
- Laranja – quando claro e brilhante, indica alegria, boa disposição, equilíbrio e versatilidade, mas quando escurecido ou “sujo” pode indicar desânimo, desinteresse pela vida, apatia.
- Amarelo – se claro, brilhante e luminoso, indica intelectualidade equilibrada, inteligência, bom uso dos conhecimentos, idéias claras, etc. Aparece muito em pessoas ligadas ao ensino, à pesquisa, aos estudos e à produção científica. Quando acinzentado, escurecido ou sem brilho, indica excesso de racionalidade e ausência de sentimentos, arrogância e vaidade, etc.
- Verde – quando brilhante e límpido, indica saúde, vigor, energia, esperança. É comum nos profissionais de saúde, bem como em doadores de energia e ectoplasma em trabalhos espirituais. Quando impregnado de marrom ou cinza, escuro ou sem brilho, pode indicar problemas de saúde ou emocionais, fraqueza física e moral, apego, inveja, etc.
- Azul – quando claro, brilhante, luminoso, é a cor da espiritualidade, da serenidade, da paz e da harmonia. Quando escuro ou acinzentado, pode indicar depressão e revolta interior.
- Rosa – é a cor do amor, especialmente quando se apresenta brilhante, claro e suave. Mesclado ao azul, indica grande capacidade de doar-se, de ajudar os outros. Aparece muito em pessoas que desempenham atividades de assistência social, voluntariado, etc. Pode aparecer também na aura de pessoas que lidam ou trabalham diretamente com crianças. Quando sem brilho, pode indicar excesso de ingenuidade ou imaturidade, tendência à dependência doentia.
- Lilás ou violeta – é a mistura do azul e do rosa. Altamente positivo, quando claro e luminoso, é a cor da elevação espiritual e dos ideais nobres, da transmutação e da transcendência. Quando escuro, tendendo para roxo, pode indicar insatisfação, inveja, ciúmes, etc.
- Vinho – variação do rosa. Quando brilhante indica profunda compaixão e interesse desapaixonado pelo próximo.
- Cristal – variação do prateado, indica pureza de sentimentos, pensamentos e propósitos.
- Dourado – é a cor da elevação espiritual. Ao lado do prateado, é muito associado a mentores, amparadores, guias espirituais, etc.

e) Aura e mediunidade
Sendo a aura o campo energético que o médium produz e irradia, e que o envolve, é natural que seja ela o primeiro elemento de contato entre o médium e as entidades nas comunicações mediúnicas.
É, portanto, no campo áurico do médium que as entidades comunicantes, elevadas ou não, buscam informações para estabelecer a sintonia com ele, pela ressonância vibratória com a sua própria aura, para depois passar à comunicação propriamente dita.

f) Transformações da aura
A aura humana apresenta, principalmente, dois padrões de cor e luminosidade.
Um é bem instável e dinâmico e reflete as emoções e o estado físico da pessoa, podendo mudar até de hora em hora, conforme as suas condições de momento.
O outro, que chamamos de “cor de fundo”, é mais duradouro e mais estável, embora não seja estático, e reflete as características psíquicas e espirituais da pessoa, bem como a sua personalidade.
É neste segundo nível que os clarividentes se baseiam para determinar em que tipo de trabalho espiritual a pessoa melhor se adaptará. Assim, por exemplo, pessoas de aura verde são encaminhadas para trabalhos de cura ou desobsessão, pessoas de aura amarela são encaminhadas para o ensino ou palestras, e pessoas de aura rosa são encaminhadas para trabalhos com crianças e idosos ou para a assistência social.
No entanto, mesmo esta “cor de fundo” de uma aura pode mudar com o passar dos anos, refletindo não só o próprio amadurecimento psicológico da pessoa ao longo da vida, bem como as adaptações energéticas por que passou ou está passando para melhor desempenhar suas funções sociais, profissionais e também espirituais.
Assim, alguém que tem a aura amarela na adolescência, por ser ótimo aluno, por exemplo, pode vir a ter a aura verde algum tempo depois de entrar para a faculdade de Medicina ou Enfermagem. Isso não significa que o amarelo desapareceu ou que a pessoa deixou de ser bom aluno, mas que a sua aura sofreu uma mudança para se adaptar às novas exigências energéticas de suas atividades profissionais. Nesse caso específico, pode acontecer de termos verde e amarelo em sua “aura de fundo”, refletindo tanto a sua atividade na área da saúde como seu gosto pelo estudo.

g) Aura e efeito Kirlian
Segundo o psicólogo Márcio Pontes, no seu site http://www.fluidos.hpg.ig.com.br/, a descoberta do “efeito Kirlian” se deu por acaso, no ano de 1939.
Certa noite, o casal Semyon (Semyon Davidovitch Kirlian) e Valentina Kirlian, na cidade de Krasnodar (Rússia), trabalhavam em sua casa no manuseio de chapas fotográficas, próximos a uma aparelhagem de rádio que estava aberta em reparos, quando, por descuido, uma chapa fotográfica caiu entre dois eletrodos do rádio. Ao retirar tal chapa, Kirlian, no escuro, fechou curto-circuito, com seus dedos, entre a chapa e os eletrodos. Notou ele, nesta ocasião, que algo de diferente tinha ocorrido. Banhou as chapas e, com espanto, notou que seus dedos apareciam e não apenas isto, mas uma estranha luz que, normalmente, eles não apresentavam. Repetiu a operação, agora sem a ajuda do “acaso”, e o fenômeno voltou a acontecer. Repetiu a operação com Valentina e, mais tarde, com diversos conhecidos, e o mesmo fato se verificou.
Destas observações, ou melhor, destas experiências, notou que as luminescências emitidas pelos dedos das pessoas não eram iguais, variando de pessoa para pessoa. E não apenas isto, mas que pessoas em estado de saúde precário apresentavam uma emissão de luz em menor potencial que as pessoas saudáveis, havendo também casos de pessoas saudáveis apresentando fraca emissão de luz, que, poucos dias depois, ficaram doentes.
Estes fatos ocorreram na Rússia, no final dos anos 30, mas somente na década de 60 este processo tornou-se mundialmente conhecido, tendo, também no Brasil, os seus pesquisadores, como Hernani Guimarães Andrade, cientista de renome internacional na área de estudos psicobiofísicos, que foi o primeiro pesquisador, fora da Rússia, a possuir uma máquina Kirlian, tendo ele mesmo elaborado todo o processo. Temos também o grande pesquisador Henrique Rodrigues que, juntamente com Hernani, realizou e realiza estudos internacionalmente reconhecidos.
Já para Walter Lange Jr., em seu livro Paranormalidade e Energia Mediúnica – Uma pesquisa kirliangráfica, o russo Kirlian “trabalhava nos hospitais com equipamentos eletromagnéticos e teve a oportunidade de observar o fenômeno quando aplicava – em paciente em tratamento – os eletrodos de um aparelho de diatermia: viu pequenas centelhas fulgurantes e coloridas na pele do doente. Em seu apartamento, montou um aparelho semelhante e reproduziu o observado, conseguindo registrar, em uma chapa fotográfica, com a ajuda de sua esposa Valentina, que trabalhava como fotógrafa num jornal.”
Seja como for, muitos nomes foram dados a esta estranha “luz” emitida pelos corpos. Os russos chamaram-na “corpo bioplásmico”, diversos místicos já a qualificaram como “aura”, alguns espíritas mais afoitos, na época, chegaram a falar em “foto do perispírito”, e os mais céticos afirmavam que tudo não passava de um “efeito corona”. O fato é que, ainda hoje, o assunto é motivo de muitos estudos e discussões, sem que se tenha chegado a qualquer conclusão científica.
Em meio à polêmica e às dúvidas causadas pela descoberta, a foto Kirlian acabou se tornando popularmente conhecida como “foto da aura”, o que, na verdade, não é bem exato, já que o complexo total da aura é muito mais amplo, colorido, dinâmico e brilhante do que o halo que aparece nessas fotos.
O que a foto Kirlian capta, na verdade, e ficou conhecido como “efeito Kirlian”, é apenas a primeira “camada” da aura, a parte mais densa e mais próxima do corpo físico, que nada mais é que o duplo etérico, onde também se refletem as movimentações mentais e emocionais do espírito encarnado.
Para esclarecer melhor, vejamos o que diz Edgard Armond em seu livro Psiquismo e Cromoterapia:
“O duplo etéreo, também conhecido como corpo energético, não é parte do perispírito, mas um veículo intermediário entre o corpo físico e o perispírito, que possui chacras ou centros de força etéreos. O duplo se projeta para além do corpo físico e forma uma aura a aura etérica, uma emanação leitosa e de aspecto ovalado. Alguns autores, por considerarem o duplo mais ligado ao corpo físico, designam a aura etérica como a “aura da saúde”: um vidente, através de um exame acurado, pode avaliar o estado físico do indivíduo e localizar enfermidades.
“A aura perispiritual ou astral, ou simplesmente aura, é a projeção do perispírito para além do limites físicos e se revela como uma espécie de emanação bem mais brilhante e diáfana que a aura etérica. Através dela, um médium estabelece o retrato psíquico-espiritual do indivíduo, uma vez que os pensamentos e emoções se refletem na aura, antes de alcançar o corpo físico.”
Há ainda alguns pesquisadores no Brasil, Alemanha e Rússia, que afirmam que o efeito Kirlian não é nem mesmo a foto do duplo. Para eles, seria apenas a foto do efeito luminoso causado pela ionização dos gases expelidos pelo corpo humano.
Seja como for, a foto Kirlian tem sido de grande valia em estudos feitos em trabalhos mediúnicos e de passe, como instrumento de medição dos efeitos da aplicação energética e do transe no físico do médium, da absorção do passe nos assistidos, bem como para identificar o indivíduo que tem capacidades paranormais e/ou mediúnicas.
Além dessa aplicação, a foto Kirlian hoje já vem sendo usada também em Medicina e Psicologia, como um recurso a mais para detectar e diagnosticar doenças e distúrbios, avaliar o efeito de medicamentos e terapias em pacientes, bem como para acompanhar o progresso deles frente aos tratamentos aplicados.

8. ECTOPLASMA

a) Definição
Segundo Hernani Guimarães Andrade, em seu livro Espírito, Perispírito e Alma, “a palavra “ectoplasma” resulta da combinação de dois vocábulos gregos: EKTÓS = fora, exterior; e PLASMA = dar forma. Em Biologia, significa a parte periférica do citoplasma. Em Metapsíquica e em Parapsicologia, o termo “ectoplasma” foi, pela primeira vez, sugerido por Charles Richet, referindo-se aos fenômenos de efeitos físicos provocados pela médium Eusapia Paladino, ...”
“Outros pesquisadores deram denominações diferentes a esta substância. Schrenk-Notzing chamou-a de “teleplasma”. Outros chamam-na de “psicoplasma”, “éter vitalizado” (F. Melton), “fluido perispirítico” (Allan Kardec), “substância da vitalidade” (Robert Crookall), etc.”
André Luiz, em Missionários da Luz, transcrevendo as palavras do instrutor Alexandre, chama-o “força nervosa”. E Ricardo Di Bernardi ainda destaca outras denominações: atmoplasma, hylê, ideoplasma, paquiplasma, primeira matéria.
Trata-se de substância produzida por todos os seres encarnados, que, em condições especiais, pode ser exteriorizada por pessoas também especiais, chamadas médiuns de ectoplasmia, médiuns de materialização ou médiuns de efeitos físicos, especialmente pela boca, nariz e ouvidos, apresentando-se nas mais variadas densidades e texturas, podendo tornar-se visível e tangível, servindo, inclusive, de material para os espíritos desencarnados modelarem as mais diferentes formas nos fenômenos conhecidos como materializações.

b) Características
Fazendo um resumo das informações trazidas por Hernani G. Andrade, no livro já citado, em que trata do ectoplasma apenas como elemento dos fenômenos de materialização, podemos dizer que tem as seguintes características:
- todas as pessoas são capazes de produzi-lo de maneira discreta e restrita, mas há aqueles que o produzem de forma mais abundante.
- assume aspectos muito variados, desde a forma mais sutil e invisível, até o estado sólido e organizado em estruturas complexas, passando por outros estados como gasoso, plasmático, floculoso, amorfo, leitoso, filamentoso, líquido, etc.
- quando não estruturalmente organizado, é sensível à luz comum.
- na maioria dos casos, é liberado pelos principais orifícios do corpo, como boca, nariz e ouvidos, bem como pelos poros.
- alguns cientistas, no fim do séc. XIX e início do séc. XX, descrevem-no como matéria esbranquiçada, que surge, inicialmente, em estado gasoso ou nebuloso, parecendo difusa, como fumaça.
- de acordo com análises realizadas na mesma época, trata-se de substância albuminóide com elementos de gordura e células humanas, especialmente glóbulos brancos e células da pele, e características de material protêico, sugerindo ser derivado do corpo humano físico.
- sua cor pode ser acinzentada, branca, amarelada, malhada ou negra, e sua consistência pode ser, às vezes, semilíquida, podendo apresentar-se também poroso e lustroso.
- a sensação ao toque também varia de acordo com o seu estado, podendo ser de teia de aranha, untuosa, viscosa, úmida, fria, etc.
- pode atuar sobre objetos materiais, provocando movimentos, mudanças de forma e marcas.
- é capaz de apresentar-se com dois ou mais aspectos diferentes ao mesmo tempo.
- é extremamente dócil ao comando mental do médium, dos espíritos e de pessoas estranhas junto ao médium
- com a mesma facilidade com que é exteriorizado, reverte o processo de exteriorização e volta ao organismo do médium, sendo reabsorvido.
Matthieu Tubino, em seu livro Um Fluido Vital Chamado Ectoplasma, ainda nos diz que “todos os estudos feitos, desde o século XIX, sobre as materializações de espíritos e os chamados ‘efeitos físicos’, demonstraram que esses fenômenos ocorrem somente na presença de pessoas que podem fornecer ectoplasma. Isso leva à óbvia conclusão de que os espíritos não ‘produzem’ ectoplasma. Eles apenas podem manipulá-lo. ... Desse modo, pode-se deduzir que o ectoplasma é um atributo do corpo físico, portanto da matéria, uma vez que o corpo humano é material, embora seja controlado pelo espírito nele encarnado.”
Mais adiante, o autor acrescenta algumas informações interessantes, frutos de seus estudos sobre o ectoplasma no Grupo Espírita Casa do Caminho (GECC), em Campinas, nas décadas de 70 e 80. Vejamos o que ele diz:
“Nas minhas observações, verifiquei algumas propriedades do ectoplasma. Ele está sujeito à ação da gravidade terrestre e interage fisicamente com a matéria do corpo humano, causando diversos efeitos, por exemplo, inchaço do abdome, como se fosse um gás.
“É muito difícil afirmar, com certeza, onde se forma o ectoplasma humano. Contudo, a observação indica uma ‘grande movimentação fluídica’ no abdome, na altura do umbigo.
“Outro lugar onde é comum se perceber que há quantidade relativamente grande de ectoplasma é no tórax.”
E, em nota de rodapé, acrescenta:
“Em conversa com o sr. Nedyr Mendes da Rocha, este disse que, segundo informação que recebeu de espírito desencarnado, no tempo em que participava de trabalhos de materialização, o ectoplasma se formaria, principalmente, na região do corpo próxima à base da coluna dorsal. Nesta região localiza-se o centro de força (chakra) básico, conhecido também pelos nomes de kundalíneo e fundamental.”
Podemos ainda acrescentar alguns pontos destacados por Ricardo Di Bernardi em sua coluna no portal A Jornada:
- expelido, apresenta-se ligado ao médium emissor ou ao indivíduo projetado fora do corpo físico como um canal de alimentação. Há impulsos vitais bidirecionais, dando a aparência de um cordão umbelical .
- ao se evidenciar, demonstra uma interação constante entre os dois corpos ou veículos da consciência, o corpo biológico mais denso e o corpo astral ou extrafisico menos denso.
- ao contrário do corpo astral, que se projeta a longas distâncias, o ectoplasma tem raio de ação mais ou menos definido, a partir e em torno do corpo humano do médium.
- tem elasticidade relativa a algumas dezenas de metros.
- abaixa a temperatura do ambiente humano de contato imediato.
- ao contrário do cordão de prata, que não atende sempre ao comando mental do espírito, o ectoplasma apresenta-se extremamente domesticável.
- pode retornar ao emissor com partículas estranhas que aderem à sua estrutura, podendo causar reações no médium.
- em geral, apresenta-se como um combinação de elementos do corpo etérico do médium (fluido vital), elementos do corpo humano, elementos provindos de vegetais, provavelmente direcionados por mentes extrafísicas, e até fragmentos moleculares de tecidos da roupa do médium.

c) Ectoplasma, mediunidade e assistência
Embora até, aproximadamente, a metade do século passado, o ectoplasma tenha sido usado quase que exclusivamente nas materializações, é muito raro, hoje em dia, encontrar médiuns desse tipo, por motivos que, segundo alguns, vão desde a inutilidade de fenômenos tão ostensivos nos dias de hoje, até a complexidade das providências necessárias para a sua concretização com segurança para o médium e a entidade manifestante.
Seja como for, o ectoplasma hoje é usado quase que exclusivamente em sua forma invisível e mais sutil, em trabalhos que visam o bem estar físico e espiritual das pessoas, sendo, por isso mesmo, elemento de grande importância para médiuns de todos os tipos.
Atualmente, o ectoplasma é muito usado em trabalhos de assistência a desencarnados necessitados e desequilibrados, por mentores e amparadores que retiram o fluido do corpo dos médiuns e o modificam de acordo com as necessidades, transformando-o em bandagens, pomadas, cremes, medicamentos orais, anti-sépticos, alimentos, bebidas, roupas, objetos, imagens e até membros e órgãos inteiros, na tentativa de acalmar o espírito, sanando suas necessidades mais imediatas, para depois poder orientá-lo e esclarecê-lo sobre sua situação e as opções de que dispõe a partir dali.
É usado também em trabalhos de cura de encarnados, onde, também manipulado por mentores, amparadores e médiuns, é transformado em curativo fluídico ou medicamento energético, na tentativa de obter um efeito mais profundo, alcançando a matriz energética das células doentes, provocando a sua mudança vibratória e, consequentemente, a cura física da mesma.
Sendo fluido originado no corpo físico e dada sua sensibilidade às ondas mentais, é natural que a qualidade do ectoplasma do médium esteja sujeita ao seu estado energético como um todo, incluindo aí suas condições físicas, mentais, emocionais e espirituais.

9. AFINIDADE ENERGÉTICA (ou VIBRATÓRIA)
a) Energias afins
Chamamos de energias afins aquelas energias que, derivadas de diferentes fontes, vibram em freqüências semelhantes, podendo entrar, assim, em ressonância.
Ressonância é o fenômeno pelo qual vibrações com freqüências muito próximas se encontram e, movimentando-se juntas, passam a intensificar a vibração uma da outra.
Tudo em nós é energia, portanto tudo em nós é vibração. Nosso corpo vibra, nosso pensamento emite vibrações e nossos sentimentos também geram diferentes freqüências vibratórias.
Sempre que os pensamentos e sentimentos de uma pessoa encontram pensamentos e sentimentos em uma freqüência próxima, passam a vibrar juntos, passam a emitir o mesmo tipo de energia, intensificando a vibração um do outro, ou seja, fortalecendo os pensamentos e sentimentos um do outro e, consequentemente, as energias também.
Isso pode acontecer tanto com energias negativas ou mais densas, quanto com energias positivas e mais sutis, já que a questão é apenas de sintonia vibratória e não de tipo de energia.
Assim, se energias negativas e densas de duas pessoas se encontram, a tendência NATURAL é que entrem em ressonância entre si e passem a se alimentar mutuamente, aumentando a negatividade.
Do mesmo modo, se energias positivas e sutis de duas pessoas se encontram, a tendência NATURAL é que entrem em ressonância entre si e passem a se fortalecer mutuamente, aumentando a positividade.
Segundo amparadores/mentores, quanto mais alta a freqüência vibratória de uma pessoa, melhores as suas qualidades energéticas, ou seja, quanto mais acelerada for a sua vibração, mais elevada a será e melhor será a natureza de suas energias.
É importante não confundirmos afinidade energética com simpatia. Duas pessoas podem ter grande afinidade energética, mesmo não simpatizando uma com a outra, já que, alimentando pensamentos e sentimentos semelhantes de rejeição, antipatia e animozidade uma pela outra, apresentam frequências vibratórias muito similares e, portanto, muito afins, permitindo grande sintonia uma com a outra, mesmo que não se gostem ou nem mesmo se suportem.

b) Energias antagônicas
De modo inverso, energias antagônicas são aquelas que não entram em ressonância, não se harmonizam, ou seja, não têm qualquer semelhança em seu padrão vibratório, em sua freqüência, chegando mesmo a se repelir ou anular mutuamente.
Quando energias antagônicas se encontram, a tendência NATURAL é que a energia com padrão vibratório mais intenso prevaleça sobre a energia de padrão vibratório mais fraco, impondo seu ritmo e acelerando a freqüência da outra energia. Assim, a tendência é que energias positivas e sutis prevaleçam sobre energias negativas e mais densas, modificando seu padrão vibratório para algo mais intenso e, portanto, mais positivo.
No entanto, isso nem sempre é assim tão matemático, pois, além de depender da freqüência, isso depende também do cuidado e do esforço despendido pela pessoa na manutenção de seu padrão vibratório. Ou seja, para que uma freqüência elevada e mais sutil prevaleça, de fato, sobre uma baixa e mais densa não basta ser mais elevada, é preciso, também, ser mais concentrada, mais estável, mais constante e mais homogênea, persistindo, sem intermitências, em sua vibração.
Essa informação é especialmente importante em grupos mediúnicos onde se trabalha com entidades desequilibradas e perturbadas. O padrão vibratório de entidades nessa situação é baixo, é lento, mas pode ser mais constante e homogêneo, sendo mais difícil de ser modificado ou repelido.
É aí que entra a capacidade do médium de elevar seu padrão vibratório, ou seja, de fazer com que suas energias se movimentem mais depressa, com firmeza, constância e força, de modo que a vibração das entidades possa ser modificada ou anulada pela sua, garantindo segurança espiritual para si mesmo e para o grupo, como um todo.
Já no trabalho com entidades de luz, o médium deve ser capaz de elevar o seu padrão vibratório, acelerando suas próprias energias, de modo a facilitar o contato e a comunicação, pela aproximação da sua frequência à das entidades comunicantes.

c) Afinidade energética e mediunidade
Todo fenômeno mediúnico é, essencialmente, um fenômeno energético e, portanto, vibratório. Toda comunicação, todo transe mediúnico, depende, portanto, principalmente, da afinidade energética entre médium e comunicante. Quanto mais próximos forem os padrões vibratórios dos dois, quanto mais próxima a freqüência em que vibram seus pensamentos e sentimentos, quanto maior for, enfim, a sua sintonia, melhor será a comunicação e maior será a precisão e a clareza com que a informação será transmitida, seja ela escrita ou falada.
Cabe ao médium manter-se atento às energias envolvidas no trabalho em que atua, para que possa modular a sua própria freqüência no sentido de facilitar o mais possível as comunicações.
Muitas vezes, isso implica em que o médium reduza seu padrão vibratório, para alcançar a freqüência de uma entidade em desequilíbrio que precisa ser atendida ou ajudada.
Quando o médium conhece e domina suas próprias energias, mantendo sempre pensamentos e sentimentos elevados, é mais fácil reduzir seu padrão para esses atendimentos, retornando ao seu padrão normal logo após o afastamento da entidade.
Se, no entanto, o médium for emocionalmente instável, não dominando pensamentos e sentimentos, e não conhecendo suas energias e seu funcionamento, ele pode até entrar facilmente na faixa vibratória da entidade, mas terá grande dificuldade de sair, por estar energeticamente vulnerável, dada sua própria instabilidade emocional, espiritual e energética.
Outras vezes, ele pode ter que elevar sua frequência para permitir a comunicação de uma entidade mais elevada, para quem seria muito complicado chegar ao nosso padrão vibratório. Nesse caso, ele acelera sua vibração para a comunicação e a reduz imediatamente após o término da mesma, voltando à sua condição normal.
Vale dizer que não são só as vibrações pesadas e mais densas que causam desconforto nos médiuns. Isso também acontece com as vibrações muito elevadas, pelo fato de estarem muito acima do padrão normal dos encarnados e exigirem muito do seu corpo físico. Muitas vezes, assim como nas manifestações de espíritos desequilibrados, são necessários vários minutos para que o médium se recupere e volte ao seu padrão normal após a manifestação de uma entidade mais elevada.

d) Mudando o padrão energético
Para direcionar pensamentos e sentimentos, basta a ação da vontade. Do mesmo modo, para se modificar o padrão vibratório das próprias energias, basta que se coloque toda a vontade nesse propósito, usando, também, outros recursos auxiliares que facilitam a concentração, tais como a visualização, o movimento das mãos, a respiração, a captação de energias ambientes com as mãos, a movimentação de energias pelos chacras, a música, as cores, etc.
Todos somos capazes de alterar o padrão vibratório das energias à nossa volta, inclusive a de outras pessoas, bastando que trabalhemos para isso com pensamentos e sentimentos apoiados em vontade forte.

10. SENSIBILIDADE ENERGÉTICA

a) Definição
Sensibilidade energética é a capacidade natural que toda pessoa tem, em maior ou menor grau, de perceber e identificar energias à sua volta.
É diferente de mediunidade e não depende dela, pois não requer a presença ou a ação de outras consciências para que aconteça.
Pode manifestar-se por meio de vários sintomas ou sinais físicos, e é especialmente útil aos médiuns para detectar e identificar entidades e/ou energias nos ambientes que freqüenta e nos trabalhos em que atua.

b) Sensibilidade energética e afinidade energética
Sensibilidade e afinidade energética também são diferentes e independentes entre si.
Uma pessoa pode ser sensível a um determinado padrão energético e não ter afinidade com ele, por vibrar em outra freqüência. Ou seja, ela pode perceber e até identificar uma determinada vibração, sem que, para isso, tenha que entrar em sintonia com a mesma, vibrando na mesma freqüência.
Da mesma forma, uma pessoa pode ter afinidade com um determinado tipo de energia e não ter sensibilidade para ela, não sendo capaz de notá-la antes de interagir com a mesma, estabelecendo sintonia.
Sensibilidade e afinidade energética são importantes no trabalho mediúnico, por servirem como ferramentas de percepção e identificação de entidades e energias, e como facilitadoras do transe mediúnico.

c) A sensibilidade energética nos médiuns
Em geral, médiuns têm uma sensibilidade energética mais desenvolvida, embora, muitas vezes, não sejam capazes de controlar ou interpretar o que sentem ou percebem. No entanto, por se tratar de capacidade natural, pode ser trabalhada, refinada e treinada por meio de observação, estudo e exercício.
O médium, em geral, reage facilmente às modificações energéticas à sua volta, especialmente as mais densas, por estarem mais próximas das suas próprias, como encarnado que é. Sua predisposição à comunicação com o mundo espiritual o deixa mais exposto às vibrações externas, de modo que pode percebê-las involuntariamente, muitas vezes sem saber o que fazer com essas percepções e até se assustando com elas, por não saber o que significam realmente.
A observação do tipo de reação, do contexto em que acontece, do estado íntimo em que se encontrava, do local em que ocorreu, das pessoas presentes, do assunto em pauta, dos fatos envolvidos, das sensações, etc., no momento em que o médium percebe algo diferente nas energias, pode ajudá-lo a, com o tempo, mapear suas próprias sensibilidades e características energéticas, facilitando muito o seu trabalho mediúnico, bem como ajudando na prevenção e manutenção do seu padrão vibratório.
Esse mapeamento fará também com que o médium se sinta mais seguro em situações reconhecidamente mais pesadas ou negativas, energeticamente falando, permitindo que se defenda ou isole daquilo que o incomoda, dando-lhe também mais segurança durante o trabalho mediúnico, já que terá condições de identificar o tipo de energias/entidades com que está lidando, antes de entrar em contato diretamente com elas.

d) A sensibilidade energética como alavanca para o fenômeno mediúnico
A sensibilidade energética bem treinada e desenvolvida pode também ser uma excelente alavanca para o fenômeno mediúnico, permitindo que o médium, ao perceber o tipo de energia da entidade a se comunicar, possa modular suas próprias energias, facilitando o contato e a comunicação pela sintonia que pode alcançar com o padrão vibratório do comunicante.

11. TRABALHANDO as PRÓPRIAS ENERGIAS

a) Benefícios
Tudo é energia e todos temos o nosso “quinhão” energético próprio, pelo qual somos responsáveis e com o qual convivemos 24h por dia. Nada mais lógico, portanto, que nós mesmos, maiores e primeiros interessados, cuidemos para que esse “quinhão” seja o mais saudável e positivo possível para nós, pelos meios que estiverem ao nosso alcance, como as práticas energéticas, por exemplo.
Além disso, ao trabalharmos nossas próprias energias, fazemos também um trabalho de autoconhecimento, na medida em que passamos a identificar que tipo de energia temos, que tipo criamos, de que tipo precisamos, que tipo devemos evitar, o que precisamos fazer para alcançar determinado padrão energético, o que interfere nesse padrão, para melhor e para pior, etc.

b) Tipos de práticas
Há centenas, talvez milhares, de diferentes práticas energéticas descobertas, aprendidas ou desenvolvidas pela humanidade no decorrer de sua história. Nenhuma delas é melhor ou pior que outra, por si mesma. Todas são boas e válidas, para qualquer um, desde que permitam chegar ao objetivo desejado, desde que tragam bem estar, tranqüilidade e segurança para a pessoa que as adota.
Por isso, ao se escolher uma determinada prática, é preciso observar os efeitos que causa, os benefícios que traz, as conseqüências que acarreta, etc., a fim de se persistir nela ou mudar de prática, se for o caso.
Seja como for, a maioria das práticas existentes parece basear-se, principalmente, em quatro princípios básicos, que são:
- captação – as energias da natureza e do universo estão sempre à nossa disposição, em qualquer lugar e a qualquer hora. Se precisamos de uma “carga” extra ou de uma “carga” diferenciada, basta que nos coloquemos mental e emocionalmente em posição de captar estas energias, para que elas sejam absorvidas pelos nossos chacras na quantidade e na modulação necessárias. Uma forma simples de fazer isso é usar as mãos como antenas ou como receptores, colocando-as abertas para cima por algum tempo, enquanto visualizamos a entrada da energia por nossos dedos e palmas, e a distribuição da mesma pelos nossos corpos e aura, expandindo-se num balão colorido que pulsa, de dentro para fora, e se movimenta continuamente, como se tivesse vida própria.
- circulação – energia é movimento, portanto precisa fluir, movimentar-se, estar em constante circulação. No entanto, embora não seja possível pará-la completamente, às vezes conseguimos bloquear parcialmente sua passagem, prejudicando o seu fluxo e, com isso, causando diversos prejuízos físicos e espirituais a nós mesmos. Se percebemos o acúmulo de energia em uma determinada região, órgão ou chacra, podemos dispersá-la e colocá-la para circular novamente, reativando seu fluxo natural por meio do pensamento e da vontade. Para isso, basta imaginarmos que nossas energias estão sendo aceleradas, impulsionadas à nossa volta, horizontal ou verticalmente, em círculos ou em espiral, para que elas voltem a fluir normalmente pelos nossos corpos e pela nossa aura. Podemos também usar as mãos, em movimentos mais longos, como se estivéssemos, nós mesmos, impulsionando os fluidos.
- projeção – todos temos o nosso “quinhão” de energia, mas uns têm uma tendência natural a captar e/ou acumular, espontaneamente, mais que outros. Essas pessoas costumam ter energia em excesso armazenada em seus corpos, o que acaba causando uma série de problemas físicos e espirituais, além de ser muito desconfortável. Energia não foi feita para ficar parada num lugar e onde há energias demais, elas não circulam adequadamente e não podem ser recicladas, renovadas, trocadas com o meio e com as outras pessoas. A sensação é de estar sempre enfastiado, estufado ou sem apetite. Se energia é facilmente acionada pelo pensamento e a vontade, além de captá-la e movimentá-la, podemos também projetá-la para fora de nós, para alvos específicos ou não, com modulações elevadas e sutis que possam levar benefícios às pessoas que as absorverem. Nesse caso, além de nos beneficiarmos pela eliminação do excesso, ainda prestamos um serviço a outras pessoas, pela emanação de boas energias e bons pensamentos.
- aplicação – uma forma segura e natural de estar com as energias em dia é usá-las em trabalhos de aplicação em benefício de outras pessoas. Há vários tipos que vão desde o passe mais comum, até o reiki ou a cura prânica. Se não conseguimos trabalhar adequadamente nossas energias sozinhos ou se ainda não temos a disciplina necessária para fazer esse trabalho regularmente, podemos nos juntar a qualquer grupo sério e equilibrado de práticas energéticas para, com ele, fazermos o trabalho de aplicação, reequilibrando-nos e, ao mesmo tempo, ajudando outras pessoas.

c) Práticas energéticas e mediunidade
A prática energética regular costuma ser um modo muito eficaz e seguro para que médiuns e pessoas mais sensíveis, espiritualmente falando, se equilibrem e controlem sua própria mediunidade, harmonizando seus chacras e fortalecendo seu campo energético, pois propicia, como falamos, autoconhecimento energético e mediúnico.
O médium acostumado a lidar com as próprias energias terá mais facilidade de entrar e sair de faixas vibratórias mais pesadas, realizando o trabalho necessário e retornando ao seu equilíbrio rapidamente, e também de modificar as energias à sua volta, sem precisar desgastar-se ou prejudicar seu próprio padrão.
Além disso, o conhecimento das energias, das formas de se transformá-las e modulá-las, ajuda muito o médium e o trabalhador espiritual, em geral, a atuar na limpeza, defesa, segurança e manutenção energética do grupo mediúnico ou assistencial de que faz parte, colaborando para o bem de estar de outros médiuns que estejam em transe ou mesmo na higienização do ambiente em que ocorre o trabalho.

d) Práticas energéticas como facilitadoras do fenômeno mediúnico
Como o fenômeno mediúnico, seja de que tipo for, depende essencialmente da afinidade energética entre o médium e o comunicante, quanto mais o médium souber manipular e modular as próprias energias, mais fácil será para ele sintonizar-se às diferentes faixas vibratórias em que os espíritos se apresentam, criando ou aumentando, ele mesmo, a afinidade com o comunicante.
Nesse aspecto, a prática energética regular pode ajudar o médium a experimentar modulações diferentes, maneiras diferentes de se chegar e sair dessas modulações, os efeitos que cada uma causa nele mesmo e no ambiente, permitindo que participe ativamente do fenômeno mediúnico, sintonizando-se às diversas energias presentes no ambiente em que trabalha e modificando-as, quando necessário.

e) Práticas energéticas e espiritualidade
Práticas energéticas não devem ser usadas apenas por médiuns e trabalhadores espirituais que atuam regularmente, pois são excelentes para qualquer pessoa interessada em sua própria saúde espiritual e energética e, consequentemente, em sua própria espiritualidade.
Estudos espirituais são importantes, mas devem ser acompanhados de hábitos, atitudes, pensamentos e sentimentos condizentes, para garantir que não se transformem apenas em informação. Nesse aspecto, as práticas energéticas podem ser um excelente recurso para intensificar as vibrações de nossas próprias energias, facilitando o contato com outras mais sutis que, com certeza, nos serão enviadas pelos amigos espirituais também interessados em nosso crescimento e evolução.
Quando atuamos consciente e ativamente na própria melhora interior, estudando, trabalhando e agindo de forma mais cosmoética, naturalmente entramos em sintonia com seres mais elevados que, percebendo nosso interesse e esforço para crescer, colaboram conosco, atraindo-nos para estudos e práticas fora do corpo ou mesmo enviando-nos mensagens, sugestões e orientações aqui no físico mesmo.

f) Técnicas complementares e mediunidade
Todas as terapias e técnicas alternativas ou complementares baseiam-se na movimentação das bioenergias, usando elementos da natureza, técnicas de massagens, exercícios físicos e mentalizações.
Por serem todas técnicas de trabalho energético, podem ser extremamente benéficas para médiuns e pessoas com maior sensibilidade energética ou mediúnica, como meio de alcançar equilíbrio, bem estar e boa disposição.
Assim, a acupuntura, a auriculopuntura, o shiatsu e a reflexologia estão no grupo da manipulações físicas aplicadas por terceiros, com fins energéticos.
Depois temos o tai chi chuan, o yôga (e todas as suas variáveis) e as artes marciais em geral, inclusive a capoeira, que, muito mais que lutas, são todas técnicas de manipulação e concentração de energia, a partir de exercícios físicos.
Depois temos também a aromaterapia, a musicoterapia, a cristaloterapia, a hidroterapia, a cromoterapia, a fitoterapia, a homeopatia, os florais e outros, técnicas que usam as energias mais sutis da natureza como formas de terapia e reequilíbrio.
E temos também o reiki, o chi kung, a cura prânica, a cura cósmica, os passes e outros, como técnicas de captação e projeção de energia feitas por terceiros.
Todas são válidas e positivas, e a escolha é sempre uma questão muito pessoal, baseando-se em afinidade, simpatia, etc.
Seja como for, o mais importante é identificar um profissional sério, que use a técnica com conhecimento, responsabilidade e equilíbrio. Nenhuma destas técnicas pode ser realmente dominada em cursos de fim de semana ou com leituras e palestras superficiais, já que envolvem também o adestramento da sensibilidade para detecção

12. SINTOMAS BIOENERGÉTICOS

a) Definição e classificação
A expressão “sintomas bioenergéticos” foi criada por Wagner Borges para designar as reações físicas decorrentes da movimentação de energias no campo energético humano. Podem ser mais ou menos intensos, dependendo do nível de sensibilidade energética de cada um.
Como se tratam de reações muito comuns e percebidas por muitas pessoas, devem ser observados com muita atenção e considerados de fundo energético e/ou espiritual somente quando todas as possíveis causas físicas e/ou psicológicas já tiverem sido descartadas, inclusive por meio de exames médicos.
Wagner Borges descreveu 50 sintomas bioenergéticos já observados por ele em sua experiência espiritual de muitos anos. Dentre estes, destacamos os mais comuns:
- arrepios – são neutros e acontecem quando há interação energética com entidade desencarnada mais densa. Podem ser causados também por pequenas descargas energéticas no duplo etérico.
- sensação de inchaço (localizada ou generalizada) – também conhecida como ballonement, é bastante positiva e acontece quando há expansão da aura, indicando presença de muita energia.
- bocejos – são positivos e indicam movimentação energética no chacra gástrico ou umbilical, para doação de energias, especialmente ectoplasma, para assistências extrafísicas. Também podem ser provocados pela ativação espontânea dos chacras cardíaco e laríngeo.
- calor nas orelhas – é negativo e, confirmando a sabedoria popular, indica captação de energias negativas projetadas por encarnado ou desencarnado, as quais repercutem nas orelhas.
- calor e/ou frio nas extremidades – são positivos e indicam movimentação de energias para doação. Podem também indicar mediunidade e podem acontecer de um ou dos dois lados do corpo.
- choro – é negativo e indica sintonia com desencarnado psicologicamente deprimido.
- coceira – é negativo e indica sintonia com desencarnado em desequilíbrio, geralmente suicida. Pode também indicar acúmulo excessivo de energias.
- enjôo – pode ser positivo, indicando movimentação energética na região do gástrico, para doação de ectoplasma; ou negativo, indicando sintonia com entidade com problemas nesta região.
- formigamento – é positivo e indica movimentação natural de energias.
- lacrimejamento – é positivo e indica reação intensa do chacra frontal às energias do ambiente. Pode acontecer em um ou em ambos os olhos e pode ser antecedido de ardência.
- tremores e/ou movimentos involuntários – são positivos e indicam movimentação energética no duplo etérico ou nos chacras.
- pressão na nuca – pode ser positiva, quando de dentro para fora, indicando aumento de atividade e pulsação do chacra existente nessa região; ou negativa, quando de fora para dentro, indicando atuação obsessiva consciente de desencarnado, sendo acompanhada de mal-estar e depressão.
- pressão na testa e/ou no alto da cabeça – pode ser positiva, quando acontece de dentro para fora, indicando atividade dos chacras da cabeça; ou quando acontece de fora para dentro, indicando manipulação de amparadores/mentores, ativando os chacras dessa região; mas pode também ser negativa, quando de fora para dentro, indicando atuação obsessiva, com fixação de energias mais densas nessa região, causando tontura e mal-estar.
- pulsação e/ou alteração de temperatura na testa – são positivas, indicando ativação do chacra frontal.
- ruídos nos ouvidos e/ou dentro da cabeça – são positivos e indicam aceleração energética do duplo etérico, especialmente na região da glândula pineal, em geral precedendo a projeção da consciência ou o transe mediúnico.
- sonolência e/ou torpor – podem ser positivos, indicando diminuição do metabolismo para desintoxicação energética ou doação de energias e ectoplasma; ou negativos, quando acompanhados de mal-estar, suores ou enjôo, indicando vampirismo.
- tontura – pode ser positiva, indicando soltura e/ou descoincidência do duplo etérico, especialmente em médiuns; ou negativa, indicando bloqueio nos chacras coronário e/ou da nuca, ou atividade parapsíquica desequilibrada.

b) Sintomas bioenergéticos e mediunidade
Sendo reações naturais, espontâneas e involuntárias dos nossos corpos às energias à nossa volta, sejam elas do ambiente, de encarnados ou de desencarnados, os sintomas bioenergéticos podem ajudar muito os médiuns não só a conhecer melhor a sua própria sensibilidade energética, como também a perceber e identificar desencarnados, dentro ou fora de trabalhos mediúnicos.
Muitos amparadores/mentores também os usam como ferramentas para o desenvolvimento e o treinamento da mediunidade, provocando-os deliberadamente nos médiuns ainda inexperientes na manipulação e identificação de energias.
Embora nem todos os sintomas bioenergéticos sejam sintomas de mediunidade, alguns podem ser bons indicadores, enquanto outros podem ser precursores, desaparecendo mais tarde, quando o médium já está mais equilibrado e seguro.

c) Sintomas bioenergéticos como dispositivos de alerta, segurança e defesa
Funcionando como verdadeiros alarmes, os sintomas bioenergéticos podem também ser usados como dispositivos de alerta e segurança que disparam ao menor sinal de modificação energética à nossa volta, permitindo que ativemos processos de defesa e limpeza, preventivamente, quando em contato com energias negativas, ou que aceleremos nossas próprias vibrações, quando em contato com energias mais sutis, permitindo melhor sintonia e interação com as mesmas.
Para isso, é necessário que, mais que identificá-los, nós também aprendamos a interpretá-los, a fim de poder reagir corretamente.

13. HOLOPENSENE e EGRÉGORA

a) Definição e características
O prefixo HOLO vem do grego HÓLOS, HÓLE, HÓLON, e significa inteiro, completo, o todo.
O termo PENSEN’, como vimos, foi criado por Waldo Vieira para a Conscienciologia, para designar a aura ou o campo energético ao redor da consciência, formado por seus pensamentos, sentimentos e energias características.
Pela junção dos dois vocábulos, temos o termo HOLOPENSENE para designar a aura do todo, a aura do conjunto, ou seja, o campo energético resultante da interação e integração do campo energético de cada uma das várias consciências que fazem parte de um determinado grupo.
Assim, podemos falar no holopensene de uma turma de estudantes, de um time de futebol, de uma quadrilha de traficantes, de um hospital, de um edifício, de um prostíbulo, etc., designando o campo energético formado pelo conjunto de campos energéticos individuais que fazem parte de cada um desses grupos ou locais.
A palavra EGRÉGORA vem do grego EGRÉGOROI, EGREGOREN, e significa velar, cuidar, vigiar. É usada pelos espiritualistas, em geral, como sinônimo de holopensene
Embora sejam sinônimos, alguns autores preferem chamar de egrégora apenas os holopensenes iluminados, virtuosos, elevados, voltados para o bem, formados com objetivos nobres. Dentro desta definição, toda egrégora seria um holopensene, mas nem todo holopensene seria uma egrégora.
Seja como for, sinônimos ou não, holopensene e egrégora funcionam da mesma forma, acumulando energia de várias freqüências mentais, direcionadas para o mesmo objetivo, formando um complexo energético único e exclusivo. Assim, quanto mais poderoso for um indivíduo do grupo, mais força estará emprestando ao holopensene ou egrégora de que faz parte, compartilhando e somando a sua energia à dos demais, e, ao mesmo tempo, reabastecendo-se e sustentando-se nela.
Aqui usaremos os dois termos com significados diferentes, como preferem alguns autores, inclusive Wagner Borges.

b) Sintonia espiritual com encarnados
Toda interação entre duas ou mais consciências produz um holopensene que corresponde à média energética das emanações dessas consciências.
Toda vez que nos identificamos, simpatizamos ou relacionamos com alguém, criamos, com ele, um holopensene, um complexo energético que resulta da interação de nossas energias com as suas. Este campo é realimentado sempre que retomamos o contato ou nos reunimos novamente. E, quanto mais freqüentemente fazemos isso, mais intenso é o nosso holopensene, mais poderoso é o campo energético que nos une e caracteriza essa relação.
Isso acontece de forma automática e espontânea, o tempo todo, todos os dias, em todas as nossas atividades. Assim, se ESTAMOS bem dispostos e felizes, por exemplo, a tendência natural é de que entremos em ressonância (ou sintonia) com pessoas que também estejam se sentindo bem dispostas e felizes naquele momento, intensificando este estado mutuamente.
E se, mais do que ESTAR, nós SOMOS bem dispostos e felizes, manifestando este estado de espírito a maior parte do nosso tempo e realimentando-o continuamente com pensamentos e sentimentos elevados, a tendência natural é que, mais que sintonia, nós criemos um holopensene com o mesmo teor ao nosso redor, composto pelas nossas energias e pelas energias de todas as pessoas que convivem conosco e apresentam o mesmo estado de espírito, mais ou menos permanente, de bem estar e disposição.
Acontece que o inverso também é verdadeiro e se estamos ou somos negativos, pessimistas e depressivos, a tendência é que encontremos sintonia com pessoas com o mesmo perfil, com as quais podemos criar um holopensene com as mesmas características, caso insistamos em manter a mesma atitude mental.
O importante a destacar é que o que propicia a formação do holopensene é a regularidade e a força com que nos apresentamos num determinado estado de espírito, pela sua manutenção e realimentação constante com as nossas energias, pensamentos e sentimentos, mas a sintonia pode se estabelecer de um momento para outro, bastando que nós nos coloquemos em ressonância com as freqüências vibratórias que estão à nossa volta.
Daí, novamente, a importância do “orai e vigiai” de Jesus. Mantendo sentimentos e pensamentos elevados, 24h por dia, criamos um ambiente propício para a sintonia com pessoas com o mesmo tipo de energia, ao passo que, permitindo que idéias e emoções negativas ocupem a nossa mente, mesmo que apenas por alguns minutos, criamos um atmosfera propícia à sintonia com mentes do mesmo tipo, que reforçarão o estado em que nos sentimos.
Todos nós, em nossas atividades diárias, fazemos parte de vários grupos e, portanto, de vários holopensenes, tais como:
- família
- trabalho
- escola
- associações e instituições
- clubes e agremiações
- igrejas, templos, centros, terreiros, etc.
- torcidas
- bairros, cidades, estados, países, etc.
Em cada uma dessas situações, o que permite a formação do holopensene é justamente a afinidade energética que temos com as outras pessoas, a sintonia que há entre os nossos pensamentos e sentimentos. Quanto maior a sintonia, mais forte será o holopensene e, portanto, mais forte será a ligação com elas e a intensidade e profundidade com que nos influenciamos mutuamente.
Sempre que entramos em locais onde já há um grupo estabelecido, entramos em contato também com o seu holopensene ou a sua egrégora. Se as nossas energias encontram ressonância, ou seja, entram em sintonia, nós nos sentimos bem e nos sentiremos atraídos a voltar sempre àquele local e à companhia daquelas pessoas.
Se, do contrário, nossas vibrações não encontram ressonância com o grupo ou o local, nós nos sentimos deslocados, incomodados, desconfortáveis e, com o tempo, iremos abandoná-lo.
Para o médium isso é ainda mais importante, porque ele, na verdade, não é só médium de desencarnados, mas também médium de encarnados, na medida em que pode captar, assimilar e interagir com a energia, os pensamentos e os sentimentos dos encarnados que estão à sua volta, seja em casa, na rua, no trabalho, na escola ou em qualquer outro lugar que freqüente.

c) Sintonia espiritual com desencarnados
Mas nenhum espaço físico ou grupo de pessoas é formado apenas por encarnados. Sabemos que os desencarnados estão por toda parte, interagindo conosco 24h por dia, nas mais simples atividades do dia a dia.
Assim, ao tomarmos contato com o holopensene de um lugar ou grupo, fazemos contato também com a sua atmosfera espiritual, interagindo com as energias emanadas pelos desencarnados que têm alguma ligação com aquele local ou com aquelas pessoas.
Desse modo, além do holopensene dos encarnados, entramos também em contato com o holopensene dos desencarnados, o conjunto de energias que as consciências desencarnadas, ligadas àquele grupo ou local, emanam com pensamentos e sentimentos próprios.
E isso não acontece somente na sessão mediúnica, pois, como dissemos, os desencarnados estão por toda parte. Isso acontece, inclusive, em todas as situações descritas acima e com a mesma naturalidade. Por isso o médium deve estar sempre alerta, sempre atento às energias que emana e encontra no seu dia a dia, para poder detectar preventivamente aquelas que podem desequilibrá-lo, protegendo-se delas ou transformando-as.
A sessão mediúnica é apenas a manifestação concreta dessas interações, que, na verdade, acontecem 24h por dia na nossa vida. Na sessão mediúnica o médium coloca-se fisicamente à disposição dessas consciências, mas o contato espiritual com elas é contínuo e bem anterior, e precisa ser administrado de forma controlada para não causar desequilíbrios de nenhum tipo ao médium.

d) Sintonia espiritual no grupo mediúnico
O grupo mediúnico é o local em que o médium pode, com segurança e tranqüilidade, dar vazão às suas percepções, permitindo, então, que as entidades desencarnadas possam envolvê-lo, interpenetrando a sua aura, no intuito de dar comunicações, seja para serem ajudados ou para virem ajudar.
Mas segurança e tranqüilidade não surgem automaticamente, nem do dia para a noite. Elas são construídas, pouco a pouco, na medida em que o grupo se integra, se conhece e aprende a trabalhar em equipe, com confiança, respeito e colaboração mútuos.
Sem esse perfil, o grupo não tem força, não tem coesão e, por isso mesmo, os médiuns sentem-se inseguros e receosos, interferindo negativamente nas comunicações ou mesmo evitando-as, com medo do que lhes pode acontecer.
Por essa razão, a sintonia num grupo mediúnico precisa ser muito profunda e estável, de modo que os trabalhadores confiem uns nos outros e nos amparadores/mentores, e que os mentores/amparadores também confiem na equipe encarnada de que dispõem, contando com o seu esforço e a sua responsabilidade na busca do equilíbrio pessoal.
É importante destacar que a sintonia espiritual entre os participantes de um grupo mediúnico não acontece só na hora da reunião ou só no dia do trabalho. Ela é intensa e contínua, todos os dias, em todos os momentos. E é importante que o médium saiba disso, porque tudo o que faz, sente e pensa, repercute, direta ou indiretamente, nos seus colegas de grupo, refletindo nos trabalhos e no bem estar de todos. Todas as energias que o médium agrega à sua aura, ao seu duplo, vão com ele para o trabalho mediúnico e podem desestabilizar ou ajudar bastante o grupo.
O compromisso de um médium com o seu grupo de trabalho, portanto, não está restrito ao dia de reunião ou aos momentos em que está trabalhando. Ele se estende à sua vida diária, às suas atividades cotidianas, aos seus pensamentos e sentimentos de todas as horas, às suas atitudes, uma vez que se encontra energeticamente ligado a todos os outros e aos amparadores, o tempo todo.

e) Os grupos mediúnicos e sua egrégora
O grupo mediúnico que trabalha com responsabilidade e boa sintonia, com certeza tem a sua própria egrégora, ou seja, o conjunto de energias que o identifica e caracteriza o seu trabalho e o seu objetivo, e, ao mesmo tempo, mantém, sustenta, protege e fortalece os seus trabalhadores.
Essa egrégora não se forma da noite para o dia e não se mantém sem que seja constantemente alimentada pelos seus integrantes, encarnados e desencarnados. Desse modo, toda vez que o grupo se reúne, doa energias para a sua manutenção, além de trabalhar na sua limpeza e harmonização.
Todos os médiuns são responsáveis pela egrégora do grupo e todos têm o compromisso de procurar sempre o equilíbrio físico, emocional, espiritual e energético, dentro e fora do trabalho mediúnico, a fim de sempre poderem contribuir positivamente para a mesma.
Se a egrégora de um grupo é forte, coesa, equilibrada e harmônica, este grupo dificilmente será desestabilizado por energias ou entidades negativas, e quando há um elemento em desarmonia, novo ou não, a própria egrégora se encarrega de fazer a “seleção energética natural”, provocando seu afastamento espontâneo, pelo mal estar e insatisfação que causa no elemento desarmônico.
Se, ao contrário, a egrégora não existe e o grupo se caracteriza por uma atmosfera energética instável e desarmônica, o grupo todo fica sujeito ao assédio de entidades desequilibradas, podendo surgir desavenças, intrigas, disputas, desentendimentos, doenças, etc.

f) Sintonia espiritual no dia a dia
Sintonia é lei universal, é algo a que estamos sujeitos o tempo todo, dormindo ou acordados, trabalhando ou descansando, dentro ou fora do grupo mediúnico. É algo que, naturalmente, buscamos, o tempo todo, é atração entre os semelhantes, e no universo tudo é regido por ela.
Na natureza, a sintonia se dá por instinto, é automática, e não tem qualquer interferência de emoções, sentimentos ou pensamentos. No ser humano, no entanto, ela é diferenciada, por ser determinada pelas vibrações que ele próprio cria ao seu redor, por meio dos seus próprios pensamentos e sentimentos.
Sempre que age, fala, pensa, deseja, tem idéias, toma decisões, tem impulsos, etc., o ser humano está, automaticamente, estabelecendo a sua própria freqüência vibratória e, ao mesmo tempo, emitindo suas energias, nessa freqüência, para fora de si. E depois de externada, a vibração já não é só sua, mas de todo o universo, para que encontre eco em vibrações semelhantes, pela lei da sintonia.
O ser humano pode, portanto, escolher o que pensar, sentir, dizer e desejar, mas uma vez escolhido, já não poderá escolher como vibrar ou as energias que irá emanar, pois isso já terá sido determinado pelos seus próprios pensamentos e sentimentos, e estará totalmente fora do seu controle.
O segredo está, então, em saber pensar e sentir, em ter o controle sobre os próprios pensamentos e sentimentos, produzindo, assim, a vibração que se quer externar e, consequentemente, aquela com que se quer sintonizar.
É por esta razão que mudança de sintonia não se faz de fora para dentro, pois é impossível mudar externamente um padrão vibratório, uma vez que a origem da vibração é interna. A mudança tem que ser íntima, dentro de nós, na origem dos nossos pensamentos e sentimentos. E isso não pode ser feito por terceiros, não importa quem sejam, pois pensamentos e sentimentos somos nós mesmos que escolhemos.
Se plantamos sementes de limoeiro, não podemos colher tomates. Se escolhemos pensamentos e sentimentos negativos, não podemos esperar ter uma vibração positiva. E se não temos vibração positiva, pela lei da sintonia, não podemos esperar sintonia com outras vibrações positivas.
Se a nossa sintonia não anda boa, se estamos nos sentindo cercados de energias densas, se o ambiente à nossa volta anda carregado, em vez de procurar, fora de nós, o que está causando todo esse desconforto, devemos buscar no próprio íntimo, bem lá no fundo, o que, em nós, está ATRAINDO essas coisas, o que, dentro de nós, está vibrando na mesma freqüência dessas energias que insistem em nos “perseguir”.
Passes e práticas energéticas são muito bons, mas mudam apenas e temporariamente o nosso exterior. Se o que vem de dentro de nós não for mudado, não haverá prática energética suficientemente boa que consiga nos ajudar e manter o nosso padrão vibratório elevado.
E se sintonia é algo a que estamos sujeitos o tempo todo, é importante que aprendamos a buscar melhores pensamentos e sentimentos continuamente, evitando julgar, criticar, condenar, reclamar, agredir, ofender e ofender-se, em qualquer situação, para evitarmos a sintonia com energias mais densas, geradas por pensamentos e sentimentos desequilibrados que estão por aí, em todos os lugares.
Se estamos harmonizados e serenos por dentro, isso se reflete, ajutomaticamente, por fora e cria, ao nosso redor, um campo energético que nos isola das energias mais densas, mesmo quando estamos completamente cercados por elas.
A energia não é boa, nem ruim. Como tudo o que Deus criou, é neutra e só se polariza pela ação dos nossos pensamentos e sentimentos, refletindo apenas aquilo que somos por dentro.

14. FORMAS-PENSAMENTO

a) Definição e características
Formas-pensamento são criações mentais modeladas em matéria fluídica. Podem ser criadas por encarnados e desencarnados, com características positivas ou negativas.
Como o próprio nome diz, são resultado da ação da mente sobre os fluidos mais sutis, criando formas correspondentes ao pensamento externado.
Os fluidos que nos rodeiam são altamente plásticos e sensíveis à ação das ondas mentais. Quando pensamos, as vibrações que emitimos atuam sobre esses fluidos, condensando ou dispersando energias, dando-lhes formas que correspondem à natureza e à essência do que pensamos.
Vejamos o que dizem Annie Besant e Charles Leadbeater em seu livro Formas de Pensamento:
“Todo pensamento dá origem a uma série de vibrações que, no mesmo momento, atuam na matéria do corpo mental. Uma esplêndida gama de cores o acompanha, comparável às reverberações do sol nas borbulhas formadas por uma queda de água, porém com uma intensidade mil vezes maior. Sob este impulso, o corpo mental projeta, para o exterior, uma porção vibrante de si mesmo, que toma uma forma determinada pela própria natureza dessas vibrações. ... Nesta operação mental se produz uma espécie de atração da matéria elemental do mundo mental, cuja natureza é particularmente sutil.
“Essa matéria se amolda, muito facilmente, à influência do pensamento humano. Todo impulso que brote do corpo mental ou do corpo astral cria, imediatamente, uma espécie de veículo temporário, que se reveste dessa matéria vitalizada. Assim, um pensamento ou impulso se converte, durante determinado tempo, numa entidade vivente, ...”
“Desta maneira, temos uma forma de pensamento pura e simples, uma entidade vivente, de uma atividade intensa, criada pela idéia que lhe deu nascimento. Se esta forma é constituída pela matéria mais sutil, será tão poderosa quanto enérgica, e poderá, sob a direção de uma vontade tranqüila e firme, desempenhar um papel de alta transcendência.”
Se o pensamento é passageiro, muitas vezes nem chega a criar nada, ou, se cria, esta forma não se mantém, pois não é realimentada. Se, no entanto, o pensamento é persistente, revivido continuamente por imagens mentais, a forma criada se estabelece, ficando cada vez mais forte.
Quanto mais forte ela fica, mais energia necessita para se manter. E quanto mais energia necessita, mais busca a sintonia com mentes e formas-pensamento de mesmo teor para se fortalecer, intensificando o pensamento que a criou e até provocando pensamentos similares em outras mentes.
É o que dizem Besant e Leadbeater ao afirmar que “as vibrações radiadas, como as vibrações de toda a natureza, debilitam-se à medida que se afastam do centro que as produziu. ... Estas vibrações, tanto como as demais, tendem a reproduzir-se sempre que a ocasião seja favorável, e quando atuam em outro corpo mental, têm uma tendência imediata a sintonizá-lo com o seu próprio diapasão vibratório. Isto significa que, no homem cujo corpo mental seja afetado por estas ondas, vibrações tendem a produzir em sua mente pensamentos do mesmo caráter que os já formados anteriormente pela mente do pensador emissor da onda primitiva.”
Se se trata de uma forma-pensamento sadia, positiva, elevada, ela se alimentará dos pensamentos e sentimentos positivos do seu criador, ao mesmo tempo em que o abastecerá de bons fluidos agregados, por sintonia, de outras mentes e formas-pensamento de mesmo teor.
Se, no entanto, se trata de uma forma-pensamento negativa, densa, doentia, ela também se alimentará dos pensamentos do seu criador, mas levando-o a intensificar, cada vez mais, a mesma idéia e projetando sobre ele todos os fluidos com que tenha sintonia, até que o emissor não consiga mais se desvencilhar de sua própria criação. Sua mente passa, então, a ser preenchida apenas por aquela idéia, num círculo vicioso.
E mais. De acordo com Besant e Leadbeater, “se o pensamento ou os sentimentos de um homem são projetados sobre uma pessoa determinada, a forma de pensamento irá diretamente a ela e lhe afetará os veículos astral e mental. Se o pensamento é egoísta, se o ser que o engendra não pensa senão em si mesmo (como sucede a maior parte das vezes), a forma vagará constantemente próxima ao seu criador, sempre pronta a atuar sobre ele próprio, tantas vezes quantas o encontre em estado passivo.”
É assim que muitas obsessões começam com formas-pensamento criadas e mantidas pela própria pessoa, já que muitos obsessores se aproveitam dessas criações, manipulando-as para assustar, atormentar e drenar as energias dos seus alvos.
É importante observar também que formas-pensamento podem ser “incorporadas” por médiuns como se fossem espíritos. A diferença é que, como não são consciências e não têm mente, ou seja, não são individualidades, não são capazes de se comunicar de forma lógica, conversando, mas podem ser acopladas aos médiuns, à sua aura e ao seu perispírito, para drenagem das energias e consequente desintegração da forma, desligando-a de outras consciências encarnadas ou desencarnadas.
Estas são as manifestações que acontecem nos grupos de desobsessão em que não há diálogo, mas se nota um enfraquecimento gradativo do fenômeno, como se a “entidade” estivessem, literalmente, derretendo, desmanchando-se, para logo deixar o corpo do médium.
Besant e Leadbeater dizem também que “se o pensamento não se dirige especificamente para alguém, se não se fixa no ser a quem é enviado, flutua simplesmente na atmosfera, radiando sem cessar vibrações análogas às que têm sido postas em movimento pelo seu criador. Se o pensamento não se põe em contato com outros corpos mentais, esta vibração diminui gradualmente em energia e termina com a dissolução da forma de pensamento. Se, ao contrário, esta vibração consegue despertar, num corpo mental próximo, uma vibração simpática, as duas vibrações se atraem e a forma de pensamento é, geralmente, absorvida por este novo corpo mental.”
Muitas egrégoras também se criam ao redor de formas-pensamento iniciais que vão sendo mantidas e fortalecidas por outras pessoas, até que se tornem tão grandes e tão fortes que passam a existir como entidade independente, com que podemos entrar em contato pela simples lembrança da idéia que ela inspira ou representa.
Assim, por meio das formas-pensamento que criamos, podemos construir ou destruir, ajudar ou prejudicar, elevar ou rebaixar. Para o médium isso é sumamente importante, pelo que ele mesmo pode criar em termos de formas mentais à sua volta, bem como pelo cuidado que deve ter com as formas mentais de entidades desencarnadas com as quais entrará em contato.
Para finalizar, acrescentamos o que Besant ainda ressalta, dizendo que “cada homem se move num espaço, encerrado como que numa caixa fabricada por ele mesmo, rodeado de cardumes de formas de pensamento habituais. Nestas condições, ele só vê o mundo através deste tabique, e, naturalmente, matiza todas as coisas com a sua própria cor dominante, e toda a gama de vibrações que o afetam é mais ou menos modificada pela sua própria tinta pessoal. Assim é que o homem não vê nada com exatidão até haver aprendido a dominar, por completo, os sentimentos e os pensamentos.”

b) Classificação
Usando ainda os critérios de Besant e Leadbeater, no livro já citado, poderíamos classificar as formas-pensamento em três grandes grupos:
- a formas que reproduzem a imagem do seu criador – são réplicas da imagem que o criador tem de si mesmo, projetadas para lugares distantes.
- as formas que reproduzem a imagem de um objeto material – são réplicas de objetos, lugares e até pessoas em que o criador está pensando. Assim, uma escultura, por exemplo, antes de se tornar realidade no plano físico, é criada no plano fluídico, pela mente do escultor.
- as formas com traços próprios, expressando suas próprias qualidades na matéria que atraem – estas são formas que só se vêem no plano astral, pois assumem as características das energias que a compõem. São visíveis apenas aos clarividentes e exigem bastante estudo para se interpretar, corretamente, a sua essência e natureza, dentro do simbolismo em que se apresentam.
Dentro de cada grupo, poderíamos, ainda, classificá-las pela cor, pelo brilho, pelo movimento, pela direção, pelo tamanho, pela precisão de traços, pela nitidez, etc.

c) Formas-pensamento e mediunidade
Ao pensar criamos, imediatamente, uma forma correspondente ao nosso pensamento. Donde se pode concluir que, um desencarnado um pouco mais treinado pode saber o que estamos pensando e sentindo apenas observando as formas que estão à nossa volta ou brotam de nós.
E se isso é fato no dia a dia, imaginemos o que não acontece durante uma sessão mediúnica, quando estamos acompanhados de espíritos que nos observam atentamente, seja para nos ajudar, seja para nos analisar, observar, acusar ou cobrar algo.
Esse mecanismo de criação mental é extremamente útil ao médium, pois, por meio dele, ele pode criar formas-pensamento que atendam as necessidades ou exigências do trabalho em curso, harmonizando, acalmando ou elevando o padrão do ambiente e das consciências à sua volta.
Assim, se está se manifestando uma entidade cheia de ódio e desejo de vingança, por exemplo, os médiuns que estão em volta, e mesmo o médium que está dando a comunicação, caso seja consciente, podem criar formas-pensamento de amor, de perdão, de serenidade, de paz, etc., procurando abrandar o estado agressivo da entidade, ao mesmo tempo em que o envolvem em amor e simpatia.
Do mesmo modo, em atendimentos públicos, podemos nos valer deste recurso para criar uma atmosfera de fé e esperança, levando, às pessoas que aguardam, algum conforto e serenidade.
Podemos ainda expressar, por meio de formas-pensamento, alegria, gratidão, carinho, e todos os sentimentos de que o ser humano é capaz, mantendo elevado o padrão vibratório do ambiente, seja em que condição for, ou simplesmente externando o bem estar que trazemos por dentro.
O inverso também é verdadeiro. O clarividente poderá interpretar as intenções e as necessidades de uma entidade ou de um encarnado, vendo suas formas-pensamento, ou mesmo apenas visualizando-as em sua tela mental.


15. LARVAS ASTRAIS

a) Definição e características
Também chamadas vibriões astrais, larvas mentais, larvas espirituais, larvas fluídicas, larvas energéticas, vermes astrais, vibriões mentais, bacilos psíquicos, larvas psíquicas, etc., LARVAS ASTRAIS são formas-pensamento semelhantes a micróbios físicos, criadas pela viciação mental e/ou emocional da consciência, em atitudes, pensamentos e sentimentos desequilibrados.
Vejamos algumas descrições de André Luiz no capítulo 3 de seu livro Missionários da Luz, ao examinar, mais de perto, alguns candidatos ao desenvolvimento mediúnico:
“Fiquei estupefato. As glândulas geradoras emitiam fraquíssima luminosidade, que parecia abafada por aluviões de corpúsculos negros, a se caracterizarem por espantosa mobilidade. Começavam a movimentação sob a bexiga urinária e vibravam ao longo de todo o cordão espermático, formando colônias compactas, nas vesículas seminais, na próstata, nas massas mucosas uretrais, invadiam os canais seminíferos e lutavam com as células sexuais, aniquilando-as. As mais vigorosas daquelas feras microscópicas situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os embriões delicados da vida orgânica. Estava assombrado. ... Seriam expressões mal conhecidas da sífilis?”
Ao que o instrutor Alexandre responde:
“— Não, André. Não temos sob os olhos o espiroqueta de Schaudinn, nem qualquer nova forma suscetível de análise material por bacteriologistas humanos. São bacilos psíquicos da tortura sexual, produzidos pela sede febril de prazeres inferiores. O dicionário médico do mundo não os conhece e, na ausência de terminologia adequada aos seus conhecimentos, chamemos-lhes larvas, simplesmente. Têm sido cultivados por este companheiro, não só pela incontinência no domínio das emoções próprias, através de experiências sexuais variadas, senão também pelo contato com entidades grosseiras, que se afinam com as predileções dele, entidades que o visitam com freqüência, à maneira de imperceptíveis vampiros. ...”
Observando outro candidato habituado a ingerir álcool em excesso, André Luiz nos dá a seguinte descrição:
“Espantava-me o fígado enorme. Pequeninas figuras horripilantes postavam-se, vorazes, ao longo da veia porta, lutando desesperadamente com os elementos sangüíneos mais novos. Toda a estrutura do órgão se mantinha alterada.”
Ainda no mesmo capítulo, ele examina também uma mulher com distúrbios alimentares e diz:
“Em grande zona do ventre superlotado de alimentação, viam-se muitos parasites conhecidos, mas, além deles, divisava outros corpúsculos semelhantes a lesmas veracíssimas, que se agrupavam em grandes colônias, desde os músculos e as fibras do estômago até a válvula íleocecal. Semelhantes parasites atacavam os sucos nutritivos, com assombroso potencial de destruição.”

b) Causas e conseqüências
Para entender como surgem as larvas astrais, vamos continuar com o que diz o instrutor Alexandre a André Luiz, no capítulo 4 do livro Missionários da Luz:
“Você não ignora que, no círculo das enfermidades terrestres, cada espécie de micróbio tem o seu ambiente preferido. ... Acredita você que semelhantes formações microscópicas se circunscrevem à carne transitória? Não sabe que o macrocosmo está repleto de surpresas em suas formas variadas? No campo infinitesimal, as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente. André, meu amigo, as doenças psíquicas são muito mais deploráveis. A patogênese da alma está dividida em quadros dolorosos. A cólera, a intemperança, os desvarios do sexo, as viciações de vários matizes, formam criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima. Quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça. A organização fisiológica, segundo conhecemos no campo das cogitações terrestres, não vai além do vaso de barro, dentro do molde preexistente do corpo espiritual. Atingido o molde em sua estrutura pelos golpes das vibrações inferiores, o vaso refletirá imediatamente.”
Ainda no mesmo capítulo, Alexandre continua:
“Primeiramente a semeadura, depois a colheita; ... Não tenha dúvida. Nas moléstias da alma, como nas enfermidades do corpo físico, antes da afecção existe o ambiente. As ações produzem efeitos, os sentimentos geram criações, os pensamentos dão origem a formas e conseqüências de infinitas expressões. E, em virtude de cada Espírito representar um universo por si, cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lançamos em circulação nas correntes da vida. A cólera, a desesperação, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos gérmens psíquicos na esfera da alma. E, qual acontece no terreno das enfermidades do corpo, o contágio aqui é fato consumado, desde que a imprevidência ou a necessidade de luta estabeleçam ambiente propício, entre companheiros do mesmo nível. ... Cada viciação particular da personalidade produz as formas sombrias que lhe são conseqüentes, e estas, como as plantas inferiores que se alastram no solo, por relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas, onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa.”
Como vemos, as larvas astrais surgem dos excessos e desequilíbrios físicos, emocionais e espirituais de toda sorte, pela repetição contínua de uma mesma conduta, física e/ou mental, o que causa o acúmulo de energias mais densas em determinadas regiões do organismo, as quais se organizam na forma de colônias de microorganismos astrais.
As consequências são as mais variadas, podendo ir desde problemas físicos, graves ou não, até perturbações espirituais, que, se não combatidas a tempo, podem se transformar em sérios distúrbios psíquicos, acarretando sérias complicações para o encarnado, nesta vida e nas próximas.

c) Como eliminar
Larvas astrais são bastante “aderentes” e se reproduzem com muita facilidade, bastando, para isso, que se lhes ofereçam as mínimas condições mentais e energéticas.
Dependendo da extensão do problema, serão necessárias muitas aplicações energéticas para limpeza, desinfecção e rearmonização da região afetada, o que pode exigir a atuação de vários aplicadores, em várias sessões, para que estas colônias sejam enfraquecidas e não possam mais se expandir, vindo a desaparecer.
Mas, como em qualquer tratamento físico, a colaboração do “paciente” é imprescindível, uma vez que estas larvas são criadas e alimentadas pelas energias geradas pelos seus próprios pensamentos e sentimentos. Assim sendo, além das aplicações energéticas, é necessário que se oriente e conscientize a pessoa sobre como e por quê mudar os seus hábitos mentais e as suas atitudes, garantindo que ela mesma não mais oferecerá condições para que estas larvas se instalem e espalhem.

d) Como prevenir
Se larvas astrais são criações mentais, geradas a partir de pensamentos e sentimentos desequilibrados, a prevenção se faz, também aqui, pelo equilíbrio e o controle do que pensamos e sentimos. Não há outro meio.
Como já dissemos, sintonia é a “alma” do universo. Tudo funciona segundo as suas leis e só viveremos com aquilo que nós mesmos criarmos ou atrairmos a partir do que geramos dentro de nós.

16. BLOQUEIOS ENERGÉTICOS

a) Definição e características
Bloqueios energéticos são estreitamentos, obstruções ou reduções na velocidade de fluxo nos canais de circulação de energias (meridianos da acupuntura), ou entupimento ou redução da velocidade de rotação dos chacras, causados por desequilíbrios físicos, emocionais ou espirituais.
Podem ser provocados pela própria pessoa ou mesmo por outras pessoas ou entidades desencarnadas e, geralmente, caracterizam-se, à visão do clarividente, por massa de tonalidade escura e aspecto denso pairando próxima ou aderida à região onde está instalado o distúrbio. Essa massa pode assumir a forma de nuvem, de visgo, de bolha e outras.
Segundo Roberto E. Silva e Ilza A. Silva, em seu livro Diagnóstico Bioenergético – Pesquisa Através da Clarividência, “na primeira análise, tudo indica que os bloqueios têm início no interior do canal, quando as energias começam a ganhar maior densidade, notadamente na junção do canal principal com os chacras. A partir daí, se persistirem os motivos que levaram a essa distorção, pode o bloqueio ir se espalhando para a periferia do chacra, ultrapassar seu diâmetro, envolver a parte externa e se estender por toda a área onde está situado o chacra. Às vezes, ocorre um espalhamento que atinge até outros chacras próximos, ficando todos com a mesma cor. Esta é a hipótese para as cores dos bloqueios.
“Exemplo: ao baixarf a frequência, a energia toma a cor proporcional à frequência que se acumula no canal e se espalha.
“Quando o chacra está lento ou parado, vêem-se várias cores. Quando em rotação normal, vê-se um brilho típico de luz (tipo lâmpada de 60w acesa).”
Como já dissemos anteriormente, pensamentos e sentimentos negativos geram energias que têm uma frequência mais baixa, vibrando menos intensamente. Com a diminuição do padrão vibratório, a energia tende a se tornar mais densa, mais pegajosa, mais viscosa, com movimentos mais lentos, podendo aglutinar-se facilmente.
Os bloqueios energéticos, em geral, começam com atitudes, pensamentos e sentimentos negativos da pessoa, repetidos com certa regularidade e por algum tempo, os quais provocam a diminuição da sua frequência vibratória fazendo com que, consequentemente, suas energias se tornem mais densas e comecem a se acumular em determinados pontos, dificultando, inclusive, o fluxo de energia para outras regiões do corpo.
Conforme o local onde está intalado o bloqueio, é possível determinar a origem do mesmo. Assim, bloqueios que atingem os rins, por exemplo, em geral têm a ver com pensamentos e sentimentos de medo, insegurança, etc. Já os bloqueios que atingem os pulmões são, geralmente, originados em sentimentos de tristeza. Bloqueios que atingem o fígado, nascem da raiva, da cólera, da agressividade. E os bloqueios que atingem a sistema digestório, especialmente o estômago, têm a ver com ansiedade.
Os bloqueios energéticos podem também ser causados por assediadores ou obsessores, encarnados e desencarnados, mas, ainda assim, terão sua causa primária nos comportamentos da própria pessoa, pois só podem ser provocados por terceiros por sintonia com os mesmos.

b) Causas e conseqüências
Exatamente como acontece com as formas-pensamento, inclusive as larvas astrais, bloqueios energéticos surgem em consequência da conduta material, mental, emocional e espiritual da pessoa e podem causar desde leve desconforto, até doenças e perturbações graves, dependendo da intensidade, do tempo e da profundidade.

c) Como eliminar
O restabelecimento do fluxo de energias pode ser feito por qualquer técnica de aplicação de energia, acompanhada de orientação à pessoa para que mude seus hábitos, de forma a garantir que eles não voltem a se formar.

d) Como prevenir
A prevenção é feita pela manutenção de hábitos físicos, mentais, emocionais e espirituais equilibrados, saudáveis, especialmente por meio de pensamentos e sentimentos positivos.

17. PARASITAS OVÓIDES
Ricardo Di Bernardi diz que “sabemos serem espíritos humanos que, pela manutenção de uma idéia fixa e doentia (monoideísmo), acabam estabelecendo uma vibração de baixa freqüência e comprimento de onda longo que, com o passar dos anos, produz uma deformação progressiva no seu corpo espiritual.”
Ovóides são, portanto, espíritos em estado de perturbação tão profundo que perderam a consciência de sua natureza humana, perdendo também a forma humana de seu perispírito.
Di Bernardi diz ainda que “trata-se de um monoideísmo auto-hipnotizante. Ele vibra de forma contínua e constante, de maneira desequilibrada, gerando uma energia que gira sempre de maneira igual e repetida pelo mesmo pensamento desequilibrado. Ao vibrar repetidamente na mesma freqüência e em desequilíbrio com a Lei Cósmica Universal, gera este circuito arredondado que o vai deformando e tornando-o "ovóide ".
Assim, a insistência do espírito em, por auto-hipnose, reviver pensamentos e sentimentos negativos, geralmente de apego, remorso ou vingança, faz com que perca a noção de tempo e espaço, numa espécie de monoideísmo, fazendo também com que se deforme, aos poucos, atrofiando, por falta de função, os órgãos do psicossoma, assumindo a forma do círculo vicioso em que vive mentalmente.
Ainda segundo Di Bernardi, este processo de ovoidização ocorre porque “o perispírito (ou corpo astral) é composto de moléculas também, tal como o nosso corpo físico. Por analogia, imaginemos as moléculas do corpo astral como as moléculas dos gases: elas são maleáveis e se modificam ao sabor da pressão, da temperatura e até do recipiente que contém o gás. As moléculas do perispírito são moldáveis pelo pensamento e pelo sentimento, tomam formas, de acordo com a vibração do Espírito. Assim, se tornam brilhantes, opacas, densas ou "leves".
Quando esses ovóides se ligam a uma consciência, encarnada ou desencarnada, em especial, fica caracterizado, então, o processo obsessivo por parasita ovóide.
Neste caso, a massa fluídica em que se transformou o perispírito do desencarnado, envolve, sutilmente, o seu alvo e depois liga-se ou cola-se ao seu corpo, físico ou perispiritual, distorcendo-lhe idéias, pensamentos, opiniões e atitudes.
Além da influência psicológica, os parasitas ovóides agem também drenando as energias do obsidiado, podendo levá-lo até ao desencarne, caso seja encarnado.
É importante notar, no entanto, que a ligação do parasita ovóide com a sua “vítima” jamais acontece sem a aceitação ou permissão, ainda que inconsciente, da própria vítima, pelo hábito de cultivar pensamentos de remorso, ódio, egoísmo, desejo de vingança, apego excessivo, etc.
Diz André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos que, “no tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas, situação esta que, em muitos casos, se prolonga para além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e extensão dos compromissos morais entre credor e devedor.”
Em tudo, inclusive aqui, como vemos, está a sintonia, agindo como lei perfeita e auto-regulável, aproximando os semelhantes, para que vivam no clima psíquico que mais cultivam e com o qual se sentem mais familiarizadas.

B. Estudando a Mediunidade

1. DEFINIÇÃO
A palavra médium vem do latim MÉDIUM e significa intermediário, que, por sua vez, de acordo com o dicionário, é aquele que está no meio, aquele que serve de mediador, de “intérprete”.
Aplicada à espiritualidade, médium é aquele indivíduo que serve de mediador entre o plano dos encarnados e o plano dos desencarnados, permitindo ou facilitando o contato e a comunicação entre eles.

2. HISTÓRICO
Embora o conceito seja relativamente recente, o contato com o mundo dos espíritos sempre esteve presente na história da humanidade e podemos encontrar registros de fenômenos mediúnicos em diversas escrituras e tradições antigas de vários povos e culturas, como Egito, Pérsia, China, Índia, Grécia, celtas, hebreus, etc.
Em todas as épocas da humanidade houve médiuns e fenômenos mediúnicos, mas eles só passaram a ser estudados sistematicamente, analisados e suficientemente compreendidos com a codificação do Espiritismo por Allan Kardec, no final do século XIX. A mediunidade esteve sempre muito presente entre os homens, principalmente nos meios religiosos, embora tivesse outros nomes e objetivos. Nas tribos humanas primitivas, as manifestações mágicas quase sempre denotavam a presença de espíritos ("almas" ou "sombras" dos mortos). Nas atividades religiosas das civilizações antigas, a comunicação com "deuses" e "forças espirituais" era comum, ainda que não se falasse em médiuns e mediunidade. Nessa época, a faculdade de se comunicar com espíritos ou forças correspondentes era exclusividade de sacerdotes, magos, feiticeiros, pagés, santos, profetas, etc., o que não impedia, no entanto, que a mediunidade estivesse presente, ainda que potencialmente, em todas as pessoas.

3. MEDIUNIDADE e MEDIUNISMO
Alguns autores parecem fazer uma diferença entre as palavras mediunismo e mediunidade.
Embora os dois termos sirvam para designar a capacidade que os encarnados têm de entrar em contato com os desencarnados, para alguns, mediunismo seria a sensibilidade genérica que todo ser humano tem à ação e influência espiritual, enquanto que mediunidade seria a faculdade que apenas algumas pessoas mais sensíveis têm de produzir os fenômenos mediúnicos, comunicando-se e trocando informações com os espíritos desencarnados, de forma evidente e compreensível.
De nossa parte, não vemos qualquer problema em usar as duas palavras como sinônimos.

4. MEDIUNIDADE E ANIMISMO

a) Definição de animismo
A palavra ANIMISMO vem do latim ANIMA, que significa alma, e foi usada, pela primeira vez, por Alexander Aksakov, em seu livro Animismo e Espiritismo, para designar “todos os fenômenos intelectuais e físicos que deixam supor uma atividade extracorpórea ou à distância do organismo humano e, mais especialmente, os fenômenos mediúnicos que podem ser explicados por uma ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo.”
André Luiz, em seu livro Mecanismos da Mediunidade, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, define animismo como sendo “o conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação.”
Já Richard Simonetti, em seu livro Mediunidade – Tudo o que você precisa saber, diz que animismo, “na prática mediúnica, é algo da alma do próprio médium, interferindo no intercâmbio.”
Ramatis, no livro Mediunismo, pela psicografia de Hercílio Maes, diz que “animismo, conforme explica o dicionário do vosso mundo, é o “sistema fisiológico que considera a alma como a causa primária de todos os fatos intelectivos e vitais”.
“O fenômeno anímico, portanto, na esfera de atividades espíritas, significa a intervenção da própria personalidade do médium nas comunicações dos espíritos desencarnados, quando ele impõe algo de si mesmo à conta de mensagens transmitidas do Além-Túmulo.”
Partindo de definições como estas, o termo passou a ser usado de forma negativa e pejorativa, para tudo aquilo que fosse produzido por um médium, mas que não tivesse qualquer contribuição ou participação de espíritos desencarnados. Com essa definição, o animismo passou a ser o pesadelo de todos os médiuns, especialmente os iniciantes, por ser usado como sinônimo de mistificação.

b) Animismo e mistificação
No entanto, mistificação é outra coisa completamente diferente, caracterizada pela fraude consciente do médium e a simulação premeditada do fenômeno mediúnico, com intenção de enganar os outros.
Médium mistificador, portanto, é aquele que FINGE premeditada e conscientemente estar em transe mediúnico, recebendo comunicação de espíritos desencarnados, quando, na verdade, está apenas inventando a mensagem para impressionar ou agradar as pessoas que a recebem.
A atuação anímica do médium, por sua vez, acontece de forma quase sempre insconsciente, de modo que o próprio médium dificilmente consegue perceber a sua própria interferência ou participação no fenômeno que manifesta, não conseguindo separar o que é seu do que é criação mental do comunicante, mesmo quando o fenômeno, em si, é consciente.
É o que nos diz Hermínio C. Miranda, em seu livro Diversidade dos Carismas, quando afirma que “o fenômeno fraudulento nada tem a ver com animismo, mesmo quando inconsciente. Não é o espírito do médium que o está produzindo através de seu corpo mediunizado, para usar uma expressão dos próprios espíritos, mas o médium, como ser encarnado, como pessoa humana, que não está sendo honesto, nem com os assistentes, nem consigo mesmo. O médium que produz uma página por psicografia automática, com os recursos do seu próprio inconsciente, não está, necessariamente, fraudando e, sim, gerando um fenômeno anímico. É seu espírito que se manifesta. Só estará sendo desonesto e fraudando se desejar fazer passar sua comunicação por outra, acrescentando-lhe uma assinatura que não for a sua ou atribuindo-a, deliberadamente, a algum espírito desencarnado.”

c) Animismo não é defeito mediúnico
O animismo não é, portanto, defeito mediúnico e nem deve ser tratado como distúrbio ou desequilíbrio da mediunidade.
Na verdade, como parte dos fenômenos psíquicos humanos, deve ser considerado também parte do fenômeno mediúnico, já que, como diz Richard Simonetti, no livro já citado, “o médium não é um telefone. Ele capta o fluxo mental da entidade e o transmite, utilizando-se de seus próprios recursos.
“Se o animismo faz parte do processo mediúnico, sempre haverá um porcentual a ser considerado, não fixo, mas variável, envolvendo o grau de desenvolvimento do médium.”
Hermínio C. Miranda, no livro já citado, diz que, “em verdade, não há fenômeno espírita puro, de vez que a manifestação de seres desencarnados, em nosso contexto terreno, precisa do médium encarnado, ou seja, precisa do veículo das faculdades da alma (espírito encarnado) e, portanto, anímicas.”
Interessante também vermos algumas anotações de Kardec referentes a instruções dos espíritos, em O Livro dos Médiuns:
“ A alma do médium pode comunicar-se como qualquer outra. ...
“ O espírito do médium é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para a comunicação e porque é necessária essa cadeia entre vós e os espíritos comunicantes, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia à distância, e, na ponta do fio, uma pessoa inteligente que a receba e comunique.”
Em nota de rodapé, José Herculano Pires, que traduziu a 2ª edição francesa de O Livro dos Médiuns, diz que “o papel do médium nas comunicações é sempre ativo. Seja o médium consciente ou inconsciente, intuitivo ou mecânico, dele sempre depende a transmissão e sua pureza.”
Quando Kardec, ainda no mesmo livro, pergunta se “o espírito do médium não é jamais completamente passivo”, os espíritos lhe respondem dizendo que “ele é passivo quando não mistura suas próprias idéias com as do espírito comunicante, mas nunca se anula por completo. Seu concurso é indispensável como intermediário, mesmo quando se trata dos chamados médiuns mecânicos.”
Hermínio C. Miranda, citando ensinamento dos espíritos no livro de Kardec, diz ainda que “assim como o espírito manifestante precisa utilizar-se de certa parcela de energia, que vai colher no médium, para movimentar um objeto, também “para uma comunicação inteligente ele precisa de um intermediário inteligente”, ou seja, do espírito do próprio médium.
“O bom médium, portanto, é aquele que transmite, tão fielmente quanto possível, o pensamento do comunicante, interferindo o mínimo que possa no que este tem a dizer.
“Reiteramos, portanto, que não há fenômeno mediúnico sem participação anímica. O cuidado que se torna necessário ter na dinâmica do fenômeno não é colocar o médium sob suspeita de animismo, como se o animismo fosse um estigma, e, sim, ajudá-lo a ser um instrumento fiel, traduzindo, em palavras adequadas, o pensamento que lhe está sendo transmitido sem palavras pelos espíritos comunicantes.”

d) Animismo como coadjuvante no fenômeno mediúnico
Quando Kardec, ainda em O Livro dos Médiuns, pergunta aos espíritos se “o espírito do médium influi nas comunicações de outros espíritos que ele deve transmitir”, recebe a seguinte resposta:
“Sim, pois se não há afinidade entre eles, o espírito do médium pode alterar as respostas, adaptando-as às suas próprias idéias e às suas tendências.”
Em seguida, Kardec lhes pergunta se “é essa a causa da preferência dos espíritos por certos médiuns”, ao que os espíritos respondem:
“Não existe outro motivo. Procuram intérprete que melhor simpatize com eles e transmita com maior exatidão o seu pensamento.”
Vemos, portanto, que mais que parte integrante, o animismo é, até certo ponto, condição necessária para o fenômeno mediúnico, garantindo a sintonia adequada para que a transmissão seja o mais fiel possível às idéias do comunicante. Sem o conteúdo do médium, é muito mais difícil para o espírito transmitir-lhe suas idéias e o que pretende com elas. De posse do conteúdo mental e até emocional do médium, no entanto, torna-se muito mais fácil para o espírito fazer-se entendido, podendo, assim, transmitir com mais naturalidade e desenvoltura o seu raciocínio.
No livro Mediunismo, Ramatis nos diz que “mesmo na vida física é necessário ajustar-se cada profissional à tarefa ou responsabilidade que favoreça o melhor êxito ou eficiência para alcance dos objetivos em foco. ...
“Da mesma forma, o espírito do médico desencarnado logrará mais êxito, ao se comunicar com o mundo material, se dispuser de um médium que também seja médico. ...
“Quando o médium e o espírito manifestante afinizam-se pelos mesmos laços intelectivos e morais, ou coincide semelhança profissional, as comunicações mediúnicas tornam-se flexíveis, eloqüentes e nítidas.
“Os espíritos não se preocupam em eliminar radicalmente o animismo nas comunicações espíritas, porque o seu escopo principal é o de orientar os médiuns, aos poucos, para as maiores aquisições espirituais, morais e intelectivas, a ponto de poderem endossar-lhes, depois, as comunicações anímicas, como se fossem de autoria dos desencarnados.”
Notamos, assim, que a preocupação com o animismo é muito mais de médiuns e dirigentes, do que dos espíritos que se comunicam nas reuniões mediúnicas.

e) Mediunidade consciente, semiconsciente e inconsciente
Mediunidade consciente é aquela em que o médium, como o próprio nome diz, permanece consciente durante todo o transe, registrando a mensagem e quase tudo o que se passa à sua volta durante a comunicação, e participando ativa e conscientemente do fenômeno, imprimindo à mensagem algo de suas características pessoais. Neste caso, a comunicação se faz mente a mente, sem afastamento do médium ou acoplamento áurico. Mais de 70% dos médiuns apresentam este tipo de fenômeno.
Mediunidade inconsciente é aquela em que, ao contrário da anterior, o médium, a partir da ligação com o espírito comunicante, fica inconsciente, incapaz de registrar qualquer parte da mensagem ou mesmo de qualquer coisa que ocorra à sua volta. Neste caso, o médium é totalmente afastado de seu corpo físico, permanecendo projetado durante a comunicação, e o espírito assume o comando do órgão correspondente ao tipo de mensagem (psicografia - braço e mão; psicofonia – garganta; ectoplasmia - cérebro) a ser transmitido. O conteúdo da mensagem não passa pela mente do médium.
Entre as duas, poderíamos citar a mediunidade semiconsciente, que é aquela em que o médium percebe o que se passa à sua volta, mas não é capaz de registrar completamente todos os detalhes, nem mesmo da mensagem que está transmitindo. Neste caso, o médium é afastado parcialmente de seu corpo físico e o comunicante se coloca entre o este e o seu perispírito, ligando-se tanto com a sua mente, como com o órgão correspondente ao tipo de mensagem, atuando duplamente.
Importante notar que, fenômeno mediúnico consciente não é o mesmo que fenômeno anímico.
No fenômeno consciente, a mensagem não é do médium, embora ele esteja consciente de todo o processo e possa participar do fenômeno que ocorre com ele, sem interferir no seu conteúdo, sem deturpar a idéia central da mesma.
Já no fenômeno anímico é o espírito do próprio médium que se comunica e dá a mensagem através de seu corpo em transe, na maioria das vezes sem ter consciência de que é ele mesmo que está passando a mensagem, mesmo que esteja consciente durante o fenômeno. Ou seja, ele pode até estar consciente do fenômeno, mas não tem consciência de que é ele mesmo que está se comunicando e transmitindo uma mensagem. Ele pode acompanhar o desenrolar da comunicação, mas não sabe que o comunicante é ele mesmo, ou uma porção inconsciente de sua própria mente.
Importante ressaltar também que é possível a espíritos encarnados afastarem-se de seu corpo físico e manifestarem-se por intermédio de outros encarnados que sejam médiuns, sem que, no entanto, este seja um fenômeno anímico. Na verdade, é um fenômeno mediúnico entre encarnados, pois caracteriza-se pela interação espiritual de duas consciências encarnadas diferentes.

f) Animismo como conscientização para o estudo e a prática constantes
Se, como diz Hermínio C. Miranda, não há fenômeno mediúnico sem participação anímica, é importante que o médium se conscientize da necessidade e da importância do estudo sistemático e da prática constante, como meios de garantir uma interferência anímica de melhor nível nas comunicações mediúnicas que se fazem por seu intermédio.
Quanto mais conhecimento técnico e teórico tiver o médium, mais fácil será para mentores e amparadores encontrarem, em seus arquivos mentais, material em sintonia com as mensagens a serem transmitidas.
Da mesma forma, quanto mais prática, quanto mais vivência mediúnica e espiritual tiver o médium, mais fácil será para ele mesmo compreender o sentido do que lhe é transmitido, podendo repassar com mais segurança e desenvoltura as idéias que recebe mentalmente.

g) Capacidades anímicas erroneamente classificadas como capacidades mediúnicas
Sendo o animismo a interferência, participação ou mesmo manifestação do espírito do próprio médium no fenômeno, vamos notar que determinadas capacidades psíquicas, classificadas como mediúnicas, são, na verdade, anímicas, por serem capacidades inerentes ao próprio ser humano, pois não dependem da interferência ou ação de mentes externas, encarnadas ou desencarnadas, para se manifestarem.
Vejamos alguns desses casos:
- clarividência, incluindo a precognição, a retrocognição e a visão à distância, que são tipos de clarividência;
- telepatia que, embora precise de outra mente para acontecer, é anímica, funcionando como interação entre receptor e emissor;
- psicometria, que poderia ser considerada também um tipo de clarividência, já que se trata da visualização de fatos e cenas, geralmente passados, relacionadas a objetos;
- clariaudiência;
- transmissão de energias, seja por que técnica ou método for, desde o passe comum até bênçãos, etc.
- desdobramento ou desprendimento astral, mesmo os ocorridos durante trabalhos mediúnicos ou os provocados mediunicamente, ou seja, por espíritos desencarnados.
Acontece que, muitas vezes, estas capacidades são despertadas ou desenvolvidas com a ajuda direta de espíritos desencarnados, dando a impressão de serem mediúnicas. Nesse caso, a capacidade é anímica, pois é da pessoa e poderia se manifestar sem o auxílio de espíritos, mas a sua manifestação é mediúnica, pois só acontece quando entidades desencarnadas atuam, com energias e fluidos, sobre os comandos que a controlam.
Acontece também de, muitas vezes, os espíritos desencarnados se comunicarem com as pessoas por meio dessas capacidades anímicas, dando também a impressão de serem mediúnicas. Nesse caso, a capacidade é anímica, pois existe independentemente da presença dos desencarnados, mas o uso é mediúnico, já que é utilizada para a comunicação ou a transmissão de mensagens de espíritos desencarnados para os encarnados.

5. SINTOMAS de MEDIUNIDADE

(Transcrevemos abaixo palestra proferida pelo psiquiatra e e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo, Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, também diretor clínico do Instituto Pineal Mind, e diretor presidente da AMESP – Associação Médico-Espírita de São Paulo, um dos maiores pesquisdores na área de Psicobiofísica da USP).
Sempre que houver uma carga elétrica, parada ou em movimento, haverá um campo. Se a carga estiver em movimento, esse campo será eletromagnético.
Trata-se de uma propriedade da carga que modifica o espaço ao se redor, fazendo com que toda a matéria sofra uma ação de aproximação ou de repulsão, dependendo do sinal da carga. Essa interação também altera a matéria que entra no campo: no caso de partículas afins, elas tornam-se imantadas. Num campo eletromagnético, as partículas de ferro, limalhas, ficam grudadas umas nas outras, mesmo após a retirada ou afastamento da fonte do campo.
O campo, por si só, tem a propriedade de autorregenerar-se. Ele não desaparece de uma hora para outra.
Todo campo tem uma fonte. O corpo humano é fonte de vários campos eletromagnéticos, segundo o órgão enfocado: coração, cérebro, etc.
A mente humana é fonte de um campo - o campo mental. A razão disso é o fato de a mente humana produzir, irradiar, o pensamento, que é uma onda eletromagnética carregada de informação.
Nos seres humanos, e apenas neles, o pensamento é contínuo, mas o aparecimento do pensamento contínuo ocorreu gradualmente através das diferentes espécies do reino animal. O pensamento contínuo é a base para o surgimento da consciência.
Consciência, do latim 'com' (junto, ao lado de ) + 'sciencia' (saber de), significa, a grosso modo, saber de algo. É todo o conhecimento que uma pessoa tem do mundo ao seu redor (coisas, pessoas, acontecimentos), e de seu mundo interior (sua identidade, sua história). Assim, a consciência, nos seres humanos, depende da capacidade de atenção, orientação, percepção e memória.
Podemos observar nos animais mais primitivos um esboço de consciência que começaria a partir dos anfíbios e, mais particularmente, das tartaruguinhas de aquário. O comportamento de uma tartaruguinha esboça sinais de individualidade, um modo de agir específico perante os acontecimentos diários, que marcam seu jeito de ser, como um estilo.
Com a aquisição do pensamento contínuo, a espécie humana adquire a capacidade de pensar e refletir sobre os fatos ao seu redor e sobre si mesma - é a consciência reflexiva.
Essa capacidade surgiu há muito tempo, cerca de 15 milhões de anos, quando os homens e mulheres que habitavam a Terra estavam na Idade da Pedra, e também foi um desenvolvimento gradual e lento.
A necessidade de sobrevivência obrigou os habitantes dessa época a formar grupos, mais ou menos organizados, para suprir a demanda de alimentação, abrigo e segurança para os membros do grupo e suas crias.
Na convivência, a fala torna-se linguagem, um sistema de comunicação e integração do grupo. Na coesão do grupo, foi observado o fenômeno da morte: alguém que antes estava presente, por alguma razão, passa a não mais se mexer e torna-se ausente. Na identificação com o elemento morto são criados os ritos de morte, cuidados funerários com os corpos dos ancestrais, visíveis até nossos dias. Essa identificação está na origem da consciência humana: ele estava aqui e agora está morto; ele era um dos nossos assim como eu; eu posso morrer um dia.
Ou seja, a criação da linguagem e a percepção da ocorrência da morte constituem a base para o surgimento da consciência nos seres humanos.
Como já dissemos, consciência significa saber algo sobre, e para sabermos algo é preciso que esse algo esteja relacionado a outras coisas já conhecidas. Essa é a função da memória: correlacionar no tempo e no espaço os diferentes acontecimentos e experiências de nossas vidas.
Para tanto, o conceito de tempo precisa estar presente em nossas mentes. Ele foi desenvolvido através dos séculos, naqueles primitivos representantes da espécie humana. Hoje, tempo é um conceito inato em todo e qualquer ser humano. Não existe uma definição adequada do que ele seja. A melhor é: "tempo é o que separa dois acontecimentos". Esse conceito de tempo é básico e sólido para qualquer situação.
Nos animais mais desenvolvidos, vertebrados, mesmo não conscientizado pelo animal, o tempo altera, modifica seu organismo. Isso decorre dos chamados relógios biológicos - estruturas nervosas presentes no cérebro desses animaos, que informam ao organismo em que tempo ele está: se é dia ou noite; época de procriação ou hibernação; primavera ou inverno; infância, juventude ou velhice.
Esse mesmo mecanismo também ocorre nos seres humanos. Nosso relógio biológico é composto pela glândula pineal (órgão regulador) e núcleos supraquiasmáticos (órgãos efetores).
A glândula pineal localiza-se no centro do cérebro. Descartes, em seus estudos, observou essa localização e a falta de paridade dessa glândula, a única estrutura do cérebro que não é pareada. A partir daí, ele postulou que a pineal seria o lugar de morada da alma.
Hoje sabemos que não é possível localizar a alma, posto que ela é imaterial. A hipótese inicial, porém, tem sua validade, pois a pineal é a estrutura cerebral onde a alma se projeta, a estrutura cerebral capaz de captar as ondas eletromagnéticas do pensamento e decodificá-las para as demais partes do cérebro e, portanto, do organismo. As evidências atuais desse papel centralizador e regulador da pineal baseiam-se nos trabalhos recentes de psico-neuro-endocrinologia.
Estudos recentes em áreas não médicas têm contribuído para explicar melhor o funcionamento das ondas eletromagnéticas. Essas ondas, caracterizadas por frequência e amplitude, podem carregar informações - alterações específicas nas propriedades da onda, que configuram um dado, um saber. A informação, portanto, pode ser carregada pela matéria, pela onda eletromagnética: ondas com frequência e amplitude constantes não carregam informações. Embora possa parecer muito complicado,
estamos diariamente em contato com a aplicação desse conhecimento nos telefones celulares, por exemplo.
Recapitulando:
- os seres humanos possuem linguagem e consciência
- o cérebro possui uma estrutura especial para captar o pensamento e distribui-lo para o corpo - a pineal
- o pensamento humano é uma onda eletromagnética que carrega informações
- há um campo eletromagnético ao redor da pessoa, impregnado de informações - o conteúdo de seus pensamentos.
Prosseguindo, a pineal capta a onda mental e envia-a às demais partes do cérebro. A captação da onda mental ocorre pela anatomia da pineal com a existência de concreções calcárias em sua periferia que funcionam como uma caixa de ressonância para esta onda. Após captada, a onda mental, para ser enviada às outras áreas cerebrais, sofre uma modificação. Ela passa de onda eletromagnética para corrente elétrica - impulsos nervosos, e substâncias químicas – neurotransmissores. Os próprios impulsos elétricos e neurotransmissores transformam-se uns nos outros durante todo o processo, desde a captação do pensamento à realização do ato, seja como comportamento externo ou evento interno. A informação, porém, mantém-se constante.
A transformação de pensamento em alterações orgânicas, comportamentais e sintomas teve sua evidenciação com a médica italiana Rita Levy, ganhadora do Prêmio Nobel de Medicina na década de 80. Ela demonstrou a origem da depressão (um tipo de transtorno de humor):
- um pensamento triste que permanece por tempo prolongado estimula uma região do cérebro logo abaixo da pineal, o hipotálamo;
- o hipotálamo secreta um hormônio chamado hormônio estimulador de ACTH, que irá agir na hipófise;
- a hipófise secreta seu hormônio correspondente, o ACTH, hormônio estimulador da córtex das adrenais, ou glândulas supra-renais;
- as supra-renais secretam seu hormônio, o cortisol, que agirá em vários lugares do organismo.
O cortisol diminui a produção de interleucinas, substâncias do sistema imunológico necessárias ao seu bom funcionamento. Diminui também a produção dos fatores tráficos neuronais, substâncias estabilizadoras do funcionamento do sistema nervoso central e da manutenção das células nervosas. Isso determina o aparecimento da doença depressão, tanto os sintomas somáticos (propensão a infecções, mal funcionamento do órgãos), como os psíquicos (tristeza, desânimo, dificuldades variadas). Essa é a via específica de todos os eventos ondulatórios (pensamento) e químicos que determinam a doença depressão.
Mas o mesmo processo ocorre rotineiramente de acordo com o conteúdo de nossos pensamentos.
O funcionamento da pineal prioriza a captação do pensamento do indivíduo dono daquele cérebro. Isso decorre da formação do corpo humano no útero materno, criado e desenvolvido a partir do perispírito do espírito reencarnante que lhe serve de molde.
Todas as células de uma pessoa possuem sua marca, uma marca química para a identificação do que pertence e do que não pertence ao corpo, possibilitando a destruição de agentes potencialmente lesivos ao organismo (invasores externos ou componentes internos mal funcionantes ou degenerados). Essa marca química está na superfície de cada célula: são os antígenos de superfície, proteínas específicas para essa função.
A mesma identificação que ocorre em nível químico, também ocorre em nível ondulatório, predispondo a interação entre ondas semelhantes.
Contudo, há a possibilidade de se captar ondas mentais oriundas de outras mentes. Uma vez captadas, essas ondas mentais estrangeiras tenderão a agir no organismo da pessoa como todas as suas próprias ondas. Esse fenômeno pode ser denominado telepatia ou mediunidade, dependendo da origem das ondas. Algumas pessoas têm mais facilidade e experimentam-no em larga escala, outras não.
Essa capacidade inata está na dependência da anatomia da pineal (para determinados tipos de mediunidade), da produção de energia vital (ectoplasma e funcionamento das mitocôndrias), das alterações hormonais (ciclo menstrual e hormônios sexuais), enfim, de vários fatores orgânicos que entram na realização de um transe mediúnico. A mediunidade, portanto, é orgânica.
A mediunidade implica também, além da captação de ondas mentais, numa avaliação, uma análise crítica dos conteúdos captados. Captar apenas não forma um médium. É necessário o uso da razão crítica para avaliar as consequências do que é captado. Essa análise utiliza áreas cerebrais responsáveis pela ética humana (lobo prefrontal).
Assim procedendo, a mediunidade passa a representar, para a espécie humana, uma ligação com a divindade, uma possibilidade maior no desenvolvimento de sociedades mais adaptadas, culturas mais evoluídas e mais complexas, com indivíduos mais aptos à auto-realização sem prejuízo de seus semelhantes ou do meio ambiente. Em nível individual, a mediunidade coloca a pessoa diante da condição humana, do destino humano, para que o próprio indivíduo possa escolher seus caminhos com mais argumentos e, nessa escolha, interagir com o mundo a seu redor e seus semelhantes - a prática da caridade.
Esse é o funcionamento da mediunidade uma vez educada, desenvolvida, colocada a serviço das livres escolhas do médium. Para tanto, ele precisará entender o que ocorre com ele, para ser senhor de si.
Recapitulando novamente:
- a pineal capta os pensamentos e, ao direcioná-los para as diferentes áreas do cérebro, possibilita os diversos eventos de nossa vida mental e de relação;
- esse direcionamento ocorre através de impulsos nervosos, a própria onda mental ou hormônios;
- ou seja, o direcionamento ocorre através de três grandes sistemas de comunicação do corpo humano: sistema nervoso, sistema endocrinológico e sistema vascular.
Quando ocorre a captação do pensamento de mentes "estrangeiras", há uma sobrecarga na pineal e suas funções ficam "excitadas", exacerbadas.
As comunicações da pineal com o hipotálamo estarão ampliadas e, daí, haverá maior estimulação da hipófise, com grande liberação de hormônios por ela produzidos (geralmente indutores da produção de outros hormônios pelas diferentes glândulas do organismo). Os neuro-hormônios reguladores do hipotálamo chegam à hipófise através do sangue, pelo sistema de circulação sanguínea porta-hipofisal.
A hipófise possui vários tipos específicos de células responsáveis pela produção de um ou, no máximo, dois hormônios.
Respondendo à estimulação pelo hipotálamo, a hipósifse irá agir na tireóide, córtex supra-renal, testículos, ovários, glândulas mamárias, pâncreas, ossos e músculos esqueléticos (ligados aos ossos e voluntários).
Podemos observar as seguintes alterações nessas áreas (como sintomas de mediunidade):
- Hipotireoidismo subclínico - os hormônios T3 e T4 estão normais, porém o TSH está com uma baixa discreta, não havendo indicação do uso de hormônios por via oral. A pessoa sente cansaço, fadiga constante, pouco interesse pelas coisas que anteriormente lhe eram interessantes, aumento de peso, pele seca, etc.
- Aumento de cortisol e depressão (já descritos acima) - há sentimentos de culpa exacerbada, tristeza, desespero (que pode levar ao suicídio), desinteresse profundo pelas coisas, dificuldade de concentração, pensamento lentificado, psicomotricidade lenta e arrastada (todos os gestos, andar), alteração de peso e de sono.
- Dificuldade na reprodução.
- Dismenorréia - alteração do ciclo menstrual que pode chegar à ausência de menstruação, menstruação dolorosa, tensão pré-menstrual, cistos ovarianos, miomas uterinos.
- Ginecomastia - aparecimento de mamas ou glândulas mamárias em homens.
- Lactorréia - produção de leite na mulher que não deu à lua recentemente.
- Hipoglicemias - queda do nível de glicose no sangue (quantidade), com tontura, sensação de morte iminente, batedeira no peito (taquicardia), desorientação (não saber para onde ir), derealização (não reconhecer o lugar onde está e tudo parecer irreal, um sonho).
- Obesidade.
Quanto à sua inervação, a pineal recebe fibras nervosas principalmente do tipo adrenérgico, isto é, cujo neurotransmissor é a adrenalina. Portanto, os sintomas de transe mediúnico decorrente da superexcitação da pineal e dessas fibras nervosas serão aqueles mediados pela adrenalina.
De um modo geral, a liberação de adrenalina prepara o corpo para uma luta, imaginária ou não. Essa é uma aquisição do desenvolvimento humano quando os homens precisavam lutar para conseguir alimentos. Hoje, essa luta é mais interna e predispõe o ser humano a penetrar, não um território de caça, mas numa região ainda desconhecida de si mesmo ou de seu universo: o mundo espiritual. Então, ainda é uma busca de alimento, mas de alimento espiritual.
A liberação de adrenalina traz à tona forças extras para o corpo humano e obedece uma diretriz geral: desviar o sangue para os músculos, retirando-o das vísceras e da pele (que fica branca e as extremidades ficam frias), mas a sudorese aumenta e os pelos ficam eriçados, as pupilas ficam grandes (midríase), aumenta a circulação na cabeça, predispondo a dores de cabeça. A pessoa fica apta a agir mais rapidamente.
Agora passaremos aos sintomas de modo mais detalhado:

1. Pressão arterial
A adrenalina é um potente vasopressor, isto é, aumenta a pressão arterial, principalmente a sistólica (quando o coração se contrai), e menos a diastólica (quando o coração se relaxa). Isso ocasiona um aumento na pressão do pulso que bate mais forte, mas a pressão média cai abaixo do normal antes de voltar ao nível de controle, o que pode causar tonturas.
Ocorre estimulação miocárdica direta levando ao aumento da força de contração ventricular (chamada ação initrópica positiva). Há aumento da frequência cardíaca (ação cronotrópica positiva). Muitas vezes a pessoa percebe isso como desconforto, ou interpreta como medo ou uma presença desagradável, quando, na realidade, isso independe do tipo do espírito comunicante.
Ocorre vasoconstrição em muitos leitos vasculares, especialmente nos vasos de resistência pré-capilar da pele. A pessoa fica pálida e, aparentemente, fria. A frequência do pulso, a princípio acelerada, pode estar acentuadamente diminuída no auge, por descarga vagal compensadora (mecanismo de compensação próprio do organismo para todas as suas funções), o que pode ser erroneamente interpretado por cansaço.

2. Efeitos vasculares
a. Pele - ocorre principalmente nas arteríolas menores e esfíncteres pré-capilares (pequenos vasos sanguíneos do corpo e seus mecanismos de regulação de fluxo do sangue), embora também as veias e as grandes artérias respondam à adrenalina. Vários leitos vasculares respondem diferentemente.
A adrenalina reduz acentuadamente o fluxo cutâneo, contraindo os vasos pré-capilares e veias subcapilares. Há vasoconstrição cutânea e consequente palidez.
A vasoconstrição cutânea é responsável por uma diminuição acentuada do fluxo sanguíneo das mãos e dos pés e a pessoa fica com ambos frios. A congestão das mucosas subsequente à vasoconstrição resulta provavelmente de alterações na reatividade vascular como resultado de hipóxia tissular.
b. Músculos - o fluxo sanguíneo para os músculos é aumentado. Esse efeito vascular é independente dos efeitos reflexos cardíacos ou centrais. Isso significa que é muito importante que os músculos recebam bastante sangue. O que está de acordo com a necessidade aumentada de energia para o corpo, através das reações químicas da cadeia respiratória que ocorrem nas mitocôndrias, que são em maior número nas células musculares. Essa energia será responsável também pela produção aumentada de ectoplasma, produção esta também sediada nas mitocôndrias.
c. Cérebro - o efeito da adrenalina na circulação cerebral está relacionado à pressão arterial sistêmica (do corpo). Há aumento do fluxo sanguíneo cerebral e da captação de oxigênio, sem alterar a resistência vascular. Isso significa que o cérebro estará funcionando muito, mas as eventuais dores de cabeça que o médium pode apresentar não estão relacionadas ao cérebro e, sim, ao aumento da quantidade de sangue nos vasos do couro cabeludo e ossos da cabeça. É importante salientar que o tecido cerebral nunca dói.
d. Fígado e baço - a adrenalina provoca notável aumento no fluxo sanguíneo hepático e diminui a resistência vascular esplênica (do baço), junto com grande aumento no débito de glicose hepática e no consumo de oxigênio do baço.
Ambos os órgãos estarão com funcionamento aumentado, o que pode levar tanto a melhor desempenho de suas funções, como a estresse por estimulação excessiva.
A maior alteração que ocorre é no comportamento dos remédios, pois geralmente sua metabolização é hepática (no fígado), e o médium tende a apresentar maior sensibilidade e mais efeitos colaterais. Isso é contornado com um acompanhamento médico próximo e atento, e muitas vezes com doses menores de medicação.
e. Rins - os efeitos sobre as funções renais são variáveis, porém as alterações vasculares renais são evidentes. Mesmo quando não ocorre grande alteração da pressão arterial, há aumento da resistência vascular renal e redução no fluxo sanguíneo renal e todos os segmentos do leito vascular renal contribuem para a resistência vascular renal aumentada. O aumento dessa resistência vascular diminui a quantidade de sangue que circula pelos rins, predispondo o médium ao acúmulo de substâncias que levam à formação de cálculos renais (também favorecidos pelo aumento da produção de ectoplasma - os cálculos representam a condensação do excesso de ectoplasma).
A filtração glomerular (função de excreção dos rins), é variavelmente alterada. A excreção de sódio, potássio e cloreto é diminuída. O volume urinário pode estar aumentado, diminuído ou inalterado. É aconselhável ao médium perceber como ocorre em seu organismo para evitar desconforto durante a sessão mediúnica.
A secreção de renina (ligada à pressão arterial), é aumentada, representando mais um fator para o surgimento de hipertensão arterial nos médiuns, que normalmente segue uma evolução carprichosa, aparecendo e desaparecendo aparentemente sem nenhuma razão orgânica.
f. Pulmões - as pressões pulmonares, arterial e venosa são elevadas. Isso ocorre porque há redistribuição de sangue a partir da circulação sistêmica (do restante do corpo), para a pulmonar, devida à contração da musculatura mais forte nas grandes veias sistêmicas. O sangue é desviado para os pulmões, vindo do restante do corpo, o que é necessário para aumentar a oferta de oxigênio para o corpo, especialmente para os músculos (que estão produzindo mais ectoplasma). O médium tende a respirar mais profundamente, podendo ser observada dilatação das narinas. Isso também se relaciona diretamente ao tipo de espírito comunicante e é antes uma reação do organismo do médium às necessidades energéticas do transe.
g. Coronárias - o fluxo sanguíneo coronário é elevado pela adrenalina. O fluxo aumentado ocorre mesmo quando não há aumento de pressão arterial na aorta, e decorre de três fatores:
- aumento da compressão mecânica dos vasos coronarianos, devido à contração mais forte do miocárdio circundante (músculo do coração), tendendo a reduzir o fluxo coronário. Entretanto, um efeito oposto resulta da duração aumentada da diástole (maior tempo de relaxamento do coração).
- ação direta sobre os vasos coronarianos, embora seja um efeito de pequena monta, se comparado ao terceiro fator.
- efeito dilatador metabólico resultante da força de contração aumentada e devido a metabólitos produzidos localmente, resultantes da hipóxia miocárdica reativa.
O aumento do fluxo de sangue nos vasos coronarianos é necessário para preservar a integridade do miocárdio que está trabalhando mais durante o transe. Contudo, pessoas que têm problemas nesses vasos tenderão a aumentá-los mais.

3. Efeitos Cardíacos
A adrenalina é um poderoso estimulante. Age diretamente no miocárdio, células do marcapasso e tecidos de condução (do ritmo cardíaco). Essa estimulação é independente das alterações da função cardíaca secundária ao retorno venoso aumentado e a outros efeitos vasculares periféricos. É interessante notar que, sendo uma função essencialmente de doação, a mediunidade se utiliza em larga escala do funcionamento do coração, o órgão cuja relação psíquica é a doação.
A frequência cardíaca aumenta e, muitas vezes, o ritmo cardíaco é alterado. Os médiuns, portanto, tendem a apresentar arritmias cardíacas.
A sístole cardíaca (contração da musculatura do coração), é mais curta e mais poderosa. O débito cardíaco (quantidade de sangue que o coração ejeta e manda para o corpo) é aumentado. O trabalho do coração e o consumo de oxigênio são aumentados acentuadamente. A eficiência cardíaca (trabalho realizado em relação ao consumo de oxigênio) é diminuída.
O eletrocardiograma (ECG) também apresenta alterações:
- diminuição da amplitude da onda T
- desvio do seguimento S-T, podendo ser atribuído a hipóxia miocárdica.
A mediunidade não age como um exercício aeróbico que melhora o funcionamento cardíaco. Antes ela representa uma estimulação que precisa ser bem dosada para que se obtenham os melhores resultados.

4. Efeitos sobre os músculos lisos
Os efeitos são variáveis nos diferentes órgãos. A musculatura lisa gatrintestinal é relaxada. O tônus intestinal diminui, a frequência e amplitude das contrações espontâneas são reduzidas. O estômago é geralmente relaxado e os esfíncteres, pilórico e ileocecal, são contraídos. No entanto, esses efeitos dependem do tônus pré-existente na musculatura do estômago. Se ele já estiver baixo, ocorrerá contração. Isso justifica a necessidade de alimentação leve antes das sessões mediúnicas e por quê, algumas vezes, o estômago parece "torcer-se".
A adrenalina relaxa o músculo detrusor da bexiga e contrai o trígono e os músculos do esfíncter. Isto pode resultar numa hesitação na micção e contribuir para a retenção de urina na bexiga. Havendo retenção, a possibilidade de formação de cálculos vesicais aumenta a longo prazo.

5. Efeitos Respiratórios
A adrenalina estimula a respiração, mas é um efeito breve. Ela afeta a respiração mais significativamente através de suas ações periféricas, particularmente relaxando a musculatura brônquica. Possui uma ação broncodilatadora poderosa, mais evidente quando a musculatura brônquica está contraída devido a doenças como asma. Há aumento da capacidade vital e alívio da mucosa brônquica. Provavelmente isso ocorra por diminuição da liberação de histamina.
A adrenalina aumenta a frequência respiratória e o volume corrente, reduzindo, assim, o conteúdo de gás carbônico nos alvéolos.
Sabendo-se da necessidade aumentada de oxigênio durante o transe mediúnico, esse aumento da função respiratória é coerente e facilmente previsível.

6. Efeitos metabólicos
A adrenalina eleva as concentrações sanguíneas de glicose e de lactato. O efeito predominante sobre a insulina é o de inibição. A adrenalina diminui a captação de glicose pelos tecidos periféricos, em parte pela ação da insulina, mas estimula a glicogenólise (quebra da molécula de glicose armazenada), na maior parte dos tecidos. O transe mediúnico consome glicose, inclusive aquela armazenada pelo corpo, levando a perda de peso.
Não se deve descuidar, portanto, do consumo de glicose durante o transe mediúnico. É preciso que, antes da sessão, o médium tenha se alimentado. A alimentação deve ser forte o suficiente para prover a quantidade necessária de glicose e leve o bastante para não pesar no estômago, já que o sangue está desviado para fora dessa víscera.
Ocorre aumento na concentração de ácidos graxos livres no sangue pela ativação da lípase (enzima que digere gordura). A gordura é depositada na musculatura e no fígado, provavelmente devido à quantidade aumentada de ácidos graxos no sangue. Ocorre ainda aumento de colesterol, fosolipídios e lipoproteínas, aumentando também a incidência de arteriosclerose e doenças da artéria coronariana.
A ação calorigênica (aumento do metabolismo), refere-se a um aumento da ordem de 20 a 30% no consumo de oxigênio. O médium tem uma sensação de calor e os gastos de energia diminuem o peso.

7. Efeitos variados
A adrenalina promove redução no voluime plasmático circulante, pela perda de líquidos sem proteínas para o espaço extracelular, aumentando assim as concentrações eritrocitárias (de glóbulos vermelhos), e de proteínas plasmáticas. Isso deve ser cuidado com a ingestão de líquidos antes da sessão, pois o médium sentirá sede e a falta de líquido circulante predispõe à formação de cálculos renais, na vesícula e na bexiga.
Ocorre aumento na contagem leucocitária total (número de glóbulos brancos, responsáveis pela defesa imunológica do organismo), mas causa eosinopenia (diminuição dos glóbulos vermelhos). Alterações do hemograma podem aparecer sem estar acompanhadas de sintomas de anemia ou diminuição na capacidade de reagir a infecções, gripes e resfriados.
A adrenalina promove aceleração da coagulação sanguínea, provavelmente devida à atividade aumentada do fator V de coagulação.
A ação sobre as glândulas secretoras não é acentuada. Na maior parte das glândulas a secreção é inibida, parcialmente pelo fluxo de sangue reduzido pela vasoconstrição. O médium então tenderá a alterações hormonais discretas ou com sintomas, como hipoglicemia, hipotiroidismo, etc.
A adrenalina causa estimulação da secreção de lágrimas e de uma secreção mucosa escassa das glândulas salivares. É comum o médium chorar durante a sessão, não significando necessariamente tristeza.
Ocorre ainda sudorese e aumento da atividade pilomotora. A pessoa sente arrepios, não relacionados a frio, e diz que é o espírito, quando, na verdade, trata-se de uma reação normal à descarga de adrenalina que ocorre no transe mediúnico. O suor tem um odor característico diferente do suor de exercício físico.
A adrenalina causa midríase por contração da musculatura ocular e abaixamento da pressão intra-ocular, tanto em pessoas normais, como em portadores de glaucoma.
A adrenalina não excita diretamente a musculatura esquelética (ligada aos ossos, com comando voluntário), mas facilita a transmissão neuromuscular e abole temporariamente a fadiga devido à estimulação rápida prolongada do nervo motor. Há aumento real na força motora dos membros.
Doses elevadas ou repetidas de adrenalina, ou correspondente de excesso de transes mediúnicos, levam a lesão das paredes arteriais e do miocárdio. São lesões graves com aparecimento de regiões necróticas (com morte de células), semelhantes às do enfarto do miocárdio.

8. Efeitos sobre o sistema nervoso central (SNC)
A adrenalina não é um estimulante poderoso do SNC por causa da dificuldade dessa molécula muito polar (com carga elétrica importante), penetrar no SNC.
Em muitas pessoas, a adrenalina pode causar agitação, apreensão, cefaléia (dor de cabeça), e tremores. Esses efeitos podem ser secundários aos efeitos cardiorrespiratórios e metabólicos periféricos. Esses sintomas não devem ser confundidos com o tipo de espírito manifestante, nem com determinado tipo de mediunidade ou trabalho mediúnico.
Além dessas alterações que ocorrem em níveis químicos, a mediunidade ocasiona alterações em níveis menores intracelulares.
As pessoas que apresentam capacidade mediúnica têm metabolismo energético próprio, adequado a essa função. São grandes produtores de ectoplasma.
Ectoplasma, que Kardec chama de energia vital, é o veículo transmissor do pensamento e, portanto, necessário para a realização do transe mediúnico. Ele é composto de uma parte material (energia vinda da respiração), e outra parte imaterial (o fluido vital).
Todo transe mediúnico consome energia que é obtida nos processos respiratórios em nível intracelular.
No corpo humano, as células apresentam estruturas, lugares específicos para cada função, que são as organelas. Em todas as células humanas há a organela responsável pela produção de energia: as mitocôndrias, local onde ocorre a respiração celular.
O processo químico da respiração consiste basicamente em deslocar elétrons de um complexo (substância cuja molécula é grande), para outro, até chegar ao oxigênio - o receptor final de elétrons. A passagem de elétrons de um para outro complexo libera energia na forma de fótons (onda eletromagnética de luz), que é armazenada numa molécula especial: o trifosfato de adenosina ou ATP. Sempre que há necessidade de energia, qualquer célula do organismo irá recorrer às moléculas de ATP, bastando retirar um fosfato e transformar em ADP (adenosina difosfato). A transformação em monofosfato é menos energética. Esses ATP's formados nas mitocôndrias podem ser usados imediatamente ou podem ser guardados pelo organismo, na forma de gordura (tecido adiposo).
Paralelamente à formação dos fótons, ocorre um escape energético da energia que está agregada ao fluido vital da pessoa, fabricando o ectoplasma. Esse processo está na dependência do gene contido na mitocôndria, um gene circular que não faz parte dos genes nucleares. Cada mitocôndria possui um gene circular e o número de mitocôndrias numa célula é muito variável. Os músculos estriados (músculos esqueléticos), são as células que mais têm mitocôndrias, podendo chegar a um total de 300 dessas estruturas numa única fibra (célula muscular).
Pessoas com abundante produção de ectoplasma são mais sensíveis às percepções mediúnicas, pois o veículo do pensamento em grande quantidade facilita isso. Essas percepções podem ser desagradáveis e, num mecanismo de defesa e proteção contra elas, o próprio organismo encarrega-se de minorá-las. Isso pode ser feito de dois modos:
- diminuindo a produção global de energia e de ATP, por diminuição do aporte de oxigênio, por doenças pulmonares ou por tabagismo.
- utilizando o maior número possível de ATP (deslocando a reação para esse lado) e armazenando-o na forma de gordura, na obesidade.
Em níveis ainda menores, ondulatórios ou de consciência, os sintomas que a pessoa irá sentir devidos à mediunidade ocorrerão na área psíquica e serão sintomas mentais, vivências internas e/ou comportamentais.
Os fenômenos mediúnicos sempre ocorrem com uma alteração do nível de consciência, isto é, do estado de vigília, do quanto estamos acordados e despertos para o mundo à nossa volta. Naturalmente, o nível de consciência de uma pessoa oscila durante o dia a cada 90 minutos: a pessoa como que "adormece" e volta a acordar, repetindo o ciclo várias vezes.
Essas variações normais da consciência predispõem ao transe mediúnico, quando o nível rebaixado é aprofundado e a duração prolongada. Com isso, há uma dificuldade em perceber a realidade, o mundo e as coisas ao redor, as quais parecem diferentes, com menos densidade e peso, estrutura. É a desrealização, uma sensação de estranheza para com as coisas.
Concomitantemente, a pessoa sente-se também ela estranha, como se não existisse uma relação contínua entre ela agora e a de minutos atrás, como se ela tivesse se tornado uma outra pessoa, mas não totalmente diferente dela. É a despersonalização.
Observam-se oscilações bruscas de humor, irritabilidade, tristeza, tendência ao choro ou euforia, alegria exagerada, sem motivo, pueril e tendendo facilmente à irritação e à briga.
Pensamentos recorrentes, repetitivos, são frequentes, sejam sobre assuntos complexos (o futuro da pessoa, sua capacidade de realização, auto-estima), sejam sobre questões triviais (brigar com o vizinho, intolerância).
A capacidade crítica está prejudicada e a pessoa parece não entender explicações recebidas, repetindo a mesma frase ou decisão anterior, apesar de ter prestado atenção à conversa.
A capacidade de concentrar-se também diminui e a pessoa fica dispersiva, distrai-se com qualquer coisa. Seu pragmatismo, a capacidade de realizar coisas úteis, diminui.
Há, porém, um juízo preservado e a pessoa tem consciência de todos esses sintomas e sofre com isso. Essa percepção correta do que está acontecendo é importante para diferir, psicopatologicamente, os fenômenos mediúnicos dos quadros de psicose.
Em níveis psíquicos mais profundos, subconsciente, também há alterações.
No cérebro humano, há uma região importante bem no meio, o hipotálamo. Por estar na parte interna do cérebro, essa região não é cortical (parte mais externa), e, por isso, não é consciente - apenas o que ocorre no córtex cerebral é consciente.
No hipotálamo estão os núcleos nervosos responsáveis pelos comportamentos psicobiológicos básicos, de sobrevivência. Isso não é exclusivo do ser humano e é chamado de cérebro reptiliano, um cérebro de lagartixa que provê apenas a vida daquela criatura e de sua espécie.
Os comportamentos psicobiológicos são quatro: fome, sono, agressividade e sexualidade. Na mediunidade, todos podem estar alterados, mas o mais comum é a alteração de um ou dois, que se alterna com a dos outros no decorrer do tempo.
A fome pode estar aumentada (como já foi visto) ou diminuída, numa negação da vida.
O sono pode estar aumentado ou diminuído ou fragmentado. Sendo uma das fases do ciclo sono-vigília que mais depende do relógio biológico humano, está em relação direta com o funcionamento da pineal. Sempre que afetado, para mais ou para menos, será um sono de baixa qualidade, não reparador. O sono coloca a pessoa encarnada em contato direto com o mundo espiritual. As perturbações do sono representam, portanto, perturbações desse intercâmbio. Assim, os períodos de adormecer e despertar são importantes para o preparo do sono e no trazer suas recordações.
A agressividade estará aumentada, determinando comportamentos de irritação, intolerância, discussão e brigas, até de violências físicas. quando voltada para si, a agressividade exacerbada torna-se a base dos transtornos de humor (depressão ou mania), do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), das fobias (medos específicos), da síndrome de pânico (desespero perante a vida e principalmente diante do limite da morte). Pode também chegar à auto-violência física - o suicídio.
A sexualidade estará comprometida (não no sentido de homo ou heterossexualidade), com comportamentos bizarros (perversões) e perda de domínio (compulsões). Além disso, e muito mais frequente, a sexualidade apresenta-se alterada como a base dos relacionamentos e vínculos humanos. A sexualidade alterada levará ao isolamento social, afastamento do convívio das pessoas, exclusão e abandono de si e do mundo.
Em nível inconsciente, Jung refere-se às instâncias da mente humana. Há quatro diferentes formas de o ser humano perceber a realidade e agrupam-se duas a duas, complementando-se. Há, pois, o seguinte esquema:

INTUIÇÃO
(espiritualidade)
EMOÇÃO ____________|____________ RAZÃO
(coração, sentimentos) | (cérebro, pensar)
SENSAÇÃO
(corpo como um todo)

O equilíbrio central é raro e momentâneo, pois a mente é dinâmica e não somos perfeitos. Sempre que um dos pólos estiver super-excitado (continuamente gastando a maior parte da energia da mente), o pólo oposto estará atrofiado, necessitando de energia, atenção e desenvolvimento.
O conjunto de opostos RAZÃO - EMOÇÃO foi bem explicado na peça teatral "Conhecimento e Boa Vontade".
O binômio INTUIÇÃO - SENSAÇÃO reporta-nos à base orgânica da mediunidade: os hormônios sexuais. É na puberdade, com o afloramento da sexualidade, que a mediunidade começa a aparecer. Essa relação entre mediunidade e sexualidade não poderia ser diferente, pois a sexualidade é a base dos vínculos entre os seres humanos, e a mediunidade é uma função baseada em vínculos, em convivência. A mediunidade vincula os seres encarnados e desencarnados, para que, convivendo, possam evoluir harmoniosamente.

6. MECANISMOS da MEDIUNIDADE

a) Acoplamento áurico
Chamamos de acoplamento áurico ou envolvimento (denominação criada por Edgard Armond) à completa interação entre médium e comunicante, por meio de suas auras.
A entidade se aproxima do médium e o “abraça” com a sua aura. Estabelecida a sintonia, a aura do médium se mescla à da entidade, formando um único campo energético, por onde são transmitidas as ondas mentais e as energias entre ambos.
Quanto maior a sintonia, mais homogêneo e estável será este campo e, portanto, mais eficiente o acoplamento, permitindo maior fluidez na comunicação e no trabalho a ser desenvolvido.

b) Circuito mediúnico
Chamamos de circuito mediúnico a corrente energética formada entre os médiuns durante um trabalho mediúnico.
Segundo Carlos Torres Pastorino, em seu livro Técnica da Mediunidade, “a mediunidade pode ser medida e considerada com todos esses termos (vibração, período, freqüência, onda e corrente). A diferença reside nisto: a corrente elétrica é produzida por um gerador, e a corrente mental é produzida pela nossa mente e transmitida por nosso cérebro. No cérebro temos uma válvula que transmite e que recebe, tal como um aparelho de rádio.”
Vejamos, então, alguns termos de eletricidade aplicados à mediunidade, na explicação do autor:
- Vibração, onda e corrente – “As vibrações, as ondas, as correntes utilizadas na mediunidade são as ondas e correntes de “pensamento”. Quanto mais fortes e elevado os pensamentos, maior a freqüência vibratória e menor o comprimento de onda. E vice-versa.”
- Freqüência – “...cada cérebro pode emitir em vibrações ou freqüência alta ou baixa, de acordo com o teor dos pensamentos mais constantes. O amor vibra em alta freqüência; o ódio, em baixa freqüência. São pólos opostos. Quanto mais elevados os pensamentos, em amor, mais alta a freqüência e mais elevada a ciclagem.” ... “O que eleva a freqüência vibratória do pensamento (vimo-lo,) é o amor desinteressado; abaixa as vibrações tudo o que seja contrario ao amor: raiva, ressentimento, mágoa, tristeza, indiferença, egoísmo, vaidade, enfim qualquer coisa que exprima separação e isolamento.”
- Ondas amortecidas – “...atingem rapidamente um valor máximo de amplitude, mas também rapidamente decrescem, não se firmando em determinado setor vibratório.” ... “Na mediunidade, ondas amortecidas são as produzidas por cérebros não acostumados à elevação, mas que, em momentos de aflição, proferem preces fervorosas. A onda se eleva rapidamente, mas também decresce logo a seguir, pois não têm condição para manter-se constantemente em nível elevado, por não estarem a ele habituados. São pessoas que, geralmente, se queixam de que “suas preces não são atendidas”. De fato, produzem “ruídos”, mas não conseguem sustentar-se em alto nível, não atingindo, pois, o objetivo buscado.”
- Indutância - a inércia da eletricidade, na mudança de uma direção para outra, na vibração.”... “Na mediunidade observamos também o fenômeno da indutância, que provoca muitas vezes “momentos” de silêncio. O médium “treinado” permanece calado, nesses momentos. O não desenvolvido intromete aí pensamentos seus, “colaborando” na manifestação externa. Se a indutância é muito grande, a comunicação torna-se imperfeita e falha. Isso pode ser causado por defeito do aparelho receptor (médium) ou do aparelho transmissor (espírito). Qualquer dos dois, sendo “humanos”, pode ser fraco e apresentar indutâncias muito fortes, hiatos longos.”
- Corrente contínua ou alternada – (Nossos pensamentos) “Podem permanecer em “corrente direta”, quando concentrados em dado objetivo permanentemente: emitimos, apenas. Mas podem passar a “corrente alternada”, quando emitimos e recebemos alternadamente; isto é, lançamos o pensamento e obtemos a resposta. Também a mediunidade pode consistir numa corrente direta, quando caminha numa só direção (do espírito para o médium), numa passividade absoluta. Ou pode ser executada em corrente alternada, quando o médium age, com seu pensamento, sobre o espírito.”
- Campo elétrico – “Uma reunião mediúnica forma, inegavelmente, um “campo elétrico” ou magnético. Quanto mais estiver o ambiente carregado de eletricidade ou magnetismo positivo, mais eficiente será a reunião. Quanto mais esse ambiente estiver permeado de forças negativas, mais perturbada a reunião.” ... “Quem pretende fazer reuniões espíritas (eletromagnéticas), sem preparar antes o “campo elétrico-magnético”, sujeita-se a decepções de toda ordem, a interferências, a fracassos.” ... “Note-se, porém, que o campo elétrico pode também ser perturbado por entidades desencarnadas” que “têm a mesma capacidade que as encarnadas de emitir ondas eletromagnéticas de pensamento.”
- Condensadores – “No ambiente mediúnico, os assistentes e médiuns são verdadeiros condensadores, que formam o “campo eletromagnético”. Entre cada criatura existe o material isolante (o ar atmosférico). E por isso o campo se tornará mais forte quando houver mais de uma pessoa. Aqueles que não são médiuns, funcionam como os condensadores fixos, que recebem e emitem energias num só comprimento de onda, não sendo capazes de distinguir as diversas “estações” transmissoras (os diversos espíritos), não podem, por isso receber e transmitir as mensagens deles. As idéias ficam confusas e indistintas. Já os médiuns são verdadeiros condensadores variáveis, com capacidade para selecionar os espíritos que chegam. Então recebem e transmitem cada comprimento de onda por sua vez, dando as comunicações de cada um de per si. Quanto maior a capacidade do médium de aumentar e diminuir a superfície do campo estabelecido pelas “placas”, tanto maior a capacidade de receber espíritos de sintonia diversa: elevados e sofredores. Há médiuns, porém, que parecem fixos em determinada onda: só recebem e transmitem determinada espécie de espíritos, provando com isso a falta de maleabilidade de sua sintonia. Para modificar a sintonia, o condensador variável movimenta as placas, aumentando ou diminuindo a superfície do campo. Os médiuns podem obter esse resultado por meio da PRECE, modificando com ela o campo elétrico, e conseguindo assim captar e retransmitir as estações mais elevadas, os espíritos superiores.”
- Acumulador e bateria – “Cada criatura constitui um acumulador, capaz de armazenar a energia espiritual (eletromagnética). Entretanto, essa energia pode esgotar-se. E se esgotará com facilidade, se houver “perdas” ou “saídas” dessa energia com explosões de raiva, ou com ressentimentos e mágoas prolongadas, embora não violentas.” ... “Os acumuladores nem sempre possuem carga suficiente de energia para determinado fim. São, então, reunidos “em série”, formando uma bateria. Na mediunidade, quando um médium não é capaz de fornecer energia suficiente a sós, reúne-se com outros, formando uma “reunião”. ... “Também a bateria pode esgotar-se. Mas a vibração das ondas de pensamento e a PRECE podem carregar novamente a bateria. Esse processo é, com freqüência, utilizado nas reuniões, durante ou após a manifestação de espíritos muito rebeldes, que descarregam a energia: uma prece repõe as coisas em seu lugar, infunde novas energias à “bateria” e permite a continuação dos trabalhos.”
- As pontas – “A eletricidade positiva ou negativa se agrega mais nas pontas ou extremidades pontuadas. Daí terem nascido os pára-raios. Essa a razão pela qual as mãos, os pés e, sobretudo, os dedos, são as partes mais carregadas em nosso corpo. Por esse motivo os passes são dados com as mãos abertas (o que em o Novo Testamento se diz “impor as mãos”), para que os elétrons fluam através dos dedos.”
- Abastecimento – “Todas as criaturas humanas têm uma capacidade elétrica, como vimos, porque o próprio corpo é um eletrólito. Essa eletricidade estática pode ser transforma-da em “corrente”, seja ela direta ou alternada, se o indivíduo se ligar a um abastecedor de força. Temos assim que a corrente elétrica poderá ter curso se a pessoa se ligar a um acumulador (unir-se a outra pessoa com vibração suficientemente forte), a uma bateria (reunir-se a uma corrente de pessoas), ou a um gerador (à Força Cósmica, por meio da prece).”
- Resistência e impedância – “No fato mediúnico observamos com freqüência tanto a “resistência” quanto a “impedância” dos aparelhos (médiuns). A resistência é oposta às comunicações telepáticas que lhes chegam. Sentado a uma mesa de “trabalhos”, com a “bateria” boa, o médium sente os sinais elétricos que lhe chegam à mente, e “resiste”, nada manifestando, por causa do temor de que esses sinais não venham de fora, mas de dentro dele mesmo. Isto é, que não seja a comunicação de um “espírito” desencarnado, mas apenas de “seu espírito” encarnado. Em outras palavras: teme, que não seja uma “comunicação”, mas simplesmente um caso de “animismo”. Numa sessão bem orientada, o que se quer é “coisa boa”, não importando a “fonte” de onde provenha. Se a comunicação é boa, sensata, lógica, construtiva, que importa se vem de um “espírito” encarnado ou desencarnado? Se nada vale a comunicação, deve ser rejeitada, venha ela de uma ou de outra fonte. A “razão” é que deve ter a última palavra. Mas além dessa resistência à corrente direta, e que geralmente é “consciente”, existe também a “impedância”, ou seja, a resistência quase sempre “inconsciente” à passagem da corrente. O médium não faz de propósito: ao contrário, conscientemente se coloca “à disposição”. Mas, sem querer e sem saber, não deixa que seus órgãos especializados vibrem suficientemente para permitir a eletrificação do fio. E a comunicação não se dá. Pode ser que essa resistência (ou melhor, impedância), seja resultado de fatores estranhos: a questão do “material” que lhe constitui o corpo físico e que torna difícil a “eletrificação”.” ... “Em vista disso é que se aconselha aos médiuns não se alimentarem excessivamente, nem ingerirem álcool, nem carne em demasia, para que oponham menor resistência às comunicações.”
- Corrente de Foucault ou parasita – “O conhecimento desse efeito é de grande utilidade para constituição da mesa mediúnica; e explica por que, desde os primórdios, os bons dirigentes de sessões fazem sentar os médiuns intercalando-os com não médiuns. A razão dada é que os não-médiuns servem para “sustentar a corrente”. Perfeitamente lógico e verdadeiro. Mas agora, pela comparação com a “corrente de Foucault”, podemos perceber o motivo científico: se os médiuns se sentam todos de seguida na mesa, forma-se a “corrente parasita”, que pode provocar interferências no campo magnético da mesa, fazendo que a vibração recebida por um médium repercuta nos que lhe estão ao lado, perturbando-os.”
- Transformadores – “...em certas reuniões mediúnicas, há elementos humanos que funcionam como verdadeiros transformadores que aumentam a corrente. Quase sempre são pessoas que não são médiuns, e até que muitas vezes se julgam inúteis na reunião. Ficam ali parados, concentrados, firmes, mas nada sentem. No entanto, estão servindo incalculavelmente para o bom êxito das comunicações; são os chamados “estacas de sustentação” de uma reunião. Sem a presença deles, a reunião se tornaria tão fraca que quase nada produziria. ... Como há esses transformadores que aumentam a corrente, existem os que agem de modo inverso: diminuem a corrente. São aqueles que se “isolam” do conjunto, ou porque permaneçam preocupados com seus pensamentos próprios, ou porque cedam ao cansaço e durmam: a interrupção de corrente trabalha como um transformador que diminui a corrente, embora não a corte.”
- Retificador – “Também na reunião mediúnica há pessoas que atuam como válvulas retificadoras, quase agentes catalíticos, que permitem, ao aparelho sensitivo (médium), a recepção de mensagens. No entanto, essa tarefa é quase sempre afeta a seres desencarnados, que facilitam a recepção das correntes provenientes do mundo astral mais elevado ou mesmo do mundo mental. É a chamada “telemediunidade”, em que um “espírito” retifica as correntes mais elevadas, tornando-as acessíveis aos aparelhos encarnados. Em muitas ocasiões, esses intermediários acrescentam, a essa tarefa, a de transformadores, para diminuir a intensidade da corrente, a fim de poder ser recebida pelo aparelho mediúnico.”

c) Médiuns de sustentação
Chamamos de médiuns de sustentação, aqueles médiuns que compõem a corrente, mas não têm mediunidade ostensiva, ou seja, não dão comunicações diretas, nem apresentam qualquer fenômeno mediúnico evidente.
Em geral, são pessoas dotadas de alta capacidade de concentração, bons doadores de energias, com muita facilidade de visualização e projeção de fluidos e formas, bastante seguros, emocional e espiritualmente, amorosos e dotados de bom senso de responsabilidade e compromisso.
São peças essenciais na formação de grupos mediúnicos, por suas características mentais e energéticas que interferem positivamente no equilíbrio e na manutenção das energias do grupo. São capazes de elevar o padrão vibratório da corrente ou de sustentar um médium durante uma manifestação, sem se desequilibrar ou perturbar.
São também ótimas referências para os dirigentes, pois, em geral, costumam captar com facilidade as alterações vibratórias no ambiente e, como não costumam ficar mediunizados, podem ajudar muito, observando o andamento do trabalho e prevenindo ou informando qualquer perturbação que necessite de mais atenção, ou mesmo ajudando um colega que não esteja se sentindo bem.
Torres Pastorino fala deles nos itens Condensadores, Corrente de Foulcault e Transformadores, acima descritos, demonstrando a importância de seu papel de “isolantes” e “moduladores” na corrente mediúnica.

d) “Iscas” ou “cabides” mediúnicos
É muito comum os médiuns, na véspera ou no dia do trabalho mediúnico, se sentirem diferentes, incomodados, e, depois de passada a reunião, voltarem ao normal, sem conseguirem atribuir uma razão lógica para esse mal-estar. Isso acontece por causa de um mecanismo que Wagner Borges chama de isca ou cabide mediúnico, que é a transferência de uma ou várias entidades desencarnadas da aura de outras pessoas ou de um ambiente para a aura de um ou mais médiuns.
Em geral, os mentores ou amparadores se valem desse recurso para dar assistência a entidades muito desequilibradas, de forma que possam ser ajudadas pelo próprio médium, pelo contato com a sua energia e os seus pensamentos, ou sejam levadas ao grupo mediúnico do qual o médium faz parte, no dia da reunião.
Quando são levadas à reunião, “penduradas” nos médiuns, as entidades podem se manifestar por estes mesmos médiuns, se tiverem psicofonia, ou podem ser retiradas de sua aura e transferidas para outros médiuns. Podem ainda ser atendidas no astral pelos dirigentes espirituais encarregados do trabalho, sem manifestação direta no físico, aproveitando apenas o ambiente fluídico e vibratório da reunião.
A “conexão” com estas entidades pode acontecer tanto no dia da reunião, como vários dias antes dela, dependendo da disponibilidade e capacidade do médium, bem como da assistência a ser dada. E pode causar vários sintomas desagradáveis, tais como:
- leve alheamento, como se a pessoa estivesse “aérea”
- sensação de opressão, sem causa aparente
- sensação de peso no peito
- maior irritabilidade, sem motivo
- cansaço exagerado, sem razão
- mal-estar geral repentino
- sensação de perigo
- sono quase incontrolável
- pensamentos de tristeza, melancolia e pessimismo que não são costumeiros
- sensação de estar sendo observado ou perseguido
- tremores ou arrepios desagradáveis pelo corpo
- percepção de odores desagradáveis sem origem definida
- dores repentinas e sem razão pelo corpo
No entanto, se o médium tem relativo equilíbrio e conhecimento do que se passa e de como pode controlar o processo, ajudando, inclusive, será capaz de manter-se equilibrado até o momento de ser desligado da(s) entidade(s), prestando serviço a muitas pessoas e entidades. Por isso a necessidade do estudo e do conhecimento, do autocontrole, da serenidade e do amor incondicional pelo ser humano, seja ele encarnado ou desencarnado.

e) Aparelhos extrafísicos
São aparelhos produzidos pela manipulação e/ou condensação de fluidos astrais, e aplicados, conectados ou ligados remotamente a chacras ou órgãosfísicos, provocando alterações temporárias nas faculdades de pessoas e médiuns, ou dando-lhes proteção energética e/ou vibracional.
Embora o conceito seja mais conhecido pelo efeito prejudicial de sua aplicação por obsessores, os aparelhos extrafísicos podem também ser usados por mentores ou amparadores para provocar, intensificar, diminuir, bloquear ou modificar capacidades psíquicas e energéticas de médiuns, ou ainda para monitorá-los ou inspirá-los à distância.
Podem também provocar alterações psíquicas, interferindo na consciência e na lucidez dos médiuns, bem como alterações de percepção, provocando clarividência, clariaudiência e outros fenômenos anímicos.

7. TIPOS DE MEDIUNIDADE

Embora as classificações sejam humanas e sirvam apenas para facilitar o melhor entendimento do assunto, já que os fenômenos mediúnicos não obedecem a qualquer critério que possamos criar para eles, vamos aqui citar dois critérios que julgamos importantes neste nosso estudo, para melhor compreensão da própria mediunidade e de suas conseqüências.

a) Quanto à natureza
Segundo Edgard Armond, no seu livro Mediunidade, quanto às causas ou razões de ser, podemos dividir a mediunidade em dois grandes grupos: natural e de prova.
Mediunidade natural é aquela que advém da evolução ética e intelectual do próprio indivíduo como espírito, aumentando, em conseqüência, sua percepção espiritual. Segundo Armond, no livro Prática Mediúnica, “é faculdade própria do Espírito, conquista sua, quando já adquiriu possibilidades maiores, quando atingiu graus mais elevados na escala evolutiva.” ... “...o Espírito, já convenientemente evoluído, é senhor de uma sensibilidade apurada que lhe permite vibrar normalmente em planos superiores, sendo a faculdade puramente espiritual.”
Em Mediunidade, ele ainda acrescenta que “a mediunidade natural, sendo um sinal de desdobramento ou apuração de sensibilidade, dá ao indivíduo mais amplo conhecimento do mundo material em que vive e, ao mesmo tempo, lhe proporciona conhecimentos mais ou menos dilatados dos planos de vida situados em outros mundos.
“Portanto, em qualquer ponto do Universo em que esteja o indivíduo, ela se exerce com as mesmas características e conseqüências, sendo, pois, como dissemos, um fenômeno de constatação e aplicação universais.
“Quanto maior o grau, o índice dessa sensibilidade, tanto maior a intuição e, conseqüentemente, tanto maior o campo que o indivíduo abrange na percepção dos fenômenos e dos aspectos da vida cósmica.
“É claro que os que possuem hoje sensibilidade já evoluída, colhem o que plantaram em vidas anteriores, recebem o resultado das experiências que já realizaram, das provas que suportaram, e seu número é restrito.”
Já mediunidade de prova, também chamada por Armond de mediunidade-tarefa, é aquela recebida em determinadas condições, para utilização imediata. Segundo ele, em Mediunidade, “... é a posse de faculdades não propriamente conquistadas pelo possuidor, ou fruto de sua superioridade espiritual, mas dádiva de Deus, outorga feita a uns e outros, em certas circunstâncias e ocasiões, para que, no seu gozo e uso, tenham oportunidade de resgatar dívidas, sair de um ponto morto, de um período de letargia ruinosa, despertando, assim, para um novo esforço redentor.”
Em Prática Mediúnica, ele diz também que “...é capacidade transitória, de emergência, obtida por graça, com auxílio da qual o Espírito pode apressar sua marcha e redimir-se.”, e “...foi fornecida ao médium (por) uma condição física especial que lhe permite servir de instrumento aos Espíritos desencarnados para suas manifestações.”
“O Espírito ao encamar-se, já trazendo em seu programa a missão mediúnica, recebe um corpo físico apropriado, o qual, desde a matriz, sofre as adaptações necessárias — mormente no campo do sistema nervoso cerebral, que é afinado para vibrar ao contato das radiações perispirituais.
“Por outro lado, como já dissemos, todo Espírito tem um tônus próprio, uma vibração e luz próprias, que variam segundo suas características morais; quando, pois, o Espírito, ao encarnar, se prende aos ligames do corpo físico, passa a irradiar, através deste, uma gama, vamos dizer, somática, global, destes característicos, radiações estas que formam o que, comumente, se chama aura individual. Como resultado, pois, do processo de adaptação sofrido pelo corpo físico e de sua interpenetração pelas radiações áuricas individuais, adquire o médium um grau determinado de sensibilidade que lhe permite sentir, mais ou menos intensa ou amplamente, as impressões do plano hiperfísico.
É o que diz também Ramatis, no livro Mediunismo, afirmando que “há grande diferença entre o médium cuja faculdade é aquisição natural, decorrente de sua maturidade espiritual, e o médium “de prova”, que é agraciado imaturamente com a faculdade mediúnica destinada a proporcionar-lhe o resgate de suas próprias dívidas cármicas. Através de processos magnéticos, que ainda vos são deconhecidos, os técnicos do Astral hipersensibilizam o perispírito daqueles que precisam encarnar-se com a obrigação de trabalhar, pelo da mediunidade, a favor do próximo, e também empreender a sua própria recuperação espiritual.
“No Além existem departamentos técnicos especializados, que ajudam os espíritos a acelerar determinados centros energéticos e vitais do seu perispírito, despertando-lhes, provisoriamente, a sensibilidade psíquica para maior receptividade dos fenômenos do mundo oculto, enquanto se encontram encarnados. Esse é o mandato mediúnico ou a transitória faculdade concedida a título de ”empréstimo pelo Banco Divino.”
Em Mediunidade, Armond afirma ainda que “recebendo essa prova de misericórdia de Deus, concedida, quase sempre, pela intercessão de Espíritos amigos interessados no seu progresso ou a pedido próprio, de duas uma: ou o beneficiado cumpre eficientemente a tarefa retificadora e, neste caso, sobe um degrau na trajetória espiritual, ou fracassa e, então, sofre as conseqüências naturais de sua obstinação ou fraqueza.”
“É claro que não estamos subestimando ou desmerecendo aos médiuns pessoalmente, mas, simplesmente, classificando-os segundo seus valores mediúnicos; todos merecem o maior respeito e suscitam em nós, pela própria natureza edificante de suas tarefas, os melhores sentimentos de afeto e solidariedade.
“Essa condição generalizada de inferioridade espiritual é também a razão pela qual a mediunidade de prova traz consigo esse cortejo doloroso de perturbações físicas e psíquicas que lhes transforma a vida, muitas vezes, em longo martírio.
“E ainda a razão porque a faculdade não é, na maioria dos casos, estável, permanente, segura, mas flutuante, incerta e alternativa, demonstrando altos e baixos, acusando períodos, mais ou menos prolongados, de atividade intensa ou de estagnação.
“E nem podia deixar de ser assim, porque esta mediunidade de prova, em si mesma, como já vimos, não é estável, mas transitória, e outorgada ao Espírito, por tempo determinado, para determinado fim.
“Os próprios guias desses médiuns, e mesmo de grupos de trabalho, possuem qualidades correspondentes, estão em igualdade de condições, muito embora no desempenho de missões úteis e na posse, como é natural, de um certo adiantamento ou superioridade sobre aqueles que protegem ou auxiliam; como auxiliares de entidades mais elevadas, que dirigem agrupamentos mais amplos, cumprem, assim, seu dever e obtêm, por esse modo, oportunidade de, a seu turno, se melhorarem e evoluírem.
“Daí o inconveniente de se confiar sistemática e cegamente nos guias, sem o emprego criterioso da razão e sem se levar em conta as diferenças que decorrem das desigualdades dos planos em que atuam uns e outros.”

b) Quanto aos efeitos
Quanto aos efeitos provocados pelos fenômenos mediúnicos, podemos dividir a mediunidade em dois tipos básicos.
Mediunidades de efeitos físicos que, segundo Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, é aquela que se traduz por fenômenos materialmente tangíveis, como sons (fenômenos de voz direta e tiptologia), movimentos (levitação) ou deslocamento de corpos sólidos (aporte).
Já Edgard Armond, no livro Mediunidade, a define como “a mediunidade em que fenômenos objetivos se revelam, envolvendo elementos materiais pesados, permitindo exame direto, do ponto de vista científico.”
Para ele, “nesta modalidade de feitos físicos, o médium não é agente, não é produtor de fenômenos, mas, unicamente, um elemento que fornece parte dos fluidos necessários à produção de fenômenos; e dizemos parte dos fluidos, porque há também necessidade de outros fluidos que o médium não possui e que são retirados de outras fontes.”
Armond inclui neste grupo também as curas, entendendo que o efeito final do fenômeno é material, uma vez que se dá no corpo físico do assistido ou paciente, e a materialização, já que a figura formada pelo espírito comunicante, a partir do ectoplasma do médium e de elementos da natureza, é passível de exame físico, toque ou mesmo análise laboratorial.
E mediunidades de efeitos intelectuais, que é aquela cujo produto tem influência moral e/ou intelectual, aquela que produz fenômenos que não podem ser atestados do ponto de vista material, mas podem ser percebidos pelo conteúdo que apresentam ou informam, ou pelos sentimentos e pensamentos que inspiram, por não poderem ter vindo do próprio médium, nem de sua personalidade atual.
Estão nesta categoria a psicofonia, a psicografia e a psicopictografia (ou pintura mediúnica), por exemplo.
Dentro de cada uma dessas categorias de efeitos, poderíamos ainda dividir as mediunidades em vários outros grupos, usando diversos outros critérios, dependendo da finalidade e da profundidade do estudo que se faz.

8. MEDIUNIDADE e ESPIRITUALIDADE

a) O melhor médium é o médium espiritualizado
Houve um tempo em que o refrão “o melhor médium é o médium evangelizado”, criado pelos espíritas, chegou a ser tomado como lei.
Acontece que, como a mediunidade só passou a ser sistematicamente estudada e treinada dentro das casas espíritas, era natural que, para eles, o melhor médium fosse o mais evangelizado, uma vez que o Espiritismo é uma doutrina baseada no Cristianismo, nos ensinamentos deixados por Jesus nos Evangelhos.
O desvio começou quando esse parâmetro tornou-se popularmente difundido, como se o médium que professasse qualquer outra religião ou doutrina, ou que não professasse nenhuma religião ou doutrina, não pudesse ser um bom médium, um médium responsável, um médium voltado para o crescimento espiritual de si próprio e das pessoas com quem convive.
No entanto, mais importante que a crença professada pelo médium, é a forma como entende, exerce e usa sua mediunidade. E nesse aspecto, pouco importa se segue os ensinamentos de Jesus, Buda ou Krishna, pois todos eles, em essência, dizem as mesmas coisas, ensinando que somos todos espíritos, imperfeitos ainda, encarnando e desencarnando sucessivamente, e todos iguais perante o Criador.
Nesse aspecto, importa mais saber como o médium vê o próximo e o que deseja para ele; se usa sua mediunidade para levar o bem a todos, indistintamente; se usa a mediunidade para aprender e crescer; se, mais do que médium, ele entende que é um espírito e, como tal, deve levar sua vida aqui na Terra.
A condição temporária de médium é apenas mais uma tarefa, mais um trabalho a ser cumprido, que não o exonera de todas as outras tarefas comuns a todos os outros seres humanos. Ao contrário, como médium, ou seja, como intermediário entre os homens encarnados e os homens desencarnados, ele deve conhecer bem a natureza humana e, para isso, deve viver bem NO mundo, sem viver PARA o mundo.

b) “Melhor ser espiritualizado que ser médium”
A mediunidade é condição que nos coloca em contato direto com o mundo espiritual, o mundo de onde viemos e para onde voltaremos quando esta vida terminar, mas, sendo neutra em si mesma, da mesma forma que nos dá a possibilidade do contato com seres elevados, também pode nos colocar em contato com seres desequilibrados e perturbados. O que determina a qualidade dos contatos a serem feitos por seu intermédio é a intenção do contato e, principalmente, o nível espiritual de quem a possui e exerce.
Quanto mais espiritualizado for o médium, no sentido de ter consciência de sua condição de espírito em experiência na carne, aprendendo e corrigindo-se para crescer, mais elevados serão seus contatos e mais positivos os frutos desses contatos, mesmo quando manifestando entidades desequilibradas, desorientadas e perturbadas, pois estarão sempre voltados para a espiritualização da humanidade como um todo.
De nada adianta ser médium sem essa consciência, pois não estamos aqui para sermos apenas bons médiuns, mas para sermos espíritos melhores, mais éticos e amorosos, e a mediunidade é apenas mais um recurso que Deus nos proporciona para termos sucesso nessa empreitada.
O médium que não procura crescer como espírito, que não busca o aperfeiçoamento de si mesmo em bondade, discernimento, amor, fé e serenidade, que não procura levar às outras pessoas a idéia de que não somos este corpo físico, de que a nossa essência é muito mais sutil, mais nobre e muito mais importante que ele, é mero alto-falante, que apenas repete o que lhe dizem os espíritos, sem se importar com o nível desses espíritos, sem se preocupar se o que dizem é bom ou ruim, sem se importar com o efeito do que é dito nas outras pessoas e no mundo à sua volta.
É o que diz Ramatis, no livro Mediunismo, quando afirma que “não basta ver, ouvir e sentir espíritos em seu plano invisível, pois o médium, em qualquer hipótese, deve ser o homem que, além de contribuir para a divulgação da imortalidade do espírito na Terra, é cidadão comprometido com os deveres comuns junto à coletividade encarnada, onde só a bondade, o amor, o afeto, a renúncia e o perdão incessante podem livrá-lo das algemas do astral inferior.”
Por isso o título deste tópico, pois é melhor ser espiritualizado, sem ser médium, do que ser médium, sem ser espiritualizado, já que é muito mais importante para nós evoluirmos como espíritos, independentemente de sermos médiuns ou não.
De nada adianta sermos ótimos médiuns, vendo espíritos, conversando com eles, escrevendo e falando o que eles pensam, se não formos capazes de aprender com isso, se não formos capazes de buscar e levar luz neste contato, se não formos capazes de tornar o mundo à nossa volta melhor com esse intercâmbio.
O contato com o mundo dos espíritos, por si só, não atribui a nenhum médium qualidades morais que ele não tenha em si, que ele mesmo não tenha conquistado como consciência, que ele mesmo não possua, como herança de seus próprios esforços ao longo de sua vida espiritual.
Ninguém se torna digno de confiança e respeito apenas por ser médium. E o médium só deve ser considerado digno de confiança e respeito quando já o é como indivíduo.

c) “A melhor técnica é o Amor”
O Amor é a energia que mantém o universo e tudo o que nele existe. Sem o amor do Criador, nada existiria, nada se sustentaria, não haveria transformação. Sem o amor incondicional de Deus por nós, nada seríamos e nada poderíamos realizar.
É na força do Amor, o Amor-Deus, o Amor que É, o Amor que existe sem ter sido criado, que todos nos movemos, que todos existimos, vivemos, pensamos e sentimos. Tudo que experimentamos é o Amor Maior agindo em nós, por nós e para nós. Somente pelo amor podemos realizar com Deus, podemos agir no mundo de Deus, em sua criação.
O médium é também obra e, ao mesmo tempo, ferramenta de Deus, pois é através dele que Deus se revela um pouco mais à consciência humana, tão presa à ilusão que a cerca neste mundo material. No médium, tem Deus mais um caminho para o coração humano. E pelo médium, podemos todos entender um pouco melhor o Deus que vive em nós, mas não enxergamos, o Deus que nos ama tanto que nos deu também a mediunidade para que pudéssemos nos aprofundar em seus mistérios.
Todo médium deve ter consciência de que é também um pouco médium de Deus, da Vida, do Amor que É e tudo permeia. Todo médium precisa saber-se efeito de Deus, da vontade divina, da sabedoria infinita, para compreender que sua missão na mediunidade nada mais é do que expressar esse Amor que a todos envolve, nutre, sustenta e transforma, sendo imutável e constante em si mesmo.
Para ser fiel à sua missão, portanto, deve o médium viver mergulhado em amor. Amor por Deus, pela criação, pelas criaturas e por si mesmo. Amor que se revela em respeito, em virtude, em fraternidade. Amor que se apóia também em estudo, em conhecimento, em razão. Amor que se equilibra, serenamente, entre o êxtase da fé e a concepção do intelecto.
Sem este Amor, a mediunidade torna-se estéril e fria, pois nada inspira à vida a não ser arrogância e desencanto. Sem este amor que alimenta a razão e nela se apóia, o médium nada percebe de si mesmo e de sua tarefa. Nada sabe dos propósitos de sua missão e nada intui da verdadeira Vida, a Vida que representa.
Sem conhecimento, a mediunidade torna-se cega, irresponsável e fanática, e nada acrescenta à humanidade a não ser medo, ignorância e superstição. Sem o conhecimento que ilumina o coração, o médium pouco compreende de si e de Deus, pois age às cegas, sem poder entender os fenômenos que o alcançam e não pode controlar.
Cabe ao médium, portanto, ser instrumento preciso e fiel do amor de Deus pelos homens, estudando sempre, aprendendo cada vez mais, para se fazer mais e mais amoroso em sua mediunidade. Cabe ao médium sintetizar, em si mesmo, amor e conhecimento, levando não somente técnica ao seu trabalho, mas também sabedoria, equilíbrio, discernimento, serenidade, para que no exercício de sua mediunidade reflita-se somente a melhor técnica, a essência de tudo: o AMOR.

9. MEDIUNIDADE e VIDA FÍSICA

Todo médium é um ser encarnado e, como tal, tem um corpo físico e uma vida material para cuidar, além da espiritual.
O corpo físico é apenas matéria, é um empréstimo, é temporário, mas é uma extensão do espírito e deve durar o tempo suficiente para o cumprimento da tarefa a que ele se dispôs aqui na Terra, inclusive a mediúnica. Dessa forma, exigirá dele certos cuidados práticos que não podem ser negligenciados, a fim de que não se comprometa o seu plano de encarnação, nem a sua tarefa como médium.
Da mesma forma, a vida material é intrínseca à encarnação e implica em certos cuidados “mundanos” que não podem ser deixados de lado, para que não venham a causar preocupações e desgastes desnecessários, comprometendo tanto o seu plano encarnatório, como sua tarefa como médium.
Para cumprir essa tarefa, ele precisa estar bem como ser encarnado, do contrário não poderá atender satisfatoriamente às exigências e condições do trabalho espiritual.
É preciso que o médium se lembre de que sua vida física é também uma parte integrante importante de sua vida espiritual e não pode ser separada, isolada, anulada, negligenciada ou ignorada, para que o seu próprio espírito não se prejudique com isso.
É como diz Wagner Borges, em seu livro Falando de Espiritualidade:
“Não fuja da vida humana normal. Deus está em tudo e o plano extrafísico interpenetra a dimensão humana. Logo, a energia divina também está na vida natural de todos.
“Sexo também é energia!
“Alimente-se adequadamente.
“Passeie num parque. Veja a criançada brincando alegremente e a grama verdinha. Às vezes, há mais espiritualidade e energia em um ambiente desses do que em muitos grupos espiritualistas.
“Tenha um relacionamento saudável com as pessoas.
“O corpo é o templo da alma, mas é o espírito que dá brilho e movimento a esse templo. Portanto, brilhe espiritualmente nesse “templo-corpo”.
“Viva de maneira normal e encha todos de Luz!”

a) Alimentação
Como já vimos, os alimentos interferem diretamente sobre a qualidade das energias que trazemos em nosso duplo e em nossa aura, afetando, conseqüentemente, também o nosso psicossoma.
Sendo a mediunidade uma hipersensibilização energética provocada em nosso perispírito, antes da nossa encarnação, como diz Ramatis, e sendo esta hipersensibilização transferida para o corpo físico no momento do reencarne, é natural que o organismo do médium seja ainda mais sensível às energias dos alimentos do que a média das outras pessoas.
Considerando ainda que o perispírito, o duplo e a aura são os principais elementos de contato do espírito comunicante com o médium, como se fossem uma espécie de “órgão do tato mediúnico”, natural que qualquer coisa que interfira na sua vibração, tornando-a mais lenta e mais pesada, e deixe suas energias mais “pegajosas” ou “oleosas”, como diz o Dr. Di Bernardi, interferirá diretamente também no seu grau de sensibilidade, dificultando sua percepção e sua sintonia com as entidades desencarnadas, especialmente as mais elevadas, cujo padrão vibratório é mais intenso.
É por este motivo que o médium deve ter atenção especial à sua alimentação, evitando tudo aquilo que exija esforço exagerado do organismo para ser digerido e também aquilo que, com o tempo, ele percebe que não lhe faz bem ou prejudica o seu trabalho como médium, amortecendo sua sensibilidade mediúnica e energética.
Por se tratar de algo individualizado, não há regras ou receitas prontas e cada um deve estabelecer o que melhor lhe convém em termos de alimentos, procurando observar suas próprias reações, físicas, psíquicas e espirituais, a cada um deles, lembrando sempre que estas reações podem mudar, e muito, com o tempo, à medida que sua sensibilidade for aumentando ou mudando.
De qualquer forma, existem, como já falamos, alguns alimentos que a experiência de vários médiuns e trabalhadores espiritualistas indica como prejudiciais à sensibilidade mediúnica, por terem características energéticas mais densas ou excitantes. Esses alimentos são as carnes vermelhas, os grãos mais gordurosos (amendoim, amêndoas, nozes, etc.), café, chocolate e alguns chás; e os doces (em excesso), que devem ser evitados, pelo menos, nas 24h que antecedem o trabalho mediúnico ou energético.
Além disso, o médium deve ter sempre a preocupação de manter uma alimentação o mais equilibrada possível, variando bastante os alimentos, para garantir também uma variedade de nutrientes físicos e energéticos, que possam atender a todas as suas necessidades, garantindo também a sua saúde física e energética.
Todo esse cuidado, porém, não deve impedir que o médium leve uma vida normal, usufruindo, equilibradamente, de tudo o que a vida material oferece. Os prazeres materiais, quando experimentados com equilíbrio, podem até ajudar o médium a manter-se mais centrado, não permitindo que perca o contato com o mundo físico, que também é o seu mundo, ou que é, no momento, o mundo que lhe toca mais de perto.
E entre esses prazeres materiais, está, inclusive, o consumo de tudo aquilo que citamos acima, de forma equilibrada, consciente, sensata, sem exageros, sem culpas e sem medo, já que um médium nunca será melhor só porque deixou de consumir álcool ou carne vermelha, por exemplo, mas pelos sentimentos que tem por estas coisas e por tudo o que a vida, como um todo, lhe proporciona e oferece.

b) Saúde
Todo trabalho mediúnico e energético depende, também, do corpo físico, das energias do corpo físico, e, portanto, depende diretamente do estado de saúde do médium, o qual depende e, ao mesmo tempo, interfere no seu estado mental e emocional.
Toda doença física é a materialização de um desequilíbrio psíquico e/ou energético prévio. E quando este desequilíbrio se materializa no corpo físico, é porque já estava “encubado” nos outros corpos energéticos há mais tempo.
O transe mediúnico, seja de que tipo for, os tratamentos de cura, as práticas energéticas, em geral, exigem um esforço por parte do médium, o qual consome uma porção de suas energias para se realizar. Se ele já estiver energeticamente debilitado por uma doença física, se não estiver com as suas energias equilibradas, pode ficar desvitalizado e, conseqüentemente, piorar ainda mais o seu estado físico, já que a captação e a rearmonização das energias, depois de um trabalho, também exigem boas condições mentais e emocionais para acontecerem, o que o médium não terá se não estiver se sentindo bem. E, sem fazer essa captação de forma eficiente, poderá sair do trabalho em pior estado do que quando entrou. Por isso é que se recomenda que o médium não trabalhe quando estiver doente, preservando-o de um desgaste ainda maior.
Além disso, como a condição física interage intimamente com as condições mentais, emocionais e espirituais do médium, evitando que ele trabalhe quando está doente, evitamos também que alguma energia desequilibrada passe para as pessoas ou entidades a serem atendidas, o que poderia causar mais perturbação do que benefícios, e evitamos também que o médium, em vez de doar, “roube”, inconscientemente, energias do assistidos, encarnados ou desencarnados.
Ramatis, no livro Mediunidade de Cura, diz que “desde que o médium se encontra enfermo, a sua tarefa mediúnica se torna contraproducente, uma vez que ele projetará algo de suas próprias condições enfermiças sobre os pacientes que se sintonizarem passivamente à sua faixa vibratória “psicofísica”.
“Entre o médium enfermo e o paciente mais vitalizado, a lei dos vasos comunicantes do mundo “eteroastral” transforma o primeiro num vampirizador das forças magnéticas que, porventura, sobram no segundo, ou seja, inverte-se o fenômeno.
“Em vez de o médium transmitir fluidos terapêuticos ou vitalizantes, ele termina haurindo as energias alheias, em benefício do seu equilíbrio vital.”
Nestes casos, o médium deve ser capaz de reconhecer que não tem condições de trabalhar e o dirigente deve ter o bom senso de não exigir dele o sacrifício, pedindo que trabalhe mesmo assim. Ramatis aconselha que “o médium, quando enfermo, contente-se em ser o intérprete fiel dos conselhos e intuições superiores para transmiti-las aos seus companheiros menos esclarecidos, orientando-os nos atalhos dificeis da estrada da vida humana.”
Isso não significa que qualquer dor de cabeça ou unha encravada possa ser usada como desculpa para não se trabalhar. Estamos falando de problemas de saúde que realmente estejam debilitando e limitando o médium em sua capacidade de concentração, em sua atenção, em seu vigor físico, etc., e não de qualquer indisposição leve, a que todos estamos sujeitos no dia a dia muitas vezes agitado que levamos.

c) Higiene física e mental
A higiene é parte importante na manutenção da saúde de qualquer ser encarnado e deve ser preocupação do médium também.
A higiene física, caracterizada pelos bons hábitos comuns que aprendemos desde crianças, não deve ser esquecida, pois além de proporcionar maior bem estar ao médium, é também uma atitude de respeito para com os colegas de trabalho e os assistidos, que não precisam ficar sujeitos aos efeitos naturais de sua falta de higiene, como mau hálito, odor de suor, odores dos pés, etc.
Vejamos o que diz Ramatis, no livro Mediunidade de Cura, pela psicografia de Hercílio Maes:
“Não é bastante os médiuns fluidificarem a água, ministrarem passes mediúnicos ou extraírem receitas para, com isso, alcançar resultados positivos. Eles precisam alcançar sua saúde física e sanar os seus desequilíbrios morais. ... exige também, do médium, o fiel cumprimento das leis de higiene física e espiritual, a fim de elevar o padrão qualitativo das suas irradiações vitais.
“Embora as forças do espírito sejam autônomas e se manifestem independentemente das condições físicas ou da saúde corporal, o êxito mediúnico de passes e fluidificação de água é afetado quando os médiuns ou passistas negligenciam a sua higiene física e mental.
“...a higiene corporal e o asseio das vestes dos médiuns durante suas tarefas mediúnicas terapêuticas nada tem a ver com rituais, práticas ortodoxas ou quaisquer cerimônias de exaltação da fé humana. O uso do sabão e da água para a limpeza do corpo físico é necessidade essencial com o fito de eliminar-lhes a sujidade, o mau odor e os germens contagiosos que podem afetar os pacientes.
“... (os médiuns) ainda são espíritos em prova sacrificial no mundo terreno, empreendendo sua redenção espiritual mediante intensa luta contra as suas mazelas e culpas de existências pregressas. Ante a falta de credenciais de alta espiritualidade, eles não devem olvidar os recursos profiláticos do mundo físico, a fim de obterem o máximo sucesso na terapia mediúnica, em benefício do próximo.
“Entre os pacientes submetidos aos passes mediúnicos serão poucos os que se sentem atraídos e confiantes no médium que, arfando qual fole vivo, sopra-lhes no rosto o seu mau hálito e respinga-os de saliva, enquanto ainda os impregna com a exalação fétida do corpo ou dos pés mal-asseados. Outros médiuns ainda acrescentam a tais negligências o odor morno e sufocante do corpo suado, da brilhantina inferior no cabelo e da roupa empoeirada. Malgrado nossas considerações parecerem, talvez, exageradas, repetimos, mais uma vez: o êxito da terapia mediúnica depende fundamentalmente do estado de receptividade psíquica dos enfermos. Em consequência, todos os motivos ou aspectos desagradáveis no serviço mediúnico, mesmo os de ordem material, reduzem, consideravelmente, o sucesso desejado.
“Se o médium se desinteressar dos preceitos mais comuns de higiene e apresentação pessoal, certamente dará motivo a uma certa antipatia entre os seus consulentes.”
Na higiene física não estão apenas os bons hábitos básicos diários, mas também a prevenção médica e dentária regular, bem como o cuidado com a aparência física, sem exageros, de modo que o médium sinta-se bem com a própria imagem, bem como com as suas condições físicas. A autoestima sadia é fator de muita importância no equilíbrio do médium, já que a falta de autoestima é uma das principais causas de depressão, revolta, agressividade, etc.
A higiene mental também é importante. O hábito de só cuidar do que trate de mediunidade e espíritos é, na verdade, um desequilíbrio, um vício que deve ser evitado por qualquer pessoa que lide com a espiritualidade. Como já dissemos, como encarnado, o médium deve também procurar, com equilíbrio, com bom senso, os prazeres materiais, o bom humor, as distrações, o lazer, os passeios, os divertimentos, as coisas boas deste mundo onde vive, como forma de se manter equilibrado e saudável, satisfeito e bem disposto.
E vale lembrar o que diz Wagner Borges, no livro Falando de Espiritualidade, quando afirma que “rir é um santo remédio, pois dissolve as tristezas, renova as esperanças e descongestiona as energias.” Portanto, contar piadas, rir de si mesmo, brincar e curtir a vida também são formas saudáveis de louvarmos a criação e o Criador, sem que, com isso, estejamos sendo irresponsáveis ou inconseqüentes.
Interessante também vermos o que diz Miramez, em seu livro Plenitude Mediúnica, pela psicografia de João Nunes Maia:
“O homem de bem sempre mostra traços de alegria, que conforta os que com ele travam conversações. Esse tipo de companheiro podemos chamá-lo de médium da alegria, por transmitir. com facilidade. o aprazimento a todos que dele se aproximam. Essas criaturas devem cultivar mais esse dom extraordinário, por servir de qualidade que leva a esperança para os sofredores.
“Observemos o quanto a natureza é alegre! Se passarmos a observá-la, além de contentamento, encontraremos outros princípios elevados das leis naturais, de onde podemos extrair modelo para o nosso dia a dia.
“Se por ventura vai conversar com alguém em qualquer parte, não esqueça da alegria, pois ela ajuda e faz crescer a esperança nos que o ouvem. Se vai começar algum trabalho, lembre-se primeiro da alegria, que faz o ambiente melhorar para acertar com mais eficiência as suas obrigações. Se está lendo, esforce-se para manter uma postura alegre, que, nesse estado, o entendimento surgirá com mais facilidade e terá maior compreensão da página lida. Se está enfermo, não se entregue ao desânimo, pois ele multiplica a doença; arregimente forças para o contentamento, que servirá de canal para o restabelecimento e, nessa condição, um copo de água fresca lhe restabelecerá as forças.”

d) Medicamentos
Assim como os alimentos, os medicamentos também têm energias próprias, que interagem diretamente com as energias físicas e extrafísicas de quem os consome.
Há medicamentos que, por sua ação mais intensa sobre o sistema nervoso, interferem diretamente sobre as energias do duplo e da aura, interferindo também na sensibilidade mediúnica.
Anestésicos, calmantes, excitantes, ansiolíticos, antidepressivos, etc. são substâncias que têm ação direta sobre o sistema nervoso e interferem não só nas energias físicas e espirituais, como também na consciência e na lucidez, afetando muito a capacidade de concentração e a atenção do médium.
No entanto, o médium que esteja fazendo tratamento com alguma dessas substâncias não precisa ser afastado do trabalho, até para que o afastamento não venha a complicar ainda mais as condições que o levaram a precisar desse tipo de medicamento.
O mais indicado é que o médium seja “remanejado”, ou seja, que ele não atue mediunicamente ou nos passes, mas compareça às reuniões e desempenhe outras funções durante o período em que estiver utilizando estas substâncias de forma mais intensa.
Maria Aparecida Martins, em seu livro Conexão – Uma Nova Visão da Mediunidade, diz que “não basta só cuidar da mediunidade, conhecer temas, promover palestras, dar cursos, freqüentar o grupo, trabalhar na campanha de Natal, freqüentar a escola de médiuns.
“Não basta cuidar da mediunidade, é preciso cuidar do médium, da pessoa, do seu reequilíbrio, e não podemos ignorar que é no kit pensamento/emoção que se assenta a mediunidade.”
É importante ter em mente que o médium é um ser encarnado como qualquer um de nós, e não um super-homem. Por isso, está sujeito aos mesmos problemas e perturbações que as outras pessoas, e o fato de adoecer ou precisar de ajuda profissional ou medicamentos não é demérito para ele, nem como pessoa, nem como médium.
É preciso tratarmos os médiuns como seres humanos, imperfeitos também, sujeitos a altos e baixos, mas tentando acertar, tentando crescer e melhorar, COMO TODO MUNDO. É importante não pensarmos que médiuns não erram, não se enganam, não falham, não fracassam, não fraquejam. Não se deve exigir deles mais do que exigimos de nós mesmos, pois eles não são criaturas especiais, dotadas de poderes e forças sobre-humanas. São apenas seres humanos.

e) Sexo
Sexo é energia, é vida, é saúde. Faz parte do nosso estágio evolutivo e deve ser encarado com naturalidade. Como tudo na vida, deve ser pensado, usado, praticado e apreciado com equilíbrio e bom senso.
O sexo sadio, feito com amor e prazer, com alguém de quem se gosta, por quem se tem respeito e afinidade e com quem se tem uma relação estável e sadia, é extremamente benéfico e ajuda no equilíbrio psíquico e energético do médium.
Se feito em demasia, poderá desgastar a pessoa física, mental e energeticamente, pelo esforço de todo o complexo energético envolvido na busca do orgasmo.
Se praticado menos do que o necessário, seja por que razão for, também poderá sobrecarregar a pessoa, pelo acúmulo de energias muito vivas e ativas no corpo físico e no complexo espiritual, podendo gerar bloqueios e desequilíbrios que também vão atingir a pessoa como um todo.
No ato sexual, as duas pessoas envolvidas entram em profunda ligação energética e comunhão espiritual, e trocam, não só fluidos corporais, como também fluidos espirituais, indispensáveis para o bem estar psicológico, emocional e físico de qualquer ser humano.
A abstenção de sexo na véspera de trabalho mediúnico só terá sentido se o médium se sentir realmente bem com isso, sem se sentir contrariado por um eventual “sacrifício”. De nada adianta o médium abster-se do sexo na véspera ou mesmo no dia do trabalho e chegar para a reunião completamente desequilibrado por um acúmulo de energias sexuais, que vão tirar a sua concentração e interferir na sua sensibilidade mediúnica e energética. Melhor seria ele praticar o sexo com equilíbrio e ir para a reunião satisfeito, feliz e equilibrado.
Assim, que o próprio médium aprenda a encarar sua sexualidade com naturalidade e equilíbrio, dosando sua necessidade de sexo e buscando praticá-lo de forma equilibrada, saudável e elevada, eliminando preconceitos e tabus que em nada contribuem.
Devemos lembrar que sexo também é criação de Deus e, portanto, também é sagrado, elevado, necessário, positivo, desde que, como em tudo, possa ser visto com bom senso e discernimento.

f) Vida social, profissional e familiar
Ramatis, no livro Mediunismo, nos diz que, “considerando que a faculdade mediúnica “de prova” ou “de obrigação” é sempre o acréscimo que o Alto concede ao espírito endividado para conseguir a sua reabilitação espiritual, sob hipótese nenhuma deve ela ser negociada ou vilipendiada. É o serviço de confiança que o médium exerce em favor alheio sem deixar de cumprir todas as suas obrigações para com a família, a sociedade e os poderes públicos. Os mentores siderais não lhe exigem o sacrifício econômico da família, a negligência educativa da prole, o descuido com as necessidades justas da parentela, para só atender indiscriminadamente ao exercício de sua faculdade.
“Cada médium, como espírito em evolução, conduz o seu próprio fardo cármico, gerado no pretérito delituoso, o que também lhe determina as obrigações em comum no lar, onde vítimas e algozes, amigos e adversários de ontem empreendem o curso de aproximação espiritual definitiva. Assim é que, em última hipótese, deve prevalecer sobre o serviço mediúnico o cumprimento exato das determinações cármicas que lhe deram origem à existência na matéria.”
Ramatis deixa bem claro, portanto, que a nossa missão aqui é crescer e melhorar ESPIRITUALMENTE e que, por isso, nosso compromisso mais importante é com o que nos levou a buscar esta encarnação, mais do que com a mediunidade, dando a entender que a mediunidade só nos é dada DEPOIS que já decidimos reencarnar e já temos prontos os planos para a reencarnação. Ela é realmente um ACRÉSCIMO de serviços, algo que é ACRESCENTADO ao nosso projeto original de vida, para “APROVEITAR a viagem”. Sendo assim, não deve nunca estar acima dos nossos compromissos de encarnados, sejam eles pessoais, familiares, sociais ou profissionais, os quais são importantes para o cumprimento satisfatório de tudo o que prometemos realizar espiritualmente, em nós mesmos, durante a encarnação.
Também não devem estar abaixo de qualquer compromisso material. A mediunidade deve sempre ser considerada UMA das partes, UMA das atividades do médium na sua vida como encarnado. É preciso lembrar que, antes de ser médium, ele é um espírito e que, para ser médium na Terra, ele precisou reencarnar, ou seja, tomar um corpo material, com todas as suas implicações.
A mediunidade deve estar lado a lado nas atividades materiais sadias e justas do médium, para que o próprio médium não venha a se desequilibrar física ou psiquicamente, perdendo o contato com a realidade material de sua condição de encarnado.

10. MEDIUNIDADE no DIA a DIA

a) Mediunidade como capacidade permanente, não ocasional
Infelizmente, a mediunidade não vem equipada com botão “liga-desliga” e SER médium é muito diferente de apenas ESTAR médium. O que isso quer dizer?
Quer dizer que mediunidade não é uma capacidade que podemos escolher quando ativar e desativar. É exatamente como qualquer sentido físico: não podemos escolher quando enxergar ou ouvir. Do mesmo modo, não podemos escolher quando ser médiuns e quando não ser médiuns. Somos médiuns 24h por dia, sete dias por semana, durante toda a nossa vida.
E isso tem implicações muito importantes para o médium responsável e consciente do seu trabalho, pois, como diz Maria Aparecida Martins, no livro já citado, “somos médiuns uns dos outros, compramos, muitas vezes, o mau humor do pai, o vitimismo da mãe, o desânimo do marido.”
Além disso, como já vimos, o trabalho mediúnico não se restringe à atuação do médium no grupo que freqüenta, nem se limita ao dia em que este grupo se reúne para trabalhar. Ele vai além, ocupando toda a vida do médium, e está presente em todas as atividades que desempenha.
O bate-papo com o colega de trabalho pode não ser um simples bate-papo. Uma visita a alguém internado pode não ser um simples gesto de atenção. O comparecimento ao velório ou aos funerais de alguém, pode não ser simples obrigação social.
Em todas estas situações, e em muitas outras, o médium deve estar sempre preparado para funcionar como intermediário entre o plano astral e o plano físico, seja transmitindo mensagens de incentivo, consolo ou orientação para as pessoas que estão à sua volta, seja servindo de canal para a transmissão de energias necessárias ao reequilíbrio físico ou emocional de alguém.
É exatamente isso o que nos mostra Lancellin, no livro Iniciação – Viagem astral, pela psicografia de João Nunes Maia, quando narra episódio vivido em tarefa de aprendizado:
“Chegamos a um quarto onde se via um casal, aparentando a idade de cerca de 50 anos, estando as duas pessoas enfaixadas, o que nos sugeria terem sido vítimas de grave acidente. ...
“Começamos a trabalhar, tornando o ambiente mais sereno, quando entrou no quarto uma enfermeira, sucedendo à que estava em serviço: mulher de uns 28 anos, forma física encantadora, olhos grandes e fascinantes, agradou-nos a todos, pelas vibrações elevadas que trazia consigo.
“Abeirou-se de um dos pacientes com todo carinho, deixando transparecer toda a tranquilidade e o amor que uma pessoa nobre dedica ao seu trabalho. Passou as mãos delicadamente na testa do senhor incosciente, e víamos sair delas energias vivificantes que penetravam o corpo do enfermo.
“Acompanhávamos, com a ajuda de Miramez, a viagem das energias da moça pelo corpo do doente e notávamos que elas buscavam, não sei por qual força inteligente, o plexo solar daquele senhor. Rodopiando no sistema digestivo e acelerando a digestão que se demorava no organismo, penetrou com um impulso fabuloso no baço, onde ativou determinadas energias, fazendo-as circular em todas as glândulas endócrinas, que começaram a reagir, num impulso natural, para a fabricação de hormônios variados, enriquecendo o sangue de poderes especiais que o coração recebia, por sua vez, saturando-se de nova vitalidade capaz de dar condições para que o espírito daquele irmão voltasse ao corpo.”
Com isso, não estamos dizendo que o médium deva permanecer constantemente em transe, mas que esteja sempre consciente de que é uma ponte entre o mundo espiritual e o mundo físico e deve estar sempre a serviço das pessoas, podendo ser acionado automaticamente a qualquer momento, em qualquer situação, em qualquer lugar.
Por isso, é importante que o médium tenha sempre boa sintonia, mantenha pensamentos e sentimentos saudáveis, esteja sempre alegre e equilibrado, seja sereno e confiante, para que possa ser sempre um canal de coisas elevadas e saudáveis para todos com quem encontra.

b) Mediunidade no sono e na vigília
Se mediunidade é capacidade ativa 24h por dia, sete dias por semana, durante toda a vida, está presente também durante as horas de sono. Sim, mesmo dormindo, podemos funcionar como intermediários entre planos ou dimensões diferentes.
Como vimos, quando nosso corpo físico adormece, nosso espírito se projeta para fora dele e passa a viver, por algum tempo, no plano espiritual.
Para se manifestar nesse plano, ele se utiliza do psicossoma, um corpo muito mais sutil que o físico, mas também um corpo feito de matéria.
Pois bem, também este corpo pode ser usado por entidades superiores para se manifestarem nos planos mais densos da espiritualidade.
O plano espiritual dispõe de vários “níveis”, várias “camadas”, as quais são caracterizadas por diferentes graus de densidade de energias e freqüências vibratórias. Quanto mais elevado o nível, mais sutis as suas energias. E quanto mais sutis as suas energias, mais alta a sua freqüência vibratória.
As entidades que vivem nesses níveis mais elevados não podem se comunicar facilmente com os níveis mais densos do plano espiritual, pois, para isso, seria necessário que adensassem muito seu psicossoma, reduzindo muito sua freqüência de vibração.
Em vez disso, atuam mediunicamente em espíritos, encarnados ou desencarnados, que ainda vivem nesses planos mais densos e, portanto, possuem um psicossoma também mais denso, e transmitem mensagens, levam socorro, dão lições, etc., através do que poderíamos chamar de “mediunidade astral” ou “paramediunidade”.

11. PRÁTICAS BIOENERGÉTICAS como PRÁTICAS ANÍMICO-MEDIÚNICAS

a) Passes, reiki, cura prânica, johrei, bênção, benzimento, benzedura, etc.
Todas as técnicas citadas acima são, basicamente, técnicas de doação, projeção e/ou aplicação de energias em outras pessoas. E, em todas elas, o médium ou aplicador nem é apenas um canal de transmissão de energias externas a ele, nem é a fonte exclusiva das energias que aplica.
Em todas as ténicas de aplicação, o médium ou aplicador estará sempre lidando com uma mescla de energias de várias fontes: de si mesmo, do ambiente, da natureza e de entidades desencarnadas que estão à sua volta. E se lida com as suas energias, misturadas à de entidades desencarnadas, estará atuando num fenômeno anímico-mediúnico, ou seja, um fenômeno de PARCERIA entre médium encarnado e espírito desencarnado.
Mesmo que o aplicador não faça nenhuma ligação consciente com espíritos desencarnados, mesmo que nem sequer acredite nisso, essa parceria acontece, pois onde houver pessoas trabalhando sinceramente pelo bem dos outros, com dedicação, aí também estarão os espíritos interessados em colaborar com quem promove o trabalho e com quem se beneficia com ele.
Não podemos nos esquecer que a sintonia comanda as ligações, pelos sentimentos e pensamentos semelhantes, pelas vibrações em frequências próximas. É o que diz também Ramatis, no livro Mediunidade de Cura, quando afirma que “o auxílio do Alto não se restringe exclusivamente aos espíritas ou médiuns, mas, em particular, a todas as criaturas de bom caráter e devotadas aos objetivos espirituais superiores.”
É também o que dizem os espíritos a Kardec, em O Livro dos Médiuns: “Pensas então que os espíritos só atuam nos que crêem neles? Os que magnetizam para o bem são auxiliados por bons espíritos. Todo homem que nutre o desejo do bem os chama, sem dar por isso, do mesmo modo que, pelo desejo do mal e pelas más intenções, chama os maus.”
Embora estas técnicas apresentem diferenças de conceito e de procedimentos entre si, na essência, são todas iguais e partem do princípio de que somos todos compostos de energias em graus variados de densidade, podendo agir sobre estas energias pela força da mente e podendo ter nossas próprias energias modificadas pela ação de outras mentes.
O importante a lembrar é que, como se trata de um fenômeno anímico-mediúnico, as energias do médium estarão sempre interferindo, positiva ou negativamente, no resultado final da aplicação e que, portanto, cabe ao médium ou aplicador cuidar da qualidade das energias que carrega consigo, para poder colaborar de forma sadia com as energias que pretende captar e transmitir.
Ramatis, no livro Mediunidade de Cura, diz que “nem sempre o médium está em condições psíquicas ou morais dignas para recepcionar, com êxito, os fluidos sadios enviados pelos seus protetores desencarnados, por cujo motivo, em tal circunstância, assemelha-se a um vasilhame poluído.
“Assim como não se coloca água limpa em vasilhame sujo, quem pretende gozar da saúde psíquica ou física pela assistência dos bons espíritos deve também esforçar-se por modificar os seus pensamentos e abandonar os costumes viciosos, a fim de ficar mais apto a captar os fluidos transmitidos do mundo espiritual.
“O médium enfermo que não vive, cotidianamente, os princípios da doutrina que esposa e divulga, também não é receptivo ao socorro da luz sideral, cujos “fótons”, impregnados das emanações curativas do Alto, extinguem facilmente a flora bacteriana patogênica.
“É certo que os espíritos benfeitores tudo fazem para elevar o padrão vibratório e psíquico dos seus intermediários, enquanto processam longas e exaustivas técnicas de purificação ou ionização nos ambientes de trabalho mediúnico. Mas eles não podem “impor” ou “insuflar” à força, nos encarnados, as energias curativas a que eles se mostram refratários, quando ainda estão envolvidos por verdadeiros cartuchos de fluidos daninhos absorvidos nos seus descontroles emotivos e desatinos mentais cotidianos.
“(Se só o apelo ao Alto e o desejo sincero de o médium servir ao próximo) bastassem para os espíritos benfeitores substituírem os fluidos ruins dos encarnados por seus fluidos bons, obviamente também poderiam dispensar a intervenção dos próprios médiuns no serviço de socorro espiritual.”

b) Técnica Pasteur de passes padronizados – Edgard Armond
Louis Pasteur foi um cientista francês, nascido em 1822 e desencarnado em 1895. Seu trabalho mais conhecido foi a descoberta da vacina contra a raiva.
Desencarnado, tornou-se mentor espiritual do grupo de trabalho dirigido por Edgard Armond na FEESP e, na década de 50, orientou a formação do Grupo Pasteur, onde forneceu instruções específicas para a criação, ainda em 51, do sistema de passes padronizados, desenvolvido para atender à grande demanda de assistidos que procuravam a FEESP e apresentavam problemas que exigiam o atendimento espiritual individualizado.
Usado até hoje na FEESP e em grande parte das casas espíritas, o método mostrou-se bastante eficiente, não só por conseguir dar vazão à procura, com qualidade de atendimento, como também por permitir que os médiuns se especializassem e passassem a trabalhar nos grupos para os quais estavam mais aptos, usando suas energias de forma mais produtiva e direcionada.
Em homenagem ao cientista e mentor, Edgard Armond batizou o sistema, em 1956, de Trabalhos Pasteur, dando a todos os passes o nome do cientista, acrescido de um número e/ou letra, para diferenciação das diversas finalidades.
Em seu livro Passes e Radiações, no capítulo 11, Edgard Armond explica:
“O conceito para a realização de fenômenos de efeitos físicos sempre têm sido a presença de médiuns de efeitos físicos, que são os que fornecem os elementos para a sua produção, e isto é plenamente certo. Mas, no espiritismo religioso, em que a produção de fenômenos não é assunto de maior interesse, a utilização dos médiuns dessa espécie é de grande valor nas curas, nas quais se incluem as operações mediúnicas.
“Como os médiuns desta espécie rareiam, e o atendimento dos necessitados não pode sofrer interrupção, desde há vários anos vimos tentando substituir o médium de efeitos físicos, no seu trabalho individual, pelas correntes de cura; ao invés de um amplo fornecimento de ectoplasma, feito por um só médium, opomos a soma de pequenos fornecimentos feitos por vários médiuns.
“Os trabalhos denominados Pasteur, criados para isso, na Federação Espírita do Estado de São Paulo, são uma aplicação deste processo, e os resultados têm sido bons, conquanto devam ainda sofrer aperfeiçoamentos.”
Vejamos, então, a classificação de passes padronizados criados por ele na Técnica Pasteur:
P1 – destinado ao tratamento de perturbações materiais, mesmo quando provocadas por fluidos ambientes ou pela interferência de entidades inferiores. Consiste na aplicação de energia por um grupo de, pelo menos, cinco médiuns. Enquanto um aplica o passe, os outros quatro, com a corrente fechada no aplicador, projetam energias sobre o assistido, sentado no meio do grupo, no intuito de fortalecer o seu físico.
P2 – aplica-se no tratamento de perturbações espirituais, desde os simples encostos, até casos mais complexos de obsessão, inclusive alguns casos de vampirismo e parasitismo espiritual. Tem o mesmo método de aplicacão do P11, com a diferença de que, neste caso, enquanto um aplica o passe e se concentra no assistido, os outros quatro projetam energias e vibram pela entidade obsessora, na tentativa de esclarecê-la sobre o mal que está causando.
Choque anímico ou C – destinado às obsessões por espíritos que praticam o mal consciente e deliberadamente, quando o grande número de assistidos não permite o atendimento clássico de desobsessão, já que, segundo Armond, “os processos comumente empregados para contê-los ou neutralizar sua ação deixam muito a desejar, na maioria dos casos, por serem esses espíritos, rebeldes às doutrinações e conselhos.” Consiste na projeção de pensamentos, sentimentos e fluidos diretamente sobre as entidades obsessoras, sem a manifestação mediúnica. Como o próprio nome diz, o contato com as energias dos médiuns provoca um choque energético e emocional na entidade, deixando-a momentaneamente confusa para que os mentores possam se aproximar mais e orientá-la. Ao mesmo tempo, um dos médiuns projeta energias sobre a testa do assistido, limpando a área do córtex cerebral e cerebelo, geralmente as mais visadas pelas entidades obsessoras no processos de influenciação.
P3 – destinado às perturbações mais graves não eliminadas com as técnicas anteriores. Subdivide-se em:
- P3A – para perturbações materiais, aplicado por um grupo de, pelo menos, cinco médiuns de cura ou com boa capacidade de doação de fluidos e ectoplasma. Neste caso, procede-se a limpeza energética prévia, depois a projeção luminosa ou cromoterapia fluídica e depois a energização do assistido, inclusive com doação e imposição de mãos diretamente sobre regiões ou órgãos mais afetados.
- P3B – para perturbações materiais não eliminadas pelo P3A e espirituais não eliminadas no C. Corrente idêntica à do P3A, projeção luminosa colorida e tentativa de desligamento da entidade obsessora. A manifestação da entidade só ocorrerá em último caso, como recurso extremo para a orientação pessoal.
Segundo Armond, o P3 pode ser desdobrado ainda em outros níveis de trabalho, conforme a necessidade de atendimento a casos mais graves de obsessão mais intensa. Assim, há casas que chegaram a desdobrar o P3 em até P3E, que nada mais é que a desobsessão clássica, com a manifestação da entidade, logo no início do atendimento, e a sua doutrinação ou orientação pessoal, com ou sem a presença do assistido, dependendo do caso.
P4 – destinado às crianças, subdivide-se em:
- P4A – para perturbações materiais e doenças físicas, incusive as sasonais.
- P4B – perturbações espirituais, geralmente em consequência do ambiente, dos próprios adultos ou de compromissos de outras vidas.
Passe de equilíbrio ou PE – utilizado pelos trabalhadores na preparação dos trabalhos e com os assistidos na limpeza prévia de outros passes, para desagregar e desintegrar energias negativas, limpando a aura e os chacras.
Autopasse – é o passe de limpeza aplicado pelo trabalhador em si mesmo.
Passe coletivo ou A2 – destinado às pessoas que desejam conhecer melhor a espiritualidade e também aos assistidos que terminaram qualquer dos tratamentos citados anteriormente, como reforço e suporte. É constituído de prece de abertura, palestra, passe coletivo, aplicado diretamente pelos espíritos, vibrações e encerramento.
Mas, como previu o próprio Armond, o método precisava ser aperfeiçoado e, nesse sentido, temos o excelente trabalho de Jacob Melo, pesquisador espírita de Natal, RN, em livros como O Passe – Seu estudo, suas técnicas e sua prática, Manual do Passista e Cure-se e Cure pelos Passes.
Em O Passe, ele diz que “de fato, nada nos impede de procedermos sempre de uma única maneira em nossas atividades e, ainda assim, nos sairmos bem; contudo, isto jamais quererá dizer que devamos limitar nosso aprendizado – no que quer que seja – a apenas um método, a uma só ação, pois nada há no mundo que seja ou deva ser tão restritamente especializado. Além do estudo e da pesquisa, no compete, igualmente, um pouco de empenho e criatividade (no bom sentido) a fim de favorecermos nosso progresso. Afinal, o que “hoje” é considerado como resultado positivo não descarta a grande possibilidade de, em se melhorando o método ou as técnicas, obtê-lo mais excelente ainda “amanhã”.”
É assim que, em seu trabalho, Jacob Melo traz todo um estudo completo a respeito dos passes, corrigindo distorções de conceitos e definindo novos conceitos que ajudam muito na compreensão deste tipo técnica, bem como na sua prática.

c) Irradiações, preces, vibrações, mentalizações, visualizações e passes a distância
Embora pareçam conceitos diferentes, as técnicas acima poderiam ser consideradas sinônimos, já que se baseiam todas na visualização da(s) pessoa(s) a receber(em) as energias, ao mesmo tempo em que se emitem pensamentos e sentimentos elevados para a(s) mesma(s).
Como sabemos, para a energia não há distância, não há obstáculo, não há impedimento, quando impulsionada por vontade forte, aliada a sentimento profundo e pensamento bem direcionado. Dessa forma, quando fazemos uma prece por alguém, ou quando pensamos em alguém fortemente, desejando-lhe coisas boas, estamos, na verdade, aplicando-lhe um passe a distância ou fazendo vibrações ou mentalização por ela.
As diferenças estão mais na nomenclatura do que, propriamente, no processo, já que há variações mínimas entre as técnicas.
Em Passes e Radiações, Edgard Armond diz que, “a prece intercessória e o pensamento da bondade representam irradiações de nossas melhores energias.
“A criatura que ora ou medita, exterioriza poderes, emanações e fluidos que, por enquanto, escapam à análise da inteligência vulgar...
“O espírito que se eleva em direção ao céu é antena viva, captando potências da natureza superior, podendo distribuí-las a benefício de todos os que lhe seguem a marcha.
“Ninguém existe órfão de semelhante amparo.
“Para auxiliar alguém e a si mesmo, bastam a boa vontade e a confiança positiva.”

d) Projeções luminosas, visualização colorida ou cromoterapia fluídica
Chamamos de CROMOTERAPIA FLUÍDICA o tratamento com fluidos coloridos projetados mentalmente pelas mãos. É muito usada em centros espíritas nos tratamentos de desobsessão, cura e revitalização física, aproximadamente desde a década de 70, quando também Edgard Armond a introduziu no Curso de Médiuns da FEESP.
No entanto, a cromoterapia não é nada recente e é exatamente isso o que nos diz Elaine Marini, em seu livro Cromoterapia – Dicas e orientações de como as cores podem mudar sua vida:
“Embora pareça novidade, a cromoterapia ou terapia das cores, essa notável arte, não foi inventada no século XX; é uma técnica conhecida desde a Antigüidade. Manuscritos chineses, egípcios e hindus daquela época mostram que aqueles povos possuíam um sistema completo de cromologia fundamentado na lei de correspondência entre a natureza setenária do homem e a divisão setenária do espectro solar.
“Gregos e egípcios já usavam as cores juntamente com música para regenerar o corpo. As cores estão associadas diretamente à luz, já que são diferentes as radiações da luz solar. É só pensar num arco-íris que fica fácil entender isto. Não podemos esquecer que quando falamos em radiação da luz solar imediatamente pensamos em energia, e que toda energia tem freqüência de vibrações.”
Mais recentemente, pesquisadores e cientistas têm podido comprovar o efeito benéfico da cor e da luz no organismo e no psiquismo humano. Em seu livro Um Guia Prático de Medicinal Vibracional, Richard Gerber diz que “de fato, poderíamos considerar a luz como sendo quase um nutriente vital para o nosso corpo. Como somos na verdade “seres de luz” numa variedade de níveis, alguns profissionais de saúde “iluminados” como o psicólogo e fototerapeuta dr. Brian Breiling, referem-se aos seres humanos não apenas como Homo sapiens, mas também como Photo sapiens.” (a palavra PHOTO vem do grego e significa luz).
“Pesquisadores russos e norte-americanos que se dedicam à fotobiologia estudaram os efeitos biológicos produzidos em seres humanos por luzes de diferentes freqüências. Muitos pesquisadores descobriram que luzes de determinadas freqüências produzem efeitos mais intensos sobre as células e os tecidos do que luzes de outras freqüências.
“Além dos efeitos diretos da luz sobre as células do nosso corpo físico, diferentes freqüências e cores de luz podem afetar tanto os nossos sistemas de energia sutil quanto os nossos corpos espirituais.
“Todavia, existem também, diversas técnicas “internas” de cromoterapia que usam principalmente o poder da mente e do espírito para produzir efeitos curativos.
“Nessas técnicas, as cores são simplesmente visualizadas. Não existe realmente nenhuma fonte de luz colorida.”
“A razão para a eficácia da visualização colorida é, sem dúvida, interessante. Acredita-se que o ato de visualizar feixes de luz colorida saindo das mãos do agente de cura cria fortes formas-pensamento que abrem vias de energia psíquica dentro do curador. Assim, isto pode fazer com que o curador torne-se um canal de freqüências específicas para que diferentes tipos de ”cores” de energias curativas sejam direcionadas através de suas mãos. No momento em que os agentes de cura estão visualizando a emanação de feixes coloridos individuais que saem de suas mãos e entram no corpo das pessoas que estão sendo tratadas, observações simultâneas feitas por clarividentes, muitas vezes têm confirmado que é isto, de fato, o que ocorre num nível energético sutil. Em muitos casos, os clarividentes conseguiram descrever, com precisão, saindo das mãos do agente de cura, as cores que este “tencionou” visualizar.”
Renê Nunes, um dos grandes estudiosos e praticantes da cromoterapia no Brasil, em seu livro Cromoterapia Técnica, diz que “a Cromoterapia que é desenvolvida, estudada e aqui apresentada em sua visão mais técnica, é, como poderemos ver, uma Medicina Aternativa, holística, na pura acepção do termo, porque só entendemos um trabalho de regeneração de um corpo ou uma mente física, se forem inseridos, simultaneamente, todos os sistemas inteirados das estruturas físicas/espirituais/energéticas do ser humano.”
Mais adiante, complementa dizendo que “a Cromoterapia, como Medicina Complementar, é toda realizada em níveis energéticos, onde são usados somente recursos naturais, como energia mental, energia espiritual, energia solar, energia elétrica, energias físicas, orgânicas e ambientais, energias estas diferenciadas pelo teor vibratório de cada uma, que são controladas, absorvidas, dinamizadas e projetadas com objetivos específicos, qual seja o fortalecimento e a ajuda do ser humano.”
Edgard Armond foi o responsável por levar a “cromoterapia fluídica” à FEESP, publicando também o livro Psiquismo e Cromoterapia, onde diz que “no campo das curas, o tratamento pelas cores ocupa lugar destacado e é muito utilizado no Plano Espiritual, em suas colônias, sanatórios e postos de socorro.
“No campo físico da matéria ou da energia, nos dois planos, tudo tem forma, som e cor; e há uma escala vibracional característica de cada grupo de elementos afins.
“As cores possuem qualidades específicas e agem produzindo efeitos diferenciados, como sejam: calmantes, repousantes, apaziguadores, refrescantes ou, ao contrário, excitantes, irritantes, gerando bem ou mal-estar, beneficiando ou prejudicando os doentes, aumentando ou diminuindo emoções ou desequilíbrio, provocando alterações fisiológicas ou psíquicas.”
Dessa forma, a cromoterapia fluídica passou a fazer parte dos passes, como recurso adicional para reequilibrar e revitalizar os médiuns e assistidos, física e espiritualmente.

e) Sopro ou insuflação
Segundo Edgard Armond, em Passes e Radiações, “o tratamento pelo sopro é também conhecido há muito tempo e nos tratados de magnetismo se intitula insuflação.
“Consiste em insuflar com a boca, mais ou menos aberta, o hálito humano sobre as partes doentes, fazendo-o penetrar o mais fundo possível na área dos tecidos.
“O sopro pode ser quente ou frio, o primeiro quando se aproxima a boca, aberta, da parte doente, com a simples separação de um pano poroso; e o segundo quando se sopra com os lábios unidos, a certa distância do corpo.
“O sopro quente concentra fluidos e o frio os dispersa.”
Jacob Melo também fala do sopro em O Passe, dizendo que “querer desprezar tão relevantes aspectos não condiz com nosso raciocínio, pois, por inferência, o sopro é a imagem da vida.”
Já André Luiz, no livro Os Mensageiros, transcreve as seguintes palavras do instrutor Alfredo, que diz que “o sopro curador, mesmo na Terra, é sublime privilégio do homem. ...
“Como o passe, que pode ser movimentado pelo maior número de pessoas, com benefícios apreciáveis, também o sopro curativo poderia ser utilizado pela maioria das criaturas, com vantagens prodigiosas.”

f) Água fluidificada
No livro Nosso Lar, André Luiz transcreve as seguintes palavras do enfermeiro Lísias:
“Na Terra, ninguém cogita seriamente de conhecer a importância da água. ... Conhecendo-a mais intimamente, sabemos que a água é veículo dos mais poderosos para os fluidos de qualquer natureza.”
Já Emmanuel, em Segue-me, diz que “a água é dos corpos mais simples e receptivos da Terra.
“É como que a base pura, em que medicação do céu pode ser impressa, através de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma, embora em processo invisível aos olhos mortais.”
Manoel Philomeno de Miranda, em Loucura e Obsessão, diz que “a água, em face de sua constituição molecular, é elemento que absorve e conduz a bioenergia que lhe é ministrada. Quando magnetizada e ingerida, produz efeitos orgânicos compatíveis com o fluido de que se faz portadora.”
É assim que vamos encontrar na fluidificação da água, um meio de prolongar a ação dos passes ou mesmo de garantir a ingestão de fluidos curadores e harmonizantes que muito beneficiam médiuns, assistidos e doentes em geral.
Como a energização do assistido, por meio do passe, está sujeita a perdas, em função de seu comportamento psíquico e até físico, a absorção de fluidos complementares pela ingestão de água fluidificada ajuda a manter o seu quadro energético até a próxima aplicação de passe que receber.
Edgar Armond, no livro Passes e Radiações, diz que “em geral, são os espíritos desencarnados que, durante as sessões, fluidificam a água; porém, este processo poderá ser muito mais popularizado quando se souber que todas as pessoas, em suas próprias casas, poderão obter essa água curativa, bastando proceder da seguinte forma: individualmente ou em grupo de interessados, concentrem-se, formulem uma prece e, colocando uma vasilha com água pura, no centro da corrente assim formada, aguardem alguns momentos, até que espíritos desencarnados, familiares ou não, fluidifiquem a água.
“Se no grupo houver pessoa dotada de alguma sensibilidade espiritual e fé, poderá servir de médium; ela mesma, durante a concentração, poderá fluidificar a água, bastando tomar a vasilha, colocá-la ao alcance das mãos e projetar sobre ela os próprios fluidos; ou, melhor ainda, captar, pela prece, os fluidos cósmicos do espaço e projetá-los sobre a vasilha.
“A água é um ótimo condutor de força eletro-magnética e absorverá os fluidos sobre ela projetados, conservando-os e transmitindo-os ao organismo doente, quando ingerida.”
Como vemos, a água pode ser fluidificada ou energizada por qualquer pessoa dotada de capacidade de captação, movimentação e projeção de energias, sem a necessidade da intercessão ou ajuda direta de qualquer amparador ou mentor.
O instrutor Áulus, no livro Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz, diz que “por intermédio da água fluidificada, precioso esforço de medicação pode ser levado a efeito. Há lesões e deficiências no veículo espiritual a se estamparem no corpo físico, que somente a intervenção magnética consegue aliviar, até que os interessados se disponham à própria cura.”
Sabemos também que a fluidificação da água pode ser genérica ou personalizada. É o que nos diz Emmanuel, em O Consolador, quando afirma que “a água pode ser fluidificada, de um modo geral, em benefício de todos; todavia, pode sê-lo em caráter particular para determinado enfermo, e, neste caso, é conveniente que o uso seja pessoal e exclusivo.”
Uma vez que, para as energias, não há obstáculos materiais de qualquer ordem, pouco importa, para a fluidificação da água, o formato, o tamanho ou a cor do vasilhame, ou se está tampado ou não, pois os fluidos destinados à sua energização a alcançarão independentemente destes fatores.

C. Desenvolvendo a Mediunidade

1. PERCEBENDO o DUPLO, a AURA e os CHACRAS
No livro O Passe, Jacob Melo chama de tato-magnético ou registro psicotátil a capacidade do médium de, pesquisando a aura de outra pessoa, sentir e registrar, por diferença de vibração, as emanações fluídicas do seu perispírito. Diz ele que, “em linha geral, consiste no “tato-sem-tato” do médium sobre o corpo do paciente, normalmente com as mãos, a uma distância relativamente curta, sobre o que se convencionou chamar de “limites externos da alma”, o que, em média, dá um afastamento de uns 5 a 14 cm.
“Como se faz? – Simples. Tal como no passe longitudinal, passa-se as mãos por sobre o paciente, lentamente, numa média de 15 a 25 segundos da cabeça aos pés, e, em vez de, mentalmente, liberar fluidos para o corpo daquele, aguça-se a sensibilidade magnética para perceber, pelas vibrações fluídicas, as emanações que o corpo físico e o perispiritual emitem.”
“...alguns médiuns, em vez de sentirem os fluidos que vêm do paciente, fazem do corpo do paciente um “refletor fluídico”, onde ele projeta fluidos com o intuito de fazer o tato-magnético, e estes se refletem e retornam às suas mãos;”
Como vemos, é possível sentirmos as vibrações da aura, dos chacras e do duplo com as mãos, onde temos pequenos chacras que são sensíveis às diferenças de frequência, temperatura, textura e densidade dos fluidos que nos circundam e às outras pessoas.
Jacob acrescenta que “os passistas experientes nesta técnica, com uma ou duas passagens sobre o corpo do paciente, já detectam muitas e valiosas informações, mas as pessoas que ainda não têm domínio da experiência, nem sensibilidade “psicotátil” apurada, sentirão necessidade de experimentar mais vezes. O tempo e a prática continuada melhoram enormemente tal sensação e registro.”
Ou seja, qualquer pessoa pode desenvolver esta percepção, esta sensibilidade psicotátil por meio de prática, atenção e persistência. E quanto mais pudermos experimentar com várias pessoas, em situações diferentes, mais subsídios teremos para fazermos comparações e mapearmos as diferentes vibrações energéticas humanas.
É isto é especialmente útil a médiuns que trabalham com cura, passes em geral e desobsessão, pois, com esta sensibilidade, podem avaliar melhor o estado de assistidos e entidades desequilibrados, detectando suas reais necessidades e maiores carências, além de poder, inclusive, captar pensamentos e sentimentos por meio desta técnica de leitura energética.

2. TRABALHANDO a AURA e os CHACRAS
Edgard Armond, em Passes e Radiações, diz que “quanto mais ativo ou desenvolvido for o centro de força, maior capacidade de energia ele comporta e, portanto, maiores possibilidades oferece em relação ao emprego dessa mesma energia; e como as faculdades psíquicas são afetadas e estão, em grande parte, subordinadas ao funcionamento dos centros de força, compreende-se que o maior desenvolvimento de um deles acarreta o desenvolvimento da faculdade psíquica correspondente e vice-versa.”
Trabalhar a aura e os chacras é o mesmo que trabalhar as próprias energias, fazendo com que as mesmas circulem de forma mais intensa e regular entre o perispírito e corpo físico, e entre o meio, astral e material, e os nossos corpos.
Essa movimentação, como já destacamos, é essencial para que haja saúde física e espiritual, já que, com o movimento, nossas energias se reciclam e renovam, limpando eventuais cargas mais densas, desfazendo possíveis bloqueios nos chacras e nos órgãos e repondo possíveis perdas energéticas que possam ter ocorridos, seja por que razão for, além de desenvolver, ampliar as capacidades, os potenciais do chacra e da própria aura, como destaca Armond.
Para fazê-la basta acionarmos a vontade, por meio do pensamento e do sentimento direcionados. Como as energias são extremamente dóceis aos nossos comandos mentais e ganham, facilmente, as qualidades que lhes atribibuirmos com o coração e a mente, ao visualizarmos essa movimentação, o sentido que queremos que tome, as ações que queremos que execute, as energias nos obedecem e iniciam o trabalho.
É importante que, antes de iniciarmos qualquer prática ou trabalho com energias, nós elevemos os nossos pensamentos e as nossas vibrações, e nos coloquemos em sintonia com algo maior, com mentes elevadas, com seres de luz, que possam nos garantir uma boa frequência vibratória, de modo a captarmos as energias que possam nos fazer mais bem, física e espiritualmente.
As técnicas usadas para este trabalho de movimentação energética podem ser as mais variadas, sem que haja uma técnica mais ou menos apropriada, uma técnica melhor ou pior que outras. Todas são válidas, desde que tragam bem estar e sejam eficientes para o praticante. O importante é que permitam trabalhar os chacras, desobstruindo-os, e a aura, ampliando-a e sutilizando-a.
O médium que tem por hábito trabalhar regularmente suas energias na aura e nos chacras, terá mais sensibilidade às entidades desencarnadas, sejam amparadores ou obsessores, facilitando o processo do fenômeno mediúnico, a sintonia, a comunicação e a assistência aos espíritos em desequilíbrio.
Além disso, estará sempre promovendo a higienização de suas próprias energias que podem contaminar-se no contato com pessoas desequilibradas ou entidades perturbadas.

3. IDENTIFICANDO e MODIFICANDO ENERGIAS
À medida que trabalhamos nossa aura e nossos chacras, desenvolvemos também nossa sensibilidade energética, apurando-a, aperfeiçoando-a e aprendendo a identificar energias nos ambientes, nas outras pessoas e em nós mesmos.
É o que diz Edgard Armond, no livro Desenvolvimento Mediúnico, quando afirma que “a capacidade de sentir fluidos, tecnicamente desenvolvida, permite ao médium determinar, no seu próprio organismo, o ponto ou os pontos de incidência, segundo a natureza dos fluidos, selecionando-os por sua categoria vibratória, entre os extremos do bom e do mau, do benéfico e do maligno, do fino e do pesado, do excitante e do sedativo, do quente e do frio, etc., podendo, assim, com o correr do tempo, formar, para seu próprio uso, uma escala de valores fluídicos de inegável utilidade na vida prática.
“Permitirá também que os médiuns possam e saibam se defender dos ataques contra eles desfechados pelos maus espíritos, como os fluidos dos ambientes malsãos, como ainda identificar os espíritos qie deles se aproximarem, distinguindo e classificando as vibrações lançadas a distância e delas defendendo-se em tempo hábil.”
Identificando energias e sabendo que são muito sensíveis e dóceis à nossa ação mental e vibratória, podemos também modificar energias nos ambientes, objetos, pessoas e em nós mesmos.
Ao percebermos energias à nossa volta que nos pareçam densas e negativas, podemos trabalhar para dispersá-las ou mesmo sutilizá-las, tornando-as inofensivas ou benéficas para nós e para quem estiver conosco.
Isto é especialmente útil ao médium que pode usar este recurso para identificar entidades durante os trabalhos e, se necessário, anular sua influência vibratória ou reduzir esta influência para que não perturbem a reunião ou tragam desequilíbrios a ele mesmo e aos companheiros de trabalho.

4. USANDO o PENSAMENTO e os SENTIMENTOS
Usando o pensamento e o sentimento, podemos mudar as energias em nós e fora de nós. Elevando nossos pensamentos e sentimentos a padrões vibratórios mais sutis, podemos elevar também a frequência das nossas energias e das energias à nossa volta para padrões mais sutis.
Este é, com certeza, o melhor recurso de que dispomos para modificar nossas energias e mantê-las em padrões saudáveis, iluminados, benéficos. Por esta razão, não devemos nunca menosprezar o poder de que dispomos pelos pensamentos e sentimentos que externamos em palavras, gestos, escolhas, idéias, posturas, conduta (social, profissional e familiar), etc. Nossa vida interior é a melhor ferramenta de que dispomos para modular nossas próprias energias, em nosso favor e em benefício de outras pessoas.
O médium consciente deste mecanismo e que aprende a controlá-lo, pode usá-lo de forma lúcida e ativa em sua atividade mediúnica, pois sabe que pode ajudar os espíritos perturbados a compreenderem melhor sua condição e pode também ajudar os mentores e amparadores a dar assistência a essas entidades ou aos próprios encarnados, inclusive os próprios médiuns, colhendo neles energias que lhes permitem interagir de forma mais direta com os planos mais densos.
Ernesto Bozzano, no livro Pensamento e Vontade, diz que não há “nada mais importante para a pesquisa científica e a especulação filosófica, do que a demonstração apoiada em fatos, da seguinte proposição: pode um fenômeno psicológico transformar-se em fisiológico; o pensamento pode fotografar-se e concretizar-se em materialização plástica, tanto quanto criar um organismo vivo.
“De outro modo falando, nada é tão importante para a Ciência e a Filosofia, como averiguar que a força do pensamento e a vontade são elementos plásticos e organizadores.”
Aprendendo a usar o pensamento e os sentimentos para transformar energias, o médium desenvolve também maior sensibilidade para lidar com espíritos desencarnados, podendo, inclusive, modular suas próprias energias e as do ambiente em que se encontra para facilitar, bloquear ou controlar a manifestação mediúnica, por seu intermédio ou de outros colegas do grupo a que pertence.

5. MANIPULANDO ENERGIAS
Além dos pensamentos e sentimentos, contamos ainda com mais algumas ferramentas para trabalhar e modificar energias.
Uma delas é a visualização, que, na verdade, é apenas uma variação do próprio pensamento.
Pela visualização, podemos atribuir, às energias, cores, luzes, texturas, movimentos, temperatura, consistência, formas, brilhos, vibrações, direção, etc, dando a elas maior força para alcançarem aquilo que pretendemos. Cada uma dessas “diferenciações” tem características próprias, vibrações próprias, que podem ser usadas para se facilitar a obtenção do efeito desejado.
Por meio da visualização, podemos também canalizar as energias para outras pessoas ou entidades, grupos, locais, objetos, etc. Podemos, ainda, modulá-las para que sejam melhor absorvidas, pressentidas e aproveitadas por aquele ou aqueles que as recebem. Isso é especialmente útil para os médiuns que trabalham com passes e práticas energéticas de aplicação, projeção ou doação de energias e fluidos em geral.
Sendo a mente um poderoso modelador das nossas energias e fluidos, o médium deve saber usá-la de forma produtiva e ÉTICA, dentro e fora do trabalho mediúnico, de forma a criar apenas formas saudáveis, que contribuam para o bem estar das pessoas e para a boa qualidade da atmosfera psíquica que o rodeia.
No trabalho mediúnico a visualização também é importante, pois o médium pode ajudar muito a orientação de entidades desequilibradas plasmando, ao seu redor, formas que ajudem a entidade a compreender suas condições, as causas disso, suas opções no presente, etc.
Além da visualização, podemos também usar nossas mãos, em gestos e movimentos rítmicos, que produzam determinadas alterações nas energias, de modo a alcançarmos o que desejamos. Podemos também usar nossa respiração, nossos olhos, e qualquer outro recurso que, como médiuns, percebemos que facilita o nosso trabalho e nos ajuda a obter o resultado desejado.

6. MÉTODO das CINCO FASES – Edgard Armond
Sentindo dificuldade em encontrar médiuns realmente bem preparados para o trabalho, sem desequilíbrios ou desvios teóricos e práticos no exercício da mediunidade, Edgard Armond desenvolveu, ainda na década de 50, na FEESP, um método para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de médiuns, que chamou “Método das Cinco Fases”. Ao que parece, este foi o primeiro e, talvez, o único método de aprendizado mediúnico sistematicamente desenvolvido com base no estudo, no acompanhamento e na observação prática de médiuns em atuação.
Inicialmente, Armond pensava em aplicá-lo apenas a médiuns já desenvolvidos e em atividade, com a intenção de corrigir desvios e falhas, mas, com o tempo, percebeu que era necessário acompanhar o desenvolvimento dos médiuns desde o início, evitando, assim, vícios, confusões, interpretações equivocadas, etc. Por esta razão, já na década de 60, ele o incorporou à escola de médiuns desde as primeiras aulas, propiciando aos novos médiuns treinamento seguro e didático de suas próprias faculdades, num ambiente seguro e controlado.
Para isso, organizou o método num livro que chamou Desenvolvimento Mediúnico, onde afirmou que “nenhum processo, até o presente, foi adotado para o desenvolvimento prático de faculdades mediúnicas; nenhum sistema metódico e de caráter didático que, na realidade, resolvesse as inúmeras dificuldades e sutilezas que tal problema apresenta, dos pontos de vista técnico e operacional.
“Por toda parte, o que se observa é um generalizado empirismo, quando não o arbítrio individual ditando regras, produzindo desorientação, malbaratando valores mediúnicos aproveitáveis e retardando a difusão doutrinária.
“O que predomina é o sistema que vem de longa data, que vem de longe, de mandar que os médiuns se sentem às mesas e aguardem o desenvolvimento, a mediunidade se manifestando por si mesma, como for possível, sem nenhum método ou encaminhamento, pela ação dos espíritos desencarnados, bons ou maus, que frequentam estas reuniões, ficando os médiuns sujeitos a verdadeiras aventuras que também podem terminar bem ou mal.
“É fora de dúvida que as forças espirituais, sobretudo as de esferas inferiores, não podem ser manejadas de qualquer maneira, por qualquer pessoa, sem resguardo e preparação adequada, sem um mínimo tolerável de conhecimento especializado.
“O sistema antiquado de sentar à mesa – que é uma tradição que vem dos primeiros tempos do Espiritismo – não passa de um hábito que deve ser substituído por conhecimento especializado e é nesse sentido que escrevemos este trabalho e o apresentamos aos dirigentes de sessões espíritas e de cursos de médiuns, na esperança de que seja útil e resolva tão delicado e antigo problema funcional, ou, quando não, que, pelo menos, valha como uma sincera cooperação.”
Desde então, o seu método vem sendo usado por várias casas espíritas para o desenvolvimento prático de médiuns, com excelentes resultados, dando aos iniciantes mais segurança, autocontrole, conhecimento e destreza para participar dos fenômenos mediúnicos.

a) Primeira fase - Percepção de fluidos
Nesta fase, os amparadores encarregados da instrução do grupo estudam o organismo dos médiuns e registram os seus pontos mais sensíveis, medindo o grau de sensibilidade de cada um.
Em seguida, o dirigente encarnado pede a estes amparadores que projetem jatos de fluidos sobre os pontos observados em cada um dos médiuns, os quais devem, então, perceber, sentir esta projeção.
Segundo Armond, esta percepção deve, necessariamente, ocorrer por dois motivos básicos:
- porque os amparadores projetaram os fluidos nos pontos certos, previamente observados e anotados;
- porque eles também “personalizaram” esses fluidos, de acordo com a sensibilidade de cada um, elevando ou abaixando a sua vibração, para que estejam mais próximos da faixa de sensibilidade energética dos médiuns
Embora a percepção de fluidos não seja, de fato, uma capacidade mediúnica em sua origemm e manifestação, pode ser mediunicamente desenvolvida pela ação de amparadores e instrutores espirituais e, quando bem treinada e interpretada, é muito útil aos médiuns, pois lhes permitirá mapear seus próprios pontos sensíveis, ao mesmo tempo em que criam uma classificação própria de fluidos, de acordo com os efeitos que provocam em si mesmos.

b) Segunda Fase – Aproximação
Nesta fase, a uma solicitação do dirigente, os amparadores interrompem a projeção de fluidos e se aproximam dos médiuns, fazendo-se pessoalmente sentidos. Os médiuns devem, portanto, sentir, perceber a aproximação e/ou a presença das entidades à sua volta.
A diferença aqui está no fato de, como os fluidos não estão mais sendo projetados sobre os pontos sensíveis, os médiuns terem que perceber a “movimentação” das entidades de forma mais abrangente, sem estar focados em um ou dois pontos específicos. É como se os médiuns passassem a sentir, ver e perceber com todo o corpo, registrando a presença dos amparadores ao seu lado.
Desta vez os médiuns não estão recebendo qualquer estímulo de sensibilidade, cabendo unicamente a eles perceber a aproximação e o afastamento das entidades, de maneira geral.
Esta capacidade bem desenvolvida permite aos médiuns prever e até evitar aproximações e contatos com pessoas, encarnadas e desencarnadas, negativas, hostis ou desequilibradas.

c) Terceira fase - Contato
Nesta fase, os intrutores espirituais, já tendo se aproximado dos médiuns, tocam, estabelecem contato com os mesmos, atuando sobre os chacras e a aura, de forma a serem realmente sentidos pelo tato psíquico ou energético.
Este contato pode ser feito com as mãos ou em áreas maiores, interpenetrando parcialmente a aura e o perispírito do médium. Pode também ser feito nos chacras do duplo, nos plexos nervosos e glândulas do físico ou nos pontos mais sensíveis, anteriormente observados.
Quando o contato se dá pelos chacras, o médium sentirá breve manisfestação de sua mediunidade, uma vez que os amparadores estarão agindo sobre o duplo.
Quando o contato ocorre pelos plexos e glândulas do físico, as manifestações serão reflexas, como tremores, espasmos e repuxamentos nas áreas atingidas pelo plexo e a glândula acionados.
Quando, no entanto, o contato ocorre nos pontos mais sensíveis, as sensações serão muito mais nítidas e localizadas que pelos modos anteriores, e serão também mais intensas que nas fases de percepção e aproximação.

d) Quarta fase – Envolvimento
Esta fase é o mesmo que o acoplamento áurico, já descrito. Nela, os amparadores “envolvem”, energeticamente, a mente dos médiuns, expandindo este envolvimento, na medida do possível, para todo o perispírito, “abrançando-o” com a sua aura.
Quanto maior o envolvimento, menor será o grau de consciência do médium durante o transe.
Assim, nas comunicações puramente telepáticas, o envolvimento não passa da mente espiritual, não havendo qualquer contato áurico ou perispiritual mais intenso, podendo, inclusive, as entidades se comunicar a distância, sem estar “presentes” no ambiente do trabalho.
Já nas comunicações inconscientes ou mecânicas, o envolvimento se dá diretamente sobre o órgão ou parte do corpo físico a ser utilizada para a manifestação, estendendo-se, em seguida, a todo o corpo e a aura do médium.
E nas comunicações semiconscientes ou semimecânicas, o envolvimento acontece tanto na mente, como no órgão ou área do corpo físico relacionada com o tipo de manifestação.
Já nesta fase pode haver comunicação ou transmissão de mensagens, sem que seja necessário chegar à fase seguinte.

e) Quinta fase - Manifestação
Esta fase é a finalização do processo, a comunicação propriamente dita e direta da entidade em nosso plano.
Pode ser verbal ou escrita; consciente, semiconsciente ou inconsciente; mecânica ou semimecânica, conforme o tipo de faculdade do médium.

D. Exercendo a Mediunidade

1. HARMONIZAÇÃO INICIAL, LIMPEZA e ENCERRAMENTO
Todo trabalho mediúnico deve ter começo, meio e fim, ou seja, sequência lógica e programa de atividades. E cada uma dessas “partes” deve acontecer em sincronia com a atividade de amparadores e mentores que estejam dirigindo ou colaborando com as atividades do plano físico.
Para que isso aconteça é interessante que o trabalho tenha um programa, uma escala de tarefas, uma sequência lógica de etapas, que ajude encarnados e desencarnados a trabalharem de forma sincrônica, otimizando não só o tempo, mas também as energias físicas, mentais e espirituais de todos.
Em geral, um trabalho mediúnico básico tem o seguinte roteiro ou programação:
- harmonização inicial ou preparação;
- atendimento, orientação ou assistência a entidades desencarnadas e/ou a assistidos;
- limpeza de trabalhadores encarnados;
- recepção de mensagens e orientações de mentores ou amparadores presentes;
- encerramento.
Destas etapas, aqui falaremos um pouco sobre preparação, limpeza e encerramento, uma vez que das outras duas estamos tratando ao longo de todo este trabalho.

a) Preparação
A preparação, muito mais do que uma saudação aos espíritos presentes ou dirigentes do trabalho, muito mais que um ritual, é uma providência necessária, que garante a homogeneização e a harmonização dos pensamentos, sentimentos e energias dos participantes, encarnados e desencarnados. Com todos os trabalhadores do grupo focando sua atenção no mesmo alvo, sendo conduzidos pelas palavras de uma única pessoa, visualizando as mesmas imagens, ou imagens criadas a partir da mesma essência ou idéia, é muito mais fácil conseguirmos um campo energético coletivo (ou egrégora) homogêneo, coeso, harmônico, voltado para os mesmos objetivos.
Além disso, durante esta preparação e harmonização inicial, os amparadores aproveitam para nos ajudar a trabalhar nossas próprias energias, gerando as vibrações diferenciadas mais apropriadas ao trabalho que deverá ser realizado, participando ainda da limpeza da aura e dos chacras de todos, para que a sensibilidade possa estar o mais ativa e intensificada possível.
Durante esta preparação, é possível ainda fazer a sintonia com a a atmosfera fluídica do ambiente, preparada muitas horas antes pelos amparadores, para garantir segurança e eficiência aos trabalhos, de acordo com os serviços a serem desenvolvidos naquela reunião.
Como vemos, muito mais do que um ritual, a preparação da reunião mediúnica destina-se à criação da infraestrutura energética e espiritual necessária ao trabalho, disponibilizando recursos fluídicos e vibratórios de acordo com as necessidades dos trabalhadores e dos assistidos, para que possam ser feitas cirurgias espirituais, atendimentos psicológicos, encaminhamentos, orientações, esclarecimentos, tratamentos energéticos, etc.
Desta preparação constam, em geral, uma prece ou mentalização dirigida, BREVE e ESPONTÂNEA, em voz alta, dita por um dos trabalhadores encarnados, focando a elevação de pensamentos e sentimentos, e uma prática energética que permita a todos equilibrarem-se, harmonizarem-se entre si e com o ambiente, e sintonizarem-se com os amparadores presentes.

b) Limpeza
A limpeza, como o próprio nome diz, destina-se à higienização e rearmonização dos trabalhadores, após os trabalhos, especialmente naqueles destinados à orientação a desencarnados e ao atendimento a assistidos. Para isso, qualquer prática energética bem feita, em perfeita sintonia com os amparadores, será suficiente.
Por mais que os trabalhadores estejam sintonizados aos amparadores durante os trabalhos, sempre há desgaste de energia e algum desequilíbrio pelo contato com as emoções, diversas situações espirituais e energias daqueles que foram atendidos.
Além disso, como seres humanos imperfeitos, os médiuns também estão sujeitos aos desequilíbrios, à desarmonia, devendo, portanto, ter o cuidado de restabelecer e manter seu padrão vibratório sempre que necessário.
Durante a limpeza, os amparadores presentes não só ajudarão os médiuns a retirarem de sua aura e chacras as energias mais densas e nocivas que, por acaso, tiverem se instalado durante os trabalhos, como também os ajudarão a repor as energias despendidas nos atendimentos e nas manifestações, distribuindo-as de forma a restabelecer o equilíbrio energético de seus corpos.

c) Encerramento
Assim como fazemos a preparação, para homogeneizarmos energias e para nos sintonizarmos com a atmosfera fluídica do ambiente, devemos também fazer o encerramento, para nos desligarmos dessa atmosfera e das energias do trabalho.
Em verdade, este procedimento tem muito mais efeito psicológico e sentimental, do que propriamente prático, já que se destina a “sugestionar” positivamente os participantes encarnados a se desligarem dos atendimentos, dos casos que passaram pelo grupo, das energias movimentadas durante o trabalho, bem como a induzi-los ao sentimento de gratidão, saudável e elevado, para com os amparadores, que os ajudaram e orientaram, e para com o Criador que permitiu a realização da reunião.
Uma simples prece ou mentalização, BREVE e ESPONTÂNEA, com algumas palavras vindas do coração, ditas em voz alta, são suficientes para que os trabalhadores “se despeçam” dos amparadores, da casa, do grupo, do trabalho, enfim, desligando-se dos trabalhos do dia e voltando à sua vida normal.

2. ACOPLANDO com ESPÍRITOS ELEVADOS
O acoplamento com espíritos de luz, amparadores ou mentores deve também ser estudado e treinado, para um melhor aproveitamento das capacidades do médium, de modo a interferir o mínimo possível na mensagem a ser transmitida, sem deixar de interferir positivamente no fenômeno em si.
Embora pouco se fale do assunto, o acoplamento com espíritos mais elevados também pode causar desconforto, ansiedade, insegurança, mal-estar, etc.
Sendo espíritos de luz, de padrão vibratório mais elevado que os encarnados em geral, tendo ainda lucidez, rapidez mental e equilíbrio emocional muito mais acentuados que os encarnados, suas energias podem provocar algumas reações desconfortáveis nos médiuns.
É comum a sensação de aperto, dor, opressão ou atividade nos chacras superiores (cardíaco, laríngeo, frontal e coronário), bem como sensação de pressão, com dor, na cabeça, especialmente na nuca e nas têmporas.
Pode também ocorrer amortecimento do rosto e de um ou de ambos os braços, aceleração do ritmo cardíaco e respiratório, bocejos, lacrimejamento excessivo, etc.
Isto ocorre porque não estamos acostumados ao contato com energias tão sutis e de padrão vibratório tão acelerado, o que acarreta uma série de alterações que, num primeiro momento, nos parecem bastante desagradáveis.
No entanto, apesar do desconforto, estas manifestações são bem diferentes daquelas causadas por entidades desequilibradas e perturbadas, porque, ao contrário destas, elas vêm acompanhadas de sentimentos e pensamentos elevados, imagens luminosas, idéias positivas, palavras de incentivo e reconforto, etc.
Mais do que às sensações, portanto, o médium deve prestar atenção, principalmente, aos sentimentos e aos pensamentos que a entidade lhe transmite, pois com isso poderá saber se se trata de entidade bem intencionada ou não.

3. CONVERSANDO com ESPÍRITOS ELEVADOS
Por mais elevado que seja o espírito com que estejamos em contato, não devemos nunca nos esquecer de que espíritos nada mais são que pessoas, criaturas com boas e más qualidades, também imperfeitas e ainda trabalhando por sua evolução e crescimento.
Isso significa que, seja quem for o espírito, nunca será infalível, livre de defeitos ou enganos, completamente isento de desvios ou perturbações, embora possa ser mais equilibrado, mais sábio e mais experiente que o médium pelo qual se manifesta ou que o trabalhador com quem conversa.
Ao tratarmos com um suposto espírito de luz, devemos sempre nos ater ao conteúdo de sua mensagem, ao que ela nos acrescenta de positivo, de elevado, ao que ela nos ensina de bom, ao que ela nos induz a fazer, pensar e desejar como espíritos.
E, justamente por não serem seres perfeitos, é que devemos também estar preparados para questioná-los, caso algo que digam não faça sentido para nós ou seja contraditório em relação àquilo que vem sendo aprendido ou praticado.
Isso não significa que o que aprendemos não possa ser modificado ou mesmo anulado por algum ensinamento novo. No entanto, antes que possamos aceitar aquilo que um espírito nos diz, é preciso que analisemos o que é dito para sabermos se está de acordo com nossa razão, se faz sentido para nós.
Por outro lado, o fato de sabermos que um espírito de luz também está sujeito a erros, não significa que devemos questioná-lo indiscriminadamente, a pretexto de sermos prevenidos. Basta que prestemos atenção às palavras, às idéias e à maneira como tudo isso é transmitido, analisando a essência da mensagem como um todo.
Outro aspecto importante é o excesso de formalidade e cerimônia no trato com estes espíritos. Sendo pessoas como nós, eles merecem e devem ser tratados com o mesmo respeito, carinho e atenção que dedicamos a qualquer outra pessoa. Nem mais, nem menos. Inclusive, porque não é pelo excesso de formalidade ou cerimônia com que se trata um espírito que se mede o respeito ou o carinho dedicados a ele.
Em tudo, o discernimento, o bom senso e o equilíbrio devem estar sempre presentes, para não corrermos o risco de sermos confundidos pela nossa própria ignorância ou ingenuidade irresponsável.

4. ACOPLANDO com ESPÍRITOS PERTURBADOS
Como dissemos acima, espíritos são pessoas desencarnadas, com boas e más qualidades, tanto quanto nós mesmos, também trabalhando para crescer espiritualmente, tornando-se consciências melhores.
Isto significa que, seja quem for o espírito perturbado, nunca será completamente mau, irremediavelmente fadado à ignorância ou às trevas, sem algo de bom dentro de si mesmo.
Todo espírito, seja bom ou mau, é filho de Deus, é criação de Deus, e, como tal, por pior que nos pareça, não está nunca fadado ao mal eterno. O mesmo potencial de crescimento e elevação que qualquer um de nós possui, também estes espíritos possuem e é por esta perspectiva que devem ser tratados, orientados e esclarecidos.
A mesma luz que ilumina os espíritos mais elevados, também ilumina estes espíritos em desequilíbrio. A diferença está em que os primeiros já aprenderam a aumentar sua luz, fazendo-a brilhar mais forte, fazendo-a também brilhar em seu benefício e em benefício de outras criaturas, o que também os espíritos em desequilíbrio podem aprender e, com certeza, aprenderão, cedo ou tarde.
O trabalho com espíritos perturbados e desequilibrados exige também treino e cuidados para surtir bons resultados, tanto para eles, como para os médiuns que os manifestam e os orientadores que os esclarecem.
Infelizmente, uma tradição equivocada dos chamados trabalhos de desobsessão, difundiu a crença de que obsessores e, portanto, espíritos desequilibrados, são “demônios”, seres maléficos, perversos, inimigos mortais dos encarnados, como se entre os encarnados também não encontrássemos seres com as mesmas características de personalidade.
No entanto, quanto espíritos de luz, eles também merecem o nosso respeito, o nosso carinho e a nossa atenção, devendo ser tratados com educação, compaixão, interesse sincero pelo seu bem estar e a sua iluminação.
O acoplamento áurico com espíritos perturbados pode causar muito desconforto, mal-estar e até desequilíbrios, se não for treinado e estudado também. Não se trata de estabelecer estratégias ou artimanhas para enganá-los ou flagrá-los em erro, mas de saber quais são os distúrbios mais comuns, as características de espíritos nestas condições, como se pode ajudá-los, o que sentem, o que pensam, o que precisam, o que desejam, como agem e pensam, etc.
Muitos deles agem com maldade e até pretendem nos prejudicar por ignorância, mas isso também é parte do desequilíbrio e deve ser entendido desta maneira, para que não se criem preconceitos e, pior, não se tome como pessoal o que dizem ou fazem.
O médium que se conhece bem, que sabe bem como trabalhar as próprias energias, que sabe como interferir nas energias de espíritos com que acopla, que conhece os mecanismos mentais e energéticos envolvidos nesse tipo de fenômeno, trabalha com segurança com espíritos desequilibrados, respeitando-os como individualidades e consciências, mas sem temê-los, sem temer seus ataques, suas ameaças, suas perturbações e alucinações, pois controla a manifestação com firmeza, com pensamentos e sentimentos elevados, acompanhando de perto todos os lances da comunicação, interferindo positivamente, ajudando a entidade a entender e mudar sua situação.

5. CONVERSANDO com ESPÍRITOS PERTURBADOS
Espíritos nestas condições são, em sua maioria, criaturas profundamente carentes de amor, esclarecimento e compreensão. Isso não significa que vamos tratá-los apenas com carinho, pois eles também precisam de firmeza, de alguém que lhes mostre em que estão se prejudicando e o que podem fazer para mudar isso.
Para isso, só carinho e respeito não são suficientes. É preciso, conhecimento, firmeza, confiança e alguma frieza (no bom sentido), especialmente do orientador, aquele que conversa com a entidade, que a esclarece enquanto ela se manifesta pelo médium.
Enquanto o médium deixa-se envolver emocionalmente com a entidade, para que ela possa expressar toda a sua dor, perturbação e desequilíbrio, o orientador, ao contrário, não pode se deixar envolver emocionalmente pelo seu relato ou pelas suas condições, para que a sua capacidade de discernir e avaliar a situação não seja prejudicada, acarretando prejuízos também para o médium e para si mesmo, além de complicar ainda mais o estado da própria entidade.
E o médium, mesmo envolvido emocionalmente com a entidade que está se manifestando através dele, deve procurar manter o equilíbrio mental e espiritual, mantendo pensamentos e sentimentos elevados pela entidade, ao mesmo tempo em que conversa mentalmente com ela, sugerindo-lhe idéias que possam acalmá-la e esclarecê-la.
Além disso, o médium pode e deve também emanar energias que possam ajudar no reequilíbrio da entidade e no trabalho de orientação que está sendo feito, garantindo o sucesso do mesmo.
Para este tipo de trabalho, algum conhecimento básico de Psicologia é sempre muito útil, tanto para médiuns, como para orientadores, pois espíritos perturbados são pessoas desencarnadas perturbadas, que podem se beneficiar muito desse conhecimento e das técnicas já consagradas pela Psicologia tradicional da Terra.

6. CURA ESPIRITUAL ou ENERGÉTICA
Como já vimos, tudo é energia, em diferentes graus de densidade, inclusive o nosso corpo físico. E como já dissemos, todas as doenças físicas são originárias de desequilíbrios psíquicos e energéticos que, antes de se manifestarem no físico, manifestam-se nos corpos sutis.
Todos os distúrbios orgânicos e psicológicos, que surgem no plano físico, iniciaram-se como processos energéticos, no plano astral, desequilibrando o psicossoma e, com isso, trazendo desequilíbrio para o corpo físico.
É também o que deixa claro Choa Kok Sui, no seu livro Milagres da Cura Prânica, quando afirma que “clarividentemente, podem-se ver as doenças no corpo de energia antes mesmo que se manifestem no corpo físico visível. Os não-clarividentes podem explorar ou sentir que a aura interna da parte afetada está maior ou menor do que habitualmente. ... Essas áreas, quando exploradas, podem ser sentidas como buracos na aura interna.”
Mesmo as doenças cármicas ou congênitas (de nascença), são frutos de desequilíbrios psíquicos e energéticos do psicossoma, causados por desvios do espírito em vidas anteriores.
Muitas vezes, os males físicos são apenas drenagens de males espirituais, aliviando a carga energética desequilibrada do espírito, para que ele possa vir a reencarnar mais saudável e equilibrado num futuro não muito distante.
Sendo todas as doenças de fundo energético ou espiritual, nada mais natural que possamos, preveni-las, tratá-las, amenizá-las e curá-las com o uso de energias e de modificações energéticas.
As curas espirituais nada mais são que curas energéticas, conseguidas pela mudança do padrão vibratório do duplo das células físicas.
Choa Kok Sui, diz também que “o termo “cura paranormal” pode não ser muito adequado. O que se considera cura paranormal hoje talvez se torne algo bastante comum e normal daqui a algumas décadas.”
A mente pode atuar sobre as energias, dando-lhes as características que desejar, dependendo do fim que se pretende. Assim, o médium pode projetar energias curadoras sobre pessoas doentes, interferindo no seu estado físico e, muitas vezes, conseguindo a sua cura.
As energias modificadas e projetadas pelo médium, e também manipuladas ou complementadas pelos amparadores, vão atuar sobre o duplo das células físicas do órgão ou região doente, modificando sua vibração e sua vitalidade, incrementando também sua própria carga fluídica.
Como o duplo é a matriz energética, a fôrma fluídica sobre a qual o corpo físico foi modelado, pela aglutinação do fluido vital, ao atuar sobre o duplo das células físicas, atuamos também sobre o físico, pois modificamos a “fôrma” sobre a qual estas células físicas estão “apoiadas”, fazendo com que tenham que se readaptar, modificando seu funcionamento, estrutura, etc.
Assim, as cirurgias espirituais, na verdade, não precisam de qualquer manipulação física direta, como cortes ou perfurações, uma vez que o processo ocorre todo em nível energético celular.
O que acontece, muitas vezes, é que, como as energias são muito suscetíveis à mente do paciente e este não acredita na cura puramente energética, o tratamento puramente fluídico não surte qualquer efeito, ao passo que, quando o paciente se submete a cirurgias espirituais com ação direta sobre o físico, ele se cura, pela simples auto-sugestão psicológica. Ou seja, como acredita mais na cirurgia que “vê” e “sente”, ele se cura, muito embora pudesse se curar sem ter o seu corpo físico “agredido”.
O passe e todas as práticas energéticas com transfusão ou projeção de energias são práticas de cura espiritual. O melhor ou pior resultado, no entanto, depende apenas da capacidade de doação e mentalização positiva do médium, bem como da fé e, principalmente, da conscientização do paciente, para que compreenda que foi o único causador de sua própria doença e também de sua cura, cabendo somente a ele manter saudável o seu corpo físico, pela mudança de pensamentos, sentimentos e atitudes para padrões mais elevados e iluminados.
Para o trabalho de cura, o médium deve ter consciência de que deve, mais ainda, cuidar muito bem de sua higiene física, mental, espiritual e energética, trabalhando sempre para manter pensamentos e sentimentos elevados, hábitos sadios e equilibrados, vida harmoniosa e atividade espiritual regular e positiva, garantindo, assim, que os fluidos e energias que projetar sobre os pacientes possam propiciar-lhes bem-estar, saúde, fortalecimento e recuperação.
No entanto, é muito importante também que o médium tenha em mente, como já dissemos, que a cura não depende somente dele, já que depende muito mais da própria atitude pessoal do paciente para com a doença e a mudança interna de padrões que propiciaram o desequíbrio e a doença.
O médium faz o melhor que pode, ajudado e sintonizado com os amparadores, mas deve estar ciente que a cura propriamente dita, ou seja, o resultado do seu trabalho não lhe pertence e nem depende mais dele, pois é muito mais uma questão íntima entre Deus e o próprio paciente.

7. ASSISTÊNCIA a DISTÂNCIA
Também na assistência a distância, depende o médium da participação direta do próprio assistido, sem a qual qualquer tratamento, assistência ou ajuda, seja de que tipo for, perde o efeito ou o poder.
É muito comum vermos nos centros espíritas pessoas que vão em busca de assistência para pessoas queridas que se recusam a ir, elas mesmas, ao centro buscar ajuda, ou nem sequer acreditam nesse tipo de ação. Nestes casos, é muito importante que o médium esteja ciente das limitações impostas pelo próprio assistido que, muitas vezes, não está nem ciente da assistência que está recebendo.
É importante também que o próprio médium, ou alguém preparado para isso, esclareça a pessoa que foi pedir a assistência, no sentido de que o benefício poderá não alcançar o assistido, uma vez que ele está, consciente ou inconscientemente, alheio ao processo.
No entanto, se o assistido, mesmo distante, estiver ciente da assistência e concordar com ela, desejando realmente receber os seus benefícios, melhorando suas condições, a assistência a distância poderá ter o mesmo efeito de um passe dado pessoalmente, já que, como já dissemos, para as energias não existem impedimentos de ordem material, como distâncias, obstáculos, anteparos, etc.
É importante destacar que, mesmo no passe dado pessoalmente no centro, para que haja sucesso e resultado positivo, é necessária a anuência, a fé e a boa disposição do assistido em relação ao processo, colocando-se em condições receptivas, por sua própria atitude mental e emocional, para absorver os benefícios projetados sobre ele pelo passe.

8. ANALISANDO e INTERPRETANDO MENSAGENS MEDIÚNICAS ESCRITAS e FALADAS
Nunca será demais ressaltar a necessidade de discernimento e bom senso na prática mediúnica.
Em se tratando da análise e interpretação de mensagens, escritas ou faladas, é ainda mais importante relembrar esta atitude.
Mensagens mediúnicas ou mensagens de espíritos desencarnados não passam de mensagens de pessoas que já viveram na Terra e, no momento, estão passando uma temporada no plano espiritual.
Assim sendo, podem ser boas ou más, positivas ou negativas, coerentes ou contraditórias, coesas ou desconexas, exatamente como o são todos os seres humanos.
Portanto, ao analisarmos ou interpretarmos mensagens mediúnicas, seja de que tipo forem, não podemos deixar de levar este aspecto em consideração, cuidando para que não nos deixemos influenciar, emocional ou intelectualmente, por nomes, títulos, vocabulário, linguagem, postura ou qualquer outra referência que o espírito usar para identicar-se. Também não nos devemos impressionar com a fama ou a “autoridade” do médium de que o espírito se serve.
Importa-nos, muito mais, o conteúdo das mensagens, como já dissemos várias vezes. Assim, ao analisarmos uma comunicação, devemos nos fixar na essência do que ela nos transmite. Não importa se a linguagem é erudita ou vulgar, se o estilo é refinado ou popular, pois isto é secundário.
É claro que o médium por quem se transmite a mensagem é uma boa referência para se fazer uma primeia análise sobre a própria mensagem. Quanto mais sério, responsável, equilibrado e coerente for o médium, mais poderemos confiar nas mensagens que transmite, uma vez que espíritos elevados e sérios só se darão a comunicar por intermédio de médiuns que tenham o mesmo perfil, ainda que em menor grau. No entanto, esta não deve ser uma regra definitiva, nem a única regra, pois o médium é também um espírito imperfeito, tentando crescer e evoluir, mas ainda sujeito a falhas, defeitos e enganos.
Aliás, o bom médium, o médium comprometido com o em coletivo, o médium consciente de sua condição de espírito imperfeito, jamais confia cegamente em sua capacidade mediúnica, em seus dons psíquicos, em seu discernimento espiritual, e pede sempre o concurso, a ajuda, a orientação e a opinião de outros companheiros igualmente sérios e equilibrados, para que tudo aquilo que produz seja imparcialmente analisado, interpretado e avaliado.
Por isso, o médium não pode nunca ser pessoa melindrosa, com tendência a ofender-se facilmente, exageradamente sensível a comentários de terceiros, pois é por meio destes comentários que ele pode mais aperfeiçoar seu trabalho e sua produção mediúnica.

E. Mediunidade na Prática

1. ESTUDO

a) Necessidade e importância de estudo contínuo
O conhecimento humano está em constante progresso. Novas descobertas são feitas diariamente. A ciência não pára e, quanto mais o homem aprende a respeito da vida, do mundo e de si mesmo, mais tem consciência de que nada sabe, exatamente como já expressava Sócrates há milhares de anos.
Com a espiritualidade e a mediunidade não é diferente. A cada dia sabemos mais a respeito da nossa condição de espíritos em experiência passageira pela carne. A cada dia a ciência chega mais perto de comprovar a realidade da vida espiritual. A cada dia mais e mais pessoas têm experiências mediúnicas, mesmo sem saber do que se trata. A cada dia novos conhecimentos nos chegam, trazidos, inclusive, pela pela própria espiritualidade, através da mediunidade.
Como, então, nos mantermos “atualizados” diante de tanta oferta de informação? A resposta é simples: estudo, estudo e mais estudo.
O trabalhador espiritualista precisa saber que o estudo deverá ser uma constante em sua vida, se ele, de fato, quiser ser um trabalhador consciente, equilibrado e de qualidade para a espiritualidade.
E, para isso, ele precisará de mente aberta, disposição para a observação e o aprendizado, ausência de preconceito, interesse pelo que o outro tem a dizer e ensinar, respeito pelas crenças e idéias alheias, humildade para reconhecer o que não sabe e também para expressar o que acha que sabe e, acima de tudo, consciência de que, seja o que for que estiver estudando, tudo é obra de Deus, consequência da vontade dEle.

b) Amor ao estudo, sem apego ao que é estudado
No entanto, amor ao estudo não significa apego ao que é estudado. Ou seja, estudo sim, mas sem fanatismo ou radicalismo com aquilo que se estuda.
Para o médium e o espiritualista, mais do que para qualquer outra pessoa, o estudo deve representar abertura, flexibilidade, capacidade de interagir com várias linhas de pensamento diferentes, sem se apegar a nenhuma e, ao mesmo, usando, de cada uma, aquilo que lhe parecer bom.
A rigidez de conceitos, a propalada “pureza doutrinária”, a intransigência e a intolerância religiosa são características que não combinam com o espiritualista comprometido com a prática consciente e universalista, livre de dogmas e imposições.
Sendo assim, o estudante espiritualista e o médium devem ter amor ao hábito de estudar sempre, mas não devem nunca se apegar a qualquer coisa que estudem, uma vez que, mais cedo ou mais tarde, isso poderá receber modificações, complementos ou até ser desmentido, à medida que o homem evolui e a ciência o acompanha.
Assim, para que não se veja frustrado, decepcionado ou perdido, que o estudante espiritualista seja capaz de se adaptar aos novos conhecimentos que se apresentam, amando o estudo pelo estudo, sem se apegar excessivamente ao que estuda ou ao conhecimento que estes estudos lhe proporcionam.
c) A leitura como um dos principais meios de estudo
A literatura espiritualista é, provavelmente, a mais vasta do mundo. Afirmamos, sem medo de errar, que há centenas de livros, em vários idiomas, tratando do assunto, sob as mais diferentes perspectivas, dentro das mais diversas linhas de pensamento e desenvolvidas pelos mais variados autores, em todos os tempos.
Desse modo, um dos meios mais ricos para o estudo espiritual é, com certeza, a leitura.
Sendo assim, que os estudantes espiritualistas que tiverem preguiça de ler, revejam sua postura e descubram algum meio de vencer esta preguiça ou a falta de gosto pela leitura, pois, seja qual for a linha, a técnica, a finalidade ou o tipo de estudo, com certeza, envolverá muitas leituras.
A leitura é, inclusive, um meio muito bom para quem deseja conhecer um assunto, sem necessariamente aprofundar-se nele, ou para saber se deve ou deseja aprofundar-se nele. É um modo seguro de tomarmos contato com algo, fazermos a primeira aproximação para, depois, buscarmos outros meios de conhecer melhor o assunto estudado pela leitura.

d) Cursos complementares
Com o advento da chamada “nova era”, como se os conhecimentos espirituais fossem, de fato, algo novo, surgiram, no Ocidente, milhares de novos cursos voltados para a espiritualidade humana, para as bioenergias, as terapias complementares e tudo o que se relaciona ao homem holístico.
No entanto, infelizmente, nem todos tratam o assunto com a seriedade, a competência, o equilíbrio e o discernimento que julgamos necessário. Há muito cursos que surgem no rastro do modismo da nova era, há outros que surgem como respostas mágicas a antigos anseios humanos, há outros ainda que surgem com a proposta de reverem tudo o que já se estudou, fazendo parecer que os conhecimentos alcançados até hoje possam ser jogados fora e substituídos, e quase todos surgem sem a profundidade e o comprometimento que estes assuntos exigem.
Todas as iniciativas no sentido de se esclarecer o ser humano a respeito de sua própria espiritualidade são válidas, no entanto, é precido que todos estejamos bem conscientes de que não há receita instatânea, não há fórmula mágica, não há milagre. Todo conhecimento exige esforço, tempo, dedicação, estudo e prática constantes para se efetivar e se tornar sabedoria.
O conhecimento espiritual não se alcança da noite para o dia e com a experiência, a segurança e a vivência mediúnica não é diferente. Que o médium que inicia sua tarefa não se iluda e tenha plena consciência de que terá muito a fazer, estudar, treinar e aprender, durante toda a sua vida como médium, a fim de se fortalecer e se tornar um intermediário de confiança entre os dois planos de manifestação humana.
Todos os cursos espiritualistas completamentares estão, portanto, indicados, mas devem ser escolhidos a dedo pelo candidato, que deve sempre procurar obter referências a respeito dos instrutores que os ministram, das instituições onde se realizam e do conteúdo ou programa em que se baseiam.
É importante notar que não se trata de escolher a linha filosófica ou religiosa do instrutor ou da instituição, mas de se ter critério e cuidado ao escolher o curso em si, averiguando o seu conteúdo e a seriedade do seu instrutor, independentemente de sua linha filosófica ou religiosa.
Aliás, todas as linhas estão indicadas, pois há muitas informações importantes e valiosas para o médium em todas elas. O universalismo, portanto, deve ser a linha mestra de todo estudante espiritualista, a fim de que possa ter uma bagagem o mais abrangente possível.

e) Estudo e universalismo
Vejamos o que diz Miramez, no livro Médiuns, pela psicografia de João Nunes Maia:
“Muitos dos que dirigem os desenvolvimentos mediúnicos apregoam para os candidatos que só devem ler tais ou quais livros, que ele ou eles, pessoalmente, acharam melhores, estreitando, assim, os conhecimentos que o aluno da doutrina espírita poderia ter. A nossa opinião neste assunto é a mesma de Paulo de Tarso, quando assevera: “Não apagueis o espírito. Não desprezeis as profecias. Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. E termina desta forma, favorável aos direitos de cada criatura: “Abstende de toda forma de mal”.
“O médium que não se intrui, ou que limita sua instrução, coloca, com isso, viseira nos olhos, ficando sujeito a cair nas valas laterais. Abster-se de toda forma de mal não é imposição. É que a alma, em si, por ela mesma, escolha, com os conhecimentos adquiridos, o que deve ou não fazer. Todos os livros são, por assim dizer, escrituras, principalmente os livros espiritualistas. Cada facção tem uma missão de desvendar mistérios e revelar leis. A universalidade nos instiga a conhecer de tudo, como nos inspira Paulo, e retirar o bem que entendemos pelo limite de nossos conhecimentos e pelo que suportamos da verdade.”
Já Choa Kok Sui, no livro Milagres da Cura Prânica, diz que “uma pessoa inteligente não tem a mente fechada. Ela não age como o avestruz, enterrando a cabeça para fugir a novas idéias e a um aperfeiçoamento maior.
“Uma pessoa inteligente não é crédula. Ela não aceita as idéias cegamente.
“Uma pessoa inteligente estuda e assimila as idéias totalmente para, então, avaliá-las à luz da razão; ela testa essas novas idéias através da experimentação e de sua própria experiência.
“Uma pessoa inteligente estuda essas idéias com uma mente clara e objetiva.”
Vemos, portanto, que o médium não deve, nunca, se ater a apenas uma corrente espiritualista, fazendo o possível para obter a maior quantidade possível de informações a respeito da espiritualidade e também da própria mediunidade.
Sendo a espiritualidade condição inerente ao ser humano e a mediunidade tão antiga quanto o próprio homem, estando presente em praticamente todas as culturas e momentos da história humana, não faz sentido que nos limitemos a estudar apenas uma ou duas correntes, ainda que mais modernas, sabendo que existem outras correntes que vêm estudando a natureza espiritual do homem há milênios, dispondo de valiosos conhecimentos para o enriquecimento de nossa cultura espiritual e para o aperfeiçoamento de nossa prática mediúnica. Isso é, em essência, puro preconceito. E preconceito não condiz com espiritualidade, mediunidade e evolução.
Assim, o interessante é procurar o estudo universalista, tomando para si aquilo que faz sentido, aquilo que parece útil e válido para a sua lógica e razão, sem preconceitos, sem fanatismo, sem radicalismos. E mesmo o que não nos parece lógico e sensato, num primeiro momento, poderá nos ser útil no futuro, para distinguirmos outras correntes ou mesmo para entendermos conceitos novos com os quais possamos comparar os conceitos que conhecemos, ainda que não aceitemos.
E, para reforçar o que queremos dizer, transcrevemos o que Edgard Armond diz em seu livro Respondendo e Esclarecendo:
“Nenhuma religião, filosofia ou crença religiosa ensina verdades definitivas. Nem mesmo espíritos de maior condição que a nossa se julgam conhecedores de verdades definitivas. É que elas surgem à medida que podemos ir compreendendo-as e vivendo-as. Em um mundo tão atrasado como o nosso, o que se conhece é muito pouco e o que nos deve preocupar é nos tornarmos cada dia mais dignos de recebê-las. A melhor é que mais espiritualiza.
“Para seres humanos que fazem aprendizados e sofrem provações em mundos inferiores do tipo do nosso, religião mais perfeita é aquela que mais objetiva e eficientemente esclarece sobre a vida espiritual ao nosso alcance e nos leva mais depressa às realizações do campo interno, sem as quais não há adiantamento espiritual possível a não ser em avanços compulsórios, pela dor, em tempo indefinido.”

f) Aplicação prática do estudo
Como dissemos, o estudo é muito importante para todo trabalhador espiritualista, mas de nada adianta o estudo se ele não for levado à prática, se ele não deixar de ser teoria para se transformar em vivência, em experiência.
O espiritualista que muito estudo e pouco pratica, torna-se superficial, pois falta-lhe a profundidade que somente a prática e a vivência direta proporcionam.
No seu livro Respondendo e Esclarecendo, Edgard Armond diz que “o conhecimento teórico por si só não gera realizações no campo interno, as quais, aliás, são indispensáveis. A finalidade do conhecimento teórico é conduzir o iniciante ao campo fecundo das realidades espirituais. Essas realidades, entretanto, só se tornam leis em nossa vida, rumo, diretriz a seguir com confiança, quando as realizamos em nós mesmos, no nosso íntimo, conscientemente.
“Conhecimento é uma coisa, realização espiritual positiva e viva é outra coisa. O conhecimento teórico pode viver sua vida sem, todavia, realizar algo de positivo e atuante no campo espiritual.”

2. MEDIUNIDADE e COMPROMISSOS

a) Compromisso espiritual
O primeiro e mais importante compromisso de um médium é o espiritual. Todo médium precisa saber-se espírito e, como tal, deve saber viver a sua vida física, sem, no entanto, se apegar ao mundo físico.
Embora tenha consciência do compromisso espiritual que tem, sabe que a vida física é parte dele e nunca a abandona, menospreza ou negligencia. Ao contrário, vive-a plenamente, com lucidez e discernimento, na certeza de que, vivendo-a dessa forma, estará também honrando seu compromisso espiritual de evoluir e, com a sua evolução, promover também a evolução de toda a Criação.
O médium sabe que é um ser espiritual vivendo uma experiência carnal e, desse modo, coloca-se todos os dias em sintonia com o Criador, entendendo que somente nEle poderá, de fato, compreender toda a beleza da Criação.

b) Compromisso mediúnico
O segundo compromisso mais importante de um médium é com sua própria mediunidade. Todo médium deve saber que a mediunidade não lhe pertence e nem lhe foi concedida para seu uso exclusivo.
Por isso mesmo, tem consciência de que mediunidade é trabalho em equipe para o bem coletivo, o qual deve estar acima e vir à frente de todo e qualquer bem individual ou pessoal. Sabe também que nunca estará sozinho, seja para enfrentar os obstáculos, seja para colher as bênçãos da tarefa que executa. E usufrui dessa condição com equilíbrio e responsabilidade.
Como uma das pontes que une dois mundos muito próximos, embora aparentemente tão distantes, honra aos dois, sendo homem, sem deixar de ser espírito, e vivendo como espírito, sem deixar de viver como homem. E, como médium, procura ser homem e espírito dignos de respeito e confiança, por parte dos companheiros e parceiros que tem nos dois mundos.

c) Compromisso com a instituição e o grupo mediúnico
Tendo consciência de que a mediunidade é trabalho de equipe, tarefa de cooperação mútua, todo médium sabe também o quanto são importantes o grupo mediúnico e a organização em que atua. Assim, ama-os incondicionalmente, respeita-os, preserva-os, sem esperar deles perfeição ou infalibilidade, por ter consciência de que são instituições humans, como ele mesmo o é.
Trabalha sempre para o bem do grupo e o crescimento de todos, contribuindo da melhor forma para a manutenção, física e espiritual, da instituição que os abriga, respeitando os princípios que a norteiam, sem abrir mão de seu direito de pensar e, pensando, agir, assumindo as consequências dos próprios atos.
Assim, procura também respeitar as normas do grupo, sendo pontual, assíduo e interessado. Colabora em tudo que lhe é possível e tem consciência de que, embora não seja insubstituível, é importante na composição do grupo e na realização do trabalho, naquilo que melhor sabe fazer.

d) Compromisso com amparadores
Todo médium sabe que trabalha em parceria, com encarnados e desencarnados e, por isso, nunca se esquece daqueles companheiros que justificam sua condição de intermediário entre dois mundos: os amparadores.
Sabe que, além dos companheiros encarnados, também os amparadores contam com ele para a realização da tarefa. Sabe que, sem uma das engrenagens, a máquina não funciona e procura atender à sua função com amor e interesse.
Trata os amparadores com respeito e educação, obtendo deles também o mesmo tratamento. Sabe que amparadores são pessoas desencardas e não os endeusa ou idolatra, embora valorize a sabedoria que demonstrem ter, pela conduta que adotam.
Não julga amparadores pelo nome ou pelo título que apresentam, mas pelo amor que inspiram na realização da tarefa que é de todos, sem ser de ninguém em particular.

e) Compromisso com necessitados encarnados e desencarnados
Todo médium sabe que seu trabalho não teria razão de ser se não pudesse ajudar, de alguma forma, a diminuir a ignorância e o sofrimento no mundo em que vive.
Consciente de sua responsabilidade para com o bem coletivo, trabalha para aliviar, orientar, esclarecer, ajudar, consolar e amparar o maior número possível de espíritos, estejam eles encarnados ou desencarnados.
Sem julgar, criticar, condenar ou fazer qualquer distinção, ajuda a todos indistintamente e tem consciência do quanto as pessoas contam com o seu trabalho.
Por isso, está sempre presente às reuniões, com disposição e boa vontade, ciente de que, mesmo que não possa ver, muitas criaturas esperam pelo seu trabalho para se recuperarem ou, simplesmente, tomarem outro rumo na vida.
No entanto, mesmo sabendo de tudo isso, tem consciência de que nada pode sozinho e sempre busca a ajuda dos amparadores e colegas encarnados para melhor desempenhar sua tarefa, pois sabe que, em conjunto, qualquer trabalho flui melhor.

f) Compromisso consigo mesmo
Ciente de todas estas implicações de sua tarefa, o médium jamais negligencia a si mesmo, pois sabe o quanto é importante para o grupo, para os amparadores, para a instituição, para os necessitados. E sabe também o quanto prejudica a todos quando não se valoriza na devida medida.
Por isso, cuida-se em todos os aspectos, para que a saúde física e mental, o bem estar, a tranquilidade, a alegria, a confiança, a lucidez e o discernimento estejam sempre presentes em sua vida, de modo equilibrado.
Por outro lado, não se vangloria, não se envaidece, nem se imagina auto-suficiente, pois sabe que nada pode sozinho. Assim, mede a sua importância, pela importância do trabalho que realiza, na certeza de que o trabalho sempre será mais importante e sempre virá antes dele mesmo.

g) Compromisso com o estudo e o auto-aperfeiçoamento
Ciente de quantas pessoas dependem do seu trabalho, do quanto está em jogo, de sua real responsabilidade na tarefa mediúnica, o médium jamais negligencia o estudo e o aperfeiçoamento de si mesmo.
Sabe que, quanto melhor preparado estiver, mais e melhor poderá contribuir com o grupo e os amparadores. Sabe também que quanto melhor for como ser espiritual, melhores serão a ajuda e a orientação que poderá prestar aos necessitados de toda ordem que o procuram, buscando uma luz.
Assim, estudo e revisão constante de sua conduta como espírito estão sempre em pauta no seu dia a dia, como filosofia de vida.
Além disso, sabe que estudo e auto-aperfeiçoamento são também compromissos de si para consigo mesmo, já que, para evoluir como espírito, depende também desses aspectos.

h) Parceria espiritual e parceria mediúnica
Mediunidade é trabaho de equipe, mesmo que o médium trabalhe fisicamente só e isolado. Não há como ser médium sozinho, pois mediunidade pressupõe sempre a interação entre, pelo menos, duas consciências. O médium, para ser, de fato, médium, ou seja, intermediário, depende necessariamente do contato e da interação com outra(s) consciência(s).
E trabalho de equipe com equilíbrio e bom sendo pressupõe, necessariamente, parceria. Trabalho mediúnico é também, portanto, trabalho de parceria, trabalho de mão dupla, em que os dois lados contribuem e se responsabilizam pelas tarefas e pelos resultados.
O médium deve saber, portanto, que é considerado parceiro espiritual, em tempo integral, de todas as consciências, encarnadas e desencarnadas, que se servem de suas faculdades psíquicas.
Ao mesmo tempo, deve também saber que é considerado parceiro mediúnico, também em tempo integral, de todos os amigos, mentores, amparadores, guias, orientadores e instrutores espirituais que, através dele, trazem informações, ajuda e orientação aos encarnados.
E parceiro que é parceiro, de verdade, não trai, não abandona, não se omite nem omite, não mente, não julga e não cobra nada de nenhum de seus parceiros. Apenas permanece alerta e à disposição, sempre pronto a colaborar com a verdade que ilumina e o amor que alimenta e consola.

i) Espírito de equipe e equipe de espíritos
Pode parecer que estamos andando em círculos, mas a questão do trabalho em equipe é de muita importância para que não nos ocupemos dela repetidas vezes.
Todo médium é, para usar uma expressão de Hermínio C. Miranda, em livro do mesmo nome, um “condomínio espiritual”, cuja administração está sob sua responsabilidade. Sua casa mental não é só dele. Dela também se servem muitas outras consciências que, de passagem ou de maneira mais permanente, ali se abrigam em busca de assistência e crescimento, trabalho e evolução.
Por este motivo, não cabe, no trabalho mediúnico, qualquer forma de personalismo ou individualismo. O médium deve entender que não é dono de si mesmo, mas somente daquilo que realiza, gerando benefícios ou malefícios.
Seus compromissos, portanto, são com os outros e, quando consigo mesmo, sempre visam o bem coletivo que se pode propiciar, o bem maior de todos, inclusive o próprio.
Na condição de “condomínio espiritual” é dono do espaço e dos recursos, mas não vive sozinho, e, para uma convivência pacífica e proveitosa para todos, deve administrar tudo visando sempre o bem comum, o bem de todos e de cada um, considerando direitos e deveres de todos, inclusive os seus.

3. DISCIPLINA

a) Disciplina interior e disciplina exterior
Disciplina é ordem, imposta ou consentida, que convém ao funcionamento regular de um grupo ou organização. Sem disciplina, não há organização, não há coerência ou coesão de procedimentos. Sem disciplina torna-se difícil saber quais são os deveres e os direitos de cada membro do grupo.
E, embora muitos tentem enganar a si mesmos e aos outros, não há disciplina externa que prevaleça sem que haja disciplina interna. Para que as pessoas sejam capazes de expressar disciplina em sua vida exterior, é preciso que elas tenham assimilado internamente a disciplina, como parte de seu próprio perfil, como característica pessoal, como base de funcionamento íntimo.
Com a mediunidade não é diferente. O trabalho mediúnico necessita de disciplina, interior e exterior, para que haja perfeita harmonia e sincronia entre o plano espiritual e o plano dos encarnados.
Se cada um agir por si, sem uma programação prévia conhecida de todos, sem uma norma que possa orientar a conduta de todos, torna-se difícil realizar um trabalho equilibrado, sereno, que obtenha resultados positivos ao final, pois não haverá coincidência de pensamentos, idéias, esforços, procedimentos, tarefas, etc.
Um trabalho mediúnico sem disciplina rende muito pouco, pois as energias se dispersam ou nem chegam a se concentrar, pela total ausência de coincidência de pensamentos, sentimentos e ações.
Além disso, um trabalho mediúnico onde impera a desordem e onde cada um faz o que quer, na hora que quer, costuma ser alvo fácil para assediadores pela total discordância de conduta entre os seus integrantes, a qual gera desarmonia energética, insegurança e desconforto psicológico, enfraquecendo, espiritualmente, os membros do grupo.
Assim, todo grupo mediúnico deve estabelecer, EM CONJUNTO, as normas de conduta que orientarão os trabalhos e os procedimentos do grupo como um todo e, uma vez acertadas e aceitas estas normas, todos devem se comprometer a segui-las, objetivando a disciplina saneadora e preventiva do trabalho.
É verdade que há pessoas que não se afinizam muito bem com ambientes disciplinados e organizados, mas é bom que tenham consciência de que, para trabalharem como médiuns, será necessário mudarem estas disposições, ou será sempre difícil a integração e a adaptação a qualquer grupo sério.

b) Disciplina versus obediência
Por isso, é bom que sejamos capazes de distinguir muito bem entre disciplina e obediência, uma vez que elas podem, facilmente, ser confundidas entre si.
Enquanto obediência é apenas submissão passiva, sujeição cega à vontade de outra(s) pessoa(s), a disciplina é obediência com conhecimento de causa, obediência pensada e repensada, visando um objetivo comum.
Obedecer significa apenas decorar e seguir normas, enquanto ser disciplinado implica em conhecer as normas, ajudar a estabelecê-las e ser capaz de questioná-las para aperfeiçoá-las.
Quem obedece não pensa para agir, apenas faz o que lhe mandam. O disciplinado, ao contrário, sabe o que faz, por que faz e concorda em fazê-lo, porque sabe que isso contribui para um bem maior, um resultado mais importante, que etá além dele e das normas em si.
Aquele a quem a obediência é imposta sente-se humilhado, frustrado e diminuído, enquanto aquele que é disciplinado, sabe que está sendo orientado como parte de algo maior.
O médium obediente não se sente parte do grupo em que atua e, muitas vezes não quer se sentir como tal, para não ter que assumir responsabilidades. Por isso, limita-se a apenas agir como lhe dizem para agir, sem questionar, sem tentar entender, sem saber as razões para tais exigências.
O médium disciplinado, por sua vez, sabe que é parte do grupo e que tudo o faz interfere no andamento do trabalho. Assim, ao seguir as normas que ajudou a estabelecer, sabe que contribui com o melhor resultado daquilo com que ele mesmo está contribuindo e pelo que também é responsável.

c) Disciplina versus mau humor
Embora disciplina implique em responsabilidade e seriedade, de modo algum deve implicar em mal-humor, até porque seriedade e mau humor não são sinônimos.
Qualquer pessoa pode ser disciplinada e séria, e continuar bem-humorada, pois o bom humor em nada compromete a responsabilidade, o equilíbrio, a seriedade e o comprometimento com que se assume uma determinada tarefa.
Com a mediunidade não é diferente. Médium mal-humorado, dificilmente, é médium sério e, consequemente, disciplinado, responsável. Até porque, mau humor é justamente uma das coisas que não devemos levar para as reuniões mediúnicas e de passes, para que as energias do ambiente e do trabalho não sejam contaminadas por energias mais densas e tóxicas de sentimentos negativos e emoções desequilibradas.
Que o médium que pretende demonstrar disciplina e seriedade não se apresente mal-humorado, pois além de estar sendo incoerente, está também prejudicando os trabalhos, o grupo e os assistidos, além de atrapalhar os amparadores, que precisarão isolá-lo num casulo energético, para que o seu mau humor não venha a contaminar o ambiente.
O médium verdadeiramente disciplinado sabe a hora de brincar e a hora de compenetrar-se, e nunca perde a alegria ou a boa piada. Sabe também rir de si mesmo e o tipo de brincadeira mais adequado a cada situação e pessoa.
Mau humor é aglutinador de energias densas e tóxicas que sobrecarregam o fígado e o coração de quem o carrega, diminuindo-lhe a sensibilidade e inabilitando-o para o trabalho com outras consciências, pela simples falta de capacidade para enxergar o lado bom que há em todas as coisas, uma vez que todas procedem de Deus e, são, por isso mesmo, perfeitas, mesmo que não possamos ver a sua perfeição.



d) Disciplina espiritual e disciplina mediúnica
Aqui também o médium deve distinguir entre o modo como deve agir como espírito encarnado e como médium.
Disciplina espiritual é aquela que todos devemos buscar, no sentido de sempre orientarmos nossa vida, nossas atitudes, nossas idéias, por aquilo que pode nos trazer bens maiores, mais efetivos e mais importantes como espíritos. É o comportamento consciente na busca de crescimento espiritual, é a obediência lúcida e pensada a certas normas e preceitos espirituais, buscando algo maior para nós mesmos e para aqueles com quem convivemos.
Já a disciplina mediúnica é a que está relacionada à tarefa do encarnado como médium, envolvendo todos os aspectos já vistos no item “Mediunidade e Compromissos” e tudo o que já falamos nos outros itens que tratam da disciplina. É, portanto, a obediência consciente, espontânea e voluntária aos preceitos e normas que o médium considera importantes e positivos para o bom desenvolvimento e prática de sua mediunidade.

e) Preparo prévio para o trabalho mediúnico
Como parte de sua disciplina, o médium deve estar ciente de que sua preparação para o trabalho começa muito antes do momento em que o trabalho propriamente dito começa.
É comum os médiuns sentirem as primeiras alterações de humor, lucidez, disposição, etc, 24h ou mais antes do trabalho. Por esta razão, seu preparo deve também começar com a mesma antecedência, especialmente na noite anterior ao trabalho, preparando o sono de forma bastante cuidadosa para que possa aproveitar as horas de desprendimento do corpo físico para estudar os casos com que terá que lidar e também para que se fortaleça energeticamente, modulando as próprias vibrações para o trabalho que deverá ser realizado.
É importante destacar que os amparadores também iniciam o seu preparo e o preparo do próprio trabalho muito tempo antes de ele acontecer no físico, preparando, inclusive, o ambiente, o local onde os médiuns estarão reunidos, com energias e vibrações que não só propiciem o sucessso dos atendimentos, como também garantam segurança para os médiuns.
Nada mais justo, portanto, que os médiuns colaborem com essa preparação, fazendo eles mesmos as suas práticas energéticas, elevando seus pensamentos, sutilizando seus sentimentos e emoções, cuidando melhor da alimentação e do descanso, lendo algo relativo aos trabalhos e permanecendo atento às sugestões, inspirações e toques que, usualmente, os amparadores lhe enviam.
Devemos nos lembrar sempre que estamos falando de um trabalho de PARCERIA, onde cada participante deve fazer a sua parte para garantir o sucesso e o bem-estar de todos e, por isso, todos devemos estar dispostos a estudar e nos preparar para os trabalhos.

f) Sintonia antes e depois do trabalho mediúnico
Embora pouco se fale a respeito e pouca gente saiba disso, o trabalho mediúnico nunca termina assim que acaba a reunião. As assistências continuam no astral e, muitas vezes, os médiuns são chamados para ajudar e continuar o trabalho lá depois da reunião.
Assim sendo, o médium deve procurar, o mais possível, além de fazer a sintonia prévia, manter a sintonia depois do trabalho até o dia seguinte à reunião. Durante a noite, aproveitando os momentos de liberdade do sono, muitos médiuns são convocados por seus amparadores para continuarem o trabalho iniciado no físico e, para isso, precisam estar ainda em sintonia com os amparadores.
Não se trata de se manter em transe por horas a fio, antes e depois do trabalho, mas de manter uma condição mental, emocional e espiritual elevada, que facilite o trabalho dos amparadores para nos ligarem aos trabalhos a serem realizados.





4. ÉTICA

a) Preconceitos
Ciente do mecanismo de reencarnação, pelo qual todos vivemos diversas vidas físicas, nas mais diferentes situações, o médium sabe que não faz sentido ter qualquer tipo de preconceito, seja com quem for, seja em que situação for, seja em tempo for.
Por isso, trata com respeito todos os assistidos, encarnados e desencarnados, todos os colegas e amparadores, sem fazer qualquer tipo de distinção entre eles.
Sabe que ninguém é melhor ou pior que ninguém, sabe que ninguém é perfeito e infalível, ou completamente mau, e busca sempre o melhor em cada um.
Com isso, vê sempre, em tudo e em todos, a criação divina em ação, trabalhando para que este lado divino, de tudo e todos, seja exaltado e valorizado.

b) Julgamentos
Da mesma forma, não julga ninguém, nem nenhum fato, pois não conhece os antecedentes, nem as variáveis que levaram àquela situação.
Procura sempre prestar o maior bem que puder, a todos, sem se preocupar em saber se quem o recebe é merecedor ou não, se quem pede a ajuda merece ou não estar naquela situação, se quem busca o auxílio saberá fazer bom uso do que recebe ou se manter equilibrado dali por diante, pois sabe que, uma vez prestada a ajuda, o caso já não lhe diz mais respeito e a responsabilidade pelo que acontecer dali para a frente é daquele que recebeu o benefício.
O compromisso do médium, como já dissemos, é com o bem maior de todos, o bem coletivo, e para isso não pode se dar ao louxo de escolher quem merece ou não merece ser ajudado, até porque sua capacidade de análise é extremamente limitada e sabe que só Deus conhece todos os lances de cada vida, de cada história, podendo arbitrar sobre o que é melhor para cada um.

c) O médium dá o exemplo
Com tudo isso em mente e ciente de sua responsabilidade, o médium é sempre o primeiro a dar o exemplo, dentro e fora da reunião mediúnica.
Trata todos com respeito e alegria, sem arrogância ou humildade forçada, e com igualdade, buscando receber o mesmo tratamento de todos.
Além disso, cumpre as normas que aceitou, sem se queixar e sem alarde, de modo a ser um exemplo vivo naquilo que acha correto, sem precisar falar.
Não procura privilégios, nem regalias, nem busca tratamento diferenciado. Coloca-se no mesmo nível de todos os outros trabalhadores e assistidos, fazendo a sua parte, cumprindo a sua obrigação, sem chamar a atenção para si ou para os seus problemas e sucessos.

d) Discrição
O trabalho do médium é idêntico ao do médico ou ao do psicólogo no consultório, ou ao do padre no confessionário. Tudo o que ele ouve e fica sabendo, nos atendimentos que faz, nas assistências que presta ou de que participa, deverá ser considerado sigiloso, uma questão de ética espiritual ou de cosmoética.
Assim, evitará comentar os casos que vir, as assitências que fizer, os assistidos com quem encontrar, os espíritos com quem acoplar, suas histórias, seus dramas, suas condições, etc, por respeito a estas pessoas e também como meio de evitar que as as suas perturbações sejam agravadas pelas energias geradas pelos seus comentários.
Além disso, o médium sabe que, com isso, estará também cuidando de seu próprio bem-estar e segurança, evitando ligar-se às entidades e pessoas assistidas por meio de pensamentos e sentimentos negativos, relativos aos seus casos e histórias.
A discrição é, portanto, qualidade importante no médium, não só como questão de educação, mas também por questão energética preventiva e a única situação em que os comentários se justificam é aquela em que se pretende instruir ou esclarecer outras pessoas, usando os casos como exemplo ou referência, sem entrar nos detalhes que não sejam importantes para o esclarecimento.

e) Compaixão sem paixão
É importante também que o médium esteja ciente de que ninguém sofre por acaso, ninguém é injustiçado, ninguém recebe aquilo que não merece ou não tem capacidade para resolver. Tudo está no lugar certo, do jeito certo, exatamente como tem que ser, embora, talvez, nós não sejamos capazes de compreender.
Com isto sempre em mente, o médium terá mais facilidade para manter a lucidez, a calma e a serenidade diante dos casos mais complicados, diantes dos dramas e tragédias mais terríveis, pois terá plena consciência de que tudo está como deve estar e é consequência pura e direta do que a própria criatura criou e buscou para si mesma.
Assim, o médium esclarecido e equilibrado jamais tem “dó” do assistido, seja ele encarnado ou desencarnado, assim como também não sente qualquer raiva ou mágoa pelo que ele fizer ou disser.
Sua atitude é de muita compaixão, mas sem envolvimento emocional com as pessoas ou os casos que atender. Ele entende que a criatura tem condições de sair da situação em que se colocou e apenas a orienta para que encontre, dentro de si mesma, a força e os elementos que permitirão esta transformação.
Ele entende também que sua emoção e sua piedade em nada ajudam. Muito pelo contrário, só atrapalham e debilitam ainda mais as forças do assistido, colocando-o em desequilibrio e perturbação ainda mais profundos.
Além disso, a atitude serena e firme diante da pessoa que sofre e se encontra desorientada, ajuda-a a se acalmar, ajuda-a a enxergar a realidade como ela verdadeiramente é, sem os exageros e as distorções, que a situações mais profundas de desequilibrio costumam gerar. Com isso, ela tem mais facilidade para compreender o que precisa fazer para mudar sua situação e começar nova fase de vida espiritual.
Para ilustrar o que estamos dizendo, transcrevemos abaixo texto nosso de junho de 2003.

Compaixão sem Paixão por Maísa Intelisano
Ter compaixão é compadecer-se. E compadecer-se é ser sensível e querer amenizar o sofrimento do outro, não importa qual seja.
Ter compaixão é estar disponível para aquele que sofre sem questionar seus motivos, sem julgar suas atitudes, sem medir ou comparar suas dores.
Ter compaixão é lembrar-se de que a dor é do próximo e que não se pode avaliar o estrago que ela está fazendo nele.
Ter compaixão é ser capaz de perceber a oportunidade de ajudar e prestar serviço, e fazer isso sem sair do próprio caminho ou interferir no do outro.
Compaixão implica respeito e não dá a ninguém o direito de querer retirar das costas de alguém, por mais querido que seja, o fardo que ele carrega.
Compaixão é exercício de compreensão, pois o que sofre pode não ter o mesmo entendimento daquele que se compadece.
Compaixão é agir sem paixão, é saber controlar-se para poder ajudar de fato aquele se sente desorientado.
Compaixão é manter-se equilibrado diante do sofrimento, levando companhia, apoio, orientação ou consolo onde for necessário.
Compaixão é educação para a verdadeira piedade, é teste de força espiritual, é treino para a humildade.
Compaixão é fiel confiança na capacidade do próximo para resolver seus próprios problemas e firme esperança na assistência de Deus que não desampara ninguém.
Compaixão é prova de coragem e discernimento, pois a linha que separa a dó (pena) humilhante da piedade fraterna é muito tênue e incerta.
A compaixão é discreta e silenciosa, jamais fala de si mesma, e não costuma estar aparente nem mesmo para quem lhe recebe o concurso amigo.
Dizemos "ter" compaixão, quando, na verdade, o mais certo talvez fosse "sentir" compaixão, já que para tê-la é preciso primeiro senti-la.
A compaixão é a mola forte que nos impulsiona para junto dos que sofrem ao nosso redor, a fim de que possamos verificar nossa própria confiança na sabedoria divina. Quando nos compadecemos de alguém que já crê em Deus estamos reforçando suas esperanças e sua confiança em si próprio e na providência divina. E quando a nossa compaixão se dirige para aqueles que ainda não conhecem a Deus, levamos até eles a nossa própria fé para que, por ela, possam aprender a buscá-lo e encontrá-lo por si mesmos.

5. AUTOCONTROLE MEDIÚNICO

a) Passividade mediúnica versus disponibilidade mediúnica
É muito comum ouvirmos, especialmente nos meios espíritas, a expressão “passividade mediúnica”, dando a entender que o médium é apenas um “boneco” manipulado pelos espíritos, sem expressão qualquer no fenômeno, sem vontade própria como médium, totalmente sujeito à vontade dos espíritos.
Ao que nos parece, a causa disso é uma má interpretação de algo que Kardec transcreve em seu O Livro dos Médiuns, quando os espÍritos o esclarecem sobre a participação do médium nas comunicações que ocorrem por seu intermédio.
É preciso que se esclareça, no entanto, que o médium não deve ficar passivo durante o fenômeno, participando ativamente da comunicação, com pensamentos e sentimentos condizentes com a situação, controlando o que lhe ocorre, sem, no entanto, interferir no conteúdo da mensagem, para que quem a ouvir possa avaliar as condições e o nível do espírito.
O que o médium deve ter é DISPONIBILIDADE mediúnica, ou seja, ele deve estar disponível durante a comunicação, para que o fenômeno se dê de forma plena, tranquila e pura, sem qualquer interferência que possa mascarar as características pessoais da entidade e essenciais da mensagem que transmite.
Sua passividade é apenas no que diz respeito ao conteúdo do que transmite, nunca em relação ao fenômeno, ou ao modo, o momento, o local ou as condições em que ocorre. E todas as entidades que se utilizam das capacidades do médium, inclusive mentores e amparadores elevados e de luz, devem respeitar isso, lembrando sempre que a mediunidade é uma condição aceita voluntariamente pelo médium, para ser exercida espontâneamente, nunca sob pressão ou de forla coercitiva.

b) O médium comanda o fenômeno
Seja em que condições for, com amparador ou necessitado, o médium deve ter consciência de que está sempre no comando do fenômeno mediúnico que intermedia. É ele que determina se o fenômeno deve ou não acontecer, se deve ser mais ostensivo ou não, se deve ser mais profundo ou não.
Mesmo com os médiuns inconscientes isso acontece, pois eles podem determinar como vai ser a comunicação antes de ficarem inconscientes pela ação da entidade e podem fazê-lo também durante a manifestação uma vez que a inconsciência não é total, já que ele se mantém afastado do seu corpo, mas permanece ligado e trocando, continuamente, impressões com o mesmo.
É preciso entendermos que a mente do médium está sempre presentel. Ainda que inconsciente, é ela o veículo para a comunicação e só ela pode ditar as regras para o fenômeno, uma vez que o corpo pelo qual a comunicação ocorre é comandado por ela.
Devemos nos lembrar de que, como já frisamos, NÃO EXISTE FENÔMENO MEDIÚNICO SEM ANIMISMO, ou seja, o médium pode sempre intervir na comunicação, impedindo-a ou mesmo interrompendo-a quando achar conveniente.
Assim, nada de o médium dizer que não tem controle sobre o que acontece com ele, que não é capaz de evitar as manifestações ou determinados comportamentos das entidades, etc., pois isso não é verdade e só indica “falta de educação” do médium, ou seja, desequilíbrio do médium e, não, da mediunidade em si
Isso, aliás, é o que diz também Maria Aparecida Martins em seu livro Conexão – Um nova visão da mediunidade, quando afirma que “não existe desajuste de mediunidade. O que existe é uma personalidade desajustada. Quando você tem uma manifestação mediúnica em desequilíbrio, saiba que é a personalidade que está desajustada. Cuide do ajuste da personalidade e a mediunidade se ajusta por consequência.”
Para que este autocontrole seja mais rápido e efetivo é necessário muito esclarecimento e orientação séria e desprovida de misticismo, muito estudo, de si mesmo e da natureza humana, e muita prática em grupos sérios e equilibrados, dirigidos por pessoas competentes e com conhecimento, a fim de que se possa ter orientação sobre como atuar mais diretamente sobre os fenômenos que ocorrem consigo.
Em alguns casos pode ser necessário, inclusive, acompanhamento profissional com psicoterapeura espiritualista que possa ajudar o médium a separar o que é seu do que é de outras mentes que se aproveitam de sua condição de desequilíbrio temporário e circunstancial para dar vazão ao seu próprio desequilíbrio.

F. Influenciação Espiritual

1. ESPÍRITOS SIMPÁTICOS

a) Espíritos são pessoas desencarnadas e pessoas são espíritos encarnados
Não há diferença alguma entre espíritos encarnados e desencarnados. Todos somos seres humanos, somos pessoas com sonhos, desejos, idéias, opiniões, frustrações, histórias boas e ruins, e todos estamos, igualmente, tentando achar nosso caminho para a luz.
Assim, como já dissemos, não podemos nos enganar acreditando que espíritos de luz não se enganam e que espíritos em desequilíbrio são totalmente maus. Todos somos criaturas divinas de essência luminosa. Todos estamos aprendendo a aumentar o brilho desta luz e todos, um dia, conseguiremos.
O que nos diferencia é apenas a condição de encarnados ou desencarnados, ou seja, o fato de estamos ou não ligados a um corpo físico.
Assim, o médium sabe que, quando transmite a comunicação de um espírito, está apenas transmitindo o recado de uma outra pessoa, está apenas narrando a história de alguém, tão cheia de altos e baixos como a sua própria.
Por esta razão, o médium não se espanta, não se choca, nem se revolta com quem quer que seja o espírito ou com o que quer que ele tenha para contar.
O médium também sabe que a pessoa que desencarna não se torna santo ou demônio apenas porque desencarnou. Entende que a mente é a mesma e que, portanto, a pessoa é a mesma, deste “lado” ou do outro da vida, sem mais ou menos sabedoria, sem mais ou menos defeitos.

b) Amparadores, mentores, protetores, guias, amigos, guardiões, etc.
Estes são alguns dos nomes que se dão àqueles espíritos que se interessam por nós, que nos orientam, que procuram colaborar na nossa caminhada aqui na Terra.
Todos nós, médiuns ou não, temos esses companheiros espirituais. A diferença é que os médiuns podem senti-los e percebê-los de maneira mais intensa e próxima, por sua sensibilidade mais desenvolvida.
Além dos espíritos simpáticos, que o acompanham de alguma forma, o médium tem também aqueles espíritos que têm mais a ver com a sua missão, com o seu trabalho mediúnico e muitos deles podem surgir ou se apresentar mais de perto no decorrer dos anos, conforme o médium ganha experiência, segurança, conhecimento e confiança.
É por isso que muitos médiuns começam sua missão com alguns mentores e, com o passar do tempo, vão recebendo outros e até trocando mesmo, ou seja, deixando de ter contato com alguns para pasasr a se comunicar com outros.
Não há nada de errado nisso. Pelo contrário. É sinal de que a tarefa do médium está progredindo, está mudando, transformando-se, ao mesmo tempo em que ele mesmo amadurece com espírito e como médium.
A única coisa que o médium não pode perder de vista é o fato de que, mesmo estes espíritos mais elevados ou mais esclarecidos, são apenas pessoas.

2. ASSÉDIOS e ATAQUES ESPIRITUAIS
Todos vivemos num “mar” de espíritos. Todos somos espíritos encarnados ou desencarnados cercados de espíritos encarnados e desencarnados por todos os lados, em todas as situações, em todos os momentos. Nunca estamos sozinhos, por mais solitários que nos sintamos. E todos somos influenciados por estes espíritos, ao mesmo tempo em que os influenciamos.
Isto é ainda mais verdadeiro e intenso para os médiuns, que têm um “canal” a mais para o contato com os espíritos desencarnados. O tempo todo eles estão em contato com o mundo espiritual, inclusive por suas próprias características pessoais e mesmo sem o perceber.
Nesse intercâmbio natural e espontâneo, todas as pessoas, inclusive os médiuns, muitas vezes, sofrem o ataque, a perseguição de espíritos que não simpatizam com elas.
Além de estarmos cientes disso, é preciso também que saibamos que isso é natural e faz parte do processo de evolução e crescimento de todos nós, pois nesses ataques podemos aprender a nos defender sem atacar de volta, podemos aprender a receber os ataques sem reagir de volta, sem devolver o ataque, apenas nos defendendo e amando o agressor, como ser humano e criatura divina que é. E ao mesmo tempo, os assediadores têm também a chance de aprender com esta situação, crescendo ao mesmo tempo que suas “vítimas”.
Tudo é um contínuo aprendizado, tanto para uns como para outros. Os ataques são também formas de intercâmbio e, quando os sofremos, temos a chance de rever nossa conduta e verificar o que, nela, está atraindo a antipatia destes espíritos.
Como já vimos, tudo no universo funciona pela sintonia e com os ataques e assédios não é diferente. Os espíritos que praticam os ataques encontram, no objeto desses ataques, algo que os atrai, por onde estabelecem a sintona e podem, consequentemente, desferir os seus “golpes” energéticos ou mentais.
Como vemos, portanto, nenhum ataque é “gratuito”, nenhum assédio é sem motivo. Em todos estes processos é preciso haver sintonia. E no caso dos ataques e assédios espirituais, o “tom”, o padrão vibratório para a sintonia inicial, quem estabelece é a suposta vítima, o alvo do suposto ataque. Depois os espíritos apenas fazem a manutenção deste padrão, tentando perpetuar uma situação que lhes agrada e interessa.
Quem quiser, portanto, evitar ou sair de uma situação de assédio ou ataque espiritual, que cuide de seu padrão vibratório, de seu “tom” energético, melhorando a qualidade de seus pensamentos e sentimentos, equilibrando emoções, idéias, palavras e atitudes.

a) Físicos e espirituais
Estes ataques e assédios podem ter como alvo o físico do encarnado, na tentativa de causar-lhe distúrbios orgânicos e psicológicos que o impeçam de levar uma vida física normal, limitando-o em sua ação.
E podem também pretender atingir a mente do encarnado, na tentativa de confundi-lo e deixá-lo alheio ao mundo material, fazendo-o perder o contato com a realidade, numa espécie de hipnose espiritual por controle remoto.
Os espíritos que assim agem, em geral, encontram mais facilidade no ataque àquelas pessoas que têm algum grau de mediunidade, pela facilidade do “canal” de comunicação aberto e sem vigilância. Muitas vezes, o alvo nem é o médium, mas alguém com quem ele tem contato ou com quem convive. Não encontrando como atingir diretamente o seu alvo, os espíritos o fazem através de um médium desavisado e invigilante que anda por perto.
Este ataques, se mais prolongados ou com sintonia mais profunda, podem realmente atingir o físico do encarnado, causando doenças de difícil diagnóstico e tratamento. Assim como podem também causar distúrbios psicológicos mais profundos e difíceis de debelar, como neuroses e psicoses, de vários graus, tornando a pessoa até inapta para o convívio social.
O médium equilibrado, no entanto, aquele que tem consciência de sua capacidade e também de suas fraquezas, trabalhando para dominá-las, terá condições de perceber quando estes ataques acontecem, podendo evitá-los ou amenizá-los, recuperando mais depressa o controle.
Ou seja, ninguém está a mercê dos espíritos, a menos que queira. Ninguém está fatalmente sujeito a ser atacado por espíritos inescrupulosos, a menos que procure essa situação de alguma forma e nada faça para evitá-la ou mudá-la.

b) Intrafísicos e extrafísicos
É importante saber também que estes ataques e assédios podem ser intrafísicos e extrafísicos, ou seja, podem ser disparados no período de vigília do encarnado, ou durante as suas horas de sono, quando o seu espírito está fora do corpo físico e, portanto, mais em contato com os seus medos, desejos e emoções.
Muitas vezes o encarnado é até bem equilibrado quando em vigília, sem maiores desequilíbrios ou perturbações dignos de nota. No entanto, basta entrar no estágio inicial do sono para que seus pesadelos comecem e ele se sinta completamente desorientado e desamparado.
Por isso é tão importante o preparo à hora de dormir, elevando pensamentos, equilibrando emoções e sentimentos, buscando sintonias sadias e luminosas, sutilizando as próprias energias.
E qualquer prática é válida para este fim, desde a prece tão conhecida de todos nós, até as práticas energéticas mais elaboradas e técnicas. Uma vez que o fim é alcançar padrões mais elevados de vibração, pouco importa o meio, pois sendo o fim sempre elevado, o meio usado, em chegando ao resultado final, também poderá ser considerado elevado.

3. DEFESA ESPIRITUAL ou ENERGÉTICA

Como já dissemos várias vezes no decorrer deste trabalho, a sintonia é alma de tudo no universo. Sendo assim, a melhor defesa contra qualquer ataque espiritual ou energético será, SEMPRE, garantir sintonia elevada, sadia, luminosa, sutil.
Não há outro meio, não há receitas mágicas, não há técnicas milagrosas, não há fórmulas instantâneas. De nada adianta qualquer recurso, se, intimamente, a pessoa não estiver equilibrada, serena, iluminada, por seu próprio esforço. De nada adianta invocarmos deuses e potências, se, lá dentro, no mais profundo de nós mesmo, não estivermos trabalhando arduamente para superarmos a nós mesmos.
É preciso compreendermos, de uma vez por todas, que o trabalho de iluminação interior, a tarefa de elevação espiritual e crescimento consciencial não pode ser feito de fora para dentro, nem por terceiros. É trabalho pessoal e intransferível. É tarefa íntima que cada um deve desenvolver sozinho, por seus próprios meios, às suas próprias custas. É viagem que se faz só, ainda que a estrada esteja lotada de viajantes.
A “salvação” que algumas igrejas anunciam e prometem não vem por milagre e só depende do próprio interessado em ser salvo.





4. OBSESSÃO

a) Causas e origens
Obsessão é a influência nociva de um ou vários espíritos sobre outro(s), provocada ou desencadeada por brechas morais e emocionais que colocam os obsidiados em sintonia vibratória (ressonância) com os sentimentos, pensamentos e energias do(s) obsessor(es).
O mecanismo desta influência é a ação energética hipnótica de mente a mente, bloqueando ou dificultando a capacidade de raciocínio e discernimento, pela interferência na transmissão do próprio pensamento e dos sentimentos da “vítima”.

b) Graus ou níveis
Segundo a intensidade, podemos usar a seguinte classificação (não oficial):
- Assédio simples – também conhecido como encosto, quebranto, mau olhado, olhos gordo, etc, é aquela influência leve, sem compromisso, circunstancial e passageira, que acontece por um desequilíbrio momentâneo da pessoa. Em geral dura, no máximo, alguns dias, podendo causar alguma irritação e desconforto, e talvez alguns acidentes menores de percurso. Passa assim que o obsidiado muda sua tela mental e seus sentimentos para frequências mais positivas e elevadas. Pode ser causado apenas por simpatia ou carência afetiva, sem que haja qualquer outro laço afetivo ou emocional entre os espíritos envolvidos, ou menos qualquer outra antipatia mais profunda.
- Obsessão – influência um pouco mais intensa e dirigida, geralmente causada por algum desentendimento ou situação desequilibrada vivida nesta vida mesmo. Inveja, ciúmes, despeito, orgulho, desforra são algumas situações de obsessões simples que geralmente passam despercebidos. Neste caso, a ação tem alvo certo e objetivo definido, muito embora o obsessor muitas vezes não perceba o que está fazendo. Pode durar algum tempo até que o obsessor se canse, se conscientize ou até que o obsidiado reaja e saia da frequência do obsessor. Pode requerer assistência com passes e trabalhos mediúnicos.
- Fascinação – influência profunda que cria imagens e ilusões na mente do obsidiado. Nesse caso, a vítima perde a noção da realidade, acreditando apenas naquilo que vê e ouve em seu mundo mental. Pode ser confundida com esquizofrenia e também com mediunidade. Pode ter origem em vidas passadas ou não e, geralmente, tem razões e objetivos mais sérios e complexos. Em geral, é causada por espíritos mais inteligentes e com maiores conhecimentos da leis espirituais e dos mecanismos mentais e energéticos, os quais “fisgam” suas vítimas exacerbando sua vaidade e seu orgulho, ou aprofundando sua noção de inferioridade. Requer atendimento espiritual mais sistemático para todos os envolvidos, até que todos se dêem conta da situação e possam mudá-la.
- Subjugação ou possessão – influência total de uma ou várias mente(s) sobre outra(s). A vítima é incapaz de pensar ou agir por si mesma, perdendo até o controle do corpo físico. Em geral, é causada por compromissos graves de vidas passadas que não foram bem resolvidos e pode não não ser resolvida nem mesmo com trabalhos mediúnicos, dependendo da profundidade e do tempo de envolvimento, sob pena de se provocar até o desencarne da pessoa encarnada envolvida.

c) Tipos
Segundo os envolvidos, podemos usar a seguinte classificação (não oficial):
- De encarnado para encarnado – cônjuges exageradamente ciumentos, pais possessivos, filhos muito dependentes, etc, são bons exemplos de obsessão entre encarnados. Todas as vezes que um encarnado deseja controlar a vida de outro, sufocando-o, querendo influenciar suas decisões e atitudes, cerceando seus atos, podando-o, etc., está caracterizada uma obsessão de encarnado para encarnado. Muitas vezes é confundida com zelo, preocupação, demonstração de amor, mas, na maioria das vezes, reflete uma relação problemática e desequilibrada, vivida não só durante o dia, nas horas de vigília, mas também durante as horas do sono, quando os espíritos se libertam de seu corpo físico e repetem aquilo que fazem nas horas em que estão despertos.
- De encarnado para desencarnado – o cônjuge que fica viúvo depois de uma longa convivência e não se conforma com o desencarne do outro, chorando e lamentando sua ausência 24h por dia; os pais que perdem um filho e se recusam a desfazer o quarto do mesmo, cultivando uma lembrança mórbida e masoquista; a mágoa de alguém que fica guardada contra alguém que foi, etc., são exemplos de obsessão de encarnados sobre desencarnados. Ao contrário do que se pensa, nem sempre os desencarnados são os vilões, pois, muitas vezes, são os encarnados que os perseguem com seus pensamentos e sentimentos desequilibrados e egoístas, atraindo-os para uma ligação doentia e prejudicial para os dois. Às vezes, até se consegue desligar os envolvidos, mas o encarnado está tão obcecado pelo que aquele espírito representa para ele, que o atrai de volta, tirando-o, até, dos cuidados de amparadores e espíritos interessados em ajudá-lo.
- De desencarnado para desencarnado – mesma situação do caso de encarnado sobre encarnado, só que vivida no plano espiritual. Nesse caso, a influência pode começar numa vida e continuar depois do desencarne de ambos; pode começar lá, continuar aqui após o reencarne e seguir ainda mais uma vez para lá, depois de novo desencarne; etc. Este tipo de perseguição é muito narrado em livros como os da série André Luiz, Luis Sérgio e outros.
- De desencarnado para encarnado – pode acontecer pelas mais diferentes razões que vão desde compromissos antigos, de outras vidas ou desta vida mesmo, até simpatias (doentias) e antipatias momentâneas do presente.
- Recíproca – quando as duas mentes entram em comunhão tal de pensamentos e sentimentos que são conseguem se desvencilhar uma da outra. Elas se alimentam uma das energias da outra num círculo vicioso, ficando cada vez mais envolvidas nas mesmas idéias e sentimentos. A dependência é tanta que, em alguns casos, não se pode separar uma da outra abruptamente, sob pena que causar profundos danos mentais e até físicos em um ou ambos os envolvidos. É uma espécie de simbiose espiritual. Os espíritos ficam “atados” como se fossem xifópagos espirituais, ligados por fios energéticos muito resistentes e realimentados continuamente pelas duas mentes.

d) Auto-obsessão
A auto-obsessão se caracteriza naqueles casos em que a pessoa se convence de uma idéia, independentemente de se falar a ela da realidade. Sua ação mental é tão intensa que ela cria formas-pensamento relacionadas às suas “cismas” e estas passam a gravitar em torno dela, tornando-se suas companhias 24h por dia e podendo ser vistas e sentidas, em alguns casos, sendo até confundidas com espíritos.
Como estas formas-pensamento são continuamente alimentadas, podem ganhar força e ser usadas por outras mentes que vibram na mesma faixa. Estas mentes podem ser encarnadas ou desencarnadas e podem ou não voltar sua ação para a pessoa que criou as formas, podendo até estabelecer-se uma obsessão real, que se origina num processo de auto-obsessão.
Alguns casos de complexos, mania de perseguição e hipocondria são bons exemplos de auto-obessão que podem limitar, e muito, a própria pessoa e todos aqueles que convivem com ela.

e) Prevenção e tratamento
No mundo espiritual, os semelhantes se atraem e se associam para o fortalecimento mútuo.
Quando as semelhanças e afinidades são positivas e de cunho moral elevado, o resultado é que as qualidades de cada um dos envolvidos no processo se intensifiquem, dando incentivo e força para que ambos cresçam e evoluam juntos.
No entanto, quando as afinidades são negativas e as motivações são excusas, o resultado é uma associação perniciosa que vai degradando, gradativamente, os envolvidos, levando-os a uma situação cada vez mais desequilibrada. Os defeitos se intensificam e se tornam cada vez mais difíceis de combater, fazendo com que ambos se sintam completamente dominados por seus desejos e paixões mesquinhos e menos nobres.
Assim sendo, a melhor forma de prevenir uma obsessão é procurar manter sempre uma atitude física, mental e espiritual elevada, cultivando sentimentos nobres, praticando atos nobres e mantendo vigilância redobrada nas situações de maior risco.
A mente que cultiva pensamentos elevados, motivada por sentimentos nobres, tem sempre uma frequência vibratória mais elevada, o que dificulta o acesso de mentes desequilibradas que, em geral, vibram num padrão mais baixo e lento.
Quando, no entanto, a obsessão já se instalou fica mais difícil para aquele que a está sofrendo conseguir se desvencilhar da mesma, pois, além da influência mental, há todo um envolvimento energético plasmado para impedir a pessoa de pensar com clareza e agir com determinação e força. Muitas vezes, a pessoa não consegue se desvencilhar do problema sozinha e precisa da ajuda externa de passes e trabalhos mediúnicos para vencer a barreira energética colocada ao seu redor.
Nesses casos faz-se necessária a assistência espiritual para TODOS, obsessores e obsidiados, para que todos percebam o processo em que se encontram e o mal que estão causando uns aos outros. Os passes e “doutrinações” ajudam a fazer a limpeza energética e o desligamento, mas o que realmente vai determinar a “cura” será a mudança de padrão mental de todos os envolvidos, para que sigam por um novo caminho.

f) Obsessão e mediunidade
Médiuns estão especialmente sujeitos a obsessões, por sua sensibilidade aumentada para as energias e por sua capacidade de entrar facilmente em contato com o mundo espiritual.
Por esta razão, devem estar sempre atentos a mudanças de humor e disposição, para não serem pegos de surpresa por um assédio ou influência espiritual nociva.
Além disso, médiuns costumam também ser alvos muito visados por entidades que não têm interesse em que se esclareçam e ajudem as pessoas por meio da mediunidade. Assim, são sempre assediados e atacados por espíritos de má índole ou perturbados, na tentativa de fazê-los desistir de sua tarefa, amedrontando-os, cansando-os, provocando doenças e desgastes variados.
Como diz Maria Aparecida Martins, em afirmação já transcrita de seu livro Conexão – Uma nova visão da Mediunidade, não há mediunidade desequilibrada, mas médium desequilibrado. Por isso é necessário que, além de se falar de mediunidade, cuide-se dos médiuns, ajudando-os a se equilibrarem, ajudando-os a entenderem o que se passa com ele, acalmando-os, tirando-lhes o medo e dando-lhes conforto e segurança para o cumprimento de sua tarefa.

5. DESOBSESSÃO

a) Métodos
A desobsessão é a ação de livrar um obsidiado de seu obsessor, assediador ou perseguidor espiritual.
É muito conhecida pela prática da tradicional “doutrinação” do suposto obsessor, em que uma pessoa encarnada tenta, literalmente, convencer o espírito a interromper sua ação sobre o encarnado, usando, para isso, métodos bastante “agressivos”, como sermões de cunho moral, ameaças, terrorismo espiritual, coação psicológica e energética, etc.
Infelizmente, estes “doutrinadores” sempre tiveram em mente que obsessores são sempre os culpados, são sempre os carrascos, responsáveis pela situação negativa que prejudica o obsidiado.
É o que nos diz Renato Ourique de Carvalho, em seu livro Orientação a Desencarnados, da série Gotas e Luz, quando afirma que “normalmente o chamado obsessor é considerado como sendo uma “algoz” que é preciso ser combatido, vencido, domado e humilhado. Essa é a regra normal do trato que os participantes do chamado “trabalho de desobsessão” seguem para “vencer os inimigos!
“De tempos a esta parte, modernos autores, dedicados trabalhadores espíritas, têm-se ocupado do assunto e nos dados obras onde catalogam as suas experiências (e os resultados) na busca da chamada “desobsessão, agora sob nova ótica, ou seja, a do diálogo com os irmãos carentes e as tentativas de os transformar em nossos amigos, despindo-se da vestimenta de inimigos.”
Hoje, portanto, esta visão, felizmente, está mudando e os obsessores já vêm sendo encarados como seres humanos desencarnados e tratados com respeito e sincero interesse por suas razões. Hoje, o que se vêm fazendo não é mais a tradicional “doutrinação”, mas uma orientação espiritual, para que compreendam, acima de tudo, o mal que estão causando a si mesmos, ficando ligados a uma pessoa de que, na maioria das vezes, não gostam.
E o resultado tem sido bem positivo, pois os espíritos mostram-se muito mais receptivos a este tipo de abordagem e, consequentemente, muito mais acessíveis às explicações e assistências que recebem.
Trabalhos como o de Renato O. de Carvalho, no livro acima citado, e de Hermínio C. Miranda nos livros Diálogo com as Sombras, Histórias que os Espíritos Contaram, O Exilado, A Irmã do Vizir e A Dama da Noite demonstram claramente esta tendência e seus resultados bastante felizes.
Além disso, hoje já sabemos também que, para uma orientação deste tipo, muitas vezes, nem é necessária a “incorporação” em um médium, pois basta o contato dos espíritos com a energia do grupo mediúnico, para que eles se sintam tocados e possam ser ajudados diretamente pelos amparadores mais próximos.
Com isso, o trabalho de orientação a desencarnados tornou-se muito mais humano, muito mais amoroso e, ao mesmo tempo, muito mais produtivo, rápido e eficaz, sem perder a característica principal de ajudar e dar assistência, a encarnados e desencarnados.
Além disso, com esta técnica pode-se ajudar muito mais espíritos a cada reunião, uma vez que não se necessita mais da “incorporação” para a assistência. Os espíritos são orientados e ajudados no astral mesmo e, muitas vezes, a ajuda que damos a um ou dois deles repercute em muitos outros ligados à mesma faixa vibratória, realizando uma verdadeira “varredura” espirutual coletiva.
Neste caso, a ajuda dos médiuns é, acima de tudo, mental e energética, por meio de pensamentos e sentimentos elevados, sempre pautados no amor incondicional, na compaixão equilibrada e na serenidade.

b) Eficácia
Seja como for, este trabalho só terá efeito se o(s) interessado(s) participar(em) ativamente do processo. Ninguém pode ser ajudado se não quiser. Ninguém consegue vencer o mal que o persegue se não trabalhar para mudar o padrão que atrai este mal. Ninguém poderá equilibrar-se se não buscar o equilíbrio dentro de si mesmo, com uma conduta mais elevada.
Desobsessão não é processo mágico, nem solução milagrosa. É processo muitas vezes complexo que requer cuidado e compreensão, alguma psicologia e muita paciência, tanto dos médiuns, como do assistido.
Em alguns casos, inclusive, serão necessários vários atendimentos para que a atuação obsessiva realmente seja interrompida, já que muitas variáveis estão envolvidas, tanto no plano material, quanto no plano espiritual.
Assim, o médium que trabalha com desobsessão deve ser capaz de compreender bem a situação de TODOS os envolvidos, orientando encarnados e desencarnados para a conduta mais adequada e que poderá levá-los a uma solução feliz para todos.

c) Cuidados
Alguns cuidados são muito importantes no trabalho de desobsessão:
- Procurar conhecer os detalhes de cada caso, para atuar de forma consciente e orientada;
- Alguns conhecimentos de psicologia para ajudar no trato com as entidades e com os assistidos encarnados, sem desequilibrá-los ainda mais;
- Muito conhecimento dos mecanismos espirituais de ligação energética mental e orgânica, para saber como e quando fazer o desligamento;
- Profunda sintonia mental com os amparadores encarregados dos trabalhos e interessados em cada caso, para contar com ajuda “balizada” e poder dar a melhor assistência possível;
- Muita segurança mediúnica e espiritual, para poder entrar na faixa dos obsessores, assediadores e sofredores, sem sofrer-lhes a influência, saindo desta faixa com facilidade, logo após o atendimento;
- Firmeza mental e muito equilíbrio emocional para não se deixar abalar pelo comportamento e as palavras de espíritos perturbados, entendendo que são apenas seres humanos desequilibrados precisando de ajuda e compreensão;
- Bastante “malícia” também, no bom sentido, para saber como se defender de suas ameaças e ataques, bem como para saber quando agir com mais firmeza e objetividade, sem receio de “ferir” a suscetibilidade das entidades, que, muitas vezes, como crianças, precisam que lhes imponham limites e disciplina;
- Muito equilíbrio e serenidade para ajudar também o dirigente do trabalho, o orientador encarnado encarregado de conversar com as entidades, bem como os outros médiuns, caso se esteja atuando como médium de sustentação.

d) Extensões
Desobsessão não acontece apenas no plano físico. Ela ocorre também no plano espiritual, onde os médiuns podem atuar projetados pela ação do sono físico, com a orientação de amparadores, instrutores e amigos espirituais. Mais um motivo, portanto, para que o médium encare o sono como uma parte muito importante de sua vida e de sua tarefa mediúnica e se prepare muito bem para ele, garantindo sempre sintonia elevada e energias sutis.
O médium realmente comprometido com a sua tarefa tem consciência de que o espírito não está preso ao corpo e não é o corpo. Por isso, nunca dorme por dormir e encara o sono como condição que lhe propicia estender seu trabalho mediúnico a outras consciências, sempre na intenção de dar assistência e ajudar.
Além disso, o médium sabe também que o trabalho de desobsessão, muitas vezes, não acontece nem começa apenas na reunião mediúnica. O médium deve saber que muitas desobsessões começam muito antes da reunião do grupo e também em situações e locais bem diferentes daquele em que o grupo se reúne.
Consciente disso, o médium pode estar mais atento para os casos “inusitados” do dia a dia, em que sua atuação como médium é mais requerida.
Outro detalhe importante é que médiuns que trabalham com desobsessão costumam ser vigiados e acompanhados, de perto, por obsessores e assediadores, para serem fiscalizados em sua conduta diária. Caso não haja coerência entre o que dizem e “pregam” e o que fazem diariamente em sua vida “mundana” serão, muito provavelmente, cobrados por estes espíritos, sendo acusados de falsidade, falso moralismo, etc.
E os amparadores permitem que seus médiuns sejam submetidos a este tipo de situação para que tenham consciência da responsabilidade que têm perante as mentes que orientam. Sendo o médium aquele que primeiro deve dar o exemplo, é bastante constrangedor para o amparador que seu próprio “parceiro” seja pego em flagrante pelos assediadores, além de ser bastante desmoralizante para o próprio médium, que perderá credibilidade e autoridade moral para lidar com espíritos perturbados e mal intencionados.
Sendo assim, o médium deve tomar muito cuidado com o que diz e faz, dentro e fora das reuniões mediúnicas. É preferível um médium razoável e coerente, do que um médium aparentemente perfeito e inatacável, mas totalmente incoerente, pois a primeira pessoa que o médium engana com esta conduta é a si mesmo. E o primeiro a se prejudicar com isso é também ele próprio.

6. VAMPIRISMO ENERGÉTICO

a) Definição
Vampirismo é a apropriação indébita de energias alheias, sejam elas físicas ou espirituais. E vampiros são todos os espíritos, encarnados ou desencarnados, que, consciente ou inconscientemente, sugam as energias de outros espíritos, para se alimentar ou equilibrar.
Muitas vezes é um processo automático em que o mais desvitalizado, espontâneamente, provoca a saída de energias do mais vitalizado, equilibrando os dois, como no sistema de vasos comunicantes.
Se o mais vitalizado não tiver consciência deste mecanismo ou se, mesmo tendo consciência, não souber se proteger contra ele, poderá ficar também desvitalizado e sentir-se fraco.

b) Exemplos
As situações mais comuns de vampirismo energético são:
- Visitas e convivência com idosos e doentes;
- Visitas a velórios, hospitais, cemitérios, necrotérios, manicômios, etc.;
- Contato com pessoas negativas, pessimistas, hipocondríacas, revoltadas, etc.;
- Contato com pessoas com desequilíbrios psicológicos, mentais e emocionais profundos;
- Contato com pessoas maldosas e maliciosas
É interessante frisar que, em grande parte destes casos, o processo é inconsciente e não intencional. Desse modo, é o médium que deve conhecer o mecanismo e aprender a se prevenir, defender e recuperar.
Claro que há também os casos intencionais, mas, em geral, estes são mais fáceis de se detectar, pela própria postura e atitude da pessoa, sendo, portanto, mais fácil de evitar e prevenir-se.
É por este mecanismo que não se deve deixar que crianças passem muito tempo com idosos e doentes mais graves, já que, sendo “pilhas” naturais e super carregadas, elas doam instantaneamente suas energias para as outras pessoas, podendo vir a ficar doentes, indispostas, irritadas ou perturbadas.
Adolescentes têm energias bastante “movimentadas”, “agitadas”, e podem também causar desequilíbrio se entrarem em interação mais profunda com médiuns e pessoas mais sensíveis.
Espíritos desencarnados são também vampiros e, em grande parte das vezes, sugam suas vítimas durante o sono ou em situações de maior desequilíbrio e perturbação da vigília, tais como abuso de álcool, drogas, jogo, sexo desequilibrado, excesso de alimentação, raiva, medo e agressividade exacerbados, etc.
Como não podemos evitar este tipo de situações e pessoas, ainda mais uma vez, a melhor “técnica” para o caso é a sintonia elevada, com a sutilização de energias e o estudo e conhecimento do processo, para prevenção e correção de eventuais perdas.

G. Lendas ou Fatos?

1. PATUÁS, AMULETOS e TALISMÃS
Estes são termos sinônimos usados para designar objetos materiais, de qualquer espécie, que possuem poderes mágicos especiais, capazes de proteger e trazer benefícios para quem os possue. São reais, embora não sejam tão poderosos quanto se acredite que sejam ou façam parecer em filmes.
O mecanismo para que funcionem é relativamente simples, pois baseia-se apenas no acúmulo de energias projetadas por uma ou várias mentes sobre o objeto, o qual passa a funcionar como um acumulador ou bateria, que passa a energizar quem o carrega.
Qualquer objeto serve para o processo, no entanto, o mecanismo funcionará melhor se houver um significado especial, um valor sentimental ou devocional maior para a pessoa que o usa.
Este tipo de objeto pode ser, inicialmente, energizado por uma terceira pessoa que o “benze” e dá para o interessado que, dali em diante, passa a realimentá-lo com sua própria energia, tornando-o cada vez mais sintonizado consigo mesmo.
Quanto mais fé a pessoa tiver nesse mecanismo, mais o objeto estará energizado e mais poderá fazer pela pessoa, DENTRO DO SEU MERECIMENTO E NECESSIDADE.
Pelo mesmo processo, podemos ter locais “talismânicos” ou “amuléticos”, dotados de poderes especiais, como igrejas, templos, cavernas e grutas, vilas, castelos, etc., pelo acúmulo de energia mental e emocional de várias pessoas que frequentaram e frequentam o local com seus pensamentos e sentimentos mais ou menos focados nos mesmos objetivos.
Assim, se uma determinada igreja, por exemplo, torna-se conhecida por atuar positivamente na cura de determinada doença e as pessoas passam a frequentá-la mais assiduamente com esta intenção, mais força a igreja terá para, eventualmente, proporcionar curas para as pessoas que as merecem, pois mais energia acumulada terá neste sentido.

2. MAGIA, BRUXARIA e DESPACHOS
São técnicas de manipulação energética, na maioria das vezes ligadas à natureza e muito antigas, tendo suas origens em culturas e povos da antiguidade.
Como práticas antigas, são baseadas em conhecimentos mantidos em segredo por muito tempo, os quais precisam ser profundamente estudados em seu contexto original para serem entendidos e usados corretamente. Ou seja, não têm nada a ver com modismos e “manias” modernas, relacionadas à tão vulgarizada “nova era”, nem podem ser aprendidos em cursos de fim de semana ou livros de banca de jornal.
Especificamente com relação aos despachos, é importante entender que os objetos utilizados são usados por suas características vibratórias. A energia de seu duplo é manipulada e transformada para compor o complexo energético do despacho propriamente dito, o qual só terá efeito, positivo ou negativo, nas pessoas que tenham sintonia com estas energias e mereçam ou precisem do que elas podem provocar.

3. EXUS, POMBAS GIRAS e AFINS
Exus e pombas giras são entidades de Umbanda, que cohecem e trabalham com as energias mais densas. São também guardiões de regiões mais densas, como cemitérios e faixas do Umbral, onde atuam como verdadeiros “leões de chácara”, policiando os locais, cuidando para que a ordem divina esteja presente, garantindo que a cada um seja dado segundo suas obras.
Não são demônios, não são criaturas satânicas, não são representações do diabo, nem manifestações do mal. São apenas espíritos, seres humanos desencarnados, que, por suas características, voltaram-se a este tipo de atividade.
Como em qualquer grupo de seres humanos, existem os “bons” e os “maus” exus e pombas giras, ou seja, existem os exus e pombas giras de mau caráter e os de bom caráter. No caso de exus de bom caráter, recebem a denominação de “exus de lei” e trabalham associados a muitos amparadores e grupos elevados de espíritos, indo onde espíritos de luz não conseguem chegar, devido às suas vibrações e energias muito sutis.

4. APARELHOS PARASITAS
Da mesma forma que amparadores criam aparelhos extrafísicos para provocar, intensificar, diminuir, bloquear ou modificar capacidades psíquicas e energéticas de médiuns, ou ainda para monitorá-los ou inspirá-los à distância, também os obsessores e assediadores o fazem, para a mesma finalidade, mudando apenas a intenção, que deixa de ser positiva para ser negativa, de prejudicar o seu alvo.
São também aparelhos criados por espíritos, pela manipulação das energias astrais, e “instalados”, geralmente no sistema nervoso ou nos chacras das pessoas, para teleguiá-las remotamente, atuando sem serem vistos, às vezes nem por clarividentes.
Este tipo de aparelho costuma ser bastante denso e, dependendo da sintonia conseguida com o obsidiado, exigirá grande esforço energético de desagregação, com várias aplicações e projeções de energias para que se possa desligar e retirar o aparelho.
Muitas vezes, inclusive, a integração do aparelho é tão profunda com o obsidiado que não se pode desligá-lo de uma vez, nem retirá-lo de repente, sob pena de desequilibrar, profundamente, a pessoa, tanto física como psicologicamente.

5. FLUIDOTERAPIA: EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS Trabalho apresentado por José Lucas da Associação Cultural Espírita (Caldas da Rainha - Portugal), no 2º Congresso Espírita Mundial, Lisboa, 1998.
Parte I
Muito se fala de Espiritismo, mas muito pouco se conhece desta doutrina. Iremos hoje iniciar um conjunto de artigos que abordarão experiências científicas que comprovam algumas das teses que o Espiritismo advoga.
“Fui à casa espírita e tomei um passe" ou “Fui centro espírita e bebi um pouco de água fluidificada que me auxiliou no problema X”, são algumas das afirmações que por vezes ouvimos de quem frequenta uma instituição espírita. Outros perguntam com muita propriedade: “Mas o que é isso do passe ou da água fluidificada, isto é, o que é a fluidoterapia”?
No meio espírita existe um termo que é muito comum - a fluidoterapia - isto é, a capacidade de, através da doação de fluidos (energias), interferir positivamente na saúde das pessoas, seja através do passe espírita ou através da fluidificação da água.
Pensamos, pois, que seria bem útil que todos nós tivéssemos conhecimento das descobertas científicas efetuadas em torno da fluidoterapia, para que assim pudéssemos mais eficazmente passar esta idéia às pessoas que recorrem à casa espírita, dando-lhe a idéia que a fluidoterapia encerra: uma prática séria, baseada no amor, nada supersticiosa, nada ritualística e com fundamento científico.
O passe espírita é uma transfusão de energias psíquicas e espirituais que alteram o campo celular. Não é uma técnica. É um ato de amor. Não foi inventado pelo Espiritismo, mas foi estudado por ele. Jesus utilizava-o.
Quando duas mentes se sintonizam, uma passivamente e outra ativamente, estabelece-se, entre ambas, uma corrente mental, cujo efeito é o de plasmar condições pelas quais o "ativo" exerce influência sobre o "passivo". A esse fenômeno denominamos magnetização. Assim, magnetismo é o processo pelo qual o homem, emitindo energia do seu perispírito (corpo espiritual), age sobre outro homem, bem como sobre todos os corpos animados ou inanimados. Temos, portanto, que o passe é uma transfusão de energia do passista e/ou espírito para o paciente.
No passe, a mente reanimada reergue a vida microscópica (celular). O passe tornou-se popular pela sua eficácia. O paciente assimila os recursos vitais, retendo-os na sua constituição psicossomática, através das várias funções do sangue.
Podemos dizer que o passe atua diretamente sobre o corpo espiritual de três formas diferentes: como revitalizador, compondo as energias perdidas; dispersando fluidos negativos contraídos; e auxiliando na cura das enfermidades, a partir do reequilíbrio do corpo espiritual.
A água cobre dois terços da superfície da Terra e representa cerca de 70% das moléculas que constituem o corpo humano.
A água magnetizada nas casas espíritas contribui para uma melhoria da saúde física e psíquica de quem necessita. Nada mais é que a água normal, acrescida de fluidos curadores. Estes fluidos são introduzidos pelos espíritos amigos, bem como pelo passista. São fluidos de boa qualidade. A quantidade da água não é importante, basta um pouco. A qualidade dos fluidos, essa sim, é importante. Os fluidos agem sobre a água, modificando-lhe as propriedades.
“A água é extremamente sensível a muitos tipos de radiações. O cientista americano de pesquisas industriais Robert N. Miller e o físico Prof. Philip B. Reinhart inventaram quatro instrumentos independentes, para demonstrar que um pouco de energia emanada das mãos de um curador pode dar início a uma alteração da ligação molecular entre o hidrogênio e o oxigênio das moléculas de água.» (As curas Paranormais, George Meek, Ed. Pensamento, 1995).
“Considerando que o corpo é composto de água na sua maior parte, e desde que descobrimos que a água é extraordinariamente sensível às irradiações de um amplo espectro de energias; considerando, ainda, que estamos aumentando a nossa possibilidade para detectar e medir instrumentalmente o fluxo de várias energias que emanam do corpo do curador, podemos enxergar as inferências disso como sendo de grande projeção.” (idem).
Modernamente, podemos encontrar vários estudos de caráter científico, que vêm comprovar as teses espíritas em torno do passe e da fluidificação da água, dando, portanto, uma base de aceitação bem maior, principalmente junto daqueles que desconhecem o Espiritismo.

Parte II
A prática do Espiritismo tem uma componente científica. Agora, são os cientistas não espíritas que o vêm comprovar. Vamos continuar com experiências científicas que provam a eficácia da fluidoterapia, prática comum nas associações espíritas, que engloba o passe espírita (transmissão do magnetismo humano mais energias espirituais para a pessoa necessitada), e a água fluidificada por essas mesmas energias.
O Dr. Bernard Grad, bioquímico e pesquisador de geriatria no Allen Memorial Institute da Universidade de McGill, em Montreal, no Canadá, fez experiências muito interessantes na década de 1960. O trabalho do Dr. Grad a respeito da cura pelo toque das mãos foi reconhecido e ele recebeu um prêmio da Fundação CIBA, uma fundação científica fundada por um grande laboratório farmacêutico. Ele efetuou experiências com sementes de cevada, com ratos e a análise da estrutura molecular da água.
1. Nas suas experiências com sementes de cevada, Grad fez o seguinte:
- substituiu humanos por plantas e animais, para evitar o efeito placebo;
- colocou sementes de cevada de molho em água salgada (retarda o crescimento), com objetivo de criar plantas doentes;
- pediu a um curador psíquico (um passista), que fizesse imposição das mãos sobre a água salgada (água tratada), num recipiente, que seria usada para a germinação das sementes;
- as sementes foram divididas e colocadas em água salgada tratada pelo passista e não tratada.
- foram colocadas, em seguida, numa estufa, onde o processo de germinação e crescimento foi acompanhado;
- Bernard Grad verificou que as sementes submetidas à água tratada pelo passista germinavam com maior frequência do que as outras;
- depois de germinadas, as sementes foram colocadas em potes e mantidas em condições semelhantes de crescimento;
- após várias semanas, e de acordo com uma análise estatística, as plantas regadas com a água tratada eram mais altas e tinham um maior conteúdo de clorofila. (Medicina Vibracional, Ed. Cultrix, Richard Gerber, 1997).

Bernard Grad efetuou outra experiência muito interessante:
- ele lembrou-se de dar a água para pacientes psiquiátricos segurarem. Essa mesma água foi depois usada para tratar as sementes de cevada. A água energizada pelos pacientes que estavam seriamente deprimidos, produziu um efeito inverso ao da água tratada pelo passista: ela diminuiu a taxa de crescimento das plantinhas novas (Jeanne P. Rindge in As Curas Paranormais, George W. Meek, Ed. Pensamento, 1995).

2. Ainda numa outra experiência:
- “...Grad analisou a água quimicamente para verificar se a energização (através do passe pela imposição das mãos), havia provocado alguma alteração física mensurável. Análises por espectroscopia de infravermelho revelaram a ocorrência de significativas alterações na água tratada pelo passista... o ângulo de ligação atômica da água havia sido ligeiramente alterado... bem como diminuição na intensidade das ligações por pontes de hidrogênio entre as moléculas de água... e significativa diminuição na tensão superficial.” (Gerber, 1997).

3. Bernard Grad efectuou ainda experiências com ratos. Numa delas:
- produziu a doença do bócio em ratos e separou-os em dois grupos.
- contatou um famoso curador, o Coronel do Exército Húngaro, aposentado, Oskar Stabany, que pegava nos ratos durante 15 minutos de cada vez, durante 40 dias.
- embora todos os animais apresentassem um aumento da tiróide, “os ratos pertencentes ao grupo tratado pelo curador apresentavam uma proporção significativamente mais baixa de casos de bócio.” (Gerber, 1977).

Numa outra experiência, Grad pegou:
- 48 ratos que foram submetidos a uma pequena cirurgia e separados em 3 grupos.
- um dos grupos foi tratado pelo curador (passista).
- “Nos ratos pertencentes ao grupo tratado pelo curador, o processo de cicatrização das feridas era significativamente mais rápido.” (Gerber, 1997).
Estes estudos foram comprovados pelos Drs. Remi J. Cadoret e G. I. Paul, na Universidade de Manitoba, em condições de rigoroso critério, que concluíram: “os ratos tratados por pessoas dotadas de poderes curativos apresentaram uma velocidade de cicatrização significativamente maior.” (Gerber, 1997).

Parte III
A Drª Dolores Krieger, doutora em Filosofia, prof. de Enfermagem na Universidade de Nova Iorque “...teve oportunidade de observar o desempenho do Coronel Stabany durante várias semanas de cada verão, numa clínica (provisória) de cura. Ela ficou impressionada com a quantidade de pessoas, cuja saúde melhorava, inclusive casos dados como perdidos pela medicina.” (As Curas Paranormais - Pensamento, 1995).
Assim sendo, ela decidiu investigar. Utilizou um grupo de vários doentes e solicitou o apoio do Coronel Stabany e da Dr.ª Otelia Bengssten, médicabem como da Sra. Dora Kunz, vidente. Um grupo recebeu tratamento direto, por imposição das mãos. A Dr.ª Krieger mediu os níveis de hemoglobina, antes e depois do passe magnético (imposição das mãos) efetuado pelo Coronel Stabany, e “constatou a ocorrência de aumentos significativos nos níveis de hemoglobina dos pacientes do grupo que recebeu o passe.” (Medicina Vibracional ; São Paulo: Cultrix).
“A tendência para a energia curativa elevar os níveis de hemoglobina era tão forte, que pacientes cancerosos submetidos à cura, por imposição das mãos, apresentaram ocasionalmente elevações nos níveis de hemoglobina, apesar de estarem se tratando com quimioterapia.” (Gerber, cap. VIII, 1997). “Foi demonstrado que as elevações nos níveis sanguíneos de hemoglobina indicavam, com segurança, a ocorrência de verdadeiras alterações bioenergéticas e fisiológicas, produzidas pela aplicação das energias curativas.” (Gerber, cap. VIII, 1997).
Mas não foi somente esta cientista que pôde comprovar a ação eficaz da fluidoterapia através do passe magnético (imposição das mãos). Uma outra cientista decidiu investigar outras áreas.
A Dr.ª Justa Smith, freira franciscana, bioquímica e enzimologista, recebeu o título de doutora em pesquisa original sobre os efeitos dos campos magnéticos na atividade da enzima. Em 1967 era presidente do Departamento de Ciências Naturais, num colégio particular em Rosary Hill, Buffalo, USA.
Ela pensou da seguinte maneira: “As enzimas são os catalisadores do sistema metabólico. Qualquer cura, ou doença, primeiramente, deve ativar o sistema enzimático. E raciocinou que se os campos magnéticos podiam aumentar a atividade da enzima tripsina digestiva - o que ocorria na sua pesquisa - e se a luz ultravioleta podia diminuir a atividade - o que ocorria na sua pesquisa - então qual o efeito sobre a mesma enzima que poderia ocorrer na imposição de mãos - se é que havia? E decidiu descobrir.
A Dr.ª Smith propôs, inicialmente, comparar os efeitos da imposição de mãos do Coronel Stabany sobre a enzima tripsina, com os efeitos do campo magnético sobre a mesma enzima, bem como sobre os controles. Para fazer isso, preparou soluções de tripsina, as quais foram depois divididas em quatro frascos de vidro... um deles foi tratado pelo Coronel Stabany, que simplesmente colocou as suas mãos ao redor do frasco tapado, durante um espaço máximo de 75 minutos. O segundo ficou exposto à luz ultravioleta no comprimento de onda mais prejudicial para a proteína (o Dr. Bernard Grad sugerira que a enzima se tornasse "doente", a fim de demonstrar a evidência da cura). Um terceiro frasco foi exposto a um campo magnético elevado (8.000 a 13.000 gauss), com acréscimos horários de até 3 horas. O quarto, não tratado, era o controle. Os resultados de um mês de estudo demonstraram que a energia ou força proveniente das mãos do Coronel Stabany ativavam as enzimas, quantitativa e qualitativamente, comparáveis à atividade originada por um campo magnético de 8.000 a 13.000gauss. Isso representa uma atividade muito significativa, considerando que vivemos num campo magnético médio com cerca de 0,5gauss. Os efeitos nas enzimas danificadas (expostas à luz ultravioleta), foram essencialmente os mesmos. Os resultados... indicam que algum tipo de energia foi canalizada pelas mãos do Coronel Stabany, sendo suficiente para ativar as enzimas em um grau significativo.” (Meek, cap. 13, 1995).

Parte IV
A Drª Thelma Moss, Ph. D., psicóloga, diretora de pesquisa no Center for the Health Sciences, The Neuropsychiatric Institute, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), fez inúmeras experiências, muitas delas relatadas no seu livro O Corpo Elétrico. Dentre elas, é interessante nos referirmos às experiências efetuadas com a curadora Olga Worral.
A Drª Thelma Moss fez uma fotografia Kirlian (fotografia que capta o campo energético que envolve o corpo humano), da mão da Srª Olga Worral, em estado normal e fez uma outra da mesma mão da Srª Worral, mas em estado de transe, enviando energias para uma pessoa necessitada. Nessa fotografia aparece nitidamente algo saindo da ponta dos dedos de Olga Worral, podendo evidenciar a emissão de energia das suas mãos.
Thelma Moss fez ainda experiências com Uri Geller (mundialmente conhecido por conseguir fazer funcionar relógios avariados, mesmo à distância), demonstrando igualmente a saída de uma energia dos seus dedos, quando em concentração. (Moss, T. - O Corpo Eléctrico, tradução Sônia Régis, Cultrix, 1993).
Vejamos ainda um outro caso curioso.
O Dr. Hans Engel, doutor em Medicina, médico paranormal, era um renomado médico do corpo clínico da Escola de Medicina da UCLA e director dum famoso hospital e da Academia de Clínica Familiar de Los Angeles. Um homem com referências impecáveis.
Apercebeu-se, um dia, ao colocar a mão na testa da mulher (que tinha fortes dores de cabeça), de intenso frio na mão, perguntando à esposa se era ali que doía. Quando o frio desapareceu, a esposa informou que a dor desaparecera. Depois de muitos anos em que se apercebia do mesmo, efetuou experiências científicas com a Dr.ª Thelma Moss, tratando de uma grande variedade de pacientes que lhe eram enviados por médicos, geralmente como último recurso, após remédios, cirurgia, e mesmo a acupunctura e a hipnose terem falhado. Os seus maiores êxitos eram com doentes portadores de dores intoleráveis e persistentes. Do total, 15% não reagiram de forma nenhuma; outros 15% tiveram completa remissão e recuperação; 70% variaram entre melhoras leves ou acentuadas.
Quando impunha as mãos sentia um enorme frio nas mesmas e os pacientes sentiam um calor por vezes incômodo. No entanto, eram frio e calor que não eram mensuráveis pelos equipamentos.
Estas características e êxitos tornaram-no notícia, o que lhe valeu ter sido chamado a depor perante comissões, na universidade, obrigado a pedir a demissão da UCLA, continuando com as suas pesquisas e a exercer na sua clínica. (Moss, cap. 10, 1993).
Um outro investigador conta-nos ainda fatos muito interessantes.
O Engº Hernani Guimarães Andrade, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP), cientista, escritor, conferencista, com 8 monografias e 12 livros publicados, relata casos muito interessantes no artigo Água Fluída, publicado no jornal Folha Espírita n.º 233, de agosto de 1993, em São Paulo, Brasil.
Diz ele que o “O Dr. Edward G. Brame, doutor em espectroscopia, da Dupont Corporation, em Wilmington, Delaware, E. U. A., fez extensas pesquisas espectroscópicas com amostras de água destilada submetida a médiuns curadores, durante dois anos. Com a máxima cautela científica, o Dr. Brame concluiu que a água destilada, submetida à influência do magnetizador humano, apresenta mudanças moleculares. A duração dessas mudanças moleculares observadas após a influência do médium curador é surpreendentemente longa: cerca de 120 dias, ou seja, 4 meses!”.
Diz-nos ainda que “O Dr. Brame... colocou frascos com água pura, no meio de um grupo de pessoas que se dispuseram a fazer uma concentração, visando magnetizar a água neles contida. Não foi feita imposição das mãos; nem os frascos e nem a água foram tocados pelas mãos das pessoas componentes do grupo. Houve apenas a concentração, nada mais. Os resultados mostraram-se os mesmos: houve alterações moleculares na água assim tratada.” (Andrade, Folha Espírita, agosto, 1993).
Estas últimas considerações levam-nos a entender a importância do passe espírita e da água magnetizada, no auxílio aos enfermos da mente e do corpo, bem como da inoquidade dos movimentos que alguns passistas fazem em volta do corpo do doente, bastando, pois e apenas, o direcionamento mental das energias, tal como nos ensina o Espiritismo, e se referiu também o filósofo e escritor José Herculano Pires.

6. EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS SOBRE a EFICÁCIA do PASSE - www.consciesp.org.br
CONSCIÊNCIA ESPÍRITA – CONSCIESP - Centro de Estudos Espíritas Paulo Apóstolo – Ceepa – Mirassol – SP
O passe magnético, ou transfusão bioenergética, é uma prática que tornou-se comum entre os espíritas.
Bem antes de envolver-se nas pesquisas fenomênicas que alicerçaram o surgimento do Espiritismo, Allan Kardec fora estudioso e praticante do magnetismo. Logo no início de seus contatos com os domínios espirituais, através da mediunidade da menina Ruth Japhet, o espírito de Hannemann, luminar da Homeopatia, entre outros, manteve com ele contatos ocasionais, instruindo-o.
O mestre lionês contava, entre seus colaboradores, com adeptos do magnetismo de várias escolas e muito se discutia sobre suas aplicações.
Atualmente, a questão da transferência bioenergética tem levado a ciência a estudar o assunto e, conseqüentemente, a realizar descobertas.

Efeitos detectados na prática de imposição de mãos
Interessantes são os experimentos realizados pelo dr. Bernard Grad, da McGill University, no Canadá, em 1957, ao estudar um curador húngaro chamado Estabany. Grad verificou os efeitos fisiológicos provocados pela imposição das mãos do curador sobre animais e plantas. Em todos esses experimentos ficou comprovada a existência de uma força vital que emana das pessoas – mais de algumas do que de outras – e esta energia parece estar intimamente associada a mecanismos homeostáticos, ou seja, parece agir de forma a otimizar o desempenho do organismo em seu funcionamento. Segundo suas conclusões e de descobertas posterios, estados emocionais afetam a qualidade dessa energia.

Acelerando o crescimento e a motibilidade em bactérias
Entre inúmeros experimentos realizados com enzimas, hemoglobina, bactérias, fungos, plantas, água, etc, vale a pena citar os do dr. Robert Miller, engenheiro químico, e os da dr.ª Elizabeth Rauscher, especialista em medicina nuclear. Ambos trabalharam com os curadores dr. Alex Tanous e dr.ª Olga Worrall.
Esses experimentos comprovaram que a imposição de mãos sobre culturas de bactérias acelerou-lhes o crescimento e a motibilidade, mesmo na presença de inibidores de crescimento, como a tetraciclina e ocloranfenicol, ou de inibidores de movimento, como o fenol.

Cura a distância
O poder dessa energia benéfica emanada pelo médium curador não é afetado pela distância.
Em outro experimento, o dr. Miller pediu à dr.ª Worral que visualizasse, por cinco minutos, o crescimento de uma planta localizada num laboratório a 600 milhas de distância. A planta estava ligada a uma aparelho desenvolvido pelo Ministério de Agricultura americano para aferir índices de crescimento de plantas. A taxa de crescimento que apresentava a planta em questão estava estabilizada em 0,00625 polegada por hora. Assim, exatamente às 9 horas da noite, quando a dr.ª Worral começou a emitir a energia, o registro do traçado passou a acusar um desvio para cima e até as 8 horas da manhã seguinte a planta apresentou um crescimento 830% maior do que o esperado.
A conclusão dos pesquisadores foi de que esta energia emitida pelo sensitivo pode produzir manifestações visíveis no mundo físico, mesmo quando gerada a distância.

Benefícios do passe espírita
Nesse contexto, todo espírita atuante, não apenas fossilizado na teoria, mas, sobretudo, experimentado na prática, já observou a relevância do passe espírita como poderoso recurso reestruturador do equilíbrio psicofísico, eficiente nos mais variados casos. Já compreendeu e experimentou que nesse procedimento de interatividade magnético-mental-emocional, não somente ocorre a impulsão bioenergética do médium, mas também a de competentes espíritos qualificados e comprometidos com a prática do bem, assumindo, com naturalidade, com o médium, o papel que cabe a todo ser de boa vontade em cooperar na grande obra da Inteligência Suprema.
E nesses preciosos momentos, pequenas maravilhas ocorrem. E delas, bem sabem desfrutar os que foram e continuam sendo beneficiados, tanto na condição de doadores, como na condição de receptores dessas maravilhosas energias físico-espirituais.

7. UMBRAL por Maísa Intelisano, para a revista Espitismo e Ciência, da Editora Mythos.
Segundo o Novo Aurélio – O Dicionário da Língua Portuguesa1, a palavra umbral foi tomada do espanhol e significa soleira, limiar, entrada, ou seja, a faixa mínima de piso que se acha entre as laterais de uma porta, portão ou passagem, e serve de limite entre um cômodo e outro numa construção.
Em 1943, André Luiz, o médico que se tornou conhecido psicografando livros pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, trouxe a público o significado dado à palavra na colônia espiritual “Nosso Lar”, onde passou a viver alguns anos depois de seu desencarne.
Em seu livro também chamado Nosso Lar2, ele conta como ouviu falar do Umbral pela primeira vez, quando o enfermeiro Lísias lhe dava as primeiras informações sobre a colônia e descreveu-o como região onde existe grande perturbação e sofrimento e para a qual a colônia dedicava atenção especial. Vejamos o que diz o enfermeiro:
“Quando os recém-chegados das zonas inferiores do Umbral se revelam aptos a receber cooperação fraterna, demoram no Ministério do Auxílio; ...”
E mais adiante, acrescenta:
“... A não ser em obediência a esse imperativo, o Governador vai semanalmente ao Ministério da Regeneração, que representa a zona de “Nosso Lar” onde há maior número de perturbações, dada a sintonia de muitos dos seus abrigados com os irmãos do Umbral. ...”
Não foi sem razão que André Luiz teve seu interesse despertado para essa região chamada Umbral. Sem entender bem do que se tratava, voltou a insistir com Lísias para saber mais detalhes e, no capítulo seguinte, narra novo diálogo com o enfermeiro, em que este lhe deu maiores detalhes desta região do astral, não sem antes perguntar como ele poderia não conhecer o Umbral se havia ficado lá por tantos anos. Vejamos o que diz Lísias:
“O Umbral – continuou ele, solícito – começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos.”
Mais adiante, diz também:
“... O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima, a prestações, o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.”
E em outro parágrafo, Lísias complementa:
“O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra. Concentra-se aí tudo o que não tem finalidade para a vida superior. ... Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias. (grifo nosso)... Lá vivem, agrupam-se, os revoltados de toda espécie. ... Pois o Umbral está repleto de desesperados. Por não encontrarem o Senhor à disposição dos seus caprichos,..., essas criaturas se revelam e demoram em mesquinhas edificações. “
Enfim, desde então, a palavra Umbral, escrita com letra maiúscula, como o fez André Luiz no livro Nosso Lar, tomou significado especial, principalmente entre os espíritas, designando a região espiritual imediata ao plano dos encarnados, para onde iriam e onde estariam todos os espíritos endividados, perturbados e desequilibrados depois da vida.
Com esta conotação, a palavra difundiu-se muito e transformou-se num quase sinônimo do Inferno e do Purgatório dos católicos, com localização geográfica, tamanho, etc., conceito este que o próprio Allan Kardec, codificador do Espiritismo, já havia desmitificado em suas obras, mais de 80 anos antes, especialmente em O Livro dos Espíritos3, nas seguintes perguntas:
“1011. Um lugar circunscrito no Universo está destinado às penas e aos gozos do Espíritos, segundo o seus méritos?
“- Já respondemos a essa pergunta. As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição do Espírito. Cada um traz em si mesmo o princípio de sua própria felicidade ou infelicidade. (grifo nosso). E como eles estão por toda a parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado se destina a uns ou a outros. Quanto aos Espíritos encarnados, são mais ou menos felizes ou infelizes segundo o grau de evolução do mundo que habitam.
“1012. De acordo com isso, o Inferno e o Paraíso não existiriam como os homens representam?
“- Não são mais do que figuras: os Espíritos felizes e infelizes estão por toda a parte. Entretanto, como já o dissemos também, os Espíritos da mesma ordem se reúnem por simpatia. (grifo nosso). Mas podem reunir-se onde quiserem, quando perfeitos.”
Como vemos pelas respostas dos espíritos a Kardec, o Inferno e o Paraíso não passam de estados de espírito, condição moral de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os espíritos por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos durante a vida encarnada e depois dela. E é bom lembrar que espíritos somos todos, encarnados e desencarnados, vivendo cada um o seu inferno e o seu paraíso particulares. O que nos diferencia dos espíritos desencarnados é apenas o fato de estarmos temporariamente presos a um corpo denso de carne. De resto, somos absolutamente iguais a eles, com desejos, opiniões, frustrações, alegrias, defeitos e qualidades.
Na verdade, a figura geográfica e espacial do Inferno dos católicos serviu de molde aos espíritas para que melhor visualizassem o que seria o Umbral. Assim como o Inferno da Igreja Católica foi tomado emprestado e adaptado do Inferno dos povos não cristãos (chamados pagãos), para compor os mitos de Inferno e Paraíso.
Pelo que dizem os espíritos a Kardec, podemos concluir que cada um de nós traz, em si mesmo, o inferno e o paraído que merece, de acordo com o que pensa, sente e faz durante sua vida espiritual, incluídos aí também os períodos em que nos encontramos encarnados.
Se não existe Inferno ou Purgatório, por que haveria de existir o Umbral com localização, medidas, coordenadas, etc.?
Tudo o que existe no plano espiritual é criado pela mente dos espíritos encarnados e desencarnados. Sempre que pensamos, nossa mente dispara um processo pelo qual somos capazes de moldar as energias mais sutis do universo, criando formas que correspondem exatamente àquilo que somos intimamente.
Extremamente apegados ao mundo material, nada mais natural que, mesmo estando fora dele, queiramos tê-lo novamente quando desencarnados. É aí que nossa mente entra em ação, criando tudo o que desejamos ardentemente. E várias mentes, desejando a mesma coisa juntas, têm muito mais força para criar.
A grande diferença é que, no mundo físico, podemos embelezar artificialmente o nosso ambiente e a nossa aparência, enquanto que no plano astral isso não é possível, pois lá todos os nossos defeitos, mazelas, falhas, paixões, manias e vícios ficam expostos em nossa aura, exibindo claramente quem somos como consciências e, não, como personalidades encarnadas.
No Umbral, tudo o que está fora de nós é consequência do que está dentro. Tudo o que existe em nosso mundo pessoal e nos acontece é reflexo do que trazemos na consciência. Assim, o Umbral nada mais é que uma faixa de frequência vibratória a que se ligam os espíritos desequilibrados, cujos interesses, desejos, pensamentos e sentimentos se afinizam. É uma “região” energética onde os afins se encontram e vivem, onde podem dar vazão aos seus instintos, onde convivem com o que lhes é característico, para que um dia, cansados de tanto insistirem contra o fluxo de amor e luz do universo, entreguem-se aos espíritos em missão de resgate, que estão sempre por lá em trabalhos de assistência.
Alguns autores descrevem o Umbral como uma sequência de anéis que envolvem e interpenetram o planeta Terra, indo desde o seu núcleo de magma até várias camadas para fora de seus limites físicos.
O que acontece é que os espíritos se reúnem obedecendo apenas e unicamente à sintonia entre si e acabam formando anéis energéticos em torno do planeta, ou melhor, em torno da humanidade terrena, pois ela é parte da humanidade espiritual que o habita e é também o foco de atenção de todos os desencarnados ligados a ele.
As camadas descritas em alguns livros são mais um recurso didático para facilitar o entendimento e o estudo do mundo espiritual, pois não há limites precisos entre elas, assim como não há divisas exatas entre um bairro e outro de uma mesma cidade, ainda que eles sejam de classes sociais bem diferentes.
É exatamente o que nos diz Lancellin, em seu livro Iniciação - Viagem Astral4, pela psicografia de João Nunes Maia:
“As pessoas, como os espíritos desencarnados, se reúnem por simpatia, por atração daquilo que pensam e sentem, pois se sentem felizes por estarem com os seus iguais, tanto na Terra como no mundo espiritual.”
Esse mesmo mecanismo de sintonia é o que cria regiões “especializadas” no Umbral, como o Vale dos Suicidas, descrito por Camilo Castelo Branco, pela psicografia de Yvonne A. Pereira, em seu livro Memórias de um Suicida5. Espíritos com experiências de suicídio, vivendo os mesmos dramas, sofrimentos, dificuldades, agrupam-se por pura afinidade e formam regiões vibratórias específicas.
Assim também acontece com faixas energéticas ligadas às drogas, ao aborto, aos distúrbios psíquicos, às guerras, aos desequilíbrios sexuais, etc.
Em seu livro Driblando a Dor6, pela psicografia de Irene Pacheco Machado, o espírito Luiz Sérgio, jovem desencarnado em acidente de automóvel na década de 70, conta o trabalho de sua equipe junto a grupos de drogados e traficantes.
Em outro de seus livros, Deixe-me Viver7, pela psicografia da mesma médium, ele fala mais especificamente da situação dos espíritos abortados e aborteiros, vivendo lado a lado na faixa vibratória de seus atos.
No livro O Abismo8, de R. A. Ranieri, orientado por André Luiz, vamos encontrar uma descrição dramática dos espíritos que vivem ligados ao subsolo do planeta, em condições terríveis de degradação moral e perispiritual.
O Prof. Wagner Borges, pesquisador de projeção astral e fundador do IPPB – Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas, também nos traz diversos relatos e psicografias importantes sobre o assunto. Em seu livro Viagem Espiritual9, em duas mensagens orientadas pelo espírito Rama, ele descreve imagens do Umbral, vistas pelos olhos de um padre desencarnado dedicado a ajudar e resgatar espíritos que vivem ali.
No livro O Céu e o Inferno10, de Allan Kardec, encontramos também diversos relatos de espíritos desencarnados que se apresentam pela psicofonia e descrevem as condições em que se encontram no mundo espiritual. Ali, além do relato de vários espíritos perturbados, vamos também encontrar relatos de espíritos relativamente felizes, alguns apenas algumas horas após o seu desencarne, demonstrando que céu e inferno são condições espirituais íntimas, alcançadas por merecimento, que acompanham o espírito onde quer que ele esteja e se mantêm e intensificam pela sintonia com outros espíritos nas mesmas condições.
Apesar de toda perturbação e desequilíbrio dos espíritos que vivem no Umbral, não devemos nos iludir. Existe muita disciplina, organização e hierarquia nos ambientes umbralinos. É o que nos mostra, por exemplo, o espírito Ângelo Inácio, pela psicografia de Robson Pinheiro, em seu livro Tambores de Angola11, e o espírito Nora, pela psicografia de Emanuel Cristiano, em seu livro Aconteceu na Casa Espírita12.
Vemos ali o quanto esses espíritos podem ser inteligentes, organizados, determinados e displinados em suas práticas negativas, criando instituições, métodos, exércitos e até cidades inteiras para servir aos seus propósitos.
É preciso que compreendamos que todos nós já estamos vivemos numa dessas “camadas” de Umbral que envolvem a Terra e que todos nós criamos o nosso próprio Umbral particular sempre que contrariamos as leis divinas universais, as quais podem ser resumidas numa única expressão: amor incondicional.
Em seu segundo livro, Os Mensageiros13, André Luiz conta a história de vários moradores de “Nosso Lar” que passaram pelas “zonas inferiores”. Todos eles saíram da colônia cheios de esperanças, de amigos, de auxílio e orientação. Eram, portanto, espíritos relativamente esclarecidos, amparados, iluminados. Muitos deles passaram anos na colônia estudando antes de reencarnar com missões definidas na mediunidade. No entanto, mesmo assim, vários eles se deixaram levar por seu lado ainda imperfeito e falharam novamente. Todos voltaram para “Nosso Lar” depois de desencarnados, mas não sem antes passar pelo Umbral, para drenar energias negativas acumuladas numa encarnação de descaso e irresponsabilidade com a própria consciência e a de outros.
Isso é necessário para o bem do próprio espírito, a fim de que ele possa se livrar de energias espirituais altamente tóxicas que desequilibram e bloqueiam sua mente para energias mais sutis e saudáveis, e também perturbariam os ambientes mais equilibrados, como o de colônias como “Nosso Lar”, caso fossem levados para lá nesse estado.
É importante notar que não se trata de punição ou banimento, mas de tratamento justo, necessário e amoroso. Sim, o Umbral é criação de amor e justiça divinos, onde espíritos desviados e profundamente desequilibrados encontram um meio onde conseguem viver e, ao mesmo tempo, aprender, enquanto se recuperam.
Muitos perguntam se não é pior o espírito ficar tanto tempo convivendo com tantas energias negativas semelhantes às suas próprias, agravando e intensificando seu próprio desequilíbrio. No entanto, não podemos nos esquecer que, muitas vezes, os espíritos desencarnam em tal estado de alheamento e perturbação, que não resta outro recurso a não ser deixar que a natureza siga seu curso e faça o trabalho necessário de depuração, colocando-os com seus semelhantes para que, juntos, filtrem, uns dos outros, as energias que os envenenam, e para que, observando as atitudes uns dos outros, possam compreender onde erraram e queiram reiniciar o processo de melhoria interior.
Mas o Umbral não é um mundo só de desencarnados. Muitos projetores conscientes (pessoas encarnadas que fazem projeções astrais conscientes), narram passagens por regiões escuras e densas, semelhantes às descrições de André Luiz em Nosso Lar.
Todos os encarnados desprendem-se do corpo físico durante o sono e circulam pelo mundo espiritual. Esse é um fenômeno absolutamente natural e inerente a todo espírito encarnado. Uma grande parte continua a dormir em espírito, logo acima de onde está descansando o corpo físico. Outros limitam-se a passear inconscientes pelo próprio quarto ou casa, repetindo, mecanicamente, o que fazem todos os dias durante a vigília. E há os que saem de casa e vão além.
Dentre estes, uma pequena parte procura manter uma conduta ética elevada, 24h por dia, tentando sempre melhorar-se como pessoa, buscando sempre ajudar e crescer, e, muitas vezes, é levada ao Umbral em missão de resgate ou assistência, trabalhando com espíritos mais preparados, doando suas energias pelo bem de outros espíritos, como também informa Wagner Borges, em seu livro Viagem Espiritual II14, dizendo:
“O sono dá ao espírito encarnado a oportunidade do desprendimento temporário do seu envoltório carnal. E nisto reside a sua grande chance de se sentir útil perante a vida, pois, fora do corpo, ele é levado por seus amigos espirituais às pessoas necessitadas, físicas e extrafísicas, onde a sua energia conciencial é de grande ajuda.
“Mediante processos específicos de transmissão de energia, os amparadores extrafísicos usam o projetor como doador de energia para a pessoa enferma (na maioria das vezes já desencarnada e sem se aperceber disso).”
Mas há um grande número dos que conseguem sair de seu próprio lar durante o sono e vão para o Umbral por afinidade, em busca daquilo que tinham em mente no momento em que adormeceram, ou obedecendo a instintos e desejos inferiores que, embora muitas vezes não estejam explícitos na vigília, estão bem vivos em sua mente e surgem com toda força quando projetados. Essas pessoas, muitas vezes, acabam sendo vítimas de espíritos profundamente perturbados ligados ao Umbral, que as vampirizam e manipulam, em alguns casos chegando até a interferir em sua vida física, criando problemas familiares, doenças, perturbações psicológicas, dificuldades profissionais e financeiras, etc.
Esse é o caso da jovem viciada Joana, narrado no livro O Transe15, também da dupla Ângelo Inácio e Robson Pinheiro. É também o que acontece com Erasmino, no livro Tambores de Angola.
Vemos, assim, que o Umbral, de que falam André Luiz e tantos outros autores encarnados e desencarnados, está mais próximo de nós, encarnados, do que muitos de nós imaginam. E, o que é mais importante, somos nós mesmos que ajudamos a manter esse mundo denso com nossos pensamentos e sentimentos menos elevados. Somos nós que damos aos espíritos perturbados, que se encontram ligados a essa faixa vibratória, grande parte da matéria-prima de que se valem para sutentar seu mundo de trevas e sofrimento.
O Umbral está em todo lugar e em lugar nenhum, pois está dentro de quem o cria para si mesmo e acompanha o seu criador para onde quer que ele vá.
Toda vez que nos deixamos levar por impulsos de raiva, agressividade, ganância, inveja, ciúmes, egoísmo, orgulho, arrogância, preguiça, estamos acessando uma faixa mais densa desse Umbral. Toda vez que julgamos, criticamos ou condenamos os outros, estamos nos revestindo energeticamente de emanações típicas do Umbral. Toda vez que desejamos o mal de alguém, que nos deprimimos, que nos revoltamos ou entristecemos, criamos um portal automático de comunicação com o Umbral. Toda vez que nos entregamos aos vícios, à exploração dos outros, aos desejos de vingança, aos preconceitos, criamos ligações com mentes que vibram na mesma faixa doentia e estão sintonizadas com o Umbral.
O Umbral só existe, porque nós mesmos o criamos, e só continuará existindo enquanto nós mesmos insistirmos em mantê-lo com nossos desequilíbrios.
É por essa razão que Jesus nos aconselha a vigiar e orar, indicando que, para termos paz de espírito e equilíbrio, é necessário estarmos sempre atentos aos próprios impulsos e ligados a mentes iluminadas que possam nos inspirar sentimentos e pensamentos elevados.
O Umbral é nosso também, faz parte do nosso mundo, e não podemos renegá-lo ou simplesmente ignorá-lo. Assim como não podemos também fingir que não temos nada a ver com ele. Lá estão também algumas de nossas próprias criações mentais, de nossos sentimentos inferiores, de nossos pensamentos mais densos. E lá vivem espíritos divinos como nós, temporariamente desviados do caminho de luz em que foram colocados por Deus.
Por isso é importante que não vejamos o Umbral como um lugar a ser evitado ou uma idéia a não ser comentada, mas como desequilíbrio espiritual temporário de espíritos como nós, que, muitas vezes, só precisam de um pouco de atenção e orientação para se recuperarem e voltarem ao curso sadio de suas vidas.
É comum encontrarmos médiuns e doutrinadores que têm medo ou aversão ao trabalho com espíritos do Umbral, evitando atendê-los, ignorando-os friamente, ou tratando-os como criminosos sem salvação, que não merecem qualquer compaixão ou respeito. Estas pessoas esquecem-se de um dos preceitos básicos da espiritualidade: a caridade.
É preciso estender a mão espiritual a estas entidades para que possam sair dessa sintonia e possam também colaborar com o trabalho gigantesco de resgate há ser feito nas regiões umbralinas. Além de retirar espíritos dessa sintonia, os trabalhos de desobsessão e orientação a desencarnados de grupos mediúnicos bem orientados, equilibrados, livres de preconceitos, prestam um grande serviço à própria humanidade terrena, na medida em que recuperam muitos obsessores e assediadores que lá vivem e se ocupam de perseguir espíritos encarnados.
Independentemente disso, todos nós podemos contribuir individualmente para a melhoria de toda a humanidade, encarnada e desencarnada, inclusive do Umbral, emitindo pensamentos de luz, amor, paz e harmonia por todo o planeta e tudo o que nele existe. Da mesma forma que contribuímos para a existência do Umbral, podemos contribuir para reduzir o sofrimento que existe nele, bem como a influência negativa que o mesmo exerce sobre os encarnados.
Os habitantes do Umbral não são nossos inimigos, mas espíritos que precisam de compreensão e ajuda. Não são irrecuperáveis, mas perderam o rumo do crescimento espiritual. Não estão abandonados por Deus, mas não sabem disso e desistem de procurar orientação. Não são diferentes de nós, mas tão semelhantes, que vivem lado a lado conosco, todos os dias, observando nossos atos, analisando nossos pensamentos, vigiando nossos sentimentos, prestando atenção às nossas atitudes.
E, se não queremos ir ao Umbral por afinidade, que nos ocupemos de nos tornarmos seres humanos melhores, mais dignos, mais éticos, 24h por dia. Desse modo, nossa passagem pelo Umbral será sempre na condição de quem leva ajuda sem medo, sem preconceito e sem sofrimento, e não de quem precisa de ajuda para superar seus próprios medos, preconceitos e dores.
(Artigo publicado na edição de número 16, ano 2, da revista Espiritismo e Ciência, da Editora Mythos)

Bibliografia citada:
1. Novo Aurélio – O Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa – Lexikon Informática e Editora Nova Fronteira
2. Nosso Lar – Francisco Cândido Xavier (médium) e André Luiz (espírito) – FEB
3. O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – LAKE
4. Viagem Astral – Iniciação – João Nunes Maia (médium) e Lancellin (espírito) – Fonte Viva
5. Memórias de um Suicida – Yvonne A. Pereira (médium) e Camilo Castelo Branco (espírito) – FEB
6. Driblando a Dor – Irene Pacheco Machado (médium) e Luiz Sérgio (espírito) – Recanto
7. Deixe-me Viver – Irene Pacheco Machado (médium) e Luiz Sérgio (espírito) – Recanto
8. O Abismo – R. A. Ranieri (médium) – orientação de André Luiz (espírito) – Fraternidade
9. Viagem Espiritual – Wagner Borges (médium e projetor) – Yogananda, Rama, Ramatis e Aïvanhov (espíritos) – Universalista
10. O Céu e o Inferno – Allan Kardec – LAKE
11. Tambores de Angola – Robson Pinheiro (médium) e Ângelo Inácio (espírito) – Casa dos Espíritos
12. Aconteceu na Casa Espírita – Emanuel Cristiano (médium) e Nora (espírito) – CEAK
13. Os Mensageiros – Francisco Cândido Xavier (médium) e André Luiz (espírito) – FEB
14. Viagem Espiritual II – Wagner Borges (médium e projetor) e autores diversos (espíritos) – Universalista
15. O Transe - Robson Pinheiro (médium) e Ângelo Inácio (espírito) – Casa dos Espíritos

Bibliografia complementar sugerida:
1. Pérolas do Além – Francisco Cândido Xavier (médium) e Emmanuel (espírito) – FEB
2. Obreiros da Vida Eterna – Francisco Cândido Xavier (médium) e Emmanuel (espírito) – FEB
3. Mãos Estendidas – Irene Pachedo Machado (médium) e Luiz Sérgio (espírito) - Recanto
4. Além da Matéria – Robson Pinheiro (médium) e Joseph Gleber (espírito) – Casa dos Espíritos
5. O que Encontrei do Outro Lado da Vida – Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho (médium) -espíritos diversos – Petit
6. Diálogo com as Sombras – Hermínio C. Miranda – FEB
7. Histórias que os Espíritos Contaram – Hermínio C. Miranda – LEAL
8. O Guardião da Meia-Noite - Rubens Sarraceni (médium) e Pai Benedito de Aruanda (espírito) - Madras

Indicação de sites correlatos:
http://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/esp-ciencia/003/umbral.html
http://www.guia.heu.nom.br/umbral.htm
http://www.pedroozorio.com.br/espirita/o_umbral.htm
http://www.consciesp.org.br/?pg=sos_regresso
http://www.pedroozorio.com.br/espirita/cidades_do_alem.htm
http://www.livroluz.com.br/msg/vidanotur.htm
http://www.portaluz.com.br/padrao_RESUMO_21.htm
http://www.celd.org.br/arquivos/p260201.doc
http://www.mkow.hpg.ig.com.br/suicidio.htm



BIBLIOGRAFIA

1. Novo Dicionário da Língua Portuguesa – Aurélio Buarque de Holanda
2. Site do IPPB – www.ippb.org.br
3. Site A Jornada – www.ajornada.hpg.ig.com.br
4. Viagem Espiritual II – Wagner D. Borges (texto) e Glória C. Costa (ilustrações)
5. Mãos de Luz – Barbara Ann Brennan
6. Passes e Radiações – Edgard Armond
7. Teoria dos Chakras – Hiroshi Motoyama
8. Psiquismo e Cromoterapia – Edgard Armond
9. Perispírito – Zalmino Zimmermann
10. O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
11. Evolução em Dois Mundos – André Luiz (espírito) e Francisco C. Xavier (médium)
12. Site de Conscienciologia - http://www.iipc.org.br/index2.php
13. Como Ver e Interpretar a Aura – Ted Andrews
14. Site Psicenter – www.fluidos.hpg.ig.com.br
15. Paranormalidade e Energia Mediúnica – Uma Pesquisa Kirliangráfica – Walter Lange Jr.
16. Espírito, Perispírito e Alma – Hernani Guimarães Andrade
17. Missionários da Luz - André Luiz (espírito) e Francisco C. Xavier (médium)
18. Um Fluido Vital Chamado Ectoplasma – Matthieu Tubino
19. Formas de Pensamento – Annie Besant e Charles W. Leadbeater
20. Diagnóstsico Bioenergético – Pesquisa Através da Clarividência – Roberto E. Silva e Ilza A. Silva (esgotado)
21. Animismo e Espiritismo – Alexander Aksakov
22. Mecanismos da Mediunidade - André Luiz (espírito) e Francisco C. Xavier (médium)
23. Mediunidade – Tudo o que Você Precisa Saber – Richard Simonetti
24. Mediunismo – Ramatis (espírito) e Hercílio Maes (médium)
25. Diversidade dos Carismas – vols. I e II – Hermínio C. Miranda
26. O Livro dos Médiuns – Allan Kardec
27. Técnica da Mediunidade – C. Torres Pastorino (esgotado)
28. Mediunidade – Edgard Armond
29. Prática Mediúnica – Edgard Armond
30. Falando de Espiritualidade – Wagner D. Borges
31. Mediunidade de Cura - Ramatis (espírito) e Hercílio Maes (médium)
32. Plenitude Mediúnica – Miramez (espírito) e João Nunes Maia (médium)
33. Conexão – Uma Nova Visão da Mediunidade – Maria Aparecida Martins
34. Iniciação – Viagem Astral – Lancellin (espírito) e João Nunes Maia (médium)
35. O Passe – Seu Estudo, Suas Técnicas e Sua Prática – Jacob Melo
36. Manual do Passista – Jacob Melo
37. Cure-se e Cure pelos Passes – Jacob Melo
38. Cromoterapia – Dicas e Orientações de Como as Cores Podem Mudar sua Vida – Elaine Marini
39. Um Guia Prático de Medicina Vibracional - Richard Gerber
40. Cromoterapia Técnica – Renê Nunes
41. Os Mensageiros – André Luiz (espírito) e Francisco C. Xavier (médium)
42. Nosso Lar - André Luiz (espírito) e Francisco C. Xavier (médium)
43. Segue-me – Emmanuel (espírito) e Francisco C. Xavier (médium)
44. Loucura e Obsessão – Manoel Philomeno de Miranda
45. Nos Domínios da Mediunidade - André Luiz (espírito) e Francisco C. Xavier (médium)
46. O Consolador - Emmanuel (espírito) e Francisco C. Xavier (médium)
47. Desenvolvimento Mediúnico – Edgard Armond
48. Pensamento e Vontade – Ernesto Bozzano
49. Milagres da Cura Prânica – Choa Kok Sui
50. Médiuns - Miramez (espírito) e João Nunes Maia (médium)
51. Respondendo e Esclarecendo – Edgard Armond
52. Orientação a Desencarnados – Série Gostas de Luz – Renato Ourique de Carvalho
53. Diálogo com as Sombras – Hermínio C. Miranda
54. Histórias que os Espíritos Contaram – Hermínio C. Miranda
55. O Exilado – Hermínio C. Miranda
56. A Irmã do Vizir – Hermínio C. Miranda
57. A Dama da Noite – Hermínio C. Miranda
58. Revista Internacional de Espiritismo – O Clarim - http://www.oclarim.com.br/revista/revista.html
59. Revista Espiritismo e Ciência – Mythos Editora – www.mythoseditora.com.br
60. Revista Cristã de Espiritismo – Editora Escala – www.escala.com.br